Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 4 de 11)

— Vovô, eu ainda preciso entregar meus pedidos.

— Certo, certo. Meu discurso terminou. Vá entregar suas coisas… Na verdade, espere. Há uma coisa.

— Hum?

Karg parou Oscar, se lembrando repentinamente de algo.

— Você tem ouvido os relatos de pessoas desaparecendo das partes menos prósperas da cidade nos últimos meses, certo?

— É, tenho.

— Tente ficar de olho nas crianças do orfanato. A maioria das pessoas que desapareceram eram muito jovens. Elas eram todas das favelas, então as pessoas andam dizendo que elas provavelmente saíram para tentar enriquecer em algum lugar, só para acabarem mortas em uma vala.

Karg tinha a sensação de que era muito pior que isso. Seu aviso sério refletia seu agouro.

— Você pode tirar o resto do dia de folga. Vá ver como todos estão no orfanato.

— Isso é o que eu pretendia fazer mesmo. Terei cuidado. Muito bem, até logo, vovô. — Oscar se curvou para Karg e saiu da sala. Ele se sentia mal por sempre fazer Karg se preocupar com ele.

— Se você tem que continuar com esse sorriso falso, deveria ir embora e fazer algo que realmente goste. Garoto burro… — murmurou Karg para si mesmo, discretamente o bastante para que não pudesse ser ouvido do outro lado da porta.

Assim que terminou de entregar a encomenda do dia, Oscar voltou para o orfanato. Ele estava localizado na periferia da capital, então era uma longa caminhada a partir oficina.

Oscar já era um adulto independente e possuía seu próprio lugar mais perto do centro da capital. Para ele, uma ida ao orfanato levava um pouco de tempo. Todavia, ele ainda considerava o orfanato sua casa. Oscar estava tão preocupado quanto Karg sobre os desaparecimentos recentes, e esteve voltando ao orfanato mais vezes nesses últimos meses.

Para começar, os subúrbios da capital não eram um lugar muito seguro. Muitos dos edifícios estavam degradados e abandonados. Em resumo, seu orfanato ficava nas favelas.

O orfanato abrigava muitas crianças, então era maior que todas as casas circundantes. Mesmo assim, ele não estava em um estado muito melhor do que qualquer uma delas. Uma casa de madeira decrépita como essa não poderia nem mesmo existir no centro da capital.

Afortunadamente, ela era muito mais robusta do que parecia. Quando Oscar chegou, já estava anoitecendo. O sol poente lançava sombras profundas entre as vielas.

Ele ficou em frente ao edifício por alguns minutos, depois circulou por trás.

— Parece que o alarme está funcionando. — Oscar pôs a mão no chão enquanto dizia isso. Após alguns segundos, ele tirou. Ele andou até todos os cantos do edifício e fez o mesmo. Por fim, fechou os olhos e colocou sua mão contra o próprio edifício.

— O fortalecimento está… aguentando muito bem. A barreira e o acumulador de mana também estão funcionando muito bem. — Oscar suspirou de alívio.

Embora suas ações parecessem aleatórias, o que quer que ele tivesse descoberto pareceu aliviá-lo.

Satisfeito que suas medidas de segurança estavam funcionando, ele voltou para a entrada e bateu na porta.

Moorin lhe disse que o orfanato sempre seria a sua casa e que ele não precisava ser tão formal, mas já que havia se mudado, ele achava que ainda era melhor bater.

— Hmm…? — Normalmente, uma das crianças teria atendido a porta, mas ninguém veio.

Talvez eu tenha batido fraco demais? Oscar tentou de novo.

Ainda sem resposta. Ele nem sequer conseguia ouvir o som das crianças brincando.

— Ah!? — Oscar teve uma péssima sensação sobre a situação. Algo devia ter acontecido. Para ele, o orfanato e as pessoas nele eram mais importantes que tudo.

— Mãe! Pessoal!

Uma parte pequena e racional de sua mente lhe dizia que precisava se acalmar e avaliar a situação. Todavia, seu corpo se moveu por conta própria. Cada segundo importava.

Ele escancarou a porta da frente e correu para a sala de estar.

— Dylan! Corrin! Ruth! Katy! Mãe! Alguém! — Ele gritou os nomes das crianças enquanto corria para a sala de jantar. Era por volta da hora habitual do jantar delas.

Seu coração se sobressaltou quando não ouviu nenhuma resposta, e ele quase arrancou a porta da sala de jantar das dobradiças. Dentro, ele encontrou…

— Bem-vindo de volta, querido~ Gostaria de jantar, um banho ou… eu, Miledi-tan? — Uma garota que ele não reconhecia. Ela usava um avental com babados e parecia ter por volta de quatorze ou quinze anos, talvez.

Seus cabelos longos e loiros estavam amarrados em um rabo-de-cavalo e quase parecia desafiar a gravidade quando balançava para frente e para trás. Ela possuía pernas esbeltas que estavam cobertas por meias altas. Ela estava com uma das pernas dobrada para trás em um ângulo fofo e sobre um dos pés. Debaixo do avental usava uma camisa sem mangas e em uma das mãos segurava uma concha de cozinha. Ela fez um sinal de paz com sua mão livre em frente ao olho e piscou para Oscar.

Ele poderia jurar que uma estrela saiu voando daquela piscadela.

A pose era tão perfeita que o aborrecia. Face a essa visão inesperada, Oscar reagiu da única maneira possível:

— Desculpe, parece que me enganei de casa. — Ele fechou a porta da sala de jantar e se afastou.

Realmente devo ter entrado na casa errada. Haha, talvez eu esteja cansado de tanto trabalhar.

Contudo, essa misteriosa e estranhamente animada garota não tinha nenhuma intenção de deixar Oscar escapar.

— Espere, não vá! Não acredito que você fechou a porta na minha cara! Uma garota extremamente linda acabou de se oferecer para você, então você deveria ter derramado lágrimas na hora! Sei que quer contemplar essas pernas perfeitas! Há apenas a quantidade certa de pele aparecendo entre minha saia e meias altas. Sei que não pode resistir a elas. Ambos sabemos que você é um grande pervertido, O-kun!

Ah, apenas se cale. Pare de agir como se fôssemos melhores amigos quando nem sequer te conheço. Além do mais, você obviamente é louca.

Em um segundo, Oscar já fizera seu julgamento sobre que tipo de pessoa essa garota era.

Ele ajustou os óculos e falou tão calmamente quanto pôde:

— Disse que se chamava Miledi, certo? Parece que você entrou na casa errada. Está ficando tarde. Você certamente deveria estar voltando para sua própria casa. Caso você tenha vindo aqui de propósito, isso significaria invasão. Em Velka, invasão é um crime grave. Se você não sair nos próximos três segundos, vou ter que te prender. — Oscar sorria enquanto alvejava Miledi com uma ameaça indisfarçada.

— Isso não é nenhuma ameaça indisfarçada. Você obviamente quer que eu vá embora! Que malvado! Quero que saiba que era o meu destino conhecer você, O-kun…

— Muito bem, seus três segundos acabaram. Mãos para o alto.

Oscar tirou um objeto pequeno de seu bolso. Era um transmissor. Seu alcance era limitado à capital, mas era um equipamento valioso que normalmente apenas os nobres eram ricos o bastante para comprar. Naturalmente, ele fizera esse para si.

A garota também reconheceu isso e começou a entrar em pânico. Só então, um bando de crianças surgiu em sua defesa.

— Huaaaaaaaaah! Onii-san, espere!

— Ela não é uma suspeit… Está bem, ela é muito suspeita, mas também é nossa convidada!

— Onii-chan, por favor, perdoe ela. Pedirei desculpas também! Sinto muito por ela ser tão irritante.

— Eu sou inocente, onii! Isso é tudo culpa daquela senhora barulhenta!

As crianças saíram de vários esconderijos de dentro da sala de jantar. A razão pela qual Oscar fora capaz de lidar com tanta calma com Miledi foi porque ele avistou as crianças espiando de seus esconderijos quando ela abrira a porta de novo.

— O-ouvir eles me insultarem tão indiferentemente meio que dói… — murmurou Miledi enquanto se deprimia no chão. Oscar suspirou e se virou para uma senhora idosa que havia acabado de entrar na sala de jantar.

— Não posso acreditar que até mesmo você estava metida nisso, Mãe…

— Sinto muito. Mas Miledi-san parecia tão animada em fazer essa brincadeira. E nunca vi você surpreso com nada, então achei que seria divertido.

— Divertido, hum…? Bem, não foi muito divertido para mim. Eu fiquei realmente preocupado com vocês pessoal. — Oscar suspirou de novo.

Moorin, a gerente do orfanato e mãe de aluguel de todos, sorriu para ele. Ela se aproximava dos setenta anos, mas mal parecia ter mais de trinta quando sorriu.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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