MdG – Volume 1 – Capítulo 4 (Parte 1 de 2)

Depois de uma festa que durou três dias e três noites, os goblins ficaram muito satisfeitos.

Os restos de suas presas cobriam o chão do que uma vez fora um salão opulento, agora conspurcado com excremento, fedor e cadáveres.

Antes, eles fizeram apenas uma captura magrinha, mas agora possuíam quatro presas frescas. Quatro mulheres, nada menos. Humanas, é claro, mas também uma elfa e uma rhea. Os goblins ficaram naturalmente exaltados com isso, e a sua celebração foi completamente sem restrições; como se os goblins alguma vez mostrassem restrição.

As garotas foram extremamente superadas em números pelos goblins, rodeadas, e então completamente cercadas por eles… O que aconteceu depois dificilmente se repetiria.

Mas, essas não eram garotas rurais normais.

Seus corpos expostos, com as roupas brutalmente arrancadas, eram diferentes, mas todos mostravam os efeitos de um longo treinamento. Suas peles estavam bronzeadas, com cicatrizes que falavam de velhas feridas, e cada vez que eram tocadas, os músculos endurecidos eram visíveis através de uma camada flexível de gordura.

E no canto da sala, jogados de lado com tanto lixo, estava uma pilha de armaduras, capacetes, espadas e escudos roubados.

Essas mulheres eram aventureiras do oitavo ranque, aço; ou melhor, foram.

Agora, nenhuma delas estava respirando.

Como isso aconteceu?

Esse foi o último pensamento a passar pela mente da filha nobre que fora a líder do grupo.

Elas estiveram tão erradas em assumir essa aventura, tomadas pela indignação justa ao ouvir sobre uma aldeã sequestrada e querendo a libertar?

Não foi precisamente o orgulho que as conduziu à sua destruição. Elas haviam se esgueirado ao meio-dia, na esperança de pegar os goblins enquanto dormiam.

A fortaleza da montanha fora construída de árvores antigas pelos elfos, e era um lugar desconhecido para as aventureiras, um labirinto no qual não possuíam um guia. Então elas nunca abaixaram a guarda.

Elas se prepararam o melhor que puderam na pequena aldeia, sabendo muito bem que muitos goblins as aguardavam. Elas só sabiam que tinham que resgatar a garota.

Essas não eram iniciantes de rostos delicados; elas estiveram em uma série de aventuras e tinham uma boa dose de experiência e habilidade. Na frente, sua líder armadurada empunhava sua arma em prontidão, e uma patrulheira rhea observava a área como um falcão. Guardando a retaguarda, uma maga elfa estava preparada com suas magias, e uma monja humana rezava por milagres.

Elas se mantiveram em formação, ficaram alerta e verificaram cada centímetro de chão. Elas não haviam cometido nenhum erro.

A verdade nua e crua, era que elas simplesmente tiveram azar.

Primeiro, a fortaleza — tal como era comum nessas estruturas — estava cheia de armadilhas. As armadilhas que os elfos uma vez estabeleceram para afastar os goblins, agora, ironicamente, serviam para manter os goblins seguros.

A exaustão de sua Patrulheira em procurar as armadilhas elaboradas, sensíveis e mortais, desempenhou um papel importante no que aconteceu. Elas haviam chegado no santuário interior da fortaleza, e no final, Patrulheira não percebeu um dispositivo de alerta.

— Todo mundo, formação!

Enquanto um alarme soava loucamente, o grupo correu para suas posições ao comando de sua líder. Maga ficou no centro, com sua líder Cavaleira, Patrulheira e Monja em três pontos ao redor dela. Não era um substituto de uma parede boa e sólida entre elas e o inimigo, mas era uma formação forte.

Mas, os goblins que as rodeavam eram muitos, realmente muitos.

O chame, se quiser, de tirania da maioria.

A habilidade de arquearia de Patrulheira era um dom divino, mas mesmo ela não poderia resistir quando existia mais inimigos que possuía de flechas.

Maga usou quatro de suas artes, cinco — um grande número — mas, eventualmente, sua força acabou.

Monja manteve suas orações por milagres e proteção até que não pudesse mais rezar, e ela não tinha mais nada.

A líder delas combatia, com sua lâmina coberta de sangue, mas quando se cansou, os goblins a dominaram, e depois a caçada acabou.

Elas possuíam todos aqueles corpos, e ainda assim a luta não duraram uma hora inteira.

E lá entre os montes de corpos perfurados por flechas, mutilados por espadas, queimados por magias, uma celebração começou.

— Hr… hrrr… — A voz da elfa estava tensa de medo.

— Se-se afastem… Se afastem…! — O rosto da rhea estava desesperado. Monja orava silenciosamente, e sua líder estava mordendo os lábios com força suficiente para arrancar sangue.

Os goblins lambiam os lábios enquanto olhavam para suas presas, que se aninhavam e se abraçavam.

A terceira e última parte do azar do grupo era que seus inimigos eram goblins.

Normalmente, as cativas dos goblins eram comidas ou forçadas a se tornarem recipientes de reprodução, e algumas eram ocasionalmente deixadas sozinhas, guardadas para um dia chuvoso.

Mas dessa vez foi diferente.

Essas aventureiras mataram muitos de seus irmãos, e ninguém estava com vontade de lhes dar um fim simples.

Os goblins viviam pela lei da sobrevivência, dispostos a sacrificar quantos deles fossem precisos para vencer. Então eles não lamentavam as mortes de seus camaradas. Mas, a raiva e o ódio por essas mortes eram profundos.

— GARUUURU.

— GAUA.

Os goblins ficaram encantados por encontrar vinho entre as provisões que tomaram das mulheres. Suas mentes embriagadas, pequenas e insignificantes inventaram jogos horríveis um atrás do outro para jogar com suas prisioneiras. E a aldeia estava bem abaixo da montanha, um lugar fácil para obter mais brinquedos se eles terminassem com os que tinham aqui.

A pobre aldeã capturada mal serviu dez goblins antes de não aguentar mais. Já a tinham usado por um bom tempo.

Não havia esperança.

Cavaleira, com suas roupas rasgadas, com um goblin a segurando, deu um grito agudo.

— Seus bastardos! Vocês querem humilhar alguém? Comecem comigo!

Ela era filha de uma casa nobre. Ela havia se tornado uma cavaleira errante a serviço do Deus Supremo, responsável pela administração da lei e da justiça. Ela contemplara todos os destinos malignos que poderiam acontecer com ela e estava pronta para eles.

Mas, ela não estava preparada para sacrificar suas amigas.

Primeiro, Patrulheira foi usada para tiro ao alvo frente aos seus olhos. A líder implorou aos goblins pela vida da sua companheira. Pelo fato de Monja ter tentado morder sua própria língua enquanto os goblins a matavam dolorosamente, eles empurraram entranhas de sua camarada para dentro de sua boca. Quando Maga foi queimada viva, o coração de Cavaleira se partiu em mil pedaços e a sua alma falhou.

Foi só depois de três dias e três noites que os goblins finalmente concederam o desejo da líder.

O que lhe aconteceu durante esses três dias até que seu corpo, tão mutilado que mal parecia humano, foi jogado no rio, não estava apto para ser escrito.

O corpo da aventureira que foi levado até eles, e o riso estridente que ecoou pelo vale, deixou os aldeões do sopé da montanha atormentados de medo.

Mas, há exceções para todas as regras.

Por exemplo, um goblin de sentinela que segurava uma lança rudimentar e patrulhava a muralha no ar da noite.

Ele, e só ele, não estava rindo.

Obviamente, não é que ele sentia qualquer tipo de simpatia para com as mulheres degradadas. Ele só estava chateado por ele ter sido deixado de fora da celebração.

Ele esteve de guarda, vigiando a aldeia, quando as aventureiras atacaram, então ele não havia participado da caçada. E (ele foi informado) que aquele que não caça, não tem direito de partilhar os espólios.

Ele não teve nenhuma resposta a esse argumento, e então ele se retirara silenciosamente de volta para a muralha.

O guarda tremia no seu posto, congelando no vento que soprava da montanha abaixo. Era possível ele ter um pouco de sorte?

Eles lhe haviam poupado um dedo queimado. Ele teria gostado de ao menos um pedaço da rhea. Ele mastigou saudosamente o dedo, desejando por algo mais, e quando o fez, ele começou a respirar cada vez mais avidamente.

Não lhe ocorreu que se ele estivesse na luta contra as aventureiras em vez da guarda, ele poderia ter morrido. Todos os goblins acreditam que todos os outros goblins estariam na frente, enquanto ele mesmo luta de uma posição confortável na parte de trás.

Ainda assim, as mortes de seus irmãos os irritavam, e isso os tornavam difíceis de lidar…

 

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Só eu to ficando cada vez mais com raiva de goblin? Nem posso joga RPG em paz agora se eu vê um goblin já vou com tudo que tenho não importa o quanto demore a respawn eu não paro de mata os goblin…

    1. Ora, ora… parece que surgiu um segundo Matador de Goblins aqui, hahahaha
      Coitado desses pequenos seres indefesos esverdeados, eles só querem um pouco de atenção e amor… só que não!

      1. Amor, só se for no outro sentido da palavra, se é que me entende kkkkkk

        Esse episódio foi digno de ânsia de vômito kkkkk

        Só não tô matando goblins , porque não tô jogando nada atualmente hahahah

  2. Ainda estou no meio da leitura… mas sera que tem como me mostrar o que é uma Rhea ? eu até pesquisei, mas achei um pássaro… e não quero acreditar que seja isso mesmo! haha

    1. Hahaha, não, não é um pássaro, se você prestar bem atenção nos detalhes minuciosos da narração durante o decorrer dos volumes, você consegue pescar tais informações para você ter uma ideia bem sólida de como eles se parecem. Bem, eu vou dizer com a tag spoiler, para quem quiser ler é só passar o mouse em cima e quem não quiser, só desconsiderar: Eles são uma raça criada especificamente para essa história inspirados nos hobbits, e como disse anteriormente, no decorrer da história você é capaz de pescar tais informações soltas, juntamente com referências ao mundo criado por Tolkien.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!