Arifureta – Volume 1 – Histórias Curtas Bônus (6 de 6)

Sonhos de Família

 

O aroma agradável de carne grelhada e molho de soja flutuava pelo ar. Havia uma senhora de quarenta e poucos anos de pé na cozinha, com um avental ao redor da cintura e cabelo amarrado em rabo-de-cavalo.

A mulher, Sumire Nagumo, estava ocupada preparando habilmente uma refeição. Ela levantou a cabeça para o teto e gritou:

— Hajime, querido, está na hora de comer!

Após um breve silêncio, um par de passos pôde ser ouvido descendo as escadas.

— Pode por favor chamar de jantar como uma pessoa normal, mãe? — Hajime Nagumo mostrou um rosto irritado quando entrou na cozinha… Havia olheiras sob seus olhos gentis. Ele deu uma olhada no que a sua mãe tinha feito enquanto ajudava ela arrumar a mesa e seus olhos começaram a brilhar.

— Incrível, você fez bife de Hamburgo hoje. Não me admira que a casa cheire tão bem.

O pai de Hajime, Nagumo Shuu, surgiu com sua opinião. Ele era um homem magro com cabelo curto. Como seu filho, ele também tinha olheiras.

Os dois terminaram de arrumar a mesa e devoravam ansiosamente a refeição que Sumire tinha preparado para eles. Eles encheram a boca com bife de Hamburgo e arroz branco como se fossem homens esfomeados. Sumire ria enquanto os observava comer e murmurou palavras de desacordo:

— Não, acho que hora de comer combina perfeitamente com vocês.

— Bem, vocês conseguiram cumprir o prazo com aquela depuração?

— Mmmgh… Mmnch… Sim, de certa forma. Aquele jogo é muito legal.

— Gulp… É melhor que seja. O futuro da minha empresa está envolvido naquele jogo. Tem ideia de quanto nós investimos no desenvolvimento? Eu ficaria sem emprego se o jogo não fosse legal. Embora eu ache que se perdesse o emprego, eu poderia passar o tempo todo jogando tentando descobrir onde errei.

— Pai, costumam chamar essas pessoas de nem-nem.

— Não um nem-nem, filho, um recluso. Reclusos que podem ganhar a vida por si mesmo são o que chamamos de vencedores na vida. — Shuu ripostou brilhantemente. Tal era a sua filosofia. A mãe não era nada melhor nesse aspecto, no entanto.

— De fato — respondeu ela. Esse era o resultado de ter um pai que dirigia uma empresa de jogos e uma mãe que era uma quadrinista para meninas. A mentalidade deles não era exatamente normal.

Na verdade, quando eles souberam que Hajime estava sendo maltratado na escola, seus conselhos — se é que podemos chamar assim — tinham sido no mesmo sentido.

— Faça o que quiser. Se quiser se transferir, transfira. Se quiser revidar, revide. Se quiser se tornar um recluso, se torne um recluso. Diabos, ser expulso para mim tanto faz, eu te contrato. Não importa se você é um desistente do ensino médio ou tem 10 doutorados, aqueles que fazem dinheiro no final são os vencedores.

Hajime era de inclinação mais prática, entretanto.

— É importante ter planos reservas para garantir estabilidade financeira, então a escola é superimportante. — Só nessa casa você encontraria um filho dizendo aos pais a importância de ficar na escola.

Mas, bem, fico feliz que meus pais sejam assim, porque teria sido estranho se eles fizessem muito barulho com a coisa toda.

Enquanto isso, seus pais estavam tendo uma conversa verdadeiramente absurda:

— Estou começando a achar que nosso filho está tendo algumas tendências lolicon.

— Ele certamente gosta de personagens loli. — Ele trouxe seus pensamentos de volta ao presente rapidamente e deu aos seus pais um olhar carrancudo.

— Ei, ei, não precisa nos olhar assim. Foi você quem adicionou uma maga loli e loira no jogo, não eu — disse Shuu.

— E daí? Isso não faz de mim um lolicon. Você é um homem crescido, deveria ser capaz de distinguir a realidade e jogos — respondeu Hajime.

— Verdade, você gosta de orelhas de animais também. Especialmente orelhas de coelho. Estou contente que meu filho cresceu e se tornou um patrício de tão bom gosto — adentrou Sumire.

Hajime voltou ao seu jantar de mal-humor enquanto seus pais sorriam para ele. Eles se juntavam dessa forma contra seu único filho muito frequentemente.

— Eu te garanto que iria festejar com uma loli se algum dia fosse invocado a outro mundo. Se lembre, atacar garotas menores de idade ainda é crime. Tenho certeza que até outros mundos tem leis contra sexo com crianças. Alias, eles estão fechando o cerco nisso com jogos aqui recentemente.

— Não ande por aí fazendo suas próprias suposições. E poderia por favor parar de me chamar de lolicon?

Farto de seus pais o provocando, Hajime ficou um pouco irritado. Percebendo que foi um pouco longe demais com as provocações, seu pai se desculpou enquanto ria:

— Mas você é um jovem saudável, tenho certeza de que é interessado em todos esses mundos de fantasia com espadas e magia. Não está indo em aventuras com uma heroína fofa, se apaixonando, e finalmente derrotando os deuses, os senhores demônios ou algo assim quando sonha?

— Isso soa como o tipo de coisa que muitos caras gostariam. E aqueles romances de reencarnados ou invocados em outro mundo estão ficando muito popular recentemente. No entanto, não gostaria que nosso filho fosse invocado. Não sei o que faríamos se não pudesse voltar nunca mais.

Sumire derivou para as profundezas do pensamento, levando a ideia de Hajime sendo invocado bastante a sério. Ambos tinham uma imaginação fértil, a qual Hajime supunha ser apenas riscos de profissão. Ele sorria desajeitadamente enquanto observava eles preocupados seriamente sobre seu desaparecimento potencial para outro mundo.

— Não acho que tenho o necessário para salvar o mundo mesmo.

Shuu não ficou feliz com a atitude auto-depreciativa de seu filho.

— Você podia ao menos fingir ser o mais forte em sua cabeça, sabia?

O sorriso de Hajime ficou ainda mais perturbado, mas ele respondeu com confiança:

— Tenho certeza de que tudo que seria capaz de fazer era voltar para casa. E se encontrasse alguém importante para mim, eu provavelmente a traria de volta. Poderia não conseguir salvar o mundo, mas definitivamente voltaria.

— …… — Seus pais trouxeram de repente suas cabeças para perto. Ele deu de ombros para esconder sua vergonha antes de continuar:

— Além do mais, só gosto de outros mundos quando ficam dentro de livros e jogos. — Dessa vez, os pais dele não o intimidaram e apenas sorriram gentilmente.

— Isso mesmo. Estar seguro é mais importante do que salvar o mundo. Mas se você fosse forte o suficiente para o salvar no caminho de volta, é melhor, certo? Hmm, talvez eu devesse fazer um jogo que tenha um protagonista assim…

— Oh, isso parece ser uma boa ideia. Há uma espécie de aspecto surrealista nisso quando o protagonista só está interessado em voltar para casa, mas ele derrota o lorde demônio, os deuses e tudo mais pelo caminho.

Seus impulsos criativos levaram a melhor sobre eles, e suas conversas se voltaram para como eles poderiam usar essa ideia em suas obras. Embora ele poderia lamentar às vezes que seus pais só pensavam em seus empregos-passatempo, ele também era o filho deles, e assim começou a contribuir com suas ideias em suas discussões. Isso foi apenas mais um dia na família Nagumo.

Com um ligeiro gemido, Shuu abriu os olhos e olhou para a luz da lua fluindo pela janela.

— …O que houve, querido?

— Sumire… Tive um sonho com Hajime. Era sobre quando estávamos falando de outros mundos alguns dias antes dele desaparecer.

Sumire se ajeitou na cama e tranquilizou seu marido deprimido.

— Ele voltará para casa… Tenho certeza. Não importa onde ele foi, mesmo que seja outro mundo, tenho certeza de que ele dará um jeito de voltar.

— Sumire…

— Confie em mim. Ele normalmente só tenta viver sem arranjar confusão, mas se houver alguma coisa que ele realmente acredite, então ele vai correr atrás com toda sua força. É por isso que sei que ele ficará bem.

— …Tem razão. Ele vai ficar bem.

Os dois se aconchegaram próximos, pensando sobre o filho que tinha desaparecido juntamente com uma turma inteira cheia de estudantes.

Por volta da mesma hora, Hajime abriu os olhos groguemente nas profundezas do abismo. Ele olhou para longe, com suas feições iluminadas pela luz da lua falsa. Yue se aproximou de lado, com os olhos questionadores.

— Estava tendo um sonho com minha mãe e meu pai. Não acredito que todas aquelas coisas ridículas que brincamos realmente se tornou realidade…

— …Hajime, vai ficar tudo bem. Enquanto estivermos juntos, podemos fazer qualquer coisa. Vamos voltar ao seu mundo com certeza. — Yue sorriu tranquilizadoramente para Hajime, com sua voz cheia de convicção. Ele afagou amorosamente a cabeça dela, depois assentiu de volta.

— É, tem razão. Vamos voltar com certeza.

Por um momento, uma imagem de seus pais se abraçando passou pela sua mente. Eles abraçando um ao outro tristemente, ambos mais magros do que se lembrava. Por alguma razão, os dois olharam para cima quando ele mencionou sua determinação, como se tivessem ouvido ele.

A imagem de seus pais sorriu um pouco, e pareceu que eles tinham voltado um pouco aos seus velhos eus… Ou assim ele pensou, de qualquer forma.


 

 

 

Teremos uma pausa de duas semanas, voltaremos dia 14 de junho de 2018 com o segundo volume!

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Hehehe consegui acompanhar depois de noites sem dormir e meu chefe me ralhando por não trabalhar consegui!!!!

    Agora eu posso dormir… (ficar em coma)

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