Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 8 de 22)

— Espera, agora que estou pensando… — Oscar se recordou de algo que um aventureiro lhe dissera. Ao que parecia, muitos cavaleiros templários foram vistos nos pisos centrais do Caminho Verde. O que era coloquialmente referido como os pisos centrais era o conjunto de pisos do 50º ao 70º.

Eles teriam algo a ver com o desaparecimento das crianças?

— Acho que vou para lá antes… Não tenho tempo a perder, então vou fazer as coisas da forma rápida. Nada é mais importante do que a segurança delas. Mesmo que alguém me veja, vale o risco. — Oscar se concentrou.

Um segundo depois ele foi cercado por um halo rodopiante de mana. Era tão brilhante que iluminou o chão como um sol.

Ao mesmo tempo, soluços de crianças ecoavam por todo o 65º piso.

Dentro da complexa rede de passagens que compunha o piso havia uma prisão. As celas foram esculpidas diretamente do leito da rocha, com barras de ferro encobrindo a frente. As crianças chorando dentro de uma das celas recebera apenas um único cobertor fino para evitar o frio. Elas se amontoaram, abraçando os joelhos.

Entre elas, apenas um garoto não estava chorando. Lágrimas preenchiam seus olhos, mas ele recusava obstinadamente a deixá-las cair. Era Ruth.

Como Oscar temia, Ruth e os outros tinham sido raptados a caminho de casa. Todos receberam algum tipo de inspeção mágica, e apenas Ruth fora separado das outras.

O que fizeram com todos os outros? Por que eles só me pegaram? O que vai acontecer comigo? Essas preocupações giravam dentro da cabeça de Ruth, o paralisando de medo. No entanto…

Ruth olhou para todas as crianças chorando ao seu redor. Todas elas tinham em torno da mesma idade que ele. Quando as viu, ele se lembrou de seus próprios irmãos do orfanato.

— É dever do irmão mais velho proteger seus irmãos mais novos. — As palavras do rapaz que ele se acostumara a se espelhar, o cara que lhe traíra passou pela sua mente.

— Não sou nada como aquele idiota sorridente! — Ruth usou sua raiva para rechaçar o medo. Ele se convenceu e foi até as grades de ferro.

Ele se certificou de que não havia nenhum guarda do lado de fora. Depois de ter certeza de que apenas as outras crianças estavam vendo, ele se abaixou e pegou uma pedra. Ele começou a riscar o chão ao lado das barras.

Ele estava desenhando um círculo mágico simples. O cara que já não mais respeitava lhe ensinou isso há muito tempo.

— Você é como eu, Ruth. — Como Oscar, Ruth era um Sinergista. A voz de Oscar ecoou pela mente de Ruth mais uma vez. Ele ensinara Ruth o básico da transmutação há muito tempo.

Naquela época, Ruth realmente o respeitava. Oscar era gentil, talentoso e sempre trabalhava duro. Ele poderia transformar qualquer coisa que sonhasse em realidade, e fora até mesmo recrutado pelo chefe de uma das melhores oficinas da cidade. Não seria exagero dizer que Ruth adorava Oscar.

Ele era mais orgulhoso dele do que qualquer um.

Seu sonho sempre foi de um dia ser tão bom quanto Oscar, e ter seu nome conhecido por todo o mundo.

— Eu não vou desistir! Eu não sou um perdedor como você! Eu vou ser o maior Sinergista da história, apenas veja! Transmutar! — Com sangue escorrendo pelos seus dedos, Ruth pôs as mãos no chão e deu vida ao círculo mágico. Mana laranja brilhante iluminou o canto da cela.

As outras crianças observaram com espanto. Elas perceberam que Ruth estava tentando fugir. Elas observavam com lampejos de esperança em seus olhos. No entanto…

— Não… Como assim? — A magia de Ruth ativou, mas nem as barras de ferro nem o chão alterava. Ruth entoou o feitiço de novo. Ele continuou até que estivesse quase sem mana. Suor escorria por sua testa e seu corpo tremia.

Infelizmente, a realidade não se importava com quanto de esforço você colocasse em algo.

— Por quê!? — A mana de Ruth se dissipou. Ele se curvou de joelhos e bateu a testa nas grades.

Apesar de ter criado coragem suficiente para revidar, no fim, ele fora incapaz de fazer qualquer coisa.

— Algum dia iremos para casa? — sussurrou uma das garotas. O desespero das crianças se multiplicou depois de verem seu último raio de esperança se extinguir. Elas se resignaram ao seu próprio destino.

— Não se preocupe, estou aqui com você. — Se fosse o velho Oscar, Ruth poderia até ter acreditado nessas palavras. Se fosse o Oscar que não ria dos insultos com aquele seu sorriso repugnante, ele poderia ter acreditado nessas palavras. Ele continuaria a ter esperança, e talvez compartilhasse essa esperança com as outras crianças.

Mas tal como era, ele não podia. Tudo o que vinha à mente quando pensava em Oscar era o garoto que aceitava ser chamado de perdedor. E então ele não disse nada. Ruth mesmo estava prestes a se desesperar.

Contudo, naquele momento…

— Ei. O que foi isso? — chamou uma voz suspeita. Não parecia zangada, mas as crianças ainda assim se encolheram de medo.

Um dos guardas de patrulha notou a luz da transmutação de Ruth e viera investigar. O guarda na verdade era um cavaleiro. Ele usava uma armadura de placa e portava uma insígnia no peito. Ele parecia visivelmente fora da área de atuação no Caminho Verde.

As crianças não reconheciam a insígnia, mas a maioria dos adultos na cidade sim. Era o emblema dos cavaleiros templários, o grupo de soldados de elite que juraram lealdade à Santa Igreja.

O cavaleiro não tinha o capacete, mas ele ainda parecia a figura imponente de armadura de placa completa. Não era de se admirar que as crianças tivessem medo dele. Sua presença intimidadora deixou todos emudecidos, incluindo Ruth.

Ele se apressou para longe das barras, tropeçou e caiu de costas.

O olhar do cavaleiro caiu sobre Ruth, depois dele para o que estava na sua frente… O círculo de transmutação que Ruth desenhara.

— Seu pirralho… Estava tentando fugir?

— Hiii…

Um sentimento perigoso vinha da voz do cavaleiro. Ruth tremia, incapaz de fazer algo além de gritar.

— Acho que devia ter esperado isso de um dos Incompatíveis. Você nem percebe que honra é ser escolhido como um dos servos de Ehit… Me disseram para manter vocês vivos, mas ninguém disse que eu não poderia lhes dar um sacode. Crianças más precisam ser castigadas, afinal. — O cavaleiro levantou a mão. O círculo mágico gravado em sua manopla começou a brilhar.

Aqueles bem-versados em magia reconheceria isso como um círculo mágico de um feitiço Bola de Fogo.

O cavaleiro olhou para as pernas de Ruth, com seus pensamentos estampado na cara.

Não havia nada que Ruth pudesse fazer para resistir. Ele estava tão aterrorizado que nem sequer se movia. E assim, ele fechou os olhos com força.

As outras crianças, certamente ciente do que ia acontecer, berraram e se afastaram.

— Queimarei a grandiosidade de Ehit em sua carne!

— Acho que não. — Uma voz fria interveio. Instantes depois, o cavaleiro gemeu de dor.

Ruth abriu timidamente um dos olhos. O cavaleiro estava no chão e Oscar diante dele. Por algum motivo, ele segurava um guarda-chuva preto.

— Hã? Ani… ki?

— Não ouço você me chamar assim há muito tempo. Vim aqui para te levar para casa, Ruth. — Oscar sorriu gentilmente.

Por um momento, o cérebro de Ruth não conseguia entender que o homem diante dele era Oscar.

Sua confusão era compreensível. Oscar estava usando roupas estranhas e carregando um guarda-chuva preto. Mas acima de tudo, ele não parecia ser o mesmo preguiçoso e despreocupado de sempre. Não, esse Oscar tinha um brilho nos olhos e parecia perigoso. Com suas feições graciosas e óculos elegantes, ele parecia mais como um filho bem-sucedido de um nobre do que um homem que saiu de um orfanato.

Oscar olhou para o chão na frente de Ruth. Quando ele avistou o círculo mágico, ele esticou a mão em direção a ele.

— Ah, a transmutação não funcionou…

— É. Isso é por causa do que as barras são feitas. Olhe, me deixe te mostrar.

Mana amarelo-dourado rodopiou ao redor de Oscar. Ele não falou um cântico ou usou um círculo mágico, mas ele ainda conseguiu o que Ruth não conseguira.

— As barras são feitas de vedapedra. Ela dissolve mana. A maioria das prisões a usam, mas mesmo a vedapedra tem seu limite. Se você colocar mais mana em sua transmutação do que o minério consegue lidar, você será capaz de reforjá-la como todo o resto. — Oscar transmutou facilmente as barras, as transformando em lingotes de chumbo.

Depois, ele se ajoelhou e olhou para Ruth nos olhos.

— Você fez bem, Ruth. Foi porque você usou a magia de transmutação que eu pude te encontrar tão rápido.

— Aniki… Eu… — Oscar bagunçou o cabelo de Ruth. O rosto de Ruth franziu. Seus esforços não tinham sido em vão depois de tudo.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

4 Comentários

  1. Agora… O restante das crianças…

    Muito obrigado pelo capítulo 🙇🏻‍♂️😁

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