MdG – Volume 3 – Capítulo 1 (Parte 1 de 8)

Um fio único de fumaça trilhava pelo céu pálido.

Poderíamos o rastrear abaixo para encontrar a sua fonte, uma fazenda pequena de topo de colina.

Especificamente, um edifício pequeno de tijolos à margem da fazenda.

A fumaça da chaminé subia pelo ar como uma pincelada ascendente.

Uma moça estava no fogão da pequena construção, soprando vigorosamente enquanto limpava o suor de sua testa.

Sua pele tinha o brilho saudável de uma pessoa criada sob o sol. Ela era carnuda em todos os lugares que uma garota deveria ser, mas não era mole.

— Hmm… Dessa forma?

Vaqueira limpou a fuligem de suas bochechas com o pano que estava em cima do ombro do seu avental de trabalho e semicerrou os olhos, satisfeita.

Seus olhos brilhantes estavam fixados na carne de porco pendurada cuidadosamente dentro do galpão, visível pela janela.

A fumaça o envolvia, trazendo gradualmente a gordura, juntamente com um aroma irresistível.

Bacon defumado.

Todos os anos eles pegavam porcos que haviam engordado com bolotas e margaridas, e os defumavam assim.

Havia bastante carne de porco na pequena construção, e eles as deixariam defumar o dia todo. Eles manteriam o processo por vários dias; bacon era um produto de trabalho intensivo.

Costumeiramente, ele ajudaria nessa hora, mesmo que o fizesse silenciosamente.

— Bem, acho que quando se tem trabalho, se tem trabalho — disse Vaqueira a si mesma, depois riu como se isso não a incomodasse nem um pouco.

Ela o conhecia, afinal. Ele voltaria para casa em segurança, sem dúvidas, e então ajudaria como sempre fazia.

Essa crença vinha tão naturalmente a ela que quase não precisava pensar sobre isso.

— Arre!

Ela sentiu uma sensação boa se alongando enquanto se erguia, depois de se agachar por tanto tempo para ver o fogo.

Ela se pôs de pé, com os braços estendidos, os peitos fartos saltando, estalando as articulações e liberando mais um grande suspiro.

Quando ela levantou o rosto, uma coroa de luz se movia sobre a floresta escura amontoada no horizonte.

Alvorada. O sol. O início de um novo dia, embora de fato, o dia dela já estivesse bem encaminhado.

Para além da colina, os campos de trigo que se estendiam de ambos os lados da estrada apanhavam os raios do sol e brilhavam. O vento dobrava as plantações suavemente, criando ondas em um mar de ouro. O ruído dos caules não soava muito diferente do oceano.

Ou assim Vaqueira imaginava, de qualquer forma. Ela nunca tinha ido à beira-mar.

Logo, os galos da fazenda notaram a aproximação da manhã e começaram a cantar.

Suas exortações persuadiram as pessoas da cidade de seu sono, e fluxos finos de fumaça apareceram no horizonte. Havia bastante, embora fosse tão cedo.

A luz da manhã revelava quão vibrante e viva a cidade era.

Faixas se agitavam em cima de edifícios, flâmulas em forma de dragões ou deuses eram açoitadas na rajada de vento.

O mesmo vento foi até Vaqueira, roçando suas bochechas enquanto passava.

— Uau… — Ela tremeu um pouco com o frio.

O vento trazia uma sensação agradável contra sua pele suada, mas era mais desconfortavelmente frio do que fresco.

O sol se esforçava em se erguer pelo horizonte irradiado com uma luz tênue.

Era outono.

A estação da colheita havia chegado. O verão tinha terminado, e era hora para se preparar para o inverno.

Ambas a fazenda e a cidade ficavam movimentadas.

Vivas e prósperas, era uma das estações mais lindas do mundo.

Embora para Vaqueira, o mundo sempre foi bonito.

Ela sabia que todo mundo estava trabalhando duro, incluindo ele.

Contudo, ela também sabia que ele viria ajudá-la. E quando o fazia, sim!

— Vou preparar um pouco de ensopado com os nossos bacons frescos!

Primeiro, ela teria de garantir que ele estivesse cheio e descansado.

Só de pensar nisso seu coração se iluminou, e ela quase ignorou seu caminho de volta para a casa principal.

Afinal, caía também na hora do festival.

O quinto goblin caiu por volta do meio-dia.

Uma pedra assobiou pelo ar e o apanhou na cavidade ocular, esmagando o osso e acertando finalmente o cérebro.

O goblin desabou onde estava com uma pancada seca.

O sol brilhava na entrada de um túnel que lembrava um massacre.

— ………Hmph.

Um guerreiro observava vigilantemente das sombras de algumas pedras nas proximidades.

Ele usava uma armadura de couro encardida e um capacete de aço de aparência barata. Em seu quadril se pendurava uma espada com um comprimento estranho, e um escudo pequeno estava em seu braço.

Esse guerreiro maltrapilho era Matador de Goblins.

Tudo o que ele tinha feito até agora foi subjugar os guardas, e ele já estava no quinto goblin.

Isso não queria dizer, no entanto, que ele tinha prejudicado muito seus oponentes.

Haviam se passado mais de duas semanas desde que os goblins tinham tomado a mina, que era a única fonte de recursos dessa aldeia.

Quem saberia quantos mais poderiam estar se escondendo além das garras da entrada desse túnel?

Algumas mulheres locais foram raptadas. Não havia se passado tempo o bastante para quaisquer crias potenciais fornecer reforços. Mas, reféns queriam dizer menos opções abertas para ele. E devido aos aldeões precisarem usar essa mina no futuro, truques envolvendo gás venenoso ou inundações também não eram úteis.

Presumivelmente, o número restante é menor que dez. Enquanto considerava, suas mãos colocavam agilmente outra pedra na funda.

Ele estava junto de um monte de terra escavada, onde não existia medo de ficar sem munição.

Com muita atenção ao campo de batalha era possível utilizar uma funda durante todo o combate.

— O-o que acha, Matador de Goblins, senhor?

Perto dele estava uma jovem donzela segurando firmemente um cajado de monge com as duas mãos.

Ela era franzina e bela, vestida com vestimentas simples, mas branquinhas. Era Sacerdotisa.

Matador de Goblins respondeu sem olhar para ela.

— Por “o que” você se refere…?

— Quero dizer, hum, o que te parece? O que faremos?

— Ainda não sei.

Enquanto falava, ele atirou outro projetil pelo ar.

— GOORB?!

Ele dividiu outro crânio de goblin, um que tinha se aventurado para investigar os corpos dos guardas.

— Seis.

O goblin caiu curvado para frente e rolou para o túnel. Matador de Goblins contou baixinho.

Era simples, atraindo semelhantes.

Não que os goblins “gostassem” uns dos outros em qualquer sentido significativo. Muito provavelmente, aquele que saíra só teve o seu dia de sorte e foi forçado a ir olhar.

Mas, o princípio era o mesmo: use inimigos mortos ou feridos como isca para atrair outros inimigos, depois mate-os.

Foi assim que ele tinha alcançado um total de seis mortes até agora. Ele recarregou sua funda de forma profissional.

— Mas, de qualquer forma, isso é um problema.

— Tipo…?

— Eles têm equipamentos.

— ……Ah.

Agora que ele havia mencionado isso, ela também pôde notar.

Embora fossem bem rudimentares, todos os goblins mortos usavam armaduras e carregavam armas.

Uma espada, uma picareta, uma clava, uma lança, uma adaga. Algumas produzidas pelos goblins, outras simplesmente roubadas.

— Eles não disseram que três mulheres jovens tinham sido raptadas? — perguntou Sacerdotisa, com desconforto evidente no rosto. — Temos que nos apressar… — Mesmo assim, ela não fez nenhum movimento apressado.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

5 Comentários

  1. O capítulo começou tão pacificamente que, por um momento, eu achei que os diabinhos não apareceriam…

    Obrigado pelo capítulo!

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