Arifureta – Volume 1 – Histórias Curtas Bônus (2 de 6)

A Descida da Deusa Sagrada ao Paraíso

 

A abundância de mercadorias preenchendo cada prateleira e estantes fazia o interior da loja parecer um pouco apertado, apesar da grande quantidade de espaço. Ao fundo, a música de um desenho animado popular estava tocando, alto o suficiente para ser ouvido, mas não o suficiente para ser importuno. Essa loja era famosa nacionalmente por sua seleção de desenhos animados, quadrinhos e outros desses produtos.

Naturalmente, o interior da loja estava cheio de peregrinos fazendo a jornada para essa terra sagrada. A maioria deles podiam ser classificados como “guerreiros” ou como “cavalheiros”. Alguns deles haviam trazido os seus amigos juntos também, e a loja estava transbordando com discussões entusiasmadas sobre quem era a melhor garota ou qual era o desenho animado da temporada.

Dentro desse campo de batalha eterno existia um único refúgio de paz e tranquilidade. No fundo da loja havia uma seção especial isolada atrás de um par de cortinas. Um sinal grande “Proibido menores” estava impresso em cada cortina. Como alguém deve ter adivinhado, era uma seção para adultos da loja.

Não importa o quão durão um veterano fosse, suas vozes ficariam naturalmente silenciosas quando entrassem, e eles começavam instantaneamente a se preocupar com os olhares dos outros à sua volta. Mesmo a música do desenho animado tocando ao fundo parecia reprimida em tal solo sagrado.

No entanto, hoje, essa atmosfera tranquila foi quebrada abruptamente.

— E-Espere, Kaori. Não pode entrar assim!

— M-Mas, Shizuku-chan…

Vozes de duas garotas interromperam o silêncio. Seu tom claro e agudo soaram tal como o tocar de um sino. Todos os guerreiros dentro abandonaram o que faziam e espreitaram timidamente de trás de suas prateleiras. Havia um único dedo fino e feminino aparecendo por trás das cortinas.

Todos os homens presentes pensaram simultaneamente: Espere, não me diga que ela está vindo aqui!? Droga, isso quer dizer que não há saída!

— Nada de mas. A versão para todas as idades está esgotada, então deixe isso de lado já.

— Mas… A empresa do pai de Nagumo-kun fez esse jogo. E se Nagumo-kun também jogasse a… versão do jogo d-dezoito mais?

— O-Ouça. Você queria esse jogo para ter o que conversar com Nagumo-kun, certo? Está planejando conversar sobre as cenas de s-sexo com ele na aula ou algo assim? Acho que é mais provável que ele corra na direção oposta se você tentar. Apesar de talvez não pelas razões que você pensa.

A fim de ter algo para conversar com sua paixonite, Hajime Nagumo, Kaori veio aqui hoje para comprar o jogo que o pai de Hajime Nagumo havia produzido. Todavia, devido à sua esmagadora popularidade, a versão para todas as idades já esgotara em todas as lojas, e só havia poucas cópias da versão +18 sobrando. E até mesmo isso foi só porque algumas das lojas pediram acidentalmente mais estoque do que tinham pretendido.

Considerando sua idade, Kaori não seria capaz de comprar a versão +18 de qualquer maneira, mas direta e destemida como era, ela ainda estava querendo tentar.

— E-Eu sei. Mas ainda assim… não tente me impedir, Shizuku-chan! Às vezes uma garota tem que fazer o que é necessário!

— Sim, mas essa não é a hora. Ei, não, espere, pare!

Houve uma tomada de fôlego coletiva enquanto os guerreiros testemunhavam uma garota romper através das cortinas. Por um momento todo mundo ficou sem palavras, mas logo os sussurros começaram.

“Puta merda, ela é gostosa…” e similares.

A primeira visão que saudou Kaori quando ela invadiu a seção +18 foi um pôster tamanho real de uma garota seminua. Ela corou até a ponta das orelhas e depois olhou apressadamente para baixo quando viu o olhar pasmo de todos os homens da seção focados nela. Shizuku, que estava atrás dela, agarrou seu braço e tentou tirá-la de lá. Contudo, Kaori não seria dissuadida, e com sua determinação equivocada ela disse “N-Não perderei aqui!” antes de dar outro passo dentro do santuário proibido.

Shizuku se manteve tentando desesperadamente retirar Kaori, mas ela estava envergonhada demais para poder utilizar grande parte de sua força. E assim, ela foi arrastada involuntariamente atrás de Kaori, como uma menina perdida em outro mundo.

— Ah. S-Shizuku-chan, eu o encontrei!

— O-O quê? Poderia parar por favor de me arrastar?

Sem se importar com seus apelos, Kaori continuou arrastando Shizuku — que tinha lágrimas nos olhos — mais para dentro da terra sagrada até chegar ao jogo que ela procurava. Quando ela o pegou e olhou para a capa, Shizuku soltou um grito de vergonha repentinamente. O motivo, é claro, era que havia muitas garotas em poses sugestivas estampadas na frente.

Shizuku desviou rapidamente seu olhar, mas Kaori virou indiferentemente a caixa para ver o que estava na parte de trás. Quando examinou as ilustrações, ela disse algo terrivelmente indelicado, sem pensar muito:

— H-Hein? Shizuku-chan, não acha essa garota muito parecida com você?

— O quê!? N-Não seja ridícula! Eu nunca ficaria de quatro com minha bunda empinada assim!

Shizuku, diligente como sempre, fez questão de olhar efetivamente antes de retorquir, embora isso a fez corar vermelho-vivo. Contudo, sua voz fora um pouco mais alta do que o pretendido e houve repentinamente um jato vermelho quando alguém desmaiou atrás de uma prateleira. Isso foi logo seguido de um grito estridente de “Não morra, cara! Droga, o sangramento simplesmente não para!”. Parecia que alguém tinha uma imaginação um bocado fértil.

— A-Aliás, não acha essa garota muito parecida com você, Kaori?

— Sem chance! E-Eu nunca faria uma coisa tão embaraçosa quanto ficar em cima de um homem desse jeito!

Houve um segundo jato vermelho quando um segundo homem caiu de trás de uma prateleira diferente. Um segundo depois alguém gritou: “Médico! Preciso de um médico!”.

Foi então que um salvador desceu entre o aglomerado de guerreiros durões.

— Com licença, senhorita. Lamento, mas você precisa ter pelo menos dezoito anos para comprar esses produtos. Posso lhe pedir gentilmente para sair?

Era o advento do gerente. O gerente de trinta e poucos anos decidiu que seria mau para o negócio se uma parte de sua loja fosse transformada em uma montanha de corpos, e tinha escolhido sabiamente intervir. Os guerreiros restantes estavam certos de que sua autoridade seria o bastante para deter as duas intrusas.

Todavia, suas adversárias eram mais fortes do que qualquer um deles pensava. Shizuku curvou ferozmente a cabeça em desculpas, com suas palavras sufocadas pelas lágrimas, enquanto tentava arrastar Kaori para fora da seção. No entanto, Kaori não seria afastada tão facilmente. Mesmo com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela ainda esticou a caixa de jogo para o gerente e fez seu pedido:

— E-Eu gostaria de comprar esse, pur favor!

A expressão do gerente vacilou e ele tentou insistir que precisava de dezoito anos para comprar esse produto, mas Kaori voltou com um contra-ataque mais inesperado:

— É-É para o meu pai!

Que tipo de pai faria sua filha comprar seu pornô! Todos os presentes pensaram a mesma coisa. Kaori mesma deveria ter percebido o quão frágil sua desculpa foi, já que ela continuou dizendo coisas como “É o presente de aniversário dele!” e “Nós íamos jogar juntos!”. No entanto, suas desculpas só pioraram as coisas. Nessa altura, Shizuku já estava tão envergonhada que cobriu seu rosto com as mãos, desejando que estivesse morta. Por fim, Kaori acabou tudo com um “Por favor, você não vai me deixar comprar?”. Seus olhinhos pidões de cachorrinho levou o gerente ao seu limite.

— Com licença, só um segundo. — Isso foi tudo o que o gerente disse antes de correr para trás de uma prateleira e ter uma hemorragia nasal torrencial. Ele era tão otaku quanto qualquer outro ali, e, portanto, acabou por ser suscetível aos encantos de Kaori. Lamentos de “Cheeeeeeeeeefe!” podiam ser ouvidos vindo de alguns dos guerreiros que ainda restavam.

Naquele dia, em sua missão de comprar um único jogo, Kaori empilhou igualmente uma montanha de corpos tanto de clientes quanto de funcionários da loja.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

14 Comentários

  1. Cara só de imaginar isso eu chorei de rir hauahuahauhuahu
    É guerreiros a batalhas que não se pode vencer hahauahuhaua

  2. Guerreiros… Quem quase teve uma hemorragia foi eu… Uma hemorragia urinária de tanto rir! A bixiga quase não resistiu! 😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂

    Muito obrigado pelo capítulo, Kaka 🙇🏻‍♂️😁

  3. E eu achando que ela era uma garota inocente(ノ゚0゚)ノ~…eu nunca pensei que ela ja teria feito um massacre antes(´-﹏-`;)

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