LdL – Capítulo 13

Aurora

[Autor: JS Dantas] [Revisor/Editor: Mini/Lyn]

Douramar, capital real. Castelo do Sol.

Passos apressados ecoavam nos corredores do castelo. Um homem usando trajes formais caminhava até a porta do Palácio com uma grande prancheta em mãos distribuindo ordens aos empregados. Sua expressão amargurada transparecia seu mau humor.

—Todos os preparativos para a chegada de Vossa Majestade estão prontos? — Ele perguntou a um dos noviços que o acompanhava carregando diversos papéis. — Certifique-se de ter cumprido com todas às tarefas que eu repassei para vocês idiotas. Se algo estiver fora de ordem irei esganar-lós com minhas próprias mãos.

—Sim, Lord Gaster — o noviço mais próximo do homem, respondeu enquanto se encolhia diante das ameaças.

O que seria do reino se eu não estivesse aqui sempre que Vossa Majestade decide visitar a irmã? Argh! — Gaster pensava enquanto seu rosto fino ficava cada vez mais azedo — Quatro dias para ir e quatro para voltar, Vossa Majestade deveria trazer a princesa a força de uma vez, para não precisar se arrastar até aquele fim de mundo, e ainda por cima ter de falar com aquela duquesinha impura…

O homem foi puxado de seus pensamentos pelo estalar das rédeas da carruagem real. A comitiva da rainha parou em frente às escadarias do castelo. Um dos cavaleiros que a acompanhava desceu de seu cavalo para abrir a porta da carruagem enquanto outro posicionava uma pequena escada de dois degraus.

Aurora caminhou em direção ao homem de rosto fino que a aguardava com imponência e beleza. Usava um vestido branco com bordas douradas nos braços, uma grande abertura se estendia até um dos joelhos deixando uma de suas pernas volumosas amostra.

— Senhor primeiro-ministro, acredito que cuidou bem da capital enquanto estive fora — Aurora passou pelo homem sem demonstrar qualquer interesse na resposta do mesmo, que a acompanhou.

— Claro vossa Majestade, aliás eu já cuidei de chamar os demais ministros para nos reunirmos agora mesmo. Se pudermos seguir para a sala de reuniões…

— Você realmente acredita que eu iria para uma reunião agora, Gaster? — A rainha o encarou com desdém de cima a baixo deixando bem clara a posição do ministro. — Irei me juntar a vocês depois de descansar. Remarque para mais tarde — enfatizou sem interesse.

— Mas, vossa Majestade, os ministros já estão aqui…

— BASTA, GASTER! — Aurora se virou para o ministro e o fulminou com os olhos — Não me importa se já estão todos aqui, se eu desejar, vocês esperarão até ficarem com suas bundas de seda dormentes. Eu-irei-mais-tarde! — Aurora falou pausadamente enfatizando cada palavra.

O ministro se encolhia com cada passo da rainha ficando quase que completamente encolhido.

Ela estava claramente irritada e Gaster sabia o porquê. Nos últimos messes a rainha vinha fazendo um progresso significativo se re-aproximando da irmã, mas algo aparentemente havia dado errado. As informações sobre o ocorrido eram rasas pois o primeiro-ministro havia desdenhado da região norte e quase não tinha informantes por lá, isso o fez se arrepender amargamente afinal, informação é poder.

— Sim Vossa Majestade, me perdoe — Gaster soava como um porco prestes a ser abatido, certamente não desejava ser o bode expiatório da ira da rainha. — informarei aos demais ministros, quando estiver disposta estaremos aqui para servi-la, hehe — ele deu uma risada desajeitada, puxar o saco era uma das especialidade de Gaster, não a toa que ele havia conseguido seu cargo atual.

O ministro deu três passos para trás e se virou saindo rapidamente do local, suor frio escorria por suas costas enquanto sentia o olhar furioso da Rainha.

Aurora retomou sua compostura e bufou. Às lembranças dos eventos de sua viagem a atormentavam, sua cabeça fervia de raiva e o fato dela ter tido bastante tempo para pensar sobre tudo isso durante a desconfortável viagem só piorou a situação.

A rainha caminhou até uma mesinha no canto do corredor onde repousava um pequeno sino ao lado de um belo vaso de flores. Ao balançar a sineta, uma criada rapidamente se apresentou.

— Prepare um banho em meus aposentos, logo estarei lá. — Aurora falou enquanto massageava as têmporas. 

— Sim vossa Majestade. — A criada respondeu fazendo uma pequena reverência antes de se retirar.

A Rainha caminhou um pouco pelos corredores tentando se distrair dos pensamentos que a afligiam. Ela se perguntava o sentido de tudo o que havia presenciado, quanto mais pensava mais perguntas surgiam, percebendo que suas tentativas só resultavam em fracasso, ela seguiu até seu quarto.

Uma grande banheira de bronze com água morna a esperava. Duas criadas estavam terminando os preparativos do banho, elas estavam adicionando sais perfumados e pétalas de rosas a água. 

Outras duas criadas ajudaram a Rainha a remover suas roupas revelando suas curvas sinuosas e bem delineadas.

Ela repousou primeiro um pé na água tentando se acostumar com a temperatura e logo depois mergulhou todo o corpo. Uma das criadas forrou sua cabeça com um travesseiro enquanto Aurora se recostava na banheira, para em seguida massagear seus ombros tensos. A rainha deixou escapar um pequeno gemido de alívio. Após algum tempo Aurora dispensou às garotas e ficou sozinha com seus pensamentos e retomou às memórias de uma semana atrás quando estava enfrentando a própria irmã.

Um brilho dourado intenso emergiu de Elizabeth no momento que ela tocou às mão de James. Luna vacilou por uma fração de segundo no momento que a luz tomou conta do salão. Aurora, vendo a oportunidade passou agilmente uma das pernas por trás do tornozelo de Luna e tentou derrubá-la com uma ombrada de direita.

Lunafreya percebendo o movimento da irmã firmou sua base e devolveu o golpe também com o ombro direito ficando cara a cara com a irmã. Aurora sorriu no momento que Luna devolveu sua ombrada.

— Ainda lhe falta pratica, irmã — Aurora aproveitando o impacto dos ombros girou para a esquerda, rolando pelas costas de Luna, agora costas a costas com a irmã, a Rainha disparou contra James e tentou estoca-lo com a espada.

Por um fração de segundo Aurora sentiu uma energia maligna familiar, seu corpo gelou no mesmo instante a fazendo vacilar por um momento.

Isso é… Impossível — Uma miríade de possibilidades passou pela mente da Rainha, nesse momento e antes que ela percebesse Aurora sentiu sua lâmina perfurar a carne de alguém. Como que em câmera lenta, gotículas de sangue quente joraram diante dos olhos de Aurora atingindo sua bochecha.

Elizabeth se pôs entre a espada e James, seu braço foi perfurado, mas sua convicção continuou inabalável. Sangue escorria pela lâmina de Aurora sujando o jovem inconsciente e alguns dos desenhos no chão.

— Hehehe, obrigada, Vossa Majestade — apesar do rosto abatido e suado a expressão de Liz era de confiança e coragem. — Graças a você posso terminar o ritual. — Com a mão boa, Elizabeth segurou a mão de James e a levantou enquanto falava.

Hoje, diante da deusa me comprometerei contigo, tomarei seus erros como meus e compartilharemos as alegrias vindouras. Deixemos os cordões do destino nos guiar e a tapeçaria nosso futuro criar — O sangue ao redor foi subitamente puxado para às mãos de James e Liz que estavam entrelaçados. O líquido carmesim foi tornando-se fino e prateado, se enroscando nos dedinhos da mão direita de ambos. — Nem mesmo os piores males poderão romper os laços que nos uniram — Ela fulminou Aurora com o olhar, sua voz se tornou mais profunda enquanto ela entoava.

Uma luz prateada irrompeu das mãos de James e Liz. O fio prateado tornou-se dourado e semi transparente.

De repente, Luna golpeou o estômago de Aurora com o cabo da foice jogando-a longe. Os olhos amarelos da princesa irradiavam uma raiva descomunal.

— Dessa vez eu não irei pegar leve irmã… — Lunafreya girou a foice com uma das mãos enquanto gesticulava no ar com a outra, por entre seus dedos surgiram fios roxos e aos poucos eles foram tornando-se mais brilhantes e puros com a energia — Rompa, queime e destrua… — Os olhos de Aurora se arregalaram surpresa. Imediatamente o chifre de Luna ressoou enquanto ela gesticulava no ar entoando, nisso a princesa continuou — Lança negra, torre de aço, ossos de fogo. Guie minha ira e destrua meus inimigos, o calor do ódio preencherá o castelo gelado. Décima nona sentença: Ira da deusa!

A energia percorreu a sala consumindo tudo ao redor, antes de atingir a Rainha ela se chocou com uma barreira dourada invocada por Aurora no último instante.

Às chamas se espalharam por todo o cômodo queimando móveis, cortinas e carpetes. Às janelas estouraram com a força das chamas. O local protegido pelo escudo da Rainha estava intacto. 

A barreira dourada rachou e se despedaçou, seus cacos amarelos sumiram antes de tocar o chão. Aurora estava incrédula do que havia acontecido. Elizabeth segurava o corpo de James em seus braços, toda a energia que antes estava enlouquecida no corpo do garoto havia cessado de vez. Luna ainda segurava sua foice em guarda como uma mãe protegendo seus filhotes.

— Luna… e-eu, eu estava tentando protegê-la… — as palavras escapavam de Aurora, depois de sua raiva cessar e sua mente clarear, ela percebeu o que havia feito.

O braço de Liz ainda sangrava, Aurora tocou sua própria bochecha marcada com as gotas carmesins da duquesa. Luna a encarava com um olhar vazio de empatia, apenas a raiva habitava neles nesse momento.

— Luna… Eu não quis trocar golpes… por fav…

— Saia… — Luna respondeu em seco. — Você feriu minha pupila e tentou assassinar um inocente por puro capricho… Saia agora, Aurora ou não medirei esforços para te arrancar daqui! 

Às portas do salão foram abertas abruptamente pelos guardas pessoais da Rainha que ouviram os sons da batalha.

— Cerquem a princesa, protejam sua Majestade — Seis guardas cercaram Luna enquanto dois tomaram a frente de Aurora protegendo-a.

— Idiotas, recuem. Não preciso de proteção, estou resolvendo… — Aurora bravejou, mas antes que conseguisse tomar conta da situação Luna agiu.

Luna levantou a mão esquerda apontando os dedos para o teto.

— Eu não serei levada novamente! — a voz de Luna tornou-se fria e suave. — Espalhe-se, estado de loucura, mão da escuridão. Seu destino não te pertence mais, pois não és digno dele. Nonagésima quarta sentença: Fantoche sombrio. 

Uma miríade de fios negros saíram dos dedos da princesa se ligando nos membros dos cavaleiros, parando seus movimentos abruptamente.

— Eu não pertenço a você, Aurora — A voz de Luna tornava-se cada vez mais sombria e profunda. Os cavaleiros levaram às lâminas ao pescoço prontos para darem um fim em suas vidas.

JS Dantas
Entusiasta de RPG, mestre sem coração, escritor nas horas vagas, compromissado com seus deveres e amante da boa leitura.

26 Comentários

          1. Tu ainda ta me devendo o título de LMS, fez a maior propaganda e me deixou com vontade de ler só pra me matar na unha nê? kkkkk

  1. “Duquesa impura” provavelmente significa que a Liz e Mestiça, agr essa “energia maligna” ou é daquele lobo preto, ou talvez eu tenha acertado que aquela leve impressão q eu tive de que o James fosse aquele black knight esteja certa(o que eu ainda acho difícil)

  2. Daria para deduzir que a rainha foi derrotada, mas humilhada em batalha desse jeito, meu caro, Luna e Liz arrebentam!

    1. É meu amigo, manhã cê vai ter uma visão melhor sobre… E vai conhecer um pouco melhor Vossa Majestade.

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