Arifureta – Volume 1 – Capítulo Extra (Parte 5 de 5)

— Yue?

— …Ela conhece uma parte de Hajime que eu não. E ela até mesmo alimentou você com sua comida. Além disso, você a conhece bem o suficiente para pensar nela logo quando comida é o assunto. Estou com ciúmes.

— U-Uau, você é bem honesta sobre isso. Espere, calma aí. O que isso tem a ver com você se inclinando assim para mim? — disse Hajime, se sentindo cauteloso, e agarrou Yue pelos ombros para impedi-la de saltar nele. Mas, Yue não seria parada.

— …Tudo. Preciso preencher sua mente com nada além de mim, Hajime.

— Não, não, não, Shirasaki só me veio à cabeça por causa do assunto, nós não somos realmente…

— Está tudo bem. Não vai doer. Só faremos uma pequena pausa.

— Quantas vezes tenho de dizer!? Essas frases são as frases de um cara! E se um cara diz isso, então você sabe que está em apuros. Se controle um pouco, sua princesa vampira sensual estúpida! Não ache que as coisas vão sempre sair só da sua maneira! Sou um homem japonês que sabe como se afirmar e dizer não!

Hajime cuspiu balbucias incompreensíveis enquanto Yue se aproximava dele, tentando beijá-lo. Ele continuou montando sua frágil oposição por razões escusas como seu orgulho ou dignidade, mas, no fim, foi tudo sem sentido. Algum lugar lá no fundo, poderia ter existido um Hajime taciturno e ousado que era estoico o suficiente para recusar seus avanços, mesmo que houvesse, ele nunca deixaria transparecer. Porque ele mesmo já tinha decidido aceitar Yue, de corpo e alma, então ele sabia que suas queixas eram só uma encenação.

Como prova, desde aquela noite no banho, ele nunca tinha sido apto a recusar Yue. Todas as vezes que ela veio até ele nesse último mês, ele sempre acabava por ceder relutantemente. Mesmo quando estivera treinando suas habilidades Ocultar Presença e Sentir Presença, ele não tinha sido capaz de escapar de Yue.

A única vez que ele tentou se esconder seriamente dela, Yue passou horas vagando na escuridão do abismo procurando por ele, chorando de solidão.

“Hajiiiime, onde você estáááá”, ela havia chorado como uma criança, esfregando os olhos. Hajime, quem era surpreendentemente firme pelo menos quando se tratava de treinar, ainda tinha parado seu esconde-esconde improvisado quase que instantaneamente.

Ele não havia tecnicamente perdido, mas foi como se tivesse. Especialmente considerando o que tinha vindo depois.

Quando ele cancelou esse treinamento, Yue se manteve especialmente perto dele durante os próximos dias. A quantidade de vezes que ela havia o atacado à noite naqueles dias foi maior do que o habitual.

Sua mente estava cheia de nada além de pensamentos sobre Hajime. Quando ele estava ocupado transmutando armas e balas novas, ela ficava sentada ao lado dele costurando roupas do tecido que Oscar deixou para trás e o pelo de monstro que eles haviam recolhido. E ela fez com que, independentemente do fato de serem suas roupas ou dele, se tornassem completamente de acordo com seus gostos.

Ela também fez questão de se vestir com todas as roupas que fez para se exibir a ele. No início, suas habilidades de costura eram imperfeitas e ela teve dificuldades em fazer roupas do tamanho certo, porém, em pouco tempo, se tornou muito habilidosa com os dedos. Com suas habilidades consideravelmente melhoradas, ela também tinha começado a fazer roupas íntimas muito adultas para usar à noite.

Ela daria a Hajime um espetáculo erótico, corando timidamente enquanto usava as roupas que ela mesma fez, e essas situações sempre acabavam em Hajime perdendo sua vontade de resistir aos seus avanços. Com sua vontade assim rompida, o próximo passo de Yue estava livre de falha para então levá-lo para cama.

Houve uma vez que eles foram pescar juntos no rio, e o traje de banho de Yue havia encantado Hajime de tal forma que o seduziu na hora.

Desde aquela primeira noite no banho, também tinha se tornado um acordo tácito que eles sempre iriam tomar banhos juntos. Hajime nunca era capaz de resistir as articulações de Yue, e sempre acabava deixando ela lavar suas costas. Ela não parava só em suas costas, no entanto, e logo acabava por dar o bote nele todas as noites no banho.

Além disso, ela ficava excitada sempre que sugava o sangue de Hajime, e incapaz de restringir seus instintos, ela iria, invariavelmente, sempre dar o bote nele assim que bebesse.

Ele tentaria recusar, é claro, mas… Nos últimos tempos, ele não tinha certeza por que ainda estava se incomodando em resistir, e havia parado de colocar até a aparência de recusa aos seus avanços.

Essa noite, mais uma vez, o orgulho e reação quase inexistentes de Hajime foram dominados pela paixão e luxúria ilimitada de Yue. Suas próximas palavras foram os últimos pregos no caixão que finalmente mataram sua vontade de resistir. Yue disse, com bochechas coradas:

— …Só quero te beijar. Por favor.

— Ah.

Quando sua amante olhou para ele com os olhos molhados e implorou sinceramente, Hajime não pôde fazer nada para resistir. Como um robô com sua bateria removida, toda a energia foi drenada de seu corpo. Por um momento, seu corpo foi afetado pelo estado encantado, e Yue não iria perder uma oportunidade dessas.

— D-Droga…

— Você é meu.

Os gritos de prazer de um homem ecoaram por toda a casa de pedra.

O monstro nascido no abismo não tinha chance de alguma vez vencer essa batalha.

Hajime saiu para o terraço e se jogou no sofá do lado de fora. Ele refletia sobre a derrota de hoje enquanto se aquecia nos raios da lua artificial. Naturalmente, havia uma pequena garota vampira aninhada e aconchegada em seus braços.

Yue se moveu um pouco em seus braços, depois ficou olhando para ele. Hajime estava respirando suavemente com os olhos fechados. Embora ele ainda não estivesse na terra dos sonhos, estava muito próximo.

Ela sentiu algo quente florescer dentro de seu peito enquanto observava ele descansar em paz. O calor se desenvolveu em um calor ardente, todavia, em vez de ser doloroso, parecia maravilhoso. Yue deu um suspiro apaixonado enquanto continuava olhando para Hajime.

Até onde ela sabia, a existência dele era como um milagre. A visão de ele brilhando em escarlate com mana quando ele havia a libertado da sua prisão de pedra foi esculpida permanentemente em seu coração. Seus trezentos anos de desespero não foram nada comparado ao seu encontro com Hajime. Quando ela pensou em quão maravilhosa sua vida atual era, e quanto mais felicidade certamente a esperava, ela sentiu que valeu a pena sofrer todos aqueles anos de tormento se isso significava poder ficar junto dele.

Porventura, por outros olhos, ela poderia parecer nada mais que excessivamente pegajosa ou simplesmente dependente dele. Eles poderiam pensar que ela estava simplesmente exagerando o quanto Hajime tinha feito por ela. Mas, qualquer um que tivesse visto o encontro do casal, teria concordado que isso era o suficiente para justificar seu comportamento.

Contudo, independentemente do que outros pudessem dizer, Yue jamais mudaria de ideia. Suas opiniões não significavam nada para ela. Naquela hora, ele estivera disposto a morrer por ela, uma garota que tinha acabado de conhecer. Durante aquela luta com o escorpião, Yue havia decidido que iria se entregar a esse homem, o único que tinha se juntado voluntariamente ao seu destino.

Era óbvio, considerando as circunstâncias de Hajime e a situação que estava, que o caminho pela frente seria cheio de perigos. Mas, algo dentro dela ainda lhe dizia que ele era único. Ele não era alguém que iria usá-la como isca para fugir de seus próprios problemas, nem era alguém que iria acabar como um simples amigo.

Era clichê demais para que ela dissesse algum vez em voz alta, porém, se ela tivesse que colocar em palavras… ela teria dito que seu encontro foi o destino. Para ela, pelo menos, foi um encontro predestinado.

Razão pela qual ela não iria parar. Ela iria continuar mostrando o quanto o amava. Ela iria continuar o acalentando. E sem hesitação, ela iria oferecer tudo de si a ele. Para o garoto que ela havia conhecido após trezentos anos de encarceramento.

Mesmo que Hajime realmente amasse outra pessoa, mesmo que ele fizesse o mundo inteiro seu inimigo, mesmo se ele viesse a odiar Yue, ela nunca pararia.

— …Fufu, você nunca será capaz de escapar dessa vampira. — Se alguém fosse resumir seus sentimentos em uma só sentença, seria essa.

— Hum? Disse algo? — Os olhos de Hajime se abriram quando ele ouviu Yue murmurar alguma coisa. Ela estava meio que montada nele enquanto olhava para o seu rosto. Hajime retirou gentilmente alguns fios de cabelos perdidos da boca dela.

Ele trilhou os dedos por todos os seus lábios e repousou em sua bochecha. Quando ele fez isso, o pescoço de Yue estremeceu um pouco.

— Não, nada — respondeu ela.

Achando sua reação divertida, Hajime começou a fazer cócegas em sua bochecha e nuca. Seus gemidos ficaram lentamente mais e mais apaixonados. Hajime estava prestes a tirar a mão, mas os olhos dela lhe imploraram para continuar. Ele lançou seu olhar ao redor do lugar, procurando uma maneira de escapar, mas ainda assim cedeu eventualmente. Ela se grudou nele como um gato, e antes que percebesse, ele estava acariciando a linda garota deitada em seu peito.

Mais uma vez, Hajime tinha perdido. Não importa o quão mais forte o monstro do abismo se tornasse, ele nunca seria capaz de ganhar contra a bela princesa vampira.

Entretanto, se o ditado “aquele que se apaixona primeiro perde” fosse realmente verdade, então Yue era quem tinha efetivamente perdido mais.

Eles eram ambos perdedores, mas ao mesmo tempo eram ambos vencedores. Tal era a relação entre o monstro do abismo e a princesa vampira.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

8 Comentários

  1. Pelo menos é um amor verdadeiro de ambas as partes!
    PS: (ele estava acariciando a “linha” garota deitada em seu peito.) Ali seria “linda” não seria?

  2. WTF kaguya-sama? Mano amo quase todas do harém do Hajime (coisa difícil de acontecer) mas a yue é e sempre será a melhor

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