MdG – Volume 2 – Capítulo 8 (Parte 1 de 4)

A luz quente do sol irradiava do céu, e uma brisa fresca soprava sobre a água. Pessoas conversavam em um mercado animado, se divertindo.

Em um lugar onde tantas pessoas de raças e credos diferentes se reuniam, os aventureiros praticamente não eram uma visão incomum. Mas, a maioria dos aventureiros não eram uma sacerdotisa jovem, e um homem usando um elmo de aço em sua cabeça no meio da cidade, em plena luz do dia.

— Estou tão feliz por termos um tempo bom!

— Sim.

Sacerdotisa seguia atrás de Matador de Goblins, com seus lábios ligeiramente erguidos. Ela caminhava escrupulosamente, segurando algo cuidadosamente em seus braços.

— …Quer que eu segure?

— Não, estou bem — respondeu ela com um sorriso.

— Percebo — disse Matador de Goblins, assentindo enquanto ele diminuía o ritmo.

Logo, seus ombros estavam nivelados com a cabeça de Sacerdotisa, e ela olhou para o seu capacete. O seu gesto lembrava um cachorrinho curtindo sua primeira caminhada.

Os pedestres olhavam para eles enquanto passavam; os comerciantes espreitavam para fora de suas barracas. Sacerdotisa abriu a boca para lhe perguntar sobre isso, mas, acabou por fechá-la outra vez sem dizer nada. Esse era Matador de Goblins. Sem dúvida, ele não estava dando nenhuma importância.

O que seus amigos achariam se eles vissem isso? Ela não conseguia imaginar.

Ela sabia, contudo, que Alta-Elfa Arqueira, Lagarto Sacerdote e Anão Xamã estavam os acompanhando naquele momento.

 

— Certo, Orcbolg! Vai com calma!

— Será menos um lutador na linha de frente e um conjurador. Não vamos tomar nenhum risco indevido.

— Mas, eu vou te dizer o que é arriscado: um guerreiro sem armadura!

Os três aventureiros tinham mencionado essa ideia durante a refeição. Sacerdotisa, que ainda estava se sentindo diferente, só podia curvar a cabeça e pedir desculpa.

O que os surpreendeu, no entanto, foi mesmo a resposta bastante sincera de Matador de Goblins.

— Obrigado. Vou deixar vocês cuidarem disso.

Sacerdotisa ainda não conseguia compreender o que estava no fundo do seu coração, mas, agora ela tinha uma ideia bastante boa de como ele pensava.

Os goblins usaram aquela câmara funerária como o local para uma emboscada, significando que era claramente parte do território deles. Isso queria dizer que os aventureiros tinham de revistar a escadaria escondida que eles tinham encontrado atrás do caixão de pedra, se por qualquer outra razão o campeão ainda estivesse vivo.

Essa batalha tinha, presumivelmente, enfraquecido significativamente os goblins, mas também tinha impactado o seu grupo.

E o tempo estava no lado dos goblins.

O grupo tinha uma patrulheira, um monge e um conjurador, perfeitamente capazes, e não podiam se darem o luxo de perderem tempo. Nesse meio tempo, o guerreiro e a sacerdotisa ficariam para trás para descansar suas mentes, corpos e reparar seus equipamentos para estarem preparados para a próxima excursão.

Contudo, houve um problema.

Talvez, devido ao volume de clientes, a oficina na Guilda dos Aventureiros daqui não prestavam ordens especiais. Quando Matador de Goblins tinha solicitado por uma armadura de couro, um escudo e uma espada, lhe fora recusado com um não lento de cabeça.

 

Por fim, ele tinha determinado sair para comprar o que precisava, e Sacerdotisa disse que iria com ele. Ela o questionava insistentemente, mesmo ele dando respostas claras…

— Sei que todos estão preocupados com você. Tem certeza de que está bem?

— Sim.

— Seus ferimentos estão curados?

— Sim.

— Suas feridas foram muito piores que as minha.

— Sim.

— Você sabe que não deve fazer nada tolo, certo?

— Sim.

— Hmm. — Sacerdotisa estufou as bochechas e parou de andar.

Matador de Goblins deu vários passos a mais antes de notar. Ele parou e olhou para trás; ela estava o encarando. Ele inclinou a cabeça, claramente alheio a qualquer problema.

— Qual é o problema?

— …Céus! Como assim “qual é o problema”? — Sacerdotisa apontou o seu dedo diretamente para ele. — Estou zangada! — Ela franziu as sobrancelhas o máximo que pôde, mas não conseguiu o intimidar.

Em parte, era o olhar das pessoas à volta. Eles deveriam ter pensado que os dois aventureiros estavam tendo uma discussão de namorados ou talvez que estavam tendo uma briga de irmãos. Quem poderia dizer? Os transeuntes olharam desconfiados no início, mas, alguns sorrisos logo surgiram entre eles.

— Matador de Goblins… senhor! Sim foi a única coisa que você disse nessa conversa toda!

— É?

— É!

— É…?

— E você disse muitos “é” também.

— …Hum.

Matador de Goblins cruzou os braços e grunhiu.

A dupla ficou em silêncio, cercados pelos balbuciar da rua. Os pássaros voavam vagarosamente no céu azul acima deles enquanto ele refletia sobre algo ao longo do tempo. Por fim, ele deu um aceno devagar.

— …Eu irei mudar.

— Por favor! — disse Sacerdotisa e riu.

Quando um aventureiro sério desse dizia que iria mudar, ele provavelmente iria. Eles tinham se conhecido apenas há alguns meses, mas ela sabia bem sobre ele.

Ela partiu de novo com um ritmo alegre, e Matador de Goblins logo a igualou. Em pouco tempo, eles estavam andando lado a lado de novo, com Sacerdotisa mais uma vez nivelada aos seus ombros. De certa forma, isso, por si só, a fez muito feliz.

— Você disse algo sobre compras…?

— Sim — respondeu ele, então levantou a mão com se dissesse espere. Aparentemente, ele tinha algo mais para dizer.

Outra pequena gargalhada escapou de Sacerdotisa com sua demonstração inexperiente de consideração.

— Irei ver algumas armas e armadura. As minhas estão danificadas.

O capacete de Matador de Goblins estava virado na direção dela. Ele escondia seu rosto e qualquer expressão, mas seus olhos vermelhos brilhavam ligeiramente dentro dele.

— O que você vai fazer?

— Hmm… — Sacerdotisa pôs o dedo magro em seus lábios e inclinou a cabeça. A brisa levantou seu cabelo, o lançando atrás de sua cabeça.

Ela achava que a resposta ao que estava prestes a dizer era óbvia, mas…

— Você está realmente tentando perguntar a minha opinião?

— Acho que sim.

— Caramba…

Matador de Goblins parecia achar que sua resposta foi bastante natural. Sacerdotisa suspirou. Por ora, ela deixaria estar. — Minha cota de malha também foi arruinada — respondeu ela, obedientemente, ajustando sua expressão. — Pensei que talvez houvesse algum lugar que conseguisse consertar.

— Provavelmente seria mais rápido comprar uma nova.

A resposta de Matador de Goblins foi completamente inexpressiva.

Ele realmente não entendeu. Sacerdotisa olhou para ele com os olhos entreabertos.

— Eu não quero.

— Por que não?

Dessa vez, foi a vez de Matador de Goblins parecer perplexo.

Sacerdotisa apertou o embrulho contendo sua cota de malha e murmurou: — Porque… essa é a primeira coisa que fiz no qual você me elogiou.

Matador de Goblins parou e olhou para ela.

Sacerdotisa ajustou o pacote em seus braços como se para lhe mostrar um tesouro. Envergonhada, ela desviou seus olhos.

— Você não se lembra? Você tinha dito que era um pouco largo, mas pararia uma lâmina.

— Disse? — Sua voz parecia de alguma forma tensa, e então ele sussurrou: — Suponho que sim.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

5 Comentários

  1. MdG parece tipo um lobo que viveu sozinho por anos e depois encontrou uma alcateia e se tornou o lider, mas né ele não manja nada de liderança e das cocotas kk

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