DS – Capítulo 40

Cinquenta e seis dias sem quase morrer, míseros quatro dias antes de completar dois meses inteiros. É quase como um sonho, se sentindo seguro e relaxado. Eu nunca imaginei que poderia ficar tão descontraído em uma viagem. Eu vim nesse passeio esperando que cada minuto seria como viajar para Shen Huo, alerta e sempre pronto para uma emboscada, mas é muito diferente. Os dias são abençoadamente rotineiros, e cada novo dia é mais doce do que o anterior. É assim que deveria ser uma viagem.

Nós deixamos os mercenários do Estandarte de Ferro na Ponte, as despedidas curtas e sucintas como sempre. Era costume não esquentar muito a cabeça sobre partidas, e ter grandes celebrações quando alguém voltasse. Só um simples tchau, e todos eles partiram para receber suas ordens, primeira coisa na manhã, enquanto nós partimos na mesma hora, seguindo a estrada no sul em direção ao nosso destino. A estrada é uma coisa linda, 16 vagões de largura, pavimentada com rochas marrons, bem patrulhada, torres e acampamentos de descanso fortificados em intervalos regulares. É como uma rodovia gigante, com pequenos fortes a cada 50 quilômetros.

Construída e mantida pela Sociedade dos Céus e da Terra, como um meio de permitir a movimentação rápida das tropas indo e vindo da Ponte. Parece ser extremamente custoso, com a mão de obra e a corrente constante de suprimentos e soldados. Uma mensagem pode ser enviada em 6 dias a cavalo, da Ponte até a Sociedade, com uma corrente de mensageiros de cada torre prontos para partir no momento que uma notícia chegasse, permitindo uma resposta “rápida”. Parece um sistema bem merda, para ser sincero, mas pássaros mensageiros não trabalham muito bem com todos os predadores, então eles não tem muita escolha além da mensagem a cavalo. Montarias voadoras não existem, infelizmente, nem Pássaros Ancestrais. Não sei por que, alguns animais simplesmente não conseguem chegar tão longe, e pássaros são um tipo deles. Insetos são outro, felizmente, porque eu não quero cair na porrada com mosquitos de 10.000 anos de idade. Há pássaros anciões monstruosos, mas eles nunca conseguem atingir forma humana por algum motivo.

Um maravilhoso método de transporte, mesmo um vagão conseguiria fazer a viagem de 50 quilômetros entre os pontos de parada em um único dia. Eu nunca vou querer viajar em qualquer outra coisa de novo, a não ser que ela voe. Então, quando Taduk me pediu para pegar um pequeno desvio fora da estrada a fim de pegar umas ervas, eu imediatamente pedi alguns guarda-costas. Eu quero dizer, entre Akanai, Husolt, Alsantset e Charok, assim como as constantes patrulhas dos soldados, qualquer bandido disposto a irritar eles merece morrer. Havia outros seis sentinelas conosco, e eu só queria quatro deles para vir comigo e Lin. Ao invés disso, eu acabei com a Galera dos Cadetes. Diversão, diversão, diversão. Eu nem ao menos vou ser o líder, já que essa honra duvidosa foi para Sumila.

As coisas tem sido um pouco estranhas entre Huushal e eu, desde a luta treino. Ele me encara quando pensa que eu não estou olhando. Orgulho estúpido, eu acho. Tanto faz, eu não me importo muito com ele de qualquer forma. Adujan permanece silenciosamente neutro, a maior parte do tempo ele passa com os sentinelas que nos protegem. Ele é um cara estudioso, sempre assistindo o que eles fazem, tentando ajudar. Eu me sinto meio mal que ele não tenha ninguém vindo junto para apoiá-lo, nem mesmo amigos. Eu tentei falar com ele, mas nós dois somos bem estranhos batendo papo, então não vai muito além dos cumprimentos padrões. Eu não tenho muita certeza, mas acho que ele não gosta muito de mim. Vi ele conversando com o Huushal, então posso adivinhar o porquê. Sumila também tem sido meio fria ultimamente, e eu não sei o porquê. Eu tentei perguntar, mas já deveria saber que não funcionaria. Tudo o que eu ganhei como resposta foi um “descubra sozinho, idiota”.

Pelo menos Mei Lin ainda está feliz e animada ao meu redor. Ela guia o caminho, sentando na frente e se apoiando em mim. Criança doce, igualzinha a uma irmã menor adorável. Eu comprei vários cachecóis para ela, de cores diferentes e tamanhos mais convenientes, e ela parecia muito feliz com eles, mas a única coisa que mudou é que agora ela veste dois cachecóis, um que eu comprei, e o cachecol branco e super longo de costume dela. Eu posso ter causado algumas tremendas inconveniências. O cachecol branco provavelmente era da mãe dela ou algo assim. Bom, o que fizer ela feliz. Eu vou comprar algo diferente para ela no futuro, como uma presilha.

Depois de uma hora de viagem difícil via quin através da floresta, Mei Lin nos guia até um declive íngreme e através de uma pequena saliência rochosa, antes de pararmos. É uma pequena campina secreta, colorida e vibrante, com uma grande variedade de plantas crescendo nela. O barulho de um riacho aparece de um pequeno buraco em uma parede de rochas, fluindo para fora e descendo até o outro lado. Eu desmonto e ando devagar, olhos abertos.

— Não é bonito aqui, Rainzinho? Papai me trouxe aqui uma vez, e eu amei. — Mei Lin quase corre para dentro da campina antes que eu impeça-a.

— Tenha cuidado agora, pode ser perigoso. Mantenha seus olhos abertos, nós iremos rodear por esse lado e abrir caminho até o interior, lentamente. — Enfiando minha lança no chão, eu pego minhas ferramentas do meu alforje e começo a coletar tudo o que eu posso, enquanto mantenho minha lança por perto. Grama Bigode de Dragão, Erva Canina, Lagarto Azul, folhas Alabastrinas, é um verdadeiro baú de tesouros de ervas medicinais. Na verdade, eu nunca vi a maioria ao vivo, só em livros. Enquanto estudo meus arredores, uma pequena cobra da grama marrom me morde na perna, mas não fura meus couros. É quase adorável, mas ela ainda está tentando me mutilar, então eu a mato com um corte rápido e jogo ela para Zabu, que mastiga com alegria, lambendo os beiços enquanto come.

Não é necessário ficar muito concentrado para colher ervas, então eu tento conversar um pouco com Adujan, a pessoa mais próxima de mim, escaneando os arredores.

— Então, eu nunca te vi por aí, é um cadete faz muito tempo?

Ele vira para mim, franzindo a testa.

— Minha primeira missão foi há um ano e meio, protegendo uma caravana para Shen Huo e de volta para vila. Eu sofri pra caralho para ser incluído naquela missão, pra daí ser chutado pra fora do time na véspera. Eles precisavam de uma vaga para algum filho da puta inútil chamado Rain poder vir junto. Pelo visto, ele tinha conexões com a Reitora Chefe. — A encarada dele se intensifica, uma quase tão boa quanto a da Akanai. — Eu tive a sorte de um outro cadete estar com diarreia, ou levaria meses até haver outra missão.

…Bom então. Eu acho que esse é um mistério solucionado. Obrigado, Akanai. Depois de falar mais que meus cotovelos, eu volto a colher ervas quietinho. Ele realmente tem uma boca suja, o que contrasta com sua voz fina. Esse magricela do falsete guarda rancor de mim por algo que aconteceu mais de um ano atrás. Eu deveria ter uma luta treino com ele também, plantar seus chifres no chão e deixar ele desse jeito. Me chamando de filho da puta inútil, esse punk afeminado. Não é como se eu tivesse pedido para ir naquela viagem, e além disso, ela literalmente me custou um braço e uma perna.

Eu trabalho em silêncio por bem mais de uma hora antes que Mei Lin venha até mim.

— Nós coletamos o suficiente por agora, Rainzinho. Nós não deveríamos perder muito tempo aqui ou não iremos alcançar o Papai e os outros antes do jantar. Podemos ir agora? — Olhando por aí, tudo que eu vejo são pequenas moedas crescendo do chão. Nós mal coletamos um décimo do que está disponível, e ela quer voltar? Ahh, ela é uma jovem senhorita mimada, não posso fazer nada além de mimá-la também. Eu já coletei os itens mais raros, com um lucro decente dessa incursão.

— Você descansa um pouco, tudo bem? Eu quero dar uma olhada por aí, e se eu não encontrar nada muito valioso, podemos ir. Parece bom? — Eu afago ela na cabeça e vou embora, não esperando por uma resposta. Adujan me segue, cuidando da minha retaguarda. Pelo menos a criança é profissional, apesar do seu desgosto óbvio por mim. Eu posso respeitar isso. Juntos, nós andamos pela pequena campina, enquanto eu escaneio a área por algum loot valioso. Uma pequena parte vermelha atrai meu olho, e eu vou até lá. Tirando um pouco da grama longa do caminho, meus olhos se arregalam. Eu já consigo ouvir o tinido das moedas. — Mei Lin, venha olhar isso, me diga se é o que eu acho que é.

Ela vai até lá, e suspira um pouco.

— Uma Agulha Vermelha! Ótimo achado, Rainzinho! — Ela pega um par de pás de jade, cavando ao redor da planta com cuidado, se esforçando muito para não tocar nela ou danificar suas raízes. Enquanto ela morde seu lábio em concentração total, eu seguro meu fôlego, preocupado que o barulho vá distrair ela. Ela é mais adequada para esse trabalho, menor e com mãos mais hábeis.

— O que é uma Agulha Vermelha? — Adujan pergunta enquanto ele vai até ela. Eu impeço ele e o movo para trás lentamente, sinalizando para ele ficar quieto.

— Agulhas Vermelhas são incrivelmente tóxicas, e possuem diversos espinhos. Se qualquer um deles furar sua pele, ou você morre rapidamente pela reação, ou você sangra por decanas enquanto a ferida apodrece, e você morre lentamente. — Eu explico para ele quietamente, enquanto assisto Mei Lin trabalhar duro. — O melhor uso delas é na criação de Armas Espirituais, como um material de vinculação. Ajuda a ligar metais líquidos com materiais mais orgânicos, como ossos ou presas, permitindo que o metal se infiltre ao invés de simplesmente revestir o material.

— Inacreditável. Parece que tortas de carne vivem caindo do céu para o sempre abençoado Rain. — Adujan é um cuzão orgulhoso. Que caralhos isso ao menos quer dizer? Abençoado? Como se eu tivesse sorte. Eu estou quase morrendo mensalmente desde que eu cheguei aqui. Ignorando o maldito, eu assisto conforme os minutos lentos e agonizantes passam, Mei Lin totalmente concentrada, suor escorrendo por sua testa.

Depois de um longo tempo, ela finalmente levanta, com os braços erguidos e exuberantes.

— Consegui, Rainzinho! Eu sou tão boa, vai me elogiar, né? — Ela segura uma caixa de jade que contém a planta mortal, desenraizada, balançando ela para que todos vejam. Tirando a caixa dela com gentileza, eu me certifico que ela está amarrada e presa no lugar, amarrando ela com alças reservas de couro, antes de enfiar ela no alforje do Zabu.

Me virando, eu levanto Mei Lin em um grande abraço.

— Você é a melhor, tão talentosa e corajosa. — Botando ela no chão, eu belisco as bochechas sorridentes dela. — Tudo bem, isso é o bastante por hoje. Você descansa aqui e eu vou dar uma rápida olhada por aqui, para ter certeza de que não perdemos nada como isso. É bem improvável, mas ei, não se pode ser cuidadoso demais quando é sobre coisas assim. Poderia haver mais delas. Se eu vender aquelas Agulhas Vermelhas, eu serei rico. Não tenho ideia do quanto, mas elas são raras o bastante, e úteis para uma diversidade de Corações, então pelo menos rico o bastante para uma pequena casa de campo, eu diria. Elas não são o material de vinculação da mais alta qualidade, mas são tão versáteis, demanda será alta.

Infelizmente, minha procura por mais tesouros não dá frutos. Decidindo fechar o dia depois disso, eu apanho uma porção de Caules de Mandril e colho os mais úteis. Um bom purificante, sempre útil se alguém comeu a coisa errada, botando para fora pelos dois lados. O segundo caule que eu pego não sai tão fácil, e eu ponho meu pé em uma tora próxima para me apoiar melhor. O caule sai, e eu caio alguns passos para trás antes de pôr a planta no meu bolso.

A Cauda de Mandril cai das minhas mãos conforme Adujan me puxa para longe pelo colarinho, me arrastando para trás, voltando para onde estão os roosequins.

— O que você está fazendo? — O pequeno punk está começando a me emputecer. Ele não responde, só aponta para trás. As gramas estão tremendo, algo se movendo através delas. O bicho se levanta para fora da grama, elevando-se acima de mim, deslizando para cima, um corpo de músculos e tendões, longo, marrom e sarapintado, coberto de escamas duras, parecidas com casca de madeira, dois olhos amarelos de serpente piscando preguiçosamente para mim. A caralha da tora está me encarando. Puta que me pariu. Eu acho que eu não vou precisar do Caule de Mandril.

Eu posso só cagar nas calças agora.

Meus olhos estão grudados na cobra acordando enquanto nos movemos para longe. Ela se levanta lentamente, desenrolando seu corpo, ficando mais e mais alta. Ela parece… grogue, quase. Bom, ela acabou de acordar, nós podemos fugir rápido. Sua língua cintila diversas vezes, saboreando o ar, e o corpo inteiro fica tenso, alerta.  A cauda se levanta, uma placa triangular gigante no fim dela, batendo de um lado para o outro, e os olhos focados em mim. Isso não é um bom sinal.

Desviando meu olhar para longe, eu vejo que Mei Lin já está montada no Zabu, pronta e esperando eu me aproximar.

— Zabu, Casa. — Bem treinado e condicionado a obedecer ordens, Zabu dispara feito uma flecha, correndo declive abaixo. Ele não sabe de verdade o caminho de casa, mas pelo menos Mei Lin irá ficar segura até que consiga retomar o controle do idiota peludo. Olhando de volta para a cobrinha linda, eu assisto enquanto ela enrola seu corpo, se amontoando. Ela deve ter pelo menos 15 m de comprimento, com um corpo mais grosso do que o meu torso. Sua cabeça é do tamanho do Huushal, e sua cauda metálica parece capaz de me cortar no meio facilmente. — Se acalme, pequena cobrinha linda. Só seee acaalmeee. — Talvez eu consiga encantar animais. Roosequins parecem gostar de mim, exceto por Zabu, mas ele odeia todo mundo. Eu uso minha voz mais doce de animal, geralmente reservada para quando eu estou sozinho com os filhotes. Você está toda estressadinha porque acordou da sua sonequinha gostosa?

— Que caralhos você tá fazendo? — Adujan chia para mim, enquanto nós continuamos a nos mover para longe, não rápido demais para não estressar a cobra. Eu olho de volta para ele e dou de ombros. Vendo que a conversa fofinha não está funcionando, eu desembainho Paz com minha mão esquerda, lança na direita, tentando ficar calmo e achar Equilíbrio. Difícil com meu coração batendo feito louco, minha boca secando por causa do medo, garganta ameaçando se fechar. Respirações rápidas, curtas, relaxe o peito, não entre em pânico. Nada sério acontecendo aqui, só uma cobrinha linda, toda enrolada como um cocô. Não seja tão ranzinza por favor. Só não saia daí. Pelo menos isso meio que me acalma.

Sem aviso, a cobra avança para frente, cobrindo a distância entre nós em um piscar de olhos. Empurrando Adujan para longe com um grito, a boca se fecha ao meu redor, lança se estilhaçando, presas perfurando meu pulmão, a pressão me faz soltar um grito sufocado, gorgolejante, enquanto eu ataco inutilmente a cobra, já que a lâmina ricocheteia em suas escamas. Quando ela me levanta no ar, eu me agito, impotente, conforme a dor se espalha pelo meu corpo.

Alcance o Equilíbrio, ou você está morto de novo. Respire. Minha espada sou eu, eu sou a espada. Minha cabeça clareia, a dor vai embora como se eu houvesse tirado um manto. Levantando Paz mais uma vez, meu chi fortalece a arma e afia a lâmina. Eu apunhá-lo, a ponta perfurando fundo na bochecha da cobra. Ela abre a boca por reflexo, e eu caio no chão, as presas saindo do meu corpo com um som doentio. Pousando com leveza de pé, eu me jogo na cobra, Paz liderando minha investida, a arma aprimorada cortando fundo, rasgando o corpo da cobra tão fácil como se fosse grama.

Huushal e Sumila se juntam à luta, armas desembainhadas, enquanto Adujan atira flecha após flecha na cobra, acertando inutilmente suas escamas. A espada do Huushal ricocheteia nas escamas da cobra, mas a lança da Sumila machuca de verdade, desencadeando um frenesi de movimentos da criatura, quase hipnóticos de assistir. Encravando Paz na cobra, eu pulo para cima dela enquanto a cauda golpeia próxima de mim, o ar assobiando raivoso e afiado, errando por pouco. O corpo da cobra se enrola ao redor das minhas pernas, apertando mais, se enrolando cada vez mais para o alto, com os músculos flexionados. Eu sinto a pressão esmagadora ao redor das minhas pernas, meus joelhos machucando um ao outro, quase rachando, enquanto a cobra tenta fazer um suco de Rain. A cobra traz sua cara na frente da minha e me observa, atenta à sua presa, se preparando para outra mordida.

A lança da Sumila voa no ar, mas a cobra desvia com um movimento suave, sinuoso, quase sem esforço algum. Quando arranco Paz do corpo da cobra, a criatura se contorce enquanto a lâmina sai, causando um grito primitivo, sibilante com as mandíbulas escancaradas, bem na minha frente. Levantando ela acima da minha cabeça, eu jogo Paz dentro da bocarra escancarada, a lâmina girando sem parar, com meu chi a aprimorando enquanto ela perfura o céu da boca do bicho. A cobra cai morta, ainda enrolada nas minhas pernas, peso morto se emaranhado em mim e me forçando em direção ao chão. Vai se foder cobrinha linda. Nós poderíamos ter sido amigos. Mas você tinha que ser uma cuzona.

Minha respiração vem erraticamente, gorgolejante enquanto eu começo a me afogar no meu próprio sangue. Cada respiração vem com bolhas rosas espumosas, meu corpo treme sem controle, a dor está voltando. Eles se juntam ao meu redor, falando comigo mas não escuto, me agarrando, mas eu não sinto. Meus olhos se fecham enquanto eu foco em me curar. Meu pulmão e fígado estão perfurados, retalhados pelo impacto das duas presas. As pernas seriamente esmagadas, quebradas em diversos lugares. Três costelas quebradas, um monte de contusões no meu braço, peito e costas. Pelo menos ela só tinha duas presas, se tivesse as presas de baixo também, eu teria morrido na hora. Eu realmente espero que ela não seja venenosa.

A maior parte do meu chi foi gasta afiando minha lâmina e bloqueando minha dor, e a Energia dos Céus vêm para mim rapidamente como água derramada na areia. Eu pego ela, guio ela, trabalhando no controle dos danos, impedindo que eu sangre até morrer, tentando recuperar alguma função do meu fígado. Eu sei que eu posso sobreviver sem um pulmão, mas quanto tempo eu vou viver sem um fígado? Horas ou decanas? Nem ideia. Eu deveria descobrir, se eu sobreviver a isso, triagem é importante. Eu continuo a direcionar o máximo de chi que eu consigo para as minhas feridas, focando em nada mais. Tempo não tem sentido enquanto eu trabalho, lentamente me mantendo vivo.

Uma corrente de energia mais fria e mais controlada chega, tirando o controle de mim. Onde a energia chega, eu assisto enquanto os pedaços de tecidos, e ossos mutilados e quebrados são quebrados novamente e reaproveitados, meu fígado se reformando lentamente, costelas crescendo dos cotocos quebrados, carne se remendando. Ao invés de começar em um ponto, e ir curando para fora, a energia se divide em centenas de milhares de pequeninos pontos localizados, curando pequenas áreas individualmente, mais rápido que qualquer coisa que eu conseguiria fazer. Ela vem e vai enquanto eu assisto, me curando em explosões curtas, frequentes, e quando eu vi dezenas de vezes, eu tento imitar por conta própria. Dividir o chi, deixar que ele se infiltre em cada parte das minhas feridas, uma nuvem de energia ao invés de um laser focalizado. Dividir o chi é fácil, mas dar propósito a ele, fazendo ele me curar ao invés de simplesmente fluir através de mim, é difícil pra uma caralha, quase impossível. É como tentar tricotar com mil agulhas de uma vez, usando só um dedo, e conseguir tecer uma tapeçaria complexa. Difícil demais para mim, eu preciso perguntar como se faz. Finalmente, a cura está completa, e eu mergulho em um sono profundo e sem sonhos.

 

Eu acho que está na hora de resetar a contagem.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

9 Comentários

  1. O legal q ele ta se preparando pras futuras quase mortes deles se perguntando quanto tempo ele pode viver sem um fígado já que pelo jeito ele já testou com o pulmão

  2. Se ele tivesse ido embora depois de achar uma erva tão rara, nada disso teria acontecido… huahauahuahuahuhuah

  3. O famr dessa cobra vai ser muito bom. Essas escamas vao dar uma excelente armadura e as presas otimas adagas.
    Essa cobra me lembrou daquela que o Jin Woo enfrenta na dungeon do metro.

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