Arifureta – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 9 de 18)

— Você é alguém que Shea confia. É por isso que estamos colocando nossa fé em você. Somos todos uma grande família, então… — Hajime ficou meio espantado, meio completamente perplexo. Independentemente do quão gentil um povo pudesse ser, confiar em um estranho simplesmente com a palavra de um dos seus mostrava uma absoluta falta de cautela.

— Ehehe, não se preocupe, pai. Hajime-san pode ser cruel com as mulheres, exigir recompensa por tudo que faz e usar impiedosamente as pessoas como isca, mas ele nunca quebraria uma promessa ou pisaria na esperança de outra pessoa! Tenho certeza de que nos protegerá!

— Hahaha, entendi, entendi. Então o que está dizendo é que ele só é tímido. Nesse caso, estamos em boas mãos.

Com as palavras de Cam, os homens-coelho ao redor começaram a murmurar ao mesmo tempo. Frases como “Entendo, ele só é tímido”, e similares. Todos assentiam a si mesmos enquanto olhavam gentilmente para Hajime.

Hajime pegou Donner furiosamente, mas antes que pudesse fazer algo, ele foi apanhado por um ataque surpresa:

— …É, Hajime é muito tímido (na cama).

— Yue…

Seu rosto tremelicou com isso, mas ele achou que se continuasse discutindo por muito tempo só teriam mais monstros para lidar, então em vez disso focou em fazer com que todos se preparassem para partir. Quando todos os quarenta e dois homens-coelhos ficaram prontos, ele começou a levá-los para a saída do desfiladeiro.

Eles encontraram muitos monstros no caminho, já que uma caravana de homens-coelho indefesos fazia um alvo fácil, mas nem um único monstro passou de Hajime. Sempre que algo que os ameaçasse aparecesse, Hajime prontamente abateria sem piedade.

A cada disparo, um dos monstros ferozes do Desfiladeiro Reisen conhecia seu fim, incapaz de pôr sequer um pouquinho de resistência. Os homens-coelho ficaram todos espantados com o quão facilmente ele despachava os monstros que outros teriam até mesmo dificuldade em fugir. Em pouco tempo, todos eles o respeitavam por causa de sua força esmagadora. As crianças coelhinhas olhavam para Hajime com os olhos brilhando, como se fosse o herói delas.

— Fufufu, Hajime-san, olhe! Todas as crianças estão olhando para você! Por que não dá a elas ao menos um aceno? — Vendo o quão desconfortável Hajime estava ao ser adorado pelas crianças, Shea começou a tirar sarro dele. Uma veia pulsou em sua testa e ele disparou com Donner nela sem dizer nada.

Bum! Bum! Bum!

— Awawawawah!? — As balas de borracha se dirigiram direto para seus pés, e Shea teve que fazer um samba improvisado para evitá-las. Tendo se acostumado com esse espetáculo, Cam apenas sorriu jocosamente enquanto Yue parecia cansada da peça satírica em curso.

— Shea parece gostar bastante de você, Hajime-dono. Ao ponto de alguém suspeitar que ela poderia… Bem, suponho que ela está chegando nessa idade agora. Como seu pai, me sinto um pouco triste por isso. Mas eu ficaria aliviado se fosse você a quem a confiasse, Hajime-dono… — Cam parecia completamente despreocupado com o fato de que sua filha ainda estava sendo alvejada, e lágrimas se juntaram nos cantos de seus olhos quando ele falou sobre o crescimento dela.

— Alguém me saaalve — gritava Shea, mas os outros homens-coelho apenas observavam com expressões calorosas enquanto ela dançava em uma tempestade de balas.

— Há algo de errado com vocês. Vocês olham para isso e é isso que passa por suas cabeças?

— …Eles são esquisitos.

Como dissera Yue, havia definitivamente algo estranho com a noção de bom senso dessas pessoas. Ou talvez eles tivessem tendências naturais em serem cabeças de vento. Apesar de que não havia como saber se isso era algo específico do clã Haulia em geral, ou aplicável a todos os homens-coelho.

Logo o grupo chegou nas escadas que os levaria para fora do Desfiladeiro Reisen. Hajime usou sua habilidade Vistálem para explorar a área, e a sua primeira impressão das escadas foi que eram um feito de engenharia bem impressionante. A escada era na verdade uma série de talhos em ziguezague feitos diretamente no penhasco. Cada ziguezague percorria cinquenta metros antes de virar. Além da escada estava o mar de árvores, o qual só um vislumbre podia ser visto do fundo do desfiladeiro. Uma pessoa normal levaria cerca de meio dia para ir da saída do desfiladeiro até à entrada da Floresta Haltina.

Shea percebeu que Hajime deveria estar fazendo algo para ampliar sua visão, então ela lhe perguntou timidamente:

— Está vendo algum soldado imperial?

— Não tenho certeza. É possível terem desistido e ido para casa, mas…

— H-Hmm, se nos encontrarmos com eles… Hajime-san… o que vai fazer?

— Como assim? — Ele inclinou a cabeça, e Shea tomou um tempo para se preparar antes de continuar. Todos os outros membros Haulia levantaram as orelhas a fim de escutar.

— Nossos adversários não seriam monstros dessa vez, mas soldados… Outros humanos como você, quero dizer. Você vai mesmo conseguir lutar contra eles?

— Coelha imprestável, você não disse que me viu ajudando na visão do futuro?

— Sim, vi. Definitivamente vi você lutando contra as tropas imperiais, Hajime-san, mas…

— Então, o que há para se preocupar?

— Não estou exatamente preocupada; só queria ter certeza. Nos proteger do império pode transformá-lo em um inimigo da humanidade. Só queria saber como se sentiria ao lutar contra seu próprio povo…

Todos os Haulia olharam silenciosamente para Hajime. As crianças menores obviamente não compreendiam plenamente o que estava acontecendo, mas podiam entender que a atmosfera estava tensa e que todos os adultos olhavam para ele, então eles também olharam.

No entanto, Hajime ficou completamente imperturbável com o clima sério e respondeu francamente:

— Não vejo problema algum com isso.

— Hum?

Apesar do tom sério de Shea, Hajime respondeu casualmente, sem qualquer pitada de dúvida:

— Digo, qual o problema em transformar toda a humanidade em minha inimiga?

— M-Mas quero dizer, eles são o seu povo, não são?

— Vocês também não estão sendo perseguidos pelo “seu povo” nesse momento?

— Quer dizer, acho que é verdade, mas…

— Além do mais, acho que vocês estão se equivocando em algo.

— O que quer dizer? — Dessa vez foi Shea que inclinou a cabeça de confusão. Os outros Haulia ficaram todos intrigados também.

— Certo, ouçam. Eu contratei vocês para ajudarem a me guiar pelo mar de árvores, por isso é que estou protegendo vocês agora. Não posso deixar exatamente os meus guias morrerem. Não estou fazendo isso por causa de algum senso de justiça, ou porque simpatizo com vocês ou coisa assim. Também não posso dizer que pretendo tomar conta de vocês para sempre. Não esqueceu isso, esqueceu?

— Hmm, não… Não esqueci…

— Eu vou protegê-los o tempo que for preciso para vocês me guiarem, pelo meu próprio bem. E não me importo quem sejam. Qualquer um que se meta no meu caminho, quer se trate de monstros ou humanos, é um inimigo. E a única coisa que aguarda os meus inimigos é a morte. Só isso.

— E-Entendi…

Shea sorriu com amargura com o quão Hajimezado era seu raciocínio. Mesmo que tivesse visto eles protegendo sua tribo dos soldados imperiais, o futuro não era imutável. Embora suas visões tivessem uma grande chance de vir a acontecer, se por acaso o império colocasse suas patas nos Haulia, um destino pior que a morte os esperava. Eles seriam vendidos como escravos. Embora ela nunca demonstrasse, Shea sentia muita culpa em trazer sua família envolvida nessa situação, razão pela qual precisava ter 100% de certeza de que Hajime os salvaria.

— Hahaha, gosto de homens que mantêm as coisas simples. Não se preocupe. Deixe a sua orientação pelo mar de árvores conosco. — Cam riu alegremente. Era mais fácil confiar em uma pessoa que fazia o que fazia como parte de um contrato, do que uma pessoa que dizia que só queria ser um herói da justiça ou coisa assim. Sua risada não foi nem um pouco forçada. Isso era de fato o que realmente pensava.

O grupo de coelhos se aproximou lentamente do pé da escadaria. Com Hajime na liderança, eles começaram a subir a infinidade de degraus de pedra. Apesar do fato de eles não terem tido provavelmente uma chance de comer desde que fugiram para o desfiladeiro, os passos dos Haulia eram cheios de energia. Como contrapartida de não terem qualquer capacidade mágica, a maioria dos homens-fera era muito resistente.

Por fim, eles passaram pelo último ziguezague e escaparam do Desfiladeiro Reisen.

O que os esperava quando subiram o último conjunto de degraus foi…

— Puta merda, está falando sério? Eles ainda estão realmente vivos! E eu aqui pensando que o comandante era louco por nos deixar aqui. Bem, isso vai dar um belo presente para levar para casa. — Havia cerca de trinta ou mais soldados imperiais esperando na saída. Eles tinham criado um acampamento improvisado perto da escada, e havia um pequeno número de grandes carruagens espalhado pelo acampamento. Cada um dos soldados vestia um uniforme caqui idêntico, e a maioria deles tinham espadas, lanças ou escudos pendurados nas costas. Eles ficaram claramente surpresos ao ver Hajime e os homens-coelho. Mas eles se recuperaram rapidamente do choque inicial. Sorrisos surgiram em seus rostos quando começaram a avaliar o estoque que logo venderiam.

— Chefe, a garota de cabelo claro também está com eles! Você estava de olho nela antes, não é?

— Oooh, hoje é realmente meu dia de sorte. Não me importo com o que façam com os velhos peidorreiros, mas é melhor não ferir um único fio de cabelo dela, ouviram?

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

4 Comentários

  1. Esse povo coelho é engraçado!

    Muito obrigado pelo capítulo, Kaka 🙇🏻‍♂️😁

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