MdG – Volume 2 – Capítulo 10 (Parte 1 de 5)

Se Morte tivesse passos, esse deveria ser o som.

Tambores de batalha retumbavam das profundezas do inferno. Armas e armaduras se agitavam com os monstros avançando, e seus hálitos fedorentos profanavam o ar das ruínas; suas babas empapavam os pisos de pedra.

Eles estavam murmurando e grunhindo desordenadamente, muito. Cada som estava repleto de ganância e muita raiva. Eles debatiam a melhor forma de destruir os aventureiros impertinentes, como dançar em seus corpos feridos, os humilhar.

Humpf. À frente do grupo deles vinha os passos desse goblin gigantesco, o campeão.

Primeiro, ele queria ter um olho por olho… de cada um deles. Isso era como iria começar, antes de qualquer assassinato, qualquer devorar, qualquer humilhação…

— Ahh…

As orelhas sensíveis de Alta-Elfa Arqueira apanhavam tudo isso facilmente. Sua voz escapou enquanto tremia, e o sangue sumiu do seu rosto.

Ela esticou a corda sedosa do seu arco com um bóim, checou seu suprimento de flechas e respirou fundo.

— Consegue fazer isso?

— …É claro!

Para a pergunta de Matador de Goblins, objetiva como sempre, ela respondeu resolutamente.

Ela iria fingir agradabilidade tanto quanto pudesse. Quanto mais terrível as coisas ficavam, mais ela falava. Se ela não pudesse brincar, ela iria certamente morrer.

— Só tente evitar de quase nos explodir dessa vez.

— Essa é minha intenção.

Ela estreitou os olhos, mas ele apenas assentiu, taciturno como sempre.

Ele tinha acendido quatro tochas e posto cada uma em um ponto da bússola; e agora ele estava examinando o santuário por sua luz. Tirando o caminho que eles tinham vindo à sala, vários outros corredores conduziam para sabe-se lá para onde.

— Pode-me dizer de onde eles estão vindo?

— De todos os lugares — disse Alta-Elfa Arqueira, deixando cair os ombros. — Não me pergunte quantos.

— Meu senhor Matador de Goblins, eu preparei uma barreira.

Os outros aventureiros, obviamente, não tinham ficado parados.

Lagarto Sacerdote tinha empilhado pedaços dos destroços da explosão em volta do altar. Um entrincheiramento, mesmo um simples, poderia fazer muitas vezes a diferença entre a vitória e a derrota em uma batalha defensiva. O inimigo ficaria vulnerável enquanto tentasse o passar, e iria os atrasar.

Anão Xamã, que fora orientado a esse esforço, limpou a poeira das suas mãos e disse: — É o melhor que podemos fazer a curto prazo, então não espere muito disso.

— Vai servir. E quanto a você?

— Sim, senhor, estou pronta! — respondeu bravamente Sacerdotisa.

Ela havia subido no topo do altar com seu corpo pequeno. Era a função dela recolher pedras lançáveis, flechas e espadas curta utilizáveis do chão nas proximidades. Era importante que uma nova arma estivesse perto para ser entregue sempre que eles pudessem precisar de uma.

— Muito bem. — Matador de Goblins assentiu.

Ele, também, podia ouvir agora claramente o exército goblin.

Não havia mais como esperar. Não havia tempo para explicações demoradas. Matador de Goblins não hesitou.

— Quantas magias ainda tem?

— Eu tenho, hum… — Sacerdotisa colocou o dedo em seus lábios e pensou.

Quantas vezes mais sua alma aguentaria suplicar aos deuses acima?

A experiência sugeriu a ela…

— Eu falhei uma vez e consegui outra, então… mais uma.

— A poupe — disse Matador de Goblins brevemente. — Vamos precisar dela mais tarde.

— Sim, senhor!

Essas foram as suas instruções, e Sacerdotisa assentiu sem hesitação. Ela agarrou seu cajado firmemente com as duas mãos, e de cima do altar, ela forçou os olhos na direção da escuridão. Se ela não iria utilizar seu milagre, ela seria responsável por tomar conta da situação.

Era um grande fardo aguentar sozinha, mas, ela não estava sozinha. Eles estavam todos juntos.

— Eu farei o meu melhor…!

— Ha-ha-ha-ha! Meu, nossa donzela do templo tem ficado bastante corajosa.

Ao lado do altar, Lagarto Sacerdote balançou sua cauda e tocou sua língua no nariz.

— Qu-quem, eu?

Ele se virou para Sacerdotisa que parecia um pouco envergonhada, segurando um catalisador, uma presa.

— Dois me restam. Embora se eu me abstiver de invocar um Guerreiro Dragãodente agora, serão três. Suponho que não devo esperar, certo? — Lagarto Sacerdote deu seu sorriso particularmente intenso, arreganhando os dentes.

— Faça — respondeu imediatamente Matador de Goblins. — Portando escudo. — Ele moveu seu queixo em direção a Sacerdotisa. — Eu o quero a protegendo.

— Muito bem, muito bem. E devo prestar atenção no espelho?

— Sim.

Lagarto Sacerdote respondeu balançando levemente a cabeça e juntou suas mãos em um gesto estranho. Ele subiu no altar, então lançou a presa rapidamente no chão e focou sua concentração.

Dizia-se que não havia tribo nesse mundo mais talentosa em batalha do que os homens-lagarto. Atento como ele era, o sacerdote provavelmente já tinha uma ideia do que Matador de Goblins tinha em mente.

— Ó chifres e garras do nosso pai, Iguanodon, seus quatro membros se tornam duas pernas para andar sobre a terra.

Anão Xamã olhou para Lagarto Sacerdote orando e o guerreiro que ele criou, passando o dedo pela barba.

— Eu preparei Parede Espiritual antes e usei Estupor… eu diria mais duas.

— Guarde. Elas serão os nossos trunfos.

— Oh-ho! Tenho um papel bastante importante. Então, até precisarmos delas, quer que eu lhe ajude, Corta-barba?

Anão Xamã deu um tapa na barriga, já no seu ânimo habitual. Sem ele, teria sido muito mais difícil para o grupo melhorar o humor. A risada de Alta-Elfa Arqueira foi como um sino.

— Estamos realmente abençoados, não é? Por ter três conjuradores.

— O que foi? Não tinha reparado que você sabia ser educada, orelhuda.

— Ah, por favor! Eu sempre sou educada.

Alguém riu. Depois todos eles. Eles assentiram uns aos outros. Isso foi o suficiente.

Eles podiam ver agora os olhos brilhantes dos goblins e ouvir a voz uivante do campeão.

Alta-Elfa Arqueira fechou um dos olhos, com suas orelhas balançando enquanto ela julgava a distância do inimigo.

— …E? O que quer que eu faça?

— Distraia eles, depois mate-os. Reduza seus números, remova o maior número possível.

— Por que sinto que isso é uma loucura completa?

— Sente?

Matador de Goblins pegou uma funda com sua mão direita livre e preparou uma pedra nela. Ao mesmo tempo, ele passou outra funda da sua bolsa para Anão Xamã, com intenção de preparar a próxima barragem.

Alta-Elfa Arqueira deu um “hmph”, colocou uma flecha contra a corda do arco e a puxou.

— Prontos? Aqui vou eu.

Ela deu uma risada tensa, mas de alguma forma encantadora. Mas, no mesmo instante…

— GOROORORRRRRB!!

Foi o grito de guerra do campeão goblin.

O monstro zarolho balançou seu cajado e rugiu, tentando inspirar o ódio nos goblins sob o seu comando.

Suas tropas carregavam lanças, clavas, machados e adagas enferrujadas.

Mesmo enquanto a multidão se embaralhava em frente, uma das criaturas na frente…

— Um.

— GROB?!

…foi vítima de uma pedra infalível da funda de Matador de Goblins.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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