LdL – Capítulo 11

Aprendendo na Dor

[Autor: JS Dantas] [Revisor/Editor: Mini/Lyn]

E lá estava ela, sentada no parapeito da varanda, com seus lindos cabelos negros balançando junto à brisa noturna e seus lindos olhos amarelos brilhando como as estrelas.

— Luna… — falei baixinho — Erh.. já faz um tempinho… — inconscientemente acabei desviando os olhos envergonhado.

— Me desculpe por não vir te visitar antes, ultimamente não tenho me sentido muito bem.

Convidei ela para se juntar a mim nas almofadas.

— Como você se sente? Algo fora do comum? Você deu um susto em todo mundo — A voz de Luna mostrava um claro tom de preocupação comigo.

Eh… Eu também levei um susto e tanto. — Pensei.

Seus olhos estavam baixos e cansados, com os cantos inchados e um pouco avermelhados. Ela parecia um pouco abalada.

Luna… Ela deve ter chorado bastante esses dias. Pensei cabisbaixo.

Os acontecimentos desses últimos dias devem a ter afetado mais do que ela deixa transparecer, mas eu não tentei me aprofundar no assunto pois sabia muito bem como era.

Por diversas vezes eu já passei por isso. Me trancava por dias em meu quarto apenas na companhia de meu sofrimento. Não me alimentava e nem cuidava de mim mesmo.

Muitas vezes chegava a perder bastante peso. Essas eram minhas crises, e o pior de tudo é que eu deveria sofrer em silêncio para não incomodar meus pais.

Mas esses tempos passaram, e eu definitivamente não queria ver Luna passar por esse tipo solidão. A única coisa que poderia fazer agora era tentar ajudá-lá de alguma forma.

— James? Tudo bem? — Luna me fisgou de meus pensamentos.

— Ah!Eu estou bem, obrigado pela preocupação — sorri carinhosamente — Agora… e você? Como eu posso te ajudar a enfrentar essa dor?

Luna me olhou surpresa e ligeiramente corada.

— O que você quer dizer com isso ? — Ela me perguntou nervosa, virando o rosto.

— Ah erh… Como posso dizer… — meu coração acelerou e as palavras se embaralharam em minha mente. 

Droga! Idiota, eu fui muito direto… Ah meu deus oque eu faço…

— Bem, você disse que está sentindo-se mal e erh… Eu queria de alguma forma ajudar, sabe? Hehe. — Falei sem jeito enquanto coçava a cabeça envergonhado.

— Puff!! hehehe! — Luna sorriu e gargalhou gostosamente. 

Meu nervosismo não passava e eu só podia encarar o chão com vergonha.

—Você é o único que consegue me fazer rir, sabia? E também é bem perceptivo. Obrigada. — Ela sorriu para mim, e foi aquele mesmo sorriso da visão, o sorriso que eu decidi que lutaria para conquistar.

Meu coração se encheu de calor e esperança, pude sentir meu rosto enrubescer.

Talvez… Talvez eu tenha uma chance. Sim! Mesmo que essa chance não surja eu a farei aparecer. Uma onda de coragem e convicção encheram meu espírito.

É definitivo, farei de tudo para ser merecedor desse sorriso, enfrentarei as lições demoníacas e cruéis que Liz com certeza está tramando para mim, e toda e qualquer dificuldade que se ponha em meu caminho. Agora, de fato, eu tenho um objetivo.

Elizabeth fez jus à sua promessa. As semanas seguintes foram árduas. Suas lições eram passadas na área interna do jardim, que ficava rodeada por um labirinto de cercas vivas onde poderíamos ter um pouco de privacidade. No centro havia uma plataforma com cerca de cinco por cinco metros.

Liz usava uma camisa de mangas longas com alguns babados nas pontas, como alguns mosqueteiros franceses, um espartilho apertava-lhe a cintura e vestia uma calça de linho branco com botas marrons de cano longo. Seu cabelo preso em uma rabo de cavalo incrementava ainda mais o ar de durona. 

— Primeiro — ela disse enquanto se dirigia ao centro da plataforma — Devemos melhorar sua defesa pessoal e moldar seu corpo para suportar sua soma.

— Qual o problema com a minha soma afinal?— perguntei enquanto tomava posição na plataforma.

— Você está absorvendo um nível de energia muito maior do que pode suportar, isso estressa seu corpo ao ponto de colapsar. Então primeiro devemos fortalecer seu corpo. Quando você estiver pronto vamos estabilizar sua energia de vez.

— Estabilizar? Mas o pacto não deveria ter resolvido esse problema?

— O pacto em sí não foi feito com esse propósito — Elizabeth falou enquanto preparava os materiais de treino de maneira casual, — através dele eu só poderei estabilizar sua soma até certo ponto. Após você ficar devidamente preparado, passaremos para o próximo passo que é dar uma forma para o seu núcleo.

— É extremamente necessário que você mesmo estabilize essa energia e para isso vamos tentar deixar seu corpo o mais maleável possível.

Liz jogou uma espada de madeira que segurei facilmente no ar, era bem leve para o tamanho. A duquesa firmou sua base e tomou postura de batalha. Ela me encarava com o corpo na horizontal diminuindo seus pontos vulneráveis. Sua arma estava apontada em minha direção com o cotovelo levemente dobrado. Era uma postura muito semelhante a de esgrimistas profissionais.

— Ataque! — Disse a duquesa.

— Mas para fortalecer meu corpo, eu primeiro não deveria fazer uns exercícios ou coisa do tipo ? — perguntei.

— Eu falei ataque! — Disse a duquesa.

— Mas…

Antes que pudesse terminar, fui golpeado na cabeça, pescoço, peito e pernas. Não tive tempo nem de gemer da dor do primeiro golpe quando Liz surgiu ao meu lado e colocou um dos pés atrás do meu calcanhar, conseguindo me derrubar facilmente com um simples esbarrão de ombro.

Cai com o traseiro no chão fazendo um baque seco.

— Calma lá Liz… ai ai ai… — falei deitado no chão, meu corpo todo doía. — Até alguns dias atrás eu era só um recluso que nunca saia de casa. Antes de começar você não deveria repassar umas lições sobre postura, golpes e coisas do tipo?

— Você aprenderá melhor com seu corpo, levante-se! Firme sua base, não perca tempo pensando demais e não dê espaço para que o oponente aja antes de você. — Seu tom era bem rígido, toda sua personalidade havia mudado.

Maleável o caramba, ela poderia simplesmente dizer que queria me quebrar todo… Protestei internamente.

Me levantei e senti todas às áreas que foram atingidas arderem ainda mais. Ao ver minha cara feia Liz falou abruptamente:

— Se quiser se tornar forte vai ter que começar com tudo — Ela tinha um olhar duro. — Você não é como os demais que podem começar com calma, voc… — Ela se interrompeu. Desviando o olhar e apertando os lábios, após alguns segundos soltou um suspiro, cruzou os braços e me olhou travessa.

— James… — Ela relaxou um pouco e continuou com um sorriso — Pensei que você iria enfrentar às lições diabolicas que eu tramei para você… Afinal não queria ser merecedor do sorriso de uma certa garota? — finalizou dando uma risadinha.

— O que!… Ma.. Mas como? Onde? Quando? — fiquei completamente desconcertado, como ela sabia disso? Minha vergonha e raiva estavam bem expostas na minha cara vermelha.

Liz levantou o dedinho onde o fio dourado saia de encontro ao meu.

— Isso é trapaça.. Você não pode me espiar com isso, ou pode? De toda forma isso é invasão de privacidade.

— Oh querido, mas você estava tão imerso nessa ideia que simplesmente veio a mim hehe.

Levantei-me com um salto e me preparei. Liz tomou posição.

— Certo, certo! Vamos deixar isso de lado e voltar para ao treino — falei animado.


Depois de uma manhã de treinamento intenso, me recolhi no meu quarto, onde já havia uma grande banheira e dessa vez, sem criados com aparelhos de tortura me esperando, por mais que Kirkhart tenha insistido. Relaxei na minha banheira enquanto massageava meus machucados. Liz realmente não pegava leve, mas suas instruções de treino era muito boas, até mesmo um zé mané como eu consegui dar alguns bons golpes.

Depois de um bom banho relaxante, peguei uma nova muda de roupas que estava separada no canto da cama. Assim que terminei de me vestir, escutei alguém batendo em minha porta com leveza.

— Entre! — respondi. 

— Olá, James, como está indo o treinamento? — disse Charlotte ao entrar em meu quarto com seu costumeiro tom casual.

— A Liz não pega leve — reclamei enquanto massageava meus braços — Mas, graças a esse rigor, eu estou começando a me acostumar.

— Você tem planos para essa tarde? — Charlotte perguntou enquanto xeretava meu armário.

— Se não me engano, Liz falou que vamos aprender sobre os fundamentos da soma e como dominá-la. — essa era a parte que eu mais queria aprender desde que vim para esse mundo, se eu dominar a magia daqui posso ser o novo Harry Potter ou até melhor um super Gandalf.

— Liz vai te ensinar? — Charlotte gargalhou e continuou — essa eu quero ver de perto. 

Por que eu sinto que me dei mal…?

Seguimos para o pátio do jardim onde a Duquesa nos aguardava com uma grande mesa cheia de pedras multicoloridas e algumas ferramentas bem estranhas.

Elizabeth estava com uma expressão animada e orgulhosa, ao me ver ela falou alegremente:

— Agora meu queridinho é que começa o seu verdadeiro treinamento — Ela enfatizou com uma expressão travessa.

Charlotte deixou escapar uma risadinha.

Aquela reação certamente me dizia que apanhar com espadas era uma opção bem melhor.

JS Dantas
Entusiasta de RPG, mestre sem coração, escritor nas horas vagas, compromissado com seus deveres e amante da boa leitura.

8 Comentários

    1. Está surgindo, agora, na internet uma corrente que visa substituir o “First” por “Paçoca”. Imagens também são aceitas.
      Por favor, vamos todos aderir a campanha!

  1. Agora é o quê? Testes de afinidades mágicas através das pedras?
    O ritmo não perde a empolgação por aqui

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