DS – Capítulo 29

Tong Da Fung guiou o jovem herói até uma tenda para comprar mais vinho. Rain seguiu amigavelmente, sorrindo para quase toda mulher que passava. Um bêbado e um mulherengo, tão jovem para ser tão sórdido. — E de novo, eu não posso falar muita coisa dele, — Fung pensou consigo mesmo. Ele escolheu dois vinhos de fruta simples, muito parecidos com o vinho de lichia que Rain tinha derrubado.

— Um brinde, jovem herói, para ações heróicas.

— Não, não. Não heróicas. Eu me sinto mal sobre o jovem lá. Eu fui longe demais, demais. Longe. Mais fácil falar do que fazer. — Rain acenou suas mãos, negando o brinde. — Melhor beber para outra coisa. Um brinde ao álcool, este doce néctar de divindade. — Ele beijou a jarra, e bebeu muito.

Fung riu e bebeu também. Esse Rain era um cara engraçado. Ele parecia ter entre 14 ou 15 anos de idade, então chamar DuGu Ren, com 18 anos de idade, de “jovem rapaz” era engraçado. Ele dava a impressão de ser educado, talentoso, e humilde. Qualquer que seja a família de onde ele venha, criou um jovem promissor.

— Me diga, jovem herói, a qual família você presta fidelidade?

Rain continuou a beber, o dedo indicador levantado diante de Fung. Depois de um longo momento, ele finalmente soltou o fôlego, exclamando:

— Vinho delicioso. Excelente escolha. — Ele deu um joinha para Fung antes de continuar, — Eu não sou da cidade. Só uma vila pequena, nem ao menos tem um nome ou algo do tipo, no meio do nada. — Ele arrotou alto e voltou a beber.

Sem nome? Vila pequena? Poucas vilas sobreviviam fora das cidades. Com a constante ameaça dos Corrompidos e de bestas-fera, era difícil sobreviver sem muralhas, ou as constantes patrulhas do exército imperial. Não era surpresa que esse jovem rapaz fosse tão forte. Infelizmente, isso significava que ele não tinha um suporte. Fung balançou a cabeça. Não era surpresa que Rain tinha péssimos modos. Entretanto, isso não importava. Fung decidiu ajudá-lo, e ajudá-lo ele iria.

— Jovem herói, embora eu admire suas ações de mais cedo, eu te aconselho a deixar a cidade o mais rápido o possível. A família DuGu tem poder, e nenhum escrúpulo. — Fung gesticulou para seus guardas. — Me permita te escoltar para fora da cidade. Comigo presente, eles não ousariam fazer algo contra você. Escape agora antes que eles ponham alguém na sua cola. — Seria um desperdício para um jovem talento como esse apodrecer nas masmorras de DuGu.

Rain olhou para ele com gratidão.

— Que jovem mestre mais gentil. Se apenas mais fossem como você. — Ele se curvou, a exatos 45 graus, mãos juntas. Então ele tinha alguns modos pelo menos. — Eu te agradeço pela sua generosidade. Sua sugestão é apreciada, mas eu não posso deixar a cidade. Eu tenho responsabilidades, e um certo objetivo para cumprir antes de voltar para casa. Se a família DuGu vier até mim, eu simplesmente terei de fugir. — Ele sorriu, sem medo. — Jovem mestre Fung não precisa se preocupar com meu bem estar. Eu vou colher o que eu plantei.

Excelente. Corajoso também, e cheio de ditados, interessantes, se não rústicos. Fung suspirou. Uma pena. Se ele ficasse na cidade, ele morreria uma morte de cão. As mãos de Fung estavam atadas, se Rain se recusava a partir. — Vamos continuar nossa conversa em um local mais apropriado. Depois disso, me permita te levar de volta para onde você está ficando. — Ele gostava desse jovem herói, e ser visto junto com  Fung talvez fosse o bastante para dissuadir a família DuGu. Talvez Fung conseguiria convencer seu pai a colocar ele debaixo de sua guarda. Improvável que seu pai se arriscasse a irritar a família DuGu por algum jovem promissor sem um suporte, mas ainda havia chance. Seria uma pena Rain morrer hoje à noite…

— Ah, claro, isso seria muito útil. Na verdade, eu me separei dos meus companheiros, e não sei o caminho de casa. Se você pudesse me ajudar a encontrar a mansão do meu professor, eu ficaria muito grato. Seu nome é Taduk, ele é um médico com orelhas de coelho. Não espera, um médico com orelhas de lebre. Não diga a ele que eu o chamei de coelho. Eu não sei de verdade a diferença entre os dois. Não conte a ele isso também.

Fung congelou, duvidando de suas orelhas.

— Você é aluno do Taduk o Médico? — Rain assentiu. Fung riu com vontade. DuGu cometeu o erro da vida dele hoje. — Excelente, excelente. Vamos nos dirigir ao Pavilhão Cisne Dourado, para alguma diversão e bebidas. Por minha conta, é claro. — Um jovem como esse, com seu suporte, não tem motivo para temer a família DuGu. Eles não ousariam fazer algo contra ele depois que soubessem.

Rain seguiu junto dele com a cabeça inclinada.

— O que é esse Pavilhão do Cisne Dourado?

Akanai estava sentada na sala de estar, totalmente armada e com armadura. O menino estava desaparecido. Onde ele poderia ter se metido? Alguém notou algo sobre sua arma? Impossível. Uma pessoa precisaria tentar ativamente se vincular com a arma para perceber que ela não tinha vínculo, e fazer isso enquanto o dono a carregava? Era o mesmo que cometer suícidio. Tinha que ser por outro motivo.

Ela repreendeu de novo em sua mente as duas meninas tolas. Elas voltaram para a mansão em prantos, perderam o menino. Pior, elas procuraram por horas por conta própria antes de voltar para pedir ajuda. Elas deveriam ter previsto isto. Ambas estavam familiarizadas com a cidade e suas regras. Rain era um novato, e um tolo nisso. O menino tinha os modos de um cachorro, e o senso de um para melhorar as coisas. Ela rosnou baixinho.

Taduk avisou ela para permanecer em casa. Sair às cegas não faria bem algum, ele disse. Isso foi uma hora atrás. Era quase meia noite agora, e sem uma palavra do menino. Ele podia estar morto por agora. Roubado e espancado por ladrões e rufiões, ou morto por ter dito a coisa errada para a pessoa errada. Esses nobres e seu orgulho de merda, matando um menino por uma palavra impensada. Akanai jurou a si mesma que se eles tiverem matado Rain, ela iria queimar essa cidade, e salgar as cinzas.

Husolt sentou por perto, bebendo, parecendo despreocupado. O vagabundo. Se não fossem ele e Taduk dando tanto vinho para o menino, isso nunca teria acontecido. Eles o deixaram bêbado, e agora veja o que aconteceu. O menino provavelmente falou merda para alguém no poder, ou um nobre arrogante. Só a Mãe sabe, ele tem um temperamento mordaz quando bêbado, repreendendo Taduk e Husolt durante todo o almoço, e suas piadas rudes. Baatar ficaria tão perturbado, o pobre filhote. Ele finalmente conseguiu um discípulo, depois de procurar por tanto tempo. Ele ficaria inconsolável. Era culpa dela, ela deveria ter mandado uma escolta com ele. Ela mordeu seu lábio.

Taduk entrou, parecendo austero, Akanai correu até ele.

— Alguma notícia?

— Houve alguns mercadores os quais disseram ter visto alguém com as mesmas características de Rain. — Taduk balançou sua cabeça. — Eles disseram que viram ele atacar e ferir a criança mais nova da família DuGu, mais cedo nessa tarde.

Akanai andou em direção ao estábulo dos quins. Taduk correu atrás dela, gritando.

— Pare! Você não pode simplesmente invadir a Mansão dos DuGu sozinha!

— O que você quer que eu faça então? — Ela rosnou. — Rezar por sua alma? Não, eu irei lá, e vou trazê-lo de volta, não importa se eu tiver de matar cada membro daquela família, mesmo se for apenas para trazer seu cadáver de volta para casa. — Ela marchou, certa de seu objetivo. Husolt marchou ao lado dela com um semblante austero enquanto Taduk continuava a tentar impedir eles. Ela o empurrou para fora do caminho com gentileza e assobiou para Kankin. Sua montaria de confiança obedeceu mais que depressa, saltando pela divisória facilmente, pousando perante ela. Ela se sentou sobre ele sem sela, e o guiou para frente e para fora do portão. Lá, ela por pouco conseguiu evitar bater em um riquixá, derrapando até parar.

— Olô! Bemvinda de volta. Ô, não, ixo não extá certo. Eu qui tô im casa! — Rain cumprimentou ela alegremente do riquixá. Akanai encarou ele e o passageiro com ele. Ambos estavam esplendidamente bêbados e riam incessantemente.

— Onde você esteve menino? E quem é esse? — Ela estava com raiva demais para ficar aliviada. Ele estava festejando? Suas roupas estavam uma bagunça e fediam a perfume. Havia marcas de batom em sua blusa, um brilho na sua blusa. Primeiro bebendo, agora um galinha. Que rapidez para aprender maus hábitos.

— Éee, eu não posso fala. É um xegredo. Esse é o meu novo melhó amigo, O Vento.

O passageiro gargalhou, batendo em sua perna repetidas vezes. Rain se juntou a ele, e logo os dois estavam ofegantes.

Isso era o bastante. Ele estava em casa, e a salvo. Ela pegou os dois idiotas pelo colarinho e os carregou para dentro da mansão. Pelo menos, ele ainda tinha a espada, não a penhorou por mais prostitutas.

— Você é super forte. — Rain estava agarrando o bíceps dela enquanto estava sendo carregado. — É tipo, fortástica.

O outro começou a rir de novo.

— Fortástica. —  Ele repetia entre cada arfada.

Akanai chegou até a fonte, e jogou os dois lá dentro. Eles sentaram em choque por um momento, antes de começarem a jogar água um no outro, gargalhando. Idiotas.

Husolt e Taduk estavam assistindo, sorrindo com a cena.

— Façam alguma coisa, — ela gritou.

Taduk deu de ombros, e disse:

— Ahã, meu garoto, saia da água. Eu preciso falar com você.

Rain imediatamente parou com a jogação de água, lutando para sair da lagoa. O outro tentou sair ao mesmo tempo. Eles tentaram apoiar um no outro e só conseguiram arrastar o outro para baixo, rindo. Akanai revirou os olhos. Ela foi com Kankin até a fonte, pegou Rain e o jogou para fora de lá, sem muita gentileza. Ela fez a mesma coisa com o outro.

— Muito obrigado, Mentora do meu Mentor. Muito agradexido. — Rain ficou de pé, se limpando, antes de se virar de costas para ela e se direcionar a Taduk com uma saudação. — Estudante cumprimenta o Professor. Olá.

Husolt riu em silêncio. Akanai rosnou de novo, e ele tirou todo o sinal de alegria da cara. Tossindo levemente, Taduk falou com Rain, um meio-sorriso na boca:

— Meu garoto, onde você esteve? Nós ficamos preocupados.

Rain olhou para a esquerda, e então para a direita. Ele se inclinou para frente e suspirou alto.

— Eu me desculpo muito por te preocupar, Professor. Eu estava com algumas damas amigas nossas lá do Pavilhão do Cisne Dourado. E com O Vento. — O outro começou a rir incontrolavelmente de novo. — Mas não juntos. Isso seria estranho. Sozinho. Com nossas amigas damas.

— O vento? Esse é o seu jovem amigo aqui? — Taduk gesticulou para o estranho molhado no chão.

O jovem estranho lutou para ficar de pé, saudando antes de dizer.

— Fico honrado em te conhecer, Mestre Taduk. Meu pai fala bem de você com frequência. Eu sou o novo amigo de Falling Rain aqui. — Os dois começaram a rir em silêncio.

Um servente se aproximou deles, dando seu melhor para não olhar a cena.

— Mestre Taduk, há guardas da casa do Magistrado na porta. Eles buscam permissão para entrar.

O rosto de Taduk ficou pálido.

— Menino, os guardas do Magistrado? No que você se meteu?

O estranho riu e falou:

— Apenas em três das coisas mais finas que o Cisne Dourado tinha a oferecer. — Ambos começaram a rir de novo.

Akanai já estava de saco cheio. Ela saiu de sua montaria e apertou a cabeça de Rain com sua mão.

— Menino. Fique sóbrio, ou eu vou te esfolar e usar como lençol. — Sua ameaça não pareceu funcionar. Ele até mesmo parece feliz com isso. Ela apertou sua pegada. — Eu falei sério garoto. Fique sóbrio agora. — Ela precisava de respostas. Ela não podia matar os guardas do Magistrado sem uma boa razão.

Ele parou de sorrir, agarrando o pulso dela, nervoso agora.

— É, eu vou precisar de chá, um pouco de comida, e de tempo.

Sua palavras saíram afetadas.

— Atinja o Equilíbrio. Purifique o álcool.

Levou algumas tentativas para o garoto conseguir. Foi evidente quando ele conseguiu. Seus olhos se alargaram em pânico, um pouco antes de ele correr até uma árvore privada.

Tensos segundos se passaram, só o som de mijo atingindo a árvore preenchendo aquele silêncio.

Porra. Eu estou na merda.

Bom, não pode ser tão mal assim. Tudo que eu fiz foi desaparecer por uma tarde. Eu olho para a lua. Entendi, talvez um pouco mais. Por que eu estou mijando tanto? Esse é um truque útil, porém, ser capaz de purificar o álcool assim. Toda a diversão, sem a ressaca e o dano ao fígado. Eu dou uma bela sacudida, ainda me sentindo meio bêbado, e levanto minhas calças.

Me virando, eu sou cumprimentado pela visão de Akanai me encarando. Uma das meninas do Cisne era loira e alta como ela. Não tão tonificadas, mas ainda assim lindas. Uma antiga nobre. Ela era muito entusiasmada. Não, isso não é hora de reminiscência. Eu tusso levemente.

— Olá. Desculpa por qualquer preocupação que eu causei.

— O que você fez? — Akanai está quieta, tensa. Ninguém à vista, exceto Fung. Ele ainda está por aí, rindo.

— Ah, bom, eu fui éee, beber com o Fung por aí. — Eu aponto para ele, esperando defletir alguma raiva dela.

— Não isso, seu idiota. Eu não ligo sobre a bebida e a putaria! Por que os guardas do Magistrado estão aqui? — Porra, ela ouviu sobre o pavilhão. Ah bom, não que isso importe.

Eu dou de ombros para ela.

— Eles estão aqui provavelmente por ele. — Eu quero dizer, eles deveriam proteger ele. Eu acho que nós esquecemos de trazer eles quando viemos embora. Ela olha de forma venenosa pra ele, e pega ele pelo braço, levando ele até o portão. Seus guardas estão vindo, Taduk lidera o caminho, tentando secretamente balançar seus braços para Akanai. Não dá certo.

Akanai quase joga o Fung neles.

— Peguem ele e vão embora. Ele é quem vocês buscam, não é?

— Como você ousa tratar o jovem mestre desse jeito!

Fodeu. Eles não parecem muito felizes. Akanai enrijece por um momento, antes de se virar e olhar para mim.

Eu dou de ombros. Felizmente, Fung resolve a parada.

— Calem asss boca. Como vocês ousam falar assim com a Mentora do Mentor do … alguma coisa Mentor do meu amigo? Tenha rexpeito. — Ah velho, ele está na merda.

Ah caralha, eu estava tão bêbado assim?

Ele está repreendendo os guardas, que ficam ali levando os golpes como campeões. Pobres coitados. Eu deveria falar algo.

— Fung, você não deveria tratar eles dessa forma. Eles só estavam tomando conta do seu bem-estar.

Ele se virou e sorriu para mim.

— Você está certo, cortesia. — Ele começou a rir de novo. — Mas eu sou jovem.

Eu rio baixinho, e se abrem as porteiras, com nós dois começando a gargalhar muito.

Akanai me agarrou pela cabeça, mais uma me levantando para olhar feio para mim. A mulher tem uma pegada do caralho. Pobre Husolt.

— Explique. Tudo.

 

Bom, se ela me matar, pelo menos eu não vou morrer virgem.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

14 Comentários

  1. “Bom, se ela me matar, pelo menos eu não vou morrer virgem.”
    mano eu ri o capitulo inteiro kkkkkkkkkk

  2. Kkk Puts tive que ler o capítulo segurando a gargalhada, pra não acordar a muié aqui do lado.
    Muito obrigado pela tradução.

  3. Que satisfação em aspira! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Melhor capitulo de TODOS, o MC não demonstrou perdão as novinhas, partiu pra cima!

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