MdG – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 3 de 4)

— Ho-ho. Quão… parecidos com aventureiros vocês são.

Um guerreiro excêntrico. Uma sacerdotisa pura. Um sacerdote estrangeiro. Um anão usuário de magia. E uma elfa patrulheira.

A arcebispa deu aos cinco um pequeno sorriso estranho.

…?

Sacerdotisa pensou que o sorriso transbordava com solidão e saudade.

— E se assim for, então nós somos como um ao outro. Eu lhes dou as boas-vindas calorosamente.

Levou apenas um momento.

Donzela da Espada fez um grande movimento com os braços, como se para abraçar os aventureiros. O gesto evocava uma mãe carinhosa, contudo, sedutora como uma meretriz exortando alguém para o seu aposento.

Um homem humano comum teria engolido em seco violentamente logo depois disso.

Matador de Goblins, no entanto, ignorou tudo isso. — Basta de cumprimentar um ao outro. Nos diga os detalhes da missão. — Ele estava alheio ao olhar mortificado que vinha do rosto de Sacerdotisa.

— S-só um momento, Matador de Goblin, senhor…

Isso era realmente demais.

Sacerdotisa agarrou sua mão enluvada e o puxou para perto.

— Você não pode falar assim com a arcebispa…

— Não me interessa.

Contudo, Donzela da Espada balançou a cabeça suavemente.

— Eu estou muito satisfeita que tal bravo aventureiro tenha vindo a mim.

— Está?

— Posso lhe perguntar, uma curiosidade pessoal — murmurou ela — caso parentes de você se juntassem ao caos, você seria capaz de os matar?

— Não — respondeu sem rodeios Matador de Goblins. — Eu não tenho familiares vivos.

— É mesmo…?

Matador de Goblins viu os lábios vermelho-vivo de dentro de seu capacete enquanto ela sussurrou.

— Então. Onde estão os goblins?

Atrás dele, os outros aventureiros suspiraram.

— Isso começou a cerca de um mês.

Donzela da Espada assentiu aos outros para se sentarem no chão, então se sentaram com seus pés juntos, parecendo perdidos.

— Em uma noite, eu enviei uma garota acólita para entregar uma mensagem desse Templo…

— Ela foi morta? Ou raptada? — perguntou Matador de Goblins.

— Ela não regressou naquela noite. No dia seguinte, seu corpo foi encontrado em um beco. — Um olhar de tristeza surgiu em seu rosto.

— Hmm. — Matador de Goblins colocou a mão em seu queixo, pensando.

— Segundo a pessoa que a encontrou, ela parecia ter sido cortada enquanto ainda estava viva.

As palavras de Donzela da Espada eram calmas e sem a mínima hesitação. Mas, atrás delas havia um ligeiro tremor.

Era terror? Intimidação? Ou talvez uma dor profunda e tristeza. Sacerdotisa não tinha certeza.

— Isso é… Bem, isso é horrível — disse Sacerdotisa.

— O simples fato do homicídio é suficientemente triste, embora isso aconteça de vez em quando…

— Enquanto ainda estava viva… — murmurou discretamente Matador de Goblins. — Naquele local?

— …Sim.

— Havia alguma parte dela comida? Ou ela estava meramente morta? Você tem mais algum outro detalhe…?

— Vamos, Orcbolg. Você está sendo insensível, até para você — disse Alta-Elfa Arqueira, contraindo os lábios em uma careta. Ela tinha reparado na expressão sombria de Donzela da Espada.

Matador de Goblins ficou em silêncio por um longo tempo, então disse: — Por favor, continue.

— Foi verdadeiramente um incidente terrível.

Sim, terrível.

O Templo da Lei estava aqui, sem dúvida, mas isso ainda era a fronteira. Há não muito tempo isso tinha sido uma vastidão sem lei, um lar para monstros e bandidos. Aqui dificilmente poderia deixar de ter crime.

Embora a luz do Deus Supremo brilhasse abundantemente, não era suficiente para alcançar os corações distorcidos dos humanos.

— Lei e ordem… É dito terem continuamente sido inferiores nas batalhas nesse mundo. — Donzela da Espada continuou, em um murmúrio: — Embora o mal tenha triunfado nesse mundo, nenhum dos lados tem sido derrotado — e juntou suas mãos, oferecendo uma breve oração ao deus que ela servia.

À espera dela terminar, Lagarto Sacerdote esticou o pescoço como se prestando atenção especial.

— Então, isso quer dizer que a investigação não proporcionou qualquer resultado?

— …Sim. Eu tenho vergonha de dizer, mas é a verdade…

Talvez um agente do caos estivesse envolvido ou um seguidor dos Deuses das Trevas? Ou outra coisa?

Em meio a uma série de hipóteses e conjunturas, a vigia noturna deu início imediatamente a uma investigação. Para uma cidade cujas ruas eram agitadas dia e noite, havia surpreendentemente poucas evidências. E sem provas, não havia nada a fazer, não importa o quanto alguém desejava apanhar o criminoso.

Em meio a isso tudo, a cidade da água experimentava um aumento dramático da criminalidade.

— Pequenos furtos, ataques aleatórios nas ruas. Violência contra as mulheres, sequestros…

— Hmm. — Matador de Goblins bufou quando Donzela da Espada relatou pesarosamente o estado das coisas. — Eu não gosto disso.

— Você não gosta de nada, Corta-barba — disse Anão Xamã, bem-acostumado ao seu companheiro, e deu a Donzela da Espada um aceno como se dissesse não ligue para ele. Ele descansou o queixo na mão e seu cotovelo nos seus joelhos dobrados. Ele nem sequer sentia vontade de tomar um gole de vinho. — Eu admito que é muito estranho. Mas, certamente não foi por isso que você nos chamou aqui.

— Você está correto. Eles decidiram que se não pudessem apanhar o assassino, talvez eles possam apanhar ele agindo.

Portanto, não só os vigias noturnos e os guardas, mas aventureiros também foram enviados.

Eles se separaram em vários grupos, patrulhando diligentemente as ruas na noite e perseguindo alguém suspeito.

Era uma abordagem direta, um plano marcado pela praticidade.

Mas funcionou.

Um dos grupos de aventureiros viu humanoides pequenos atacando uma mulher e os abateram.

Em face da luz que os aventureiros empunhavam, os pequenos corpos revelaram ser…

— …goblins. Sem dúvida.

— Hmm. — Matador de Goblins, que estivera escutando em silêncio, fez um som de profundo interesse. — Eram goblins?

— Goblins… Não apenas um ou dois, eu suponho — exalou Anão Xamã, passando suas mãos ao longo da barba na qual ele era tão orgulhoso.

Sacerdotisa tocou o seu dedo indicador fino contra seus lábios e fez um som pensativo. — A questão é como eles chegaram à cidade — disse ela. — Eles certamente não entraram simplesmente pelo portão.

— Eles devem ter saído de um caminho subterrâneo ou dos canais de água — disse Anão Xamã.

Alta-Elfa Arqueira acrescentou: — Todas essas vítimas… esses monstros não estavam só de passagem.

— O que você acha? — Matador de Goblins virou seu capacete para Lagarto Sacerdote.

O sacerdote escamado deu um revirar de olhos contemplativo, então abriu suas mandíbulas e disse — Goblins… humm. Goblins vivem no subterrâneo. Essa cidade é construída sobre uma cidade mais antiga. Certamente há ruínas de algum tipo abaixo dela…

— Sem dúvida então — disse Matador de Goblins com firmeza. — Eles são estúpidos, mas não são tolos. Se eu fosse eles, simplesmente me aninharia nos esgotos.

— Mais uma vez, você demonstra a sua capacidade de pensar como um goblin…

Era difícil dizer se Alta-Elfa Arqueira estava o elogiando ou sendo sarcástica.

— É claro — respondeu Matador de Goblins, assentindo. — Se você não sabe como eles pensam, não consegue lutar contra eles.

Donzela da Espada mostrou um pouco de confusão às palavras de Matador de Goblins, mas, mesmo assim, ela assentiu com firmeza.

— Certamente foi o Deus Supremo que guiou um aventureiro como você para aceitar minha missão. — Um leve sorriso surgiu repentinamente em sua face, e a sua voz era clara; seu alívio era evidente. — Eu mesma, depois de um mês de reflexão, conclui que eles devem estar no subsolo.

— Um mês?

— Sim. E a princípio, eu propus a missão para os aventureiros da cidade…

— O que eles fizeram? — perguntou calmamente Sacerdotisa, mas Donzela da Espada balançou a cabeça sem falar.

— Entendi… — disse Sacerdotisa.

Essa foi toda a resposta que ela precisava.

Eles não voltaram.

Muitos aventureiros Porcelanas e Obsidianas que foram matar goblins conheceram o mesmo destino, como dois dos três companheiros de Sacerdotisa tiveram em sua primeira aventura em uma caverna.

Sempre que a cena perturbadora fosse reanimada em sua memória, não era fácil de a retirar.

Sacerdotisa pensou que podia apanhar praticamente o cheiro podre e desagradável da caverna, e esfregou um pouco seu rosto.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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