DCC – Capítulo 120

Carona

 

Henry Siever:


Caramba! Que espécie de feitiçaria fizeram naquele corte de cabelo? — obviamente eu não iria admitir na frente de todas aquelas garotas, mas eu tinha ficado completamente fora de mim ao ver Alésia tão arrumada. Se eu não tivesse recobrado os sentidos nas últimas e provocado ela com aquele peteleco, eu provavelmente teria destruído todo o esforço do spá em deixá-la linda daquela forma.

Ela me olhou com aquela expressão séria e irritada de “depois você me paga” que ela destinava apenas para mim, e deu meia volta bufando, junto com as outras, para a sala de trocas.

Ainda bem que seguiríamos separados para a festa, senão eu não poderia me conter depois de vê-la completamente vestida para o festival. Assim que terminou com Márcia, a maquiadora fez um retoque profissional no meu rosto e me encaminhou para a minha própria sala de trocas.

— Estou pronto, — enviei a mensagem.

— Finalmente! Por que demoraram tanto? Esse spá costumava ter uma velocidade melhor, — Cásira respondeu em resposta.

Pelo plano de Alésia, ela não queria que fôssemos juntos ao palácio para poder dar mais ainda a sensação de falsa segurança para a princesa de Kanis. Assim ela ficaria mais propensa a fazer besteira. Eu as seguiria de longe observando os passos delas.

— Não reclame. Já está na porta para me apanhar? — eu enviei de volta para Cásira.

— Há quase 2 horas! — ela reclamou entediada.

— Pare de exagerar… — eu revirei os olhos saindo do spa em direção à nave de Cásira que esperava do lado de fora. Cásira estava encostada na lataria, usando um vestido cor de rosa extremamente decotado e justo, que destacava impressionantemente os olhos dela, enquanto os longos cabelos lisos descortinavam pelos seus ombros, cobrindo a pele que a roupa não cobria.

a única joia que ela usava era uma tiara de turmalina que prendia umas mechas do cabelo ao lado das orelhas, mas ela já parecia extremamente ofuscante e deslumbrante.

— Nossa… você nunca compareceu tão ousada a um festival, principalmente sabendo que irá estar na presença do imperador no fim da noite.

— Uma mulher precisa saber quando mostrar seus trunfos, não é meu querido? — ela disse levantando-se da lataria e rebolando provocativamente. — Além do mais, eu não sou a única a mostrar alguma diferença hoje. Afinal, precisamos ser realistas sobre o que vamos fazer, e mostrar um pouco de ousadia pode ser uma boa pedida.

Ela falou enquanto roçou o dedo pelo meu cabelo recém cortado. Eu só pude sorrir pelo canto da boca. Cásira realmente era uma mulher fantástica.

— É melhor irmos logo, — eu disse abrindo a porta da nave e entrando sem cerimônia.

Cásira deu a volta e se sentou no banco do piloto, dando a partida.

— Você está nervoso? — ela perguntou ligeiramente séria, dando entrada ao plano de voo da nave. Nessa altura do campeonato o tráfego deveria estar enorme, então ela só poderia voar para o palácio pelo acesso de algum plano de voo pré estabelecido.

— Por que eu estaria nervoso? — eu perguntei de volta como se não soubesse do que ela estava falando.

— Bom, você deliberadamente está chegando atrasado para o festival, o que determina que você e Marco não vão se encontrar agora no início, e você mesmo assim está pleiteando uma trégua de pares com ele em nome de um inimigo em comum que você ainda nem confirmou se está ou não atacando, sendo que não planeja ficar para o fim da festa para a reunião com ele para não ter que vê-lo. Ele vai com certeza dizer para todos que você está fugindo com o rabo entre as pernas.

— Eu não me importo mais. Cansei de ficar dando murro em ponta de faca com o Marco. Se ele quer dar uma de ditador psicótico, que dê. Eu não dou mais a mínima para o que quer que ele esteja pensando. E se ele acha que eu vou continuar caindo nas provocações baratas dele, ele está muito enganado. Tenho coisas muito mais importantes para me preocupar agora. Se Dhar realmente estiver mostrando as garras de volta na galáxia como suspeito, então Marco que escolha se prefere continuar com essa picuinha infantil ou lidar com o inimigo. Mas eu mesmo que não ficarei esperando por ele se decidir. Estou aqui apenas para entregar as informações.

— Mas seria bom se você pudesse receber de volta a Relíquia da Sabedoria do Jovem Mestre também. Você é extremamente capaz. Com seu talento, você com certeza acharia pistas palpáveis sobre Dhar.

— Não vamos falar sobre a Relíquia da Sabedoria ainda, — eu respondi resignadamente.

— Certo. Não vamos. Mas essa situação não pode se prolongar muito mais. Marco deve devolver a Relíquia da Sabedoria para vocês dois, caso contrário, ele estará se tornando não apenas um rival pessoal seu, mas um inimigo de toda a nossa causa.

— Rival… Humpf. — eu resmunguei.

Não era a toa que ninguém levava Marco muito a sério com o potencial maligno que ele tinha. Todos eles enxergavam ele apenas como um “rival” meu. Quando Dhar apareceu na minha frente e de Marco, eu pude sentir que havia uma inimizade ali. Então eu não tinha dúvidas que os dois eram inimigos. Mas o fato de Marco não ser aliado de Dhar não significava que ele também tinha que ser meu aliado. Parecia que para ele não existia essa de “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.

Talvez ele tivesse percebido alguma coisa naquela conversa sobre “peças no lugar” de Dhar que eu não entendia, e acabou decidindo por trilhar um “terceiro lado”. Era o que eu mais sentia que se encaixava com toda essa situação.

Marco não se aliaria com um terrorista declarado. Ele realmente se importava com o andamento perfeitinho do império. Mas ele realmente precisava ser meu aliado? O que ele precisava de mim quando herdou a coroa? Não eram os meus poderes e o meu conhecimento? Ele também não fez de tudo para manipular Nádia e ter os poderes dela à mercê dele? E ele não teve a ousadia de roubá-la de mim enquanto ela estava grávida do meu filho? Talvez ele simplesmente tivesse se cansado de brincar de amiguinhos e resolveu escancarar de uma vez que todo o tempo ele queria nos manipular.

Eu não daria a ele essa oportunidade.

— Você não precisa ficar tão mal-humorado… — Cásira disse lentamente olhando pela janela para vista da cidade enquanto sobrevoamos por um trajeto pré programado para o palácio — Você está aumentando a temperatura, e vai acabar estragando minha maquiagem.

— Me desculpe, — eu disse respirando fundo. — Eu vou me comportar melhor.

A nave desceu no estacionamento do lado de fora das dependências principais do palácio, e uma plataforma flutuante apareceu à nossa disposição para nos levar o restante do caminho até a entrada principal.

— Só se lembre de cumprir o que diz, e não cair na dele, — Cásira disse séria, enquanto conferia a maquiagem em uma projeção dela mesma criada pelo Link pessoal dela, que apenas ela podia ver.


Nega Fulor
Leitora compulsiva. Escritora obsessiva. Artista nas horas vagas.

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