Arifureta – Volume 1 – Capítulo 4 (Parte 3 de 18)

— Yue, você quer um pouco… Ééé, espere, talvez você não devesse comer isso, não é? Eu realmente não quero que você experimente aquele tipo de dor… Na verdade, já que é uma vampira, você consegue comer carne de monstro tranquilamente? — Comer carne de monstro tinha se tornado uma rotina natural para Hajime nesse ponto, e quase convidou Yue para comer com ele por hábito, antes de se corrigir. Ele olhou para ela e viu que estava brincando com a sua nova arma. Quando notou o seu olhar, ela parou por um momento e balançou a cabeça dizendo “Eu não preciso de comida”.

— Acho que faz sentido. Você sobreviveu 300 anos sem ela, afinal… Mesmo assim, você não fica com nenhuma fome?

— Eu fico… mas estou cheia agora.

— Está? Você já comeu alguma coisa? — Ele inclinou a cabeça, confuso com a declaração de Yue. Ela apontou para Hajime.

— …Mhmm. Seu sangue, Hajime.

— Aah, entendi. Então quer dizer que enquanto tiverem sangue, os vampiros não precisam comer?

— Também podemos absorver nutrientes através da comida, mas o sangue é mais eficiente.

Ele supôs isso apenas com a lógica de que um vampiro estaria bem apenas com sangue. Então Yue está cheia com o sangue que sugou de mim. Quando ele assentiu para si mesmo compreendendo, Yue lambeu os lábios sugestivamente.

— …Por que você está lambendo os lábios assim?

— Hajime… você tem um gosto bom…

— Is-Isso não é verdade, já comi tantos monstros agora que eu provavelmente tenho um gosto nojento.

— Seu sangue tem um sabor muito suntuoso…

— ……

Segundo Yue, o sangue de Hajime tinha um gosto muito parecido com uma sopa saborosa. Pensando bem, ela parecia muito feliz enquanto estava sugando meu sangue da última vez também. Ele pensou que deveria ter sido semelhante a comer uma refeição de primeira classe depois de estar faminto por semanas.

Mas, quando ela lambeu os lábios daquele jeito, parecia estranhamente sedutora, então Hajime queria que ela parasse com isso. Eram horas como essas que se lembrava de que ela era muito mais velha que ele. Mas, a sua aparência externa ainda era como a de uma jovem, o que fazia Hajime se sentir culpado por ter pensamentos sujos.

— …Sangue delicioso.

— Por favor, me dê um tempo. — Sua nova parceira era bastante perigosa, em mais de um sentido.

No mesmo dia que Hajime e Yue tinham se conhecido e lutado contra o escorpião, Kouki e os outros tinham voltado até a entrada do Grande Labirinto Orcus. Dessa vez, no entanto, não era a turma toda, mas apenas o quarteto de Kouki, Hiyama e seu bando de valentões, e um membro do clube de judô chamado Jugo Nagayama, juntamente com os cinco membros robustos de seu grupo.

A razão para o retorno deles era muito simples. Mesmo que eles evitassem falar sobre isso, a morte de Hajime ainda estava pesando sobre a maioria dos estudantes. Eles tinham percebido que poderiam realmente morrer lutando aqui nesse mundo, e esse fato tinha abalado muito a confiança em suas capacidades. A morte de Hajime havia traumatizado eles.

Naturalmente, a Santa Igreja não estava nada feliz com o rumo dos acontecimentos. Eles instaram os estudantes a voltar e ganhar mais experiência na luta prática, pensando que o tempo e a familiaridade iriam curar suas feridas.

Todavia, Aiko tinha se oposto veementemente a esse plano.

Ela não esteve presente na fatídica excursão que Hajime caiu. Por causa da classe rara e valiosa que ela possuía, a Santa Igreja queria que ela se concentrasse na cultivação da terra ao invés da obtenção de experiência em combate. Contanto que eles tivessem os seus poderes agrícolas, eles poderiam resolver facilmente seus problemas alimentares.

Quando ela soube da morte de Hajime, Aiko tinha desmaiado de choque. Ela se sentia responsável pelos estudantes, e não podia perdoar a si mesma por se esconder no castelo onde era seguro, enquanto um dos seus alunos havia lutado e morrido. Ela se culpou por não ter sido capaz de levar todos em segurança de volta ao Japão. Por isso que ela recusou firmemente a permitir os seus alunos serem expostos a qualquer outro perigo.

A sua classe era especial o suficiente para que ela fosse capaz com suas próprias mãos, revolucionar os padrões da agricultura nesse mundo. Então, quando ela protestou sobre quaisquer outros exercícios de treinamento práticos, a Santa Igreja não tinha escolha senão aquiescer. Eles não podiam se dar ao luxo de contrariar Aiko.

Como resultado, apenas os grupos de Kouki, de Hiyama e de Jugo, que tinham se oferecido voluntariamente para voltar ao campo de batalha, estavam no labirinto. A fim de ficarem mais fortes, eles tinham escolhido desafiar o Grande Labirinto Orcus mais uma vez. O Capitão Meld e um contingente de cavaleiros também estavam escoltando os alunos dessa vez.

Hoje marcava o sexto dia da sua expedição.

Eles haviam caminhado até chegar ao sexagésimo piso. Depois de apenas mais cinco pisos, eles chegariam ao ponto mais profundo em que os humanos jamais exploraram.

Todavia, Kouki e os outros estavam atualmente emperrados. Não que fosse impossível avançar, mas sim que a visão perante eles trazia de volta o velho medo que os mantinham congelados no lugar.

Um penhasco enorme se estendia à frente deles. Embora não fosse o mesmo do qual Hajime tinha caído, era semelhante o suficiente para ressuscitar memórias desagradáveis. A fim de avançarem para o próximo piso, eles teriam de atravessar a ponte suspensa que atravessava a sala. Em princípio, isso não teria sido nenhum problema, mas as memórias passadas prenderam os estudantes no lugar. Kaori sobretudo, ficou ali parada, olhando intensivamente para baixo no abismo.

— Kaori… — Shizuku, angustiada, chamou a sua amiga. Kaori balançou a cabeça lentamente e se virou sorrindo para Shizuku.

— Estou bem, Shizuku-chan.

— Tudo bem… mas não se esforce, está bem? Você não precisa fingir que é forte na minha frente.

— Ehehe, obrigada, Shizuku-chan.

Shizuku devolveu o sorriso à Kaori. Uma luz poderosa ainda habitava as profundezas dos olhos de Kaori. Ela não estava mais nas garras do desespero. Shizuku, que era dotada com uma capacidade de observação acima da média e um talento para compreender os sentimentos dos outros, percebeu que Kaori estava dizendo a verdade quando disse que estava bem.

Kaori é realmente forte. Era mais do que certo que Hajime estava morto. Suas chances de sobrevivência eram honestamente inferiores a um caso perdido. Apesar disso, Kaori escolheu nem fugir desse fato, nem o negar. Ela simplesmente continuou seguindo em frente, determinada a ver a verdade por si mesma. Shizuku admirava sua força.

Mas, como sempre, o herói cabeça-dura da classe era incapaz de perceber isso. Para Kouki, parecia como se Kaori estivesse fazendo nada mais do que sofrer pela morte do seu colega de classe. Ela deve ser realmente bondosa se ainda estiver triste sobre a sua morte. Assim, quando ela sorriu para Shizuku, ele concluiu que ela devia estar se esforçando para parecer alegre.

Ele nem sequer considerava a possibilidade de que Kaori gostasse de Hajime, ou que ela ainda achasse que ele poderia estar vivo, então ele se aproximou para oferecer algumas palavras desnecessárias de consolo.

— Kaori… Eu realmente admiro a forma como você é gentil. Mas você não pode se deixar deprimir por causa da morte do seu colega de classe para sempre! Temos de seguir em frente. Tenho certeza de que é o que Nagumo gostaria também.

— Ei, Kouki…

— Por favor, me deixe acabar, Shizuku! Eu sei que ela talvez não queira ouvir isso, mas como o seu amigo de infância, tenho que abrir os olhos dela! Kaori, ficará tudo bem. Eu ainda estou aqui com você. Eu nunca irei morrer. E não vou deixar que ninguém mais morra. Prometo não deixar que nada te entristeça nunca mais.

— Haaah, esse cara nunca muda… Kaori, eu…

— Ahaha, não se preocupe com isso, Shizuku-chan. Hmm… Eu sei o que está tentando dizer, Kouki-kun, então você não precisa se preocupar tanto.

— Sabe? Que bom que eu te fiz entender! — Kaori sorriu desajeitadamente, se sentindo um pouco culpada por fomentar o mal-entendido de Kouki. Mas, mesmo que tentasse se esclarecer para ele, ela duvidava que ele entenderia.

Hajime já estava morto há muito tempo na mente de Kouki. Então, era impossível para ele compreender que a razão pela qual Kaori se dedicou tão fervorosamente a treinar, e estava tão ansiosa para voltar ao labirinto, era porque ela queria procurar por Hajime. Pelo fato de Kouki nunca duvidar que as suas próprias convicções eram a verdade absoluta, ele se limitaria a pensar que Kaori era incapaz de encarar a realidade, ou que a morte de Hajime tinha, de alguma forma, danificado mentalmente ela se lhe dissesse seus sentimentos reais.

Ela conhecia Kouki há tempo suficiente para que entendesse como ele pensava, e, portanto, decidiu que era muito mais simples só concordar com suas interpretações.

Dito isso, ele também não tinha segundas intenções ao tentar animar Kaori. Ele estava preocupado seriamente com o seu bem-estar. Tanto Shizuku quanto Kaori estavam acostumadas com seu comportamento, então elas normalmente apenas o ignorariam, mas, tivesse aquela frase sido dirigida a qualquer outra garota, ela teria se apaixonado por ele em instantes.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Esse Kouki é muito chato. A Kaori está fazendo coisas em vão, o Hajime deve estar cagando e andando para a maioria, se não todos, dos colegas de classe. Obrigado pelo capítulo!

    1. Pois é, querendo ou não e
      A Kaori um dos motivos do protagonista sofrer Bully, entretanto não concordo com a mentalidade inicial do protagonista de sofrer calado, eu teria caído na porrada mesmo que eu tenba apanhado depois.

  2. sinto muito mas, como ja tinha lido esse capitulo uma vez no inglês, nao aguento ler as baboseira do kouki de novo, mesma assim belo trabalho.

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