MdG – Volume 2 – Capítulo 10 (Parte 3 de 5)

Ele arremessou a adaga da sua cintura para proteger suas costas. Ela atingiu em cheio a garganta de um goblin que estava se preparando para investir contra ele. Enquanto a criatura tentava agarrar o ar, Matador de Goblins saltou por cima dele e pegou sua arma.

Uma clava. Provavelmente a primeira arma que os humanos alguma vez empunharam. Nada mal.

— Vinte e dois… três.

Um golpe com o objeto contundente pulverizou outro crânio de goblin, depois Matador de Goblins se fixou em um arqueiro na retaguarda e lançou a clava voando na direção dele.

— GORARA?!

Não foi o suficiente para um acerto crítico, é claro. Foi o disparo de Alta-Elfa Arqueira quem finalizou o goblin arqueiro.

— Peguei! — exclamou Alta-Elfa Arqueira. Matador de Goblins nem teve de olhar para ela para saber que suas orelhas estavam balançando para cima e para baixo. — Orcbolg, flechas!

— Hmm…!

Mesmo que o grupo não tivesse uma ligação psíquica, eles nunca estavam fora de sincronia.

Matador de Goblins expulsava os goblins para fora do seu caminho enquanto atravessava o campo de batalha para pegar uma aljava de um arqueiro inimigo. Depois ele girou, confiando na força centrífuga para lançar a aljava até Alta-Elfa Arqueira.

Mas, o fardo era muito pesado e ele só tinha um segundo para girar, então dificilmente chegaria até ela.

— Aqui!

Anão Xamã saltou embaixo para pegar a aljava, a jogando para trás.

— Pronto! — gritou ele.

— …Feito!

Sacerdotisa pegou a aljava em seus braços e passou para Alta-Elfa Arqueira, devolvendo à elfa o seu elemento.

Uma saraivada de flechas se seguiu. O poder de fogo de um elfo com um bom arco e flecha não perdia em nada comparado a um conjurador. Como ela costumava dizer, uma tecnologia suficientemente desenvolvida (auxiliada por habilidade) era indistinguível de magia.

Havia certos tolos, no entanto, que — como Anão Xamã poderia ter dito — achava que “conjuradores disparavam apenas raios”.

— GROORB!!

Vários goblins procuraram fazer de Anão Xamã seu saco de pancada, já que ele tinha saído de trás da barreira.

— Como está indo, Escamoso? Ainda não acabou?

Eles estavam perto demais para ataques à distância. Anão Xamã pôs de lado sua funda e sacou seu machado.

Os anões tinham uma constituição tão rígida quanto as rochas, afinal. Movendo suas pernas e brandindo seus braços loucamente, Anão Xamã praticamente se jogou na formação inimiga, acertando e expulsando eles de um lado ao outro.

— Só… um pouco… ma… is!

Lagarto Sacerdote tinha se apoiado contra o altar quando começou a rachar sob as garras dos seus pés, com alguns destroços soltando para longe.

Os homens-lagarto não suam, mas um humano na sua posição teria ficado encharcado.

O espelho estava sendo puxado lentamente para longe da parede com um som audível, mas Lagarto Sacerdote precisava claramente de mais tempo.

— …! Eu te ajudo…!

— Meus… agradecimentos!

Sacerdotisa deu uma olhada rápida ao redor, depois veio e se ajoelhou perto de Lagarto Sacerdote.

Eles estavam completamente em desvantagem.

Os números são a maior força dos goblins e a maior fraqueza dos aventureiros.

Os monstros se pressionavam lentamente para mais perto do altar, e o tamanho da horda estava só aumentando. Sacerdotisa tinha decidido que o tempo era mais precioso que um olho de águia informante na batalha. Mas, existia alguma coisa que seus braços esbeltos poderiam fazer? Tinha de haver.

Com um movimento rápido, ela emperrou seu cajado de monge entre o espelho e a parede, e começou a usar ele como uma alavanca.

— Hr… aahh…

— …Ainda precisa de mais tempo, não é? — murmurou Matador de Goblins, tendo confiado a situação aos seus camaradas.

Ele e apenas ele estava na linha de frente da defesa agora.

Quando um bando de goblins desabou ao redor dele, Matador de Goblins pegou a espada de um deles. Ela tinha um pedaço de madeira com uma lâmina de pedra; ele dificilmente poderia chamar isso de espada.

Mas Matador de Goblins nunca fora exigente sobre suas armas.

— GORARAB…!

— Hmph.

Então, uma forma gigante se ergueu perante ele; o campeão goblin zarolho.

A cavidade ocular horrível e vazia. O mesmo olho ameaçador que ardia como um fogo-fátuo. Seu sorriso terrível. Sua raiva.

— GORARARABOOBOBORIIIIN!!

No momento seguinte, Matador de Goblins saltou para trás quase como se estivesse caindo.

— GORAB?!

Ele ignorou o berro do goblin que ele havia se agarrado, se ajustando e rolando até ficar de joelho.

De lá, ele observou como o goblin se debatendo levou o golpe devastador da clava do campeão.

— GORARARAB!!

O campeão goblin barulhento estava focado completamente em Matador de Goblins. Sua clava quebrou o chão de pedra, levantando uma nuvem de poeira e fazendo um barulho enorme.

— Mais forte do que devia — disse Matador de Goblins, e foi poucos instantes do próximo golpe vir.

A força do campeão não era muito menor que a do ogro (não que Matador de Goblins se lembrasse dessa palavra) que eles haviam enfrentado antes.

Matador de Goblins queria evitar tanto acertos críticos quanto erros críticos. Ele manteve seu escudo erguido, se empurrando por entre a multidão de goblins.

— GORAB?!

Gritos e berros se misturavam com os sons de carne esmagando e ossos quebrando; jatos nojentos de sangue voavam por todo o lado.

Tudo causado pelo campeão goblin e sua clava.

Ele brandia a arma de um lado ao outro, determinado a esmagar Matador de Goblins, mas só pegou os seus próprios aliados. Os monstros azarados se tornaram o escudo de Matador de Goblins, dando lamentavelmente suas vidas no processo.

— Idiota.

— GORAB?!

Matador de Goblins enfiou a espada no crânio de uma criatura encolhida, deixando de lado a empunhadura para trocar sua arma pela do monstro.

Era uma lâmina enferrujada que fora provavelmente roubada de um aventureiro; agora, muitos dias depois, tinha regressado a outro.

Matador de Goblins cortou a garganta de um goblin próximo, como que para testar a lâmina, provocando um jato de sangue. A criatura se engasgou como se estivesse afogando. Com a sua vítima ainda trespassada com sua própria arma, Matador de Goblins girou e a chutou para trás.

— GOORORORB!!

O campeão goblin pôs fim ao seu subordinado com um pow. Foi provavelmente uma morte melhor que se engasgar com o próprio sangue.

— Um goblin deve ser muito sortudo por ter tal fim.

— GORARARAB!! GORARARA!!

Acerta; um goblin é esmagado. Poeira caiu do teto.

Acerta; um goblin é lançado ao ar. Poeira do teto.

Acerta. Acerta. Acerta. Cada vez, Matador de Goblins desviava.

Autorreflexão não fazia parte do dicionário goblin.

Sim, o campeão continuou a matar suas próprias tropas, mas isso era a sua própria culpa, ou pelo menos, também, um humano os usando como escudo.

Que humano horrível. Não seria suficiente arrancar seu olho, nem quebrar seus membros, nem mesmo matar seus amigos enquanto observava.


KakaSplatT
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