LdL – Capítulo 14

Reunião

[Autor: JS Dantas] [Revisor/Editor: Mini/Lyn]

Os olhos de Aurora se arregalaram em pânico. Ela podia ver o desespero expresso no rosto de alguns dos cavaleiros que clamavam por sua ajuda.

— Agora você irá presenciar o sentimento ser controlada. — A expressão de Luna se tornou sombria.

A princesa ergueu o punho fazendo com que os cavaleiros apertassem às lâminas em suas gargantas.

— Maninha, PARE! — A voz rouca de Elizabeth alcançou a princesa fazendo seus dedos cessarem, às linhas sumiram e todos os cavaleiros foram ao chão como marionetes que tiveram às cordas cortadas. — Não esqueça das palavras de Sedin, não manche o sacrifício dele! — Os olhos de Liz estavam marejados e logo ela desabou em lágrimas.

O chifre da princesa brilhou levemente, sua foice sumiu e a cor de seus olhos voltaram ao normal. Ela ignorou Aurora e correu para Elizabeth a envolvendo em um grande abraço.

— Me perdoe minha tulipa, me perdoe… — Luna caiu em lágrimas.

Aurora ainda estava estática com toda aquela situação. Alguns dos guardas já começaram a recuperar seus movimentos aos poucos, para evitar mais confusão a rainha falou em um tom autoritário.

— Todos vocês, saiam daqui, AGORA! Irei logo em seguida, e não quero nenhuma contra medida, qualquer intenção contrária a minha vontade será tida como insubordinação. — Os cavaleiros se entreolharam receosos, pois, teoricamente, independente da ordem eles estariam contrariando seu dever de proteger a Rainha a todo custo.

Assim que os cavaleiros deixaram o local, uma lágrima de amargura escorreu pelo rosto da Rainha. 

Elizabeth levantou-se enquanto enxugava às lágrimas. Ela rapidamente pôs sua angústia de lado e caminhou decidida até Aurora.

— Vossa Majestade… — Liz se aproximou de Aurora segurando alguns trapos contra o ferimento na tentativa de estancar o mesmo. — Por favor, a situação foi contornada, Vossa Alteza Lunafreya está extremamente cansada… Peço que a senhora possa compadecidamente nos deixar resolver o restante das coisas por nós mesmas.

A rainha abriu a boca na tentativa de protestar, mas logo a fechou. Ela não tinha mais forças para se opor diante de toda aquela situação.

— Muito bem Arievilos, não irei mais interromper suas atividades, nem as de minha irmã… — Aurora deu uma ultima olhada em Luna, a princesa estava com a cabeça do rapaz repousada em seu colo. Ela acariciava o cabelo do garoto com cuidado e gentileza, essa imagem fez seu coração apertar. A Rainha já havia visto tal cena no passado e o resultado disso só lhe trouxe dor.

Vendo toda aquela cena Aurora não pode deixar de sentir remorso. Ela apertou a mão com força fazendo os nós amarelos aparecerem, ela sentia que não havia nada que pudesse fazer ali agora, a janela que ela criou com tanto esforço para se aproximar da irmã foi destruída pelo próprio impulso raivoso.

— Voltaremos para Douramar — Aurora se virou e saiu do local com passos pesados, um gosto amargo surgiu em sua boca fazendo seu rosto se contorcer em desprezo e amargura. Era o gosto da derrota.

Aurora foi puxada de seus pensamentos no momento que sentiu um par de mãos grossas e calejadas descerem por seus ombros, ajeitando seus cabelos para o lado, seguido de um beijo por trás do pescoço. A mesma mão que a acariciou nos ombros, viajou por sobre seu colo, guiando seu rosto para logo sentir lábios famintos capturarem os seus em um beijo ardente e saudoso.

Alcançando a nuca atrás de si, a rainha entrelaçou seus dedos nos cabelos loiros do homem e o segurou firme não o deixando escapar, retribuindo o beijo na mesma intensidade. A paixão daquele momento a fez com que todo o estresse que antes a atormentava fluisse para longe de seu corpo, permitindo que Aurora verdadeiramente relaxasse nos braços que a seguravam com devoção.

Delicadamente ambos se afastaram, virando-se de frente um para o outro, a rainha observou o belo rosto do jovem Verbirus a sua frente admirando cada detalhe, gravando na memória e notando cada pequena mudança desde a última vez que pode-se dar ao luxo de tê-lo. Aurora deslizou seus dedos sedosos pela bochecha de seu amante até chegar em seus lábios.

A rainha deixou sua banheira e subitamente empurrou o homem contra a coluna da cama. Aurora o fitava com um olhar sedutor, seus movimentos fluidos e sensuais aprisionavam o homem à sua frente que retornava o olhar com igual paixão.

Ela avançou decididamente contra o homem o beijando ferozmente, e ele respondeu a investida de sua rainha a altura, sentindo e memorizando toda e cada curva do corpo que era fonte de seus desejos mais profundos.

Às roupas brancas e ornamentadas do jovem foram arrancadas impiedosamente enquanto Aurora tomava o controle da situação jogando-o na cama. Lábios e mãos marcando trilhas de prazer sobre a pele alheia, deixando rastros de calor por onde quer que houvesse contato.

Logo, os dois estavam envoltos em suor e calor, numa mistura difícil dizer onde começava um ou terminava o outro, nenhuma palavra foi pronunciada, afinal, não era necessário, ambos apenas desejavam sentir a pele um do outro e aproveitar o momento ao máximo.

Ambos ofegavam, ainda exaustos com o encontro feroz que tiveram. A cama que antes estava impecavelmente arrumada agora se encontrava um emaranhado de lençóis.

— Finalmente você voltou, meu raio de Sol — O homem cochichou gentilmente no ouvido de Aurora, ele acariciava os belos cabelos da rainha.

Ele a beijou na testa gentilmente e voltou a fazer cafuné.

— Você não sabe como me fez falta, Velles — Aurora acariciou os braços do homem, seus olhos claramente o desejavam mais uma vez, mas ela sabia que os ministros já deviam estar mais do que impacientes. 

Como se pudesse ler a mente da rainha, Velles falou enquanto acariciava seu rosto:

— A noite poderemos ter um ao outro o quanto quisermos.

Aurora deu uma risadinha e o empurrou.

— Está chamando sua rainha de pervertida, Velles?

— Longe de mim falar isso do meu amado raio de Sol — com um sorriso sacana ele finalizou — só desejo lhe ajudar a domar a fera que se esconde por trás desses belos olhos.

— Hahaha! Seu idiota — Aurora deu um soquinho no ombro de Velles animada — Certo, está na hora de encarar aqueles velhos arrogantes, vá na frente e diga que logo estarei lá.

— Sim, Vossa Majestade — O homem se levantou e fez uma reverência. Velles caminhou até um cabideiro onde haviam algumas de suas roupas e se vestiu — Os entreterei da melhor maneira possível minha senhora. Quem sabe com alguns malabares? — Aurora saiu da cama sorridente e caminhou ao encontro ao guarda-roupas, ela pegou algumas roupas e às jogou na cama pensando sobre quais usar.

— Ou, você pode fazer seu papel e domá-los afinal você é o meu ministro do exército, não é? — Aurora o encarou com um sorriso debochado.

Velles fez uma reverência sorridente à rainha e deixou o quarto.

— Ela não pode nos fazer esperar para sempre — Falou um homem barrigudo e bigodudo enquanto batia na mesa com força — Todos aqui se esforçaram para cumprir com as tarefas que nos foram confiadas, Vossa Majestade não pode nos tratar com tal desrespeito… Nós…

— Lorde Axem, devo lembrar-lhe que Vossa Alteza acabara de chegar de uma viagem longa e cansativa. — Falou um homem de cabelos loiros e olhos castanhos, sua postura era firme e séria — Nosso dever é primeiro com o bem estar de nossa Rainha, se ela precisar de um dia inteiro para descansar nós iremos esperar de bom grado.

— Tsk… — O homem barrigudo torceu os lábios e protestou em silêncio.

Ao todo haviam cinco lugares. A cadeira real estava vazia, posicionada na cabeceira da mesa. Ao seu lado direito estava Velles seguido do sujeito bigodudo. No lado esquerdo estava o primeiro ministro Gaster e um homem bem vestido ostentando diversos ornamentos dourados em seu pescoço e dedos.

A porta do salão onde se encontravam foi aberta e um servo anunciou a chegada da Rainha. Os quatro homens se levantaram e curvaram-se em respeito. Após Aurora tomar seu lugar na cabeceira os demais senhores sentaram-se novamente.

— Bem vinda de volta Majestade — Falou o senhor estiloso ao lado de Gaster. Ele usava uma belo paletó de preto com botões dourados. Sua pele era castanha e seus olhos cinzentos eram profundos e enigmáticos.

Os demais seguiram a deixa do senhor estiloso.

— Boa tarde cavalheiros, deixemos as cordialidades de lado e vamos seguir com os relatórios. Senhor Hans comecemos com o senhor, como andam às finanças do reino? — Aurora falou com um tom mais suave, mas ainda firme. Ela olhava seus ministros nos olhos demonstrando sua dominância.

O homem elegante se endireitou em sua cadeira e arrumou seus papéis. 

— Às colheitas esse ano estão em ótimas condições, prevemos um aumento de setenta e cinco por cento em relação aos grãos do ano passado. Às guildas mercantis também estão lucrando bastante com as licenças cedidas por Vossa Majestade. — Ele folheou algumas páginas e entregou algumas para que Aurora conferisse às comparações — Graças aos nossos alquimistas temos um grande estoque de pó negro, a guilda de ferreiros está produzindo novos protótipos de armas baseadas nesse novo explosivo, dizem que em menos de um ano teremos armas que poderão revolucionar tudo.

— Também vale lembrar da confusão que tais armas causaram no reino do Sol Negro, a atual guerra civil que tomou conta de nossos vizinhos se deu por conta delas — Dorve falou.

— Isso já é algo um tanto exagerado Lorde Hans, Lorde Dorve — Velles o cortou — Por mais forte que seja o projétil de uma arma explosiva, ela ainda não é o suficiente para matar um Venatoros. — Falou orgulhoso.

Certamente que não lorde Velles — Hans balançou a cabeça em concordância — mas é mais do que o suficiente para causar baixas nas categorias abaixo, os cavaleiros comuns incapazes de manipular o tear não teriam a menor chance contra essas armas. 

— O Sol Negro já estava instável devido os conflitos a realeza, uma revolta iria estourar uma hora ou outra. — Falou Hans.

— Ótimo Hans, continue com seu ótimo trabalho. No que se refere ao de Vanaheim o Sol Negro, ao menos não precisaremos nos preocupar com uma invasão deles tão cedo. — Aurora acenou em aprovação — Aproveitando a deixa, Velles, meu exército estará pronto para a operação do outono?

— Sim, Vossa Majestade — Velles repassou alguns papéis a Aurora com o atual contingente — Ao todo teremos quatro esquadrões de infantaria, três artilharias, duas unidades de cavaleiros montados tendo sua composição mista entre cavaleiros do reino e Venatoros, totalizando mil e duzentos homens para a operação. 

— Vossa Alteza, acredito que ainda deveríamos considerar esperar mais um pouco — Gaster falou cortando a fala de Velles, com a voz um pouco nervosa ele continuou — meus espiões relataram movimentação nos acampamentos dos revolucionários. Uma tática mais cuidadosa poderia ser o melhor a se seguir agora, talvez…

— Basta, Lord Gaster! — Aurora fez um sinal calando o ministro — já discutimos isso incontáveis vezes, esses malditos arruaceiros imundos devem ser erradicados como exemplo.

— Exatamente — o lorde barrigudo com um bigodão concordou — Esses ratos imundos devem saber seu lugar, não podemos permitir que essas ideias perigosas cheguem aos ouvidos dos outros plebeus, daqui a algum tempo até mesmo os mestiços vão pensar que são iguais a nós… Isso é um ultraje! — o barrigudo finalizou batendo com o punho na mesa.

— Eu concordo com você Lord Dorve, principalmente na área que se refere aos mestiços, mas também devemos lembrar que eles são recursos valiosos — Gaster enfatizou — A maior parte de nossa infantaria é composta por eles, e apesar de serem peões fáceis de serem substituídos não podemos simplesmente jogá-los fora agora, a mão de obra nas fazendas e fábricas está escassa. Quantos mais deles conseguirmos preservar mais mão de obra baratas teremos sem falar que os projetos das estradas de ferro estão bastante avançados… 

Às discussões continuaram pelo restante da tarde, para Aurora a maior parte do que foi dito não passava de trivialidades, apenas assuntos que ameaçassem o reino de fato chamavam sua atenção. Ela nunca gostou da burocracia que vinha com as tarefas administrativas, mas ela precisava estar sempre presente para puxar as rédeas desses ministros arrogantes, se ela afrouxasse o aperto na coleira sabia que uma hora ou outra seria mordida.

— Muito bem, encerramos por hoje — Aurora se levantou seguida pelos ministros que se curvaram em respeito logo após — Velles depois venha até minha sala para discutirmos os detalhes da incursão ao acampamento dos revolucionários. Os demais cavalheiros estão dispensados.

JS Dantas
Entusiasta de RPG, mestre sem coração, escritor nas horas vagas, compromissado com seus deveres e amante da boa leitura.

17 Comentários

  1. Cara já tô prevendo o futuro com a Liz tirando informação referente a produção de pólvora de melhor qualidade e talvez até fabricaça de armas de fogo avançadas da cabeça do James usando esse pacto deles.

  2. Velles depois venha até minha sala para discutirmos os detalhes da incursão ao acampamento dos revolucionários.
    Sei ( ͡° ͜ʖ ͡°)

  3. Então a situação internacional está incerta, e a nacional está rumando na mesma direção, e nosso James será parte da salvação?

  4. A Luna chamou a Liz de tulipa então é oq ? O James é a reencarnação do amor da Luna e a Liz é a filha bastarda deles por isso é mestiça já que pelo que a rainha da a entender o cara não era nobre e explica pq ela gostou do James desde o início já que é o pai dela kk qi viagem

    1. Pelo oq eu lembro na visão anterior a garotinha chama a Luna de irmãzona, então ela não poderia ser filha deles. Resta também a opção dela ser irmã do carinha lá que namorava a Luna como foi dito nos outros caps também, se o James é a reencarnação dele então faria sentido ela ter gostado dele logo de inicio pois eles seriam irmãos.

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