DCC – Capítulo 129

Comemoração dentro do Palácio

 

Do lado de dentro, encontramos de cara alguns rostos conhecidos, como o professor Theo Yuri. As meninas ficaram imediatamente alarmadas por encontrá-lo lá. Sempre o tinham visto como um professor mediano sem requisitos suficientes para interagir com a roda íntima do imperador.

O professor Theo também ficou bastante surpreso em ver as meninas. Mesmo tendo visitado nossa casa, ele não esperava que elas viessem participar do festival. Ele se aproximou de mim e perguntou com o tom baixo:

— Você abriu o seu segredo para elas?

Eu sacudi a cabeça em negação, então a postura do professor imediatamente suavizou bastante e ele correu para cumprimentar as outras.

— Que grande prazer encontrá-las aqui, minhas alunas! — ele disse sorridente. — Definitivamente não estava exatamente nas minhas expectativas encontrar alunos por aqui hoje. — Então, ele se voltou para Henry com a expressão um pouco mais cuidadosa. — E como vão as coisas, meu caro?

É claro que eu sabia que ele não estava fazendo apenas uma pergunta retórica sobre o andamento da vida de Henry.

— Tudo em equilíbrio, graças à Alésia, — Henry disse distraidamente, espichando o olhar sobre os presentes. — Onde está meu filho?

As meninas estremeceram levemente. Apenas Isabel parecia ter percebido a verdadeira identidade de Isaac, as demais já achavam fenomenal demais que ele fosse filho de Henry e não se atreviam a imaginar além disso.

— Provavelmente na varanda, — o professor respondeu cortesmente, lançando um olhar de preocupação para as meninas. — Apenas devo lembrá-los que o acesso ao salão de cima é exclusivo para…

— Eu sei, eu sei… — eu disse, revirando os olhos para o professor. — Eu e as meninas ficaremos aqui embaixo, — eu disse para Henry. — Vá em frente e se divirta um pouco pra variar. Você vai saber se eu precisar de sua ajuda de qualquer forma! Ainda faltam várias horas para o amanhecer. Ainda temos tempo para nos divertir, — eu disse tentando convencê-lo.

Henry não gostava da ideia de entrar no palácio, mas já que ele estava aqui, ele faria o que tivesse que fazer. Então, com um aceno rápido, ele correu escadas acima para se encontrar com Isaac. Eu peguei Amelie pela mão e a levei para a mesa de sobremesas. As outras meninas me seguiram apenas inicialmente. Depois de poucos minutos, cada uma achou alguma coisa bem mais interessante para fazer de acordo com os próprios gostos, desde comer as deliciosas iguarias servidas, até flertar com um rapaz ou outro.

— Pode me explicar agora o que está havendo? — eu perguntei para Amelie, que já tinha se acalmado o suficiente para parar de chorar.

Amelie corou profundamente, parecia à beira das lágrimas de novo.

— Eu lembrei… não de tudo… mas eu lembrei de muitas coisas. Parece que tem uma neblina que está se dissipando dentro de mim, — ela disse emocionada.

Eu praticamente fiquei de pé de novo, olhando para ela incrédula enquanto agarrava uma de suas mãos.

— Isso é sério? — eu perguntei animada! Marco realmente tinha feito algo bom? Talvez eu pudesse considerar a possibilidade de não achar ele tão cretino afinal!

— Ha ha… — ela riu sem jeito, passando uma mecha do cabelo para trás. — Bom, acho que agora eu não poderei mais te chamar de mãe.

Eu voltei a me sentar. De repente pareceu estranho eu segurar a mão dela de forma tão protetora, e a soltei.

— O que quer fazer agora? — eu perguntei, olhando sem graça pro arranjo de flores que estava no centro da mesa, fingindo estar bem interessada nele.

Eu tinha me acostumado com Amelie por perto. Eu tinha me acostumado a comprar coisas para ela, e ensinar coisas. Eu suspirei resignada. Acho que eu na verdade devia estar brincando de boneca. Se Amelie tinha recuperado suas memórias, então ela teria sua própria vida para seguir. Eu não precisaria mais mantê-la comigo ou me preocupar com ela. Não precisaria incomodar as outras meninas para cuidarem dela enquanto eu ou Henry estivéssemos ocupados. Afinal, ela já poderia se cuidar sozinha…

— Eu… — Amelie tentou começar a falar, também tendo desviado os olhos para um garfo e começado a brincar com ele como se fosse muito interessante. — Eu consigo lembrar que tudo o que eu mais queria no universo, era seguir a madame Petra. O meu sonho e objetivo de vida, era ser alguém útil para ela. Isso porque ela fazia coisas importantes para todos na galáxia.

É claro. A Petra. Amelie era funcionária de Petra quando nos conhecemos há meio ano imperial. Esse tempo tinha se passado, mas eu tinha me acostumado tanto à Amelie, que era como se ela estivesse comigo e Henry desde o começo. Então, eu senti um nó na garganta. Obviamente Amelie escolheria voltar para Nefrandir.

— Então, é isso? — eu perguntei retoricamente.

— Era… — ela respondeu nervosa.

Era?

— Eu sei que pode parecer egoísmo da minha parte, mas eu realmente amei cada momento que você cuidou de mim, — ela começou a dizer, e eu não conseguia mais fingir que estava distraída com as flores e a olhei nos olhos. — E… você não precisa, é claro, cuidar de mim mais, eu já entendi que eu sou adulta e nós não temos nenhuma relação… e que você se sentiu culpada no começo, por isso me acolheu… porém… — ela se afastou o suficiente para fazer uma reverência e continuou em tom suplicante. — Por favor, permita que eu te siga e lhe seja alguém útil de agora em diante!

Então ela não queria partir.

— Amelie… — eu chamei sem jeito, ela se levantou nervosa, esperando por uma resposta. Ela era bem mais alta que eu, quase da mesma altura que Henry. Eu estiquei o braço e passei novamente a mecha saliente para trás da orelha dela e respondi: — Bom, ainda bem, por que eu não poderia ser mãe de uma pessoa tão grande! Mas eu amaria continuar sendo sua amiga.

Amelie me abraçou de novo, voltando a chorar, e de novo começou a proferir vários “obrigada”. Até mesmo eu derramei algumas lágrimas. Amelie tinha se tornado parte da minha vida, e eu realmente amava e me preocupava com ela.

— Que bom então! Acho que precisaremos contar as novidades pro seu ex-pai, — eu disse brincando.

Quando perceberam que Amelie estava diferente, as meninas se juntaram a mim, esperando para fazer perguntas. Ficamos um bom tempo conversando sobre a vida antiga de Amelie. Amelie é claro, sabia que eu ainda tinha alguns segredos guardados, e teve o discernimento de não contar nenhum deles para as outras.


Nega Fulor
Leitora compulsiva. Escritora obsessiva. Artista nas horas vagas.

4 Comentários

  1. Sinceramente eu ainda queria que ela ficasse daquele jeito “infantil” e chamando a alésia de “mãe”, pq ficava bem fofo.😍
    Mas tbm gostei de quando ela voltou ao normal. #conflitointerno.
    Valeu pelo capítulo Nega Fulor. 😁🖒(adoro esses emojis)

  2. E eu acho que estou me tornando um leitor compulsivo ou um viciado em ler. Pq me dá um pouco de agonia ficar sem ler alguma coisa.

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