MdG – Volume 2 – Capítulo 9 (Parte 4 de 5)

— Hu… ah!

Sacerdotisa cobriu seu rosto; mesmo no outro lado da barreira de Proteção, estava suficientemente quente para se queimar.

Na extremidade da sua visão contraída, ela viu Alta-Elfa Arqueira curvada como uma bola e cobrindo desesperadamente suas orelhas. Pó caiu do teto, e as ruínas se abalaram tão violentamente que ela se perguntou se toda a estrutura não poderia vir abaixo.

Por fim, a fumaça ondulante começou a sumir.

— …Olhem — disse Matador de Goblins brevemente. Ele tinha se abaixado, mas fora isso, parecia imperturbado.

Alta-Elfa Arqueira deu uma espreitadela obediente para a capela e viu que o Olho Gigante ainda estava lá.

Lá em cima.

Ele deveria ter sido lançado para cima e batido no teto pela explosão. Os tentáculos enegrecidos do monstro se contorciam pateticamente. Um após o outro, eles caíram irresistivelmente, como se eles estivessem sendo arrancados…

Splaft.

Eles fizeram um nojento som de carne quando atingiram o chão no meio da sala. A criatura era apenas um pedaço de carne tostada agora. Ela convulsionou várias vezes, vomitando algum tipo de líquido, depois parou finalmente de se mexer.

Assim, o Observador, o monstro do caos invocado de outro reino, conheceu seu fim.

— …Parece que o truque funcionou — disse categoricamente Anão Xamã. Ele começou a se levantar lentamente.

Lagarto Sacerdote ofereceu a mão, balançando a língua. — Farinha de trigo, meu senhor Matador de Goblins? O que você fez exatamente?

— Uma coisa que ouvi de um mineiro de carvão. — Matador de Goblins entrou na capela com seu habitual passo ousado e despreocupado. — Ele disse que se uma faísca fosse acesa em uma sala cheia de pó, ela se espalharia rapidamente e depois explodiria.

Ele sacou a espada e a levou à criatura no chão, se certificando de que não reagiria. — Mas isso foi mais problemático elaborar do que eu esperava. E há muito risco de o fogo se propagar incontrolavelmente. Absolutamente muito perigoso. — Matador de Goblins balançou a cabeça e murmurou: — Isso não servirá de nada contra os goblins.

E isso foi uma explosão! — Alta-Elfa Arqueira pôs suas orelhas para trás e criticou Matador de Goblins.

Ela deveria mesmo. Ele não tinha prometido? Mas, ele estava indiferente pela sua acusação.

— Não foi um ataque com fogo, água ou gás venenoso.

— Você está fugindo do ponto! Você… ahhh, esqueça.

Suspirando, Alta-Elfa Arqueira entrou questionando no salão de culto.

Eu sei que ele é uma boa pessoa, mas ele não é muito bom em manter o espírito das suas promessas.

Afortunadamente para eles, com o Olho Gigante despachado, parecia que não havia mais sinais de vida ali na sala. Esse agente do caos parecia ter sido o chefe dessa masmorra.

Talvez aquele aligátor, nadando nos esgotos como o dono do lugar, fora o mestre das ruínas anterior. Seja como for, ocorreu uma transferência de proprietário.

— Hmm… O que planejava fazer se não tivesse explodido? — perguntou Sacerdotisa, mantendo o ritmo com Matador de Goblins com passos pequenos.

— Como você disse, essa coisa só parecia interessada em defender esse lugar — respondeu ele, empurrando a criatura com o pé. — Poderíamos ter disparado flechas nele do corredor, depois correr antes dele se recompor. Faríamos isso até que morresse.

Matador de Goblins assentiu como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.

— Leva tempo, mas é confiável.

— Argh. Isso não faz de mim a única que teria de fazer o trabalho todo? Me dá um tempo! — Alta-Elfa Arqueira tinha completado a inspeção da área, satisfeita que estavam seguros.

Por perto, Anão Xamã acariciou a barba, tentando não rir do tom resignado dela.

— Seria um problema para você, não é? Com todo esse exercício, você nunca vai engordar, e será uma tábua para sempre!

— Olha quem fala. Como se você pudesse aguentar perder uns quilos.

— Não seja tonta. Anões são a imagem viva de um físico excelente!

Lagarto Sacerdote deu de ombros, feliz, e revirou os olhos; Sacerdotisa pôs a mão na boca e riu.

Mesmo Alta-Elfa Arqueira se viu atraída a rir, e Anão Xamã riu calmamente seguindo ela.

Matador de Goblins não riu, mas…

— …

— Uff… — Com um suspiro, ele embainhou a espada que ele estava segurando com a mão direita até aquele momento.

O clima tenso que havia dominado suas explorações se dissipou, abrindo caminho para um sentimento surpreendente de conforto.

Eles tinham vencido.

— Muito bem… Isso é muito intrigante.

A última risada tinha ecoado pela capela escura.

Lagarto Sacerdote apontou silenciosamente para a coisa que ainda pairava sobre o altar: um espelho de corpo inteiro gigantesco. A superfície dele tremulava como se fosse água, com ondulações estranhas se propagando.

O espelho e o trabalho em metal complexo e cativante em torno dele, não tinha sido muito danificado pela explosão. Não poderia ser mais que óbvio que isso não parecia um espelho normal.

— Poderia ser… um objeto de adoração? — Sacerdotisa se inclinou um pouco para frente, se aproximando do altar.

— Seria melhor você se abster de tocá-lo descuidadamente.

— Sim, mas… Não podemos o deixar de investigar, podemos?

— Nos falta um batedor ou um ladrão no grupo — disse Anão Xamã.

Sacerdotisa estendeu a mão com o dedo pálido e tocou suavemente a superfície do espelho.

Plim! Seu dedo afundou nele.

— …?!

Ela puxou instintivamente sua mão de volta, e a superfície do espelho ondulou como um lago. Ondas pequenas surgiram de onde ela tinha o tocado, percorrendo por toda a superfície.

— Oh! Uh, isso…

— Entrem em formação — ordenou Matador de Goblins, substituindo Sacerdotisa perto do espelho enquanto ela recuava apressadamente.

Cada um dos membros do grupo sacara suas armas e se prepararam para a batalha enquanto o espelho continuava oscilando. As ondulações na superfície se distorciam e giravam loucamente e, depois de um tempo, começou a brilhar com uma luz estranha.

Eles viram um deserto, eles não sabiam onde; estava coberto por uma areia verde peculiar. Um sol brilhava no céu crepuscular perturbadoramente morto.

Porém, o que atraiu a atenção deles, sobretudo, foi um dispositivo mecânico bizarro enorme. Pequenas silhuetas humanas se esforçavam em o empurrar; enquanto se movia, ele balançava lentamente, como uma munição de morteiro em um trilho.

Não… eles não eram humanos. Matador de Goblins sabia o que eles eram.

— …Goblins.

Era uma gangue de diabinhos cruéis. Outro goblin, com um chicote na mão e a boca bem aberta — gritando com raiva, sem dúvida — tentava os apressar ao trabalho. O que estavam fazendo e qual o propósito? Era temível até de imaginar.

Relativo à máquina e suas engrenagens enormes, eram feitas de ossos humanos.

— Mas que coisa é essa…?

— O lar dos goblins, eu acho.

Ao lado de uma Sacerdotisa tremendo, Lagarto Sacerdote assentiu lentamente. Ele foi em frente com um ritmo calmo e tocou o espelho de novo com a garra de uma mão escamada…

Subitamente, a imagem no espelho se distorceu.

Ela se comprimiu, percorreu para um lado, girou, e começou a se dissipar como se tivesse sido apanhado por uma tempestade de areia.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

8 Comentários

  1. Nomearam o bicho e, consequentemente, mandaram a importância do título pro espaço. Obrigado pelo capítulo!!

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!