LdL – Capítulo 26

O laço que nos une

[Autor: JS Dantas] [Revisor/Editor: Mini/Lyn]

[nota do autor: Esse capítulo possui um cenas “hot” recomenda-se ter 16+ para ler. Vou deixar uma nota com a “censura” antes da cena até lá é safe]

O resto do dia foi calmo e um pouco solitário. Liz e Charlotte se retiraram para planejar sua viagem, enquanto Luna se recolheu no quarto para descansar. Ela suspirou durante todo o café da manhã, além de parecer extremamente melancólica. Esses dias em que fiquei desacordado devem ter sido difíceis para ela, então, sem protestar, resolvi deixá-la sozinha.

Antes de saírem, Liz e Charlotte me recomendaram repousar. Como havia acordado há pouco, eu deveria tirar o dia de folga e fazer apenas exercícios leves. “O treinamento pesado pode esperar”, disseram elas.

Então, já que eu não poderia treinar meu corpo, resolvi dedicar o dia para exercitar minha mente. Ao adentrar a biblioteca do palácio, vi um dos servos de Liz, o senhor Guilherme, um homem na casa dos 40 anos. Assim como a maioria dos criados, ele era mestiço e de aparência simples, mas tinha uma mente afiadíssima.

Eu já frequentava a biblioteca há pouco mais de dois meses. Depois de algumas lições, me caiu a ficha que, apesar de poder falar perfeitamente a língua desse mundo, por alguma razão desconhecida, eu não conseguia lê-la. Ou seja, eu poderia falar, mas não ler e isso era (pelo menos para mim) um problema sério.

Então, resolvi estudar a língua desse mundo com afinco. E não é querendo me gabar nem nada, mas eu já conseguia ler quase tudo, apenas consultando meu caderno de anotações para algumas palavras e verbos específicos.

 Também devo dar os devidos créditos ao senhor Guilherme, que me ajudou muito.

— Sir James, que bom revê-lo! Qual livro o senhor gostaria de ler hoje? — falou Guilherme com entusiasmo.

— Bom dia, senhor Guilherme! Hoje vou apenas revisar meus estudos de gramática e praticar um pouco. Por favor, não se incomode comigo.

— Como queira. Se precisar de mim, estarei na sessão cultural.

Rapidamente o gentil bibliotecário se retirou e me deixou a sós com os meus estudos.

Apesar de ser um idioma, pelo menos gramaticalmente desconhecido para mim, eu consegui aprender o básico através de palavras-chave. Além disso, alguns fonemas eram semelhantes aos de línguas do meu mundo antigo, o que devo admitir, facilitou bastante. 

Mas, por mais que eu tentasse me aprofundar nos estudos, algo continuava me atormentando. Enquanto folheava um livro, comecei a me perder em pensamentos.

Uma guerra iminente, hein?… O que eu poderia fazer para ajudar agora? Será que eu realmente posso ser de alguma serventia?

Talvez eu pudesse usar do meu conhecimento moderno para desenvolver armas mais sofisticadas… Não. Essa seria uma péssima ideia. Esse conhecimento nas mãos erradas… seria catastrófico. Sem falar que eu por não ter prestígio algum, não teria controle sobre nada, no pior dos cenários, poderia ser capturado e forçado a falar sobre o que eu sei.

Eu sabia que por mais que minhas intenções fossem boas, sempre haveriam aqueles que se aproveitam da boa vontade alheia. Pessoas como Lucius e seu pai não mediriam forças para porem as patas imundas em tamanho poder.

Mas… o que será que aconteceu com eles após o duelo? Parando pra pensar , aquilo deve ter dado o que falar, e, por mais que tenha tido um ataque inimigo durante nosso duelo, eu duvido que uma pessoa como ele deixaria isso de lado.

Logo uma das páginas me chamou a atenção. Nela estava um mapa com os territórios dos demais ducados e alguns reinos vizinhos.

Se não me engano, elas falaram que a força invasora estava atacando pelo Sul… Correndo o papel com o dedo indicador, facilmente localizei o ducado que fazia fronteira com três reinos, Vale de Prata… O ducado vizinho à capital faz fronteira com três reinos, Vanaheim ao Leste, o pequeno reino de Sylvanas ao sul e, ao sudoeste, o antigo império de Numares.

A força invasora pode pertencer a qualquer um desses três, ou não. Eu só espero que não aconteça nada de ruim com as meninas.

Me recostei na cadeira enquanto contemplava o quão esse mundo era grande e complexo, e pra completar eu era um completo leigo em sua história, cultura e costumes. Voltei minha atenção para o mapa e procurei por Vallirian Phox. Rapidamente a encontrei junto com uma descrição do lugar.

“A academia real de Vallirian Phox, o coração e orgulho do reino de Solaris, dividindo fronteira com os ducados de Campos Dourados, Vale de Prata, Carvalho Solitário e a capital, Douramar. A academia é o local de origem de vários guerreiros e estudiosos famosos, fundada por Felipa Labac, uma dos cinco heróis que lutaram na guerra das cinco décadas… Interessante.” Continuei a folhear o livro em busca de mais detalhes.

“Atualmente a política do reino exige que todos frequentem a academia por um período de mínimo seis meses para aprender o básico de escrita e leitura, como também o manejo da espada. Todo cidadão tem o dever de proteger o reino em caso de grandes guerras.”

 Parece um pouco com o serviço militar obrigatório do meu mundo, mas esses caras não devem ficar capinando lotes e pintando muros… Um sorriso involuntário surgiu em meu rosto ao lembrar das várias piadinhas que esse simples pensamento me trazia.

O texto também falava sobre como a academia foi o lar de diversos talentos e lendas, dos benefícios de se tornar um estudante regular e de todas as glórias que podem ser obtidas com isso.

Hehe, só faltava ter casas e um chapéu… Putz! Tá de sacanagem!

De fato havia uma divisão. Elas eram chamadas de esquadrões. Ao todo havia cinco esquadrões, cada um com o nome de um dos heróis da guerra. Aqueles que desejavam se tornar alunos regulares eram colocados à prova em uma batalha, que era supervisionado por professores e representantes dos cinco esquadrões.

Aqueles que fossem considerados capazes, ou “dignos” (como os nobres adoravam dizer e repetir), por um determinado esquadrão, eram apadrinhados de imediato.

Bem, de certa forma não é tão diferente de um vestibular ou prova física para um concurso… Preciso colocar o estudo da cultura e costumes desses países na minha lista de prioridades.

Dediquei o restante do dia à geografia dos demais países e a alguns costumes locais. Entender esse mundo havia se tornado uma prioridade e eu precisava saber ao menos o mínimo sobre esse lugar se quisesse manter o disfarce de mestiço e não causar mais problemas para as garotas.

cena 16+ ]

O véu da noite logo banhou os céus, nenhuma das garotas apareceu para jantar, e, para que eu não comesse sozinho, Otto me convidou para cear junto aos demais servos na cozinha.

Depois da ótima refeição, me retirei para meu quarto e logo me debrucei na cama novamente, me perdendo em pensamentos.

Pouco tempo depois, o suave ranger da porta chamou minha atenção. À primeira vista, vi a silhueta de uma bela mulher se aproximando da cama. Logo, a pálida luz do luar que invadia meu quarto foi revelando curvas sensuais cobertas por uma fina camisola de seda.

A pele castanha da bela mulher brilhava sob a luz prateada, lhe dando um aspecto único, quase etéreo. Seus olhos dourados estavam mais acentuados devido à leve maquiagem que os ressaltaram. Luna parou na beirada da cama, me observando por alguns instantes.

Ao ver minha boca aberta e minha expressão congelada ela soltou uma leve risadinha e subiu na cama, engatinhando em minha direção.

— Luna? E-eu.

— Shhhh… — A princesa levou um dos dedos aos meus lábios me fazendo calar imediatamente. — Depois de tudo o que aconteceu, percebi que não suportaria te perder… Não posso deixar isso acontecer. Não de novo…

Luna gentilmente colocou a mão em meu peito me fazendo deitar na cama. Logo ela se debruçou, me dando um longo beijo.

— Essa noite será inesquecível — sussurrou a princesa em meu ouvido. Um arrepio percorreu meu corpo ao sentir o sopro quente em meu pescoço. A pressão do seu corpo contra o meu, me fazia fantasiar com o que estava por vir.

Agindo sob instintos que eu sequer sabia que tinha, meus lábios partiram em direção aos dela, se encaixando como peças de um quebra-cabeça em um beijo ardente. Logo a seda de sua camisola caiu e minhas roupas foram arrancadas uma a uma.

O calor de sua pele se misturava ao da minha em uma bela sinfonia de beijos e carícias. Aos poucos eu gravava tudo na memória, desde a textura e o sabor de sua pele sob minhas mãos e lábios, até o doce som de sua voz ao ofegar meu nome. 

Nossos corpos se fundiam em uma dança que apenas nós conhecíamos, sob a música que nossas respirações ofegantes e corações acelerados produziam. Logo uma fina camada de suor surgiu na superfície da pele. A temperatura do quarto foi aumentando aos poucos, apesar da porta da varanda ainda estar aberta, com uma leve brisa invadindo o quarto e movimentando as cortinas.

Após o fim de nossa linda dança, nossos corpos caíram exaustos um ao lado do outro. Nossos peitos subiam e desciam descontroladamente em uma tentativa de recuperar o fôlego perdido. Nossos olhos se cruzaram e nossos sorrisos falavam por nós.

Sua mão entrelaçada à minha me dizia que ela nunca iria me abandonar, que agora nós finalmente éramos um só.

— Eu te amo — disse, ofegante.

— Eu também te amo — respondeu Luna com um doce sorriso.

— Sabe, certa vez durante minhas visitas à biblioteca li um conto muito interessante. — falei enquanto me recostava na cabeceira da cama e pegava uma pequena faca de cortar frutas e comecei a cortar algumas pequenas mechas do meu cabelo — Ele falava sobre uma antiga jura de amor entre uma deusa e um mortal, e em como essa deusa abdicou tudo o que tinha para poder viver ao lado do seu amor, até mesmo a sua vida imortal.

Luna me observava em silêncio e muito curiosa.

— Dizem que o amor dos dois é tão forte que supera até mesmo a morte — levemente eu ia mexendo minhas mãos e tecendo os fios de cabelo em um pequeno barbante de alguns poucos centímetros — pois, ambos fizeram uma jura de amor verdadeiro e estão ligados por esse fio desde então.

Os olhos da minha princesa marejaram e brilharam ao perceber aonde a conversa estava chegando.

— Agora não posso ter muito e não ser tão forte quanto gostaria de ser, mas essa será a minha jura de amor para você — Peguei a mão de Luna e amarrei o barbante em volta do seu dedo anelar — Que esse anel seja o laço que nos une.

Sendo pega de surpresa, Luna se recostou junto a mim. Lágrimas escorriam pelo seu belo rosto enquanto ela me abraçava.

— Oh, meu querido James, eu amei… — Por um rápido instante sua expressão ficou bastante triste, mas rapidamente sumiu.

Sua mão macia acariciou meu rosto e logo me puxou para mais um beijo. Rapidamente retornamos à ardente paixão e mais uma vez nos entrelaçamos em nossa apaixonada dança.

JS Dantas
Entusiasta de RPG, mestre sem coração, escritor nas horas vagas, compromissado com seus deveres e amante da boa leitura.

8 Comentários

  1. Essa parte do exercito me arrancou umas boas risadas, acho que essa é a graça de ler algo nacional e o James ta como eim ( ͡° ͜ʖ ͡°)
    Obrigado pelo capítulo

  2. Como sua história não é simples e ficamos alguns meses sem cap, vou ler tudo desde o começo para relembrar o que já aconteceu e não perder nenhum detalhe.

  3. To na dúvida se é o conto da Kaguya que ele falou mais não parece ser, mais vale a menção que mesmo lá não terminou bem pros dois amantes e pra falar a true tbm acho que não vai ter final feliz pros dois daqui não tbm kkk, não sou de jogar praga mais desde muito tempo tenho sexto sentido pra perigo e caos

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