MdG – Volume 2 – Capítulo 10 (Parte 5 de 5)

— GO?! GROB?!

— GRAROORORORORB?!

Mal tinha Anão Xamã terminado suas invocações complicadas e o pedregulho bateu no teto.

O teto que fora sacudido pela explosão, atingido pelo monstro olho e abalado pelo rugido do campeão goblin.

O teto cujas pedras tinham se mantido por inúmeros anos pelas raízes das árvores.

Mas, ninguém poderia melhor que o tempo.

E aqui, o tempo teve uma pequena ajuda da massa, peso e o poder dos espíritos.

Os gnomos, governantes da terra, direcionaram todo seu poder diretamente para baixo.

Primeiro, uma pequena fratura percorreu pelo teto. Então, ele rachou, e pouco depois disso, pesado demais para as raízes suportarem, cedeu.

E então…

— …Cinquenta, e… três.

Um instante depois, o rosto uivante do campeão goblin foi soterrado por uma avalanche de terra e desapareceu.

Era o fim.

Não demorou muito para tudo parecer acabado, como se todos tivessem morrido.

Esse lugar, onde um pó marrom e belo subia ao ar, fora realmente uma capela poucos momentos antes?

Agora, qualquer sinal do que isso havia sido estava coberto de terra, escombros, rochas e destroços. Onde o teto deveria estar, só havia um antro de raízes torcidas. A luz fraca do sol — ou, agora, a luz da lua e das estrelas — se infiltrava através delas.

Era noite, início do verão. As estrelas que tremeluziam acima se dizia ser os olhos dos deuses observando do firmamento. Eles observavam esse lugar, mas agora não havia nada que testemunhasse os seus antigos habitantes.

À exceção talvez — apenas talvez — dos corpos terríveis de goblins que poderiam ser vislumbrados em meio aos escombros.

…Não.

Havia um espelho ali.

No meio do santuário devastado estava uma montanha de escombros onde um altar outrora esteve. No seu pico estava um espelho enorme, refletindo a luz das estrelas em direção ao céu.

Daí, houve um barulho.

— Pfft!

Uma voz doce soou, e a montanha de escombros se desmoronou bem ligeiramente.

Uma rocha foi empurrada de lado, e fazendo um túnel estreito pela terra veio… uma garota elfa.

Era Alta-Elfa Arqueira, com seu rosto sujo de poeira.

— B-bons deuses, Orc… Orcbolg! O que estava pensando?!

Ela se contorceu como um gato que havia caído na água, com suas orelhas caídas. Uma camada fina de poeira parecia ser o pior que ela havia tirado. Sacerdotisa, que rastejava atrás dela, deu um suspiro. Ela tossiu várias vezes, cuspindo terra da sua boca.

— Is-isso foi surpreendente…

Surpreendente? É assim que você chama isso?

— Acho que estou meio que… acostumada com isso agora.

— Ah, pelo…!

Alta-Elfa Arqueira estendeu a mão para ajudar Sacerdotisa subir, ainda furiosa.

Os olhos de Lagarto Sacerdote se reviraram em seu rosto com a cena quando ele saiu; então, ele se sentou com força. — Deuses… Tal é a nossa sorte por ter um espelho Portal no momento certo.

Enquanto ele dava um suspiro, o Guerreiro Dragãodente próximo dele balançou a cabeça também, em um toque inteligente de artista.

O altar continuava de pé. Era por isso que todos eles continuavam vivos… Mas, havia uma coisa estranha.

Terra e poeira estavam amontoadas ao redor deles, mas o altar no centro de tudo estava limpo.

O motivo era o espelho, o qual o Guerreiro Dragãodente estava agora apoiando sozinho. Segurado pelo guerreiro e Lagarto Sacerdote, ele tinha transportado os destroços que caíam através de Portal. Se não tivesse, os aventureiros estariam tão mortos quanto todos os goblins ao redor deles.

— Ele absorveu todos os escombros. Só é uma pena ele ser tão pesado — disse Lagarto Sacerdote.

— Bem, você fez quase todo o trabalho, Escamoso. — Anão Xamã escalou para fora e tombou próximo a Lagarto Sacerdote com uma gargalhada. — Acho que é um pouco grande para um escudo, não é?

Ele poderia finalmente beber sem interrupção. Ele não perdeu tempo em pegar o odre de vinho e dar uma golada. Suas bochechas estavam pálidas pelo esgotamento que as suas magias tinham feito ao seu espírito, mas beber um pouco de bebida espirituosa rapidamente restaurou o rubor saudável.

— Mas, tenho de dizer, me sinto um pouco mal por aqueles do outro lado.

Apenas os antigos sabiam como usar exatamente esse artefato antigo da mesma forma. Era impossível dizer quem trouxera essa coisa aqui, mas certamente foi para uma utilização indevida do Portal.

O espelho conectava um ninho de goblin com o subterrâneo da cidade da água; por que levava à essas ruínas?

— Talvez fosse dessa forma que as pessoas vieram aqui naquela época. Hein, Corta-barba?

— Não estou interessado.

Era Matador de Goblins.

O último a sair da montanha de escombros, ele não mostrava sinais de fadiga, falando calmamente e desapaixonadamente. Ele estava coberto de poeira e respingos de sangue, mas seu capacete de aço com aparência barata e a armadura de couro suja eram os mesmos de sempre.

Sacerdotisa, que tinha finalmente ficado de pé com a ajuda do seu cajado, contraiu seus lábios com essa visão dele.

— Somos muito afortunados por não estarmos embaixo da cidade.

— Se tivéssemos, eu teria pensado em outra coisa.

Ela estufou suas bochechas com um grunhido. Ele estava, é claro, indiferente.

O capacete de aço de Matador de Goblins se virou ao redor, inspecionando a área.

Ele viu a aparência exasperada de Sacerdotisa, a aparência jovial de Lagarto Sacerdote, e Anão Xamã que ficava mais e mais vermelho enquanto bebia.

E por fim, ele viu Alta-Elfa Arqueira, que estava o olhando feio — ou talvez de escabreio — para ele, com os olhos entrecerrados.

— Ei — disse ele.

— …O quê?

— Sem fogo, sem água, sem veneno, sem explosão.

Ele parecia um pouco impressionado consigo mesmo.

À luz da lua, um sorriso veio ao rosto de Alta-Elfa Arqueira. Um sorriso translúcido e belo como se fosse feito de vidro.

— Orcbolg?

— O quê?

— Você é um idiota. — E ela deu um pontapé que enviou Matador de Goblins cambaleando para trás nos escombros.


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