MdG – Volume 2 – Capítulo 11 (Parte 1 de 4)

Para ela, esse mundo parecia um branco puro, um espaço em branco totalmente impregnado pela luz.

O ar quente, a brisa refrescante, o farfalhar das folhas, a grama contra a sua pele nua. Tudo isso.

Tudo isso era revigorante, cheio de luz, não dando lugar ao caos. Ela caminhou por isso bem regiamente, sentindo uma sensação gentil em seu coração.

Sim, ela estava à vontade. Isso a surpreendia.

Nos últimos dias, ela tinha sentido um calor incomum em seu coração. Ela não conseguia compreender o que era, mas ela tinha uma ideia de onde vinha.

Havia começado quando tinha dormido com o homem ferido, ou assim ela pensava.

Ele era um guerreiro comum sem nenhum talento especial, cujo corpo falava de uma devoção singular ao treino. Mais um motivo por ela estimar isso mais do que a de qualquer herói. Ela mesma viu o valor de cada uma das cicatrizes na pele dele e as dela, enquanto se pressionava contra o corpo dele.

De repente, ela parou.

Passos suaves ecoavam pela grama do jardim do Templo.

Algo preto em meio ao branco. Uma silhueta vaga e escura.

Seus lábios se separaram ligeiramente, e um sorriso pequenino se espalhou pelo seu rosto.

Como ela poderia se esquecer dessa forma?

— Que bom vê-lo bem.

A silhueta — ele — assentiu brevemente.

Ele estava usando uma armadura de couro e um capacete de aço; no seu quadril estava uma espada que parecia ter um comprimento estranho. Ela tinha sonhado com ele muitas vezes, uma escuridão sacolejante escondia sua forma de guerreiro.

— Eu vim com uma pergunta — disse ele, caminhando ousadamente até o lado dela.

Ela ficou brevemente perdida quanto à forma de agir. Ela deveria permanecer indiferente, ou um sorriso honesto seria melhor? Parecer encantada demais seria infantil e vergonhoso.

— Sim, o que é? Se estiver em meu alcance para responder…

No fim, ela escolheu seu habitual sorriso calmo. Para ela, isso parecia mais consigo mesma. Ela esperava que ele pensasse assim também.

Ela se perguntava com que expressão ele estava. A forma enevoada que ela via não revelava nada. Embora mesmo que pudesse ver, seu capacete ainda assim a esconderia dela.

E isso era só um pouquinho de se lamentar.

Com uma voz suave, ele disse:

— Você sabia de tudo, não é?

Ela sentiu seu coração acelerar, suas bochechas ficaram quentes. Ela trouxe seu cajado espada-e-balança para mais perto de si, depois esticou as costas revigorantemente.

Assim, ela esperava que sua voz não tremulasse.

— …Sim. Sabia.

Ela pôde ouvir ele dizer baixinho “entendi”.

Foi o mesmo tom desapaixonado que ele havia usado quando eles tinham se encontrado e quando conversaram na cama.

Ela achava isso curiosamente e inacreditavelmente triste.

Só agora que ela percebeu que tinha esperado alguma coisa mudar. Ela nunca tivera tal sensação perturbadora antes.

— Mas… como é que você descobriu?

— Não descobri.

Ela inclinou curiosamente a cabeça para ele.

— Eu tinha a intenção de perguntar isso a todo mundo que tivesse condições de saber.

— Todo mundo… — murmurou Donzela da Espada. — Heh. Então é assim…?

Ela se viu inflando as bochechas com um toque de decepção.

Isso é vergonhoso. Não seja tão infantil, se repreendeu ela.

— Talvez eu deveria ter sido menos próxima então… — Ela suspirou ligeiramente e olhou para ele, para sua sombra. — Mesmo assim… não estou triste por ser a primeira a quem você perguntou.

Seus lábios se ergueram um pouco, formando um meio círculo. Ela fez isso? Ou isso só aconteceu? Ela mesma não tinha certeza.

— Posso lhe perguntar por que suspeitava?

— Diversas razões.

A sombra negra se moveu ligeiramente na sua visão. Ela tinha um modo de andar ousado e despreocupado. Mas não fazia nenhum som.

Ela amava o jeito que ele andava.

— Aquele branco… Como se chamava?

— Aligátor?

— Sim. — Ele assentiu. — Algo assim. Não acho que foi um encontro aleatório.

— Você acha que foi um encontro planejado então?

— Pelo menos na medida em que ele tentou nos espantar e atacar unilateralmente os goblins.

— Sabia que você soa só um pouquinho paranoico?

Ele balançou a cabeça em resposta. — Você tem ruínas assim e ainda não tem mapas e nenhuma missão de matar ratos. Aventureiros evitam o lugar. Não há sequer patrulhas. É impossível.

— Você é inteligente.

— …Sim — disse Matador de Goblins. — Quando se trata de aventureiros, eu sou.

— Hee-hee. — Uma gargalhada surgiu da parte de trás de sua garganta com a resposta franca dele.

— Em outras palavras, tinha de haver alguma coisa montando guarda lá embaixo… Um familiar.

— …

Ela não disse nada, apenas ficou olhando para ele com um sorriso colado em seu rosto.

Ela odiava admitir isso, mas seria vergonhoso negar isso também. Ele estava certo. O aligátor era um guardião da ordem ao serviço do Deus Supremo, o protetor do subsolo da cidade.

O frio da chuva, o calor da batalha, o fedor de goblins, as lâminas enferrujadas perfurando escamas e pele.

Ela tinha entrado no banheiro para aliviar as sensações que ela partilhava com o aligátor.

O pensamento do modo como ela tinha se exposto para a sacerdotisa, fez suas bochechas queimarem tão intensamente que mesmo ela os pôde sentir.

— Irônico, não é? — sussurrou ela. — Que a mensageira do Deus Supremo deve proteger a cidade e só.

— Então você sabe. — Que os que mataram a mulher, abriram suas entranhas e largaram seu corpo… — Eles não eram goblins.

Ele estava certo de novo.

Goblins eram covardes, cruéis, brutais e muito pouco inteligentes. Provavelmente jamais ocorreria de eles permanecerem no território humano para viver e devorar suas presas.

Suas cativas infelizes sempre eram levadas para o ninho, para ser diligentemente despojadas da virtude lá. Ou, se as prisioneiras fossem numerosas o suficiente, os goblins poderiam simplesmente brincar com elas até morrerem.

Em todo caso, suas mortes não seriam fáceis.

Ela sabia de tudo isso.

— …Não, eles não eram.

A cena estava gravada em sua memória, literalmente.

Ela tinha sido confinada numa câmara de pedra escura, cheia com a própria sujeira e a dos seus captores, chorando lastimavelmente…

Eles tinham queimado ambos os seus olhos com uma tocha. Isso foi há mais de dez anos agora.

— Eles estavam planejando alguma coisa com esse espelho… Os apoiadores desse Deus Demônio infame. O mentor já…

Não está mais nesse mundo.

Em algum lugar completamente separado deles, tudo estava acabando.

Ela se curvou contra um pilar, virando seus olhos cegos para a paisagem além.

— Afinal…

O mundo branco vibrava diante dela. Ela olhou para aquele branco interminável e suspirou. Era o tipo de coisa que uma aldeã jovem cansada de falar poderia ter feito.

— Afinal, se os goblins atacassem, tenho certeza que eu teria simplesmente… entrado em colapso e chorado.

Donzela da Espada estava muito ciente dos movimentos da Seita do Mal, contra a qual ela mesmo tinha se oposto. Quando ela soube dos rituais de sacrifício medonhos que eles estavam realizando, ela teve uma boa ideia do que eles queriam conseguir.

Se vingar dela. A maioria de tais retaliações, ela poderia ter suportado.

Mas, goblins.

Seus pés tremeram. Agarrando a espada e balança, ela se levantou. Ela estava contente por seus olhos estarem escondidos pela faixa.

Para quem ela poderia dizer?

Para quem ela poderia dizer que a heroína chamada Donzela da Espada precisava ser salva de simples goblins?

— Quem acreditaria em mim?

Enquanto falava, ela puxou graciosamente o pano de suas vestimentas e começou a massagear seus próprios ombros. Seus lábios se curvaram provocantemente, e ela disse com um tom malicioso:

— O que você pretende fazer comigo?


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

6 Comentários

  1. “Ela estava usando uma armadura de couro e um capacete de aço; no seu quadril estava uma espada que parecia ter um comprimento estranho. Muitas vezes ela tinha sonhado com ele, uma escuridão sacolejante escondia sua forma de guerreiro.”
    É “Ela” mesmo ou “Ele” o caçador de Goblins?
    Obrigado por trazer mais uma parte.

    1. “Ela” se refere “A silhueta“, ou seja, o Matador de Goblins.
      Mas vou alterar, para não existir mais essa dúvida para alguém mais. Obrigado!

  2. Seus lábios se curvaram provocantemente, e ela disse com um tom malicioso:

    — O que você pretende fazer comigo?

    Eu: que seja a arte do secsu
    MdG: kkkkkk
    Autor:kkkkk
    Todos os MC japas: kkkkkk o lá, o cara acha que vai rola isso em novel shounen japonesa kkkk

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