MdG – Volume 2 – Capítulo 9 (Parte 5 de 5)

— Oh…!

Alta-Elfa Arqueira exclamou com a cena pouco visível no panorama agitado. Suas orelhas compridas balançaram, e ela apontou com sua mão maravilhosa e gritou: — Olhem para isso! — Todo mundo olhou. — Agora mesmo eu vi… eu vi as ruínas daquela selva! Onde fomos outro dia!

— Na selva? — murmurou Matador de Goblins. — Aquela com os goblins anormalmente bem equipados?

— Isso é tudo o que lembra sobre ela? Mas, sim. É essa mesma. — Alta-Elfa Arqueira assentiu para Matador de Goblins, com suas orelhas balançando de entusiasmo. — Quais são as chances de que eles foram enviados daqui?

— Você acha que isso é uma relíquia antiga que pode produzir um Portal? — sussurrou Anão Xamã, como se ele não pudesse acreditar.

Ele tinha uma boa razão para não acreditar. Portal, uma magia que poderia conectar dois lugares, se perdera há muito tempo.

Pergaminhos como aquele que Matador de Goblins tinha usado eram praticamente os únicos lugares onde se poderia encontrar a magia agora. E mesmo esses eram itens caros que foram obtidos de ruínas antigas primeiro.

A ideia de um item mágico que pudesse invocar essa magia elusiva a qualquer momento era incompreensível. Os aventureiros, é claro, não sabiam exatamente como o usar, mas se eles pudessem descobrir como…

Imaginem só o preço que isso valeria. Mais do que eles podiam imaginar.

— Então alguém estava invocando goblins com essa coisa…

Alta-Elfa Arqueira recuou lentamente do espelho como se pudesse a atacar.

— …lhes deu armas e os fez viver aqui embaixo…

Anão Xamã captou o raciocínio, fechando um dos olhos e fazendo uma careta para o espelho.

— …e então aquela besta imunda estava o vigiando.

Lagarto Sacerdote terminou com uma pancada com sua cauda.

— O que faremos, Matador de Goblins, senhor…?

Sacerdotisa olhou aflita para ele.

Matador de Goblins não respondeu.

— Não… — Ele balançou a cabeça lentamente de um lado para o outro, depois se afastou com um passo ousado e decidido.

Ele rolou o cadáver do Olho Gigante com seu pé, pegando um pano encharcado que só poderia ser visto por baixo.

Ele provavelmente fora levado para lá pela explosão. Estava chamuscado, coberto de fuligem e imundo, mas, quando ele o desamarrotou, um estandarte de guerra horrível foi revelado. Havia um desenho bruto no pigmento vermelho-enegrecido de sangue seco.

Um simples olho.

A imagem era infantil, mas o que ela significava era assustadoramente clara.

O brasão significava que eles teriam retribuição pelo olho roubado. Era o símbolo dos goblins, a prova de que os aventureiros tinham encontrado a sua cidadela.

— Eu sabia que era goblins — murmurou Matador de Goblins.

Como se estivessem respondendo, vozes uivantes vieram das profundezas da terra.

Vozes de ódio imenso. Vozes de ciúmes e luxúria. Vozes que procuravam roubar, violar, matar. Gritos cruéis cheios de ganância.

Dos confins desse buraco sujo, os barulhos vieram da escuridão que parecia a província dos pesadelos.

— …Ee…

Sacerdotisa apertou seu cajado com as duas mãos e tremeu. Ela conhecia esses sons, os conhecia de uma forma que a enojava. Essas vozes… esses goblins…!

— Ah-ha… Nossa explosão deve ter repercutido até eles. — Lagarto Sacerdote exalou uma grande quantidade de oxigênio, esticando o pescoço.

As vozes pareciam vir de todos os lugares, de cada um dos inúmeros corredores que levavam para fora da capela. Passos e ecos das armas e equipamentos retinindo uns sobre os outros, se aproximando.

Eles não tinham muito tempo.

— Se é daqui que esses diabinhos estão vindo, então não podemos o ignorar.

— Então, você está dizendo…

Anão Xamã pegou sua garrafa de vinho de fogo e deu uma boa golada.

Seu rosto se enrijeceu e se tornou um pouco vermelho, depois mostrou subitamente um sorriso estranho, como se para afastar a sua consternação.

— …eles estão vindo para tomar esse lugar de volta?

— Ei… Ah, cara… Não podemos ter um descanso? — Alta-Elfa Arqueira se sentou debilmente. Suas orelhas caíram penosamente, toda a sua energia de momentos atrás se foi. Seu rosto delicado abaixou, e parecia que ela iria chorar.

Sacerdotisa se aproximou dela, com uma expressão muito semelhante. Com medo, tremendo, mãos rígidas, ela agarrou tão forte seu cajado de monge que sua pele começou a ficar branca, e seus olhos estavam tremendo.

Mas, ela olhou para Matador de Goblins, embora não de modo suplicante nem em desespero. Ela olhou diretamente para ele.

— Matador de Goblins, senhor.

Seu sussurro baixo fez com que todo mundo se focasse nele. Assim como eles tinha feito com o ogro, assim como eles tinham feito com o senhor goblin, então eles fizeram agora. Nos seus momentos mais terríveis, esse era o homem que poderia fazer algo. Pode ser que tenha parecido que eles estavam desistindo, mas não estavam, não exatamente.

Se o fizessem, quem iria recorrer a Matador de Goblins como um líder?

Nos termos mais amplos, era uma espécie de confiança.

— ……

Matador de Goblins analisou silenciosamente toda a sala.

A capela desmoronando. O espelho contendo o poder incrível de Portal. Os goblins se aproximando por todas as direções. Os quatro aventureiros exaustos.

Eles tinham sido completamente encurralados em um beco sem saída, ou tinham eles?

— O que eu tenho no meu bolso…?

Ele não estava à procura de uma resposta, estava apenas falando consigo mesmo. Era uma adivinha que ele nunca tinha compreendido. Mesmo agora, ele não sabia se entendia.

Não havia nada ali… exceto a sua mão.

Uma mão que podia segurar nada. Ou tudo.

Não foi sempre assim?

E se foi, então…

— …

Ele olhou para Alta-Elfa Arqueira, que não fez nenhum movimento para fugir apesar do seu medo óbvio.

Para Anão Xamã, fortalecendo sua coragem com vinho.

Para Lagarto Sacerdote, que estava se preparando para a batalha se aproximando.

Para Sacerdotisa, que estava olhando diretamente para ele.

Então ele assentiu e disse tranquilamente:

— Não se preocupem.

Era impossível decifrar sua expressão por trás daquele elmo de aço.

Mas, para Sacerdotisa, não, para todos eles, seus únicos companheiros no mundo…

— Isso não será um problema.

…parecia que, mesmo tão baixinho, ele estava rindo.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

8 Comentários

  1. Ele realmente consegue passar uma sensação de “vai ficar tudo bem” ou “nós conseguiremos”. Obrigado pela tradução!

  2. Se fosse eu oq faria?
    Fazia uns preparativos para terminar de desmoronar tudo aquilo.
    Esperaria os goblins chegar quando todos ou a maioria detonaria a sala.
    Por fim me jogando no espelho haha

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