MdG – Volume 2 – Capítulo 10 (Parte 2 de 5)

Ao longo de toda a história desse mundo, os humanos sempre foram mais adequados para lançar coisas. Nem mesmo um dragão poderia arremessar um objeto mais longe que um humano.

Os goblins careciam de força, os elfos amavam demais seus arcos, os anões e os rheas achavam o lançamento um simples passatempo. Os humanos em si poderiam lançar uma pedra mais rápido que um cavalo correndo diretamente para seu alvo.

— GOROB?!

— GROOORRB?!

E desde que houvesse pedras no chão, uma funda nunca ficaria sem munição.

— Ho! Você quase não precisa apontar daqui! Gosto disso!

Os dedos gordos de Anão Xamã se moviam como mágica, carregando uma pedra após outra na sua funda e as lançando nos goblins.

— Manda ver, Corta-barba! Sem nenhum disparo errado aqui!

— Esse é o meu plano… Já são três.

Uma pedra silvou através do ar, abrindo outro crânio de goblin. Dois seguidos, três. Matador de Goblins estava acertando os goblins tranquilamente.

Os monstrinhos pisavam sobre os corpos de seus irmãos caídos apedrejados.

— GROB! GOOOROBB!!

Os goblins nunca pensaram por um momento que eles estavam atacando os aventureiros.

Eram eles que estavam sob ataque. Os goblins se viam como as vítimas em tudo, e assim, era culpa de todo mundo se os goblins revidavam. A morte dos seus camaradas apenas atiçava a fúria vingativa neles. O que era uma parede de destroços?

Seus olhos redondos se fixaram em um dos aventureiros que estava defendendo, a garota em cima do altar…

— Vindo, do lado direito!

— Entendi!

O grito das garotas passara um sobre o outro, e em um instante depois, os goblins invasores estavam cheios de flechas.

Sacerdotisa olhava ao redor, com suor lustrando sua testa, e onde quer que ela indicasse, Alta-Elfa Arqueira disparava naquela direção.

Flup, flup. Cada movimento de suas orelhas era acompanhado por uma haste mortal que corria junto da resistência do vento.

Nenhum goblin poderia escapar dela.

— Certamente há muitos deles, mas…!

— Três à esquerda! Quatro na frente!

— Sim, estou neles.

Alta-Elfa Arqueira dançava de um lado para o outro em cima do altar, soltando suas flechas tão rápido quanto podia recarregar.

Não foi a fadiga que levou a ela suar; foi o nervosismo e a tensão. Ela já estava cansada de disparar uma flecha de cada vez; agora ela pegou alguma coisa próxima, três flechas ao mesmo tempo. É claro, sua aljava estava vazia; ela estava se abastecendo com qualquer coisa que poderia encontrar no chão.

E desde que esse abastecimento permanecesse, os goblins não conseguiriam se aproximar dela, só podendo aumentar a pilha crescente de cadáveres.

— GOROROROB! GROB! GOORB!

Então esse não era o momento para resmungar sobre a situação.

O campeão goblin deu uma ordem e retirou a tampa de uma jarra cuidadosamente aconchegada nos braços de um dos seus lacaios.

Os goblins, com suas pequenas mentes malvadas, haviam inventado um veneno líquido e pegajoso.

Os arqueiros das fileiras goblins carregavam arcos rudimentares e mergulharam a ponta de pedra das suas flechas no veneno antes de as disparar.

— GOORB?!

Eles tinham, no entanto, o hábito de disparar inteiramente da cintura, resultando em vários goblins mantendo flechas envenenadas nas costas.

Mesmo que os ferimentos não fossem críticos, as vítimas despencavam, espumavam pela boca e finalmente morriam.

O que importou, contudo, foi que algumas avançaram na elfa na fila de trás que estava disparando neles e a garota humana dando as coordenadas.

Se eles pudessem acertar aqueles dois alvos, o veneno faria o resto. Se ele só as paralisasse, seria ótimo. Ou elas poderiam morrer. Os goblins iriam gostar, seja como for.

— ……………

Mas, não se poderia esquecer do leal Guerreiro Dragãodente. O soldado esqueleto ergueu o escudo que havia recebido, defletindo silenciosamente as flechas que voaram na jovem. Uma vez ou outra uma flecha o atingia, mas sem carne e sangue, o veneno não era uma ameaça.

— Hum. — Alta-Elfa Arqueira limpou o suor da sua testa e agarrou uma flecha aos seus pés, depois deu um tapinha nas costas do guerreiro. — Essa coisa é muito bonita.

— V-você acha? — Sacerdotisa franziu a testa e se abaixou para evitar uma flecha. Ela segurava desesperadamente a sua mitra, tentando controlar sua respiração. Ela limpou um pouco do suor antes que alcançasse seus olhos, depois espiou a escuridão.

Perto dela, Lagarto Sacerdote tinha posicionado seu corpo grande em frente ao espelho.

— Ha! Ha! Ha! Estou encantado em receber o seu muito bem-vindo louvor…

O espelho sagrado tinha sido fixado na parede de pedra com alguma técnica antiga. Lagarto Sacerdote riscou com sua garra afiada pela moldura trabalhada que cercava a superfície ondulante.

— …Devo dizer que estou mais perplexo sobre como esse espelho está preso aqui!

Ele deu um suspiro sibilante, e as escamas em seus braços começaram a inchar, enquanto seus músculos se tensionaram.

— Ó brontossauro orgulhoso e estranho, me conceda a força de dez mil!

Era o milagre de Dragão Parcial, que invocava a bênção do seu grande espírito ancestral, o temível naga.

Seus músculos ampliados agora ostentava a força do terrível lagarto que havia caminhado sobre a terra há muito tempo. Agora a sua garra quebrou a pedra, a fenda se estendeu sem prejudicar o espelho.

Mas, isso exigiria mais do que um arranhão. Não havia tempo.

— GOROOOOBB! GOOROOROB!!

A barreira distante foi rompida com um único golpe, com os destroços retornando ao pó. Com um passo pesado em frente, o campeão goblin zarolho ergueu alto sua clava e começou seu ataque.

— GORRB!

— GORB! GOORB!!

Os gritos dos goblins tornavam claro a satisfação deles.

Eles tinham um herói com eles, um campeão, e isso lhes dava a fé de que podiam prevalecer. Nesse sentido, eles não eram diferentes das pessoas.

Sacerdotisa tremia enquanto as suas vozes horríveis soavam em seus ouvidos. Ela mordeu o lábio, agarrando seu cajado, e disse tão alto quanto pôde.

— O grandão, ele está vindo…!

— Eu lido com ele. — Matador de Goblins não hesitou. No instante seguinte, ele pegou uma adaga do chão e abaixou uma das mãos, saltando sobre a barreira.

— Fiquem no altar!

— Sim, claro! — disse Anão Xamã, apanhando a funda que Matador de Goblins jogou para ele e arremessou uma pedra.

Com o apoio de Anão Xamã, Matador de Goblins correu como uma flecha nos — e depois através dos — seus inimigos.

Três goblins estavam diante dele, com armas em mãos. Mas e quanto a eles?

— Dezoito, dezenove… vinte!

— GROOB?!

Com a espada na mão direita, ele acertou um golpe crítico, rasgando a garganta do goblin que estava bem na frente dele.

A criatura gorgolejou sangue; Matador de Goblins o chutou para longe, libertando sua espada, que ele usou então para quebrar o crânio da criatura que estava se aproximando do seu lado direito.

O monstro que estava à sua esquerda ele não poderia lidar pessoalmente, então ele usou seu escudo para empurrá-lo para trás dele. Mal tinha ele sido empurrado e uma das pedras de Anão Xamã veio voando.

— GOR?!

O goblin cambaleou quando a pedra o atingiu em cheio no peito, e Matador de Goblins o matou trespassando sem pensar duas vezes. Ele apanhou o monstro pela garganta; e o goblin caiu no chão sem sequer se contrair. Matador de Goblins soltou sua espada e a permitiu cair com o corpo.

— GOROOB!!

— Vinte e um…!


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