MdG – Volume 3 – Capítulo 1 (Parte 6 de 8)

— Eles tinham equipamentos.

Anão Xamã e Lagarto Sacerdote assentiram conscientemente um ao outro, mas Matador de Goblins balançou a cabeça.

— As mulheres sequestradas estavam todas bem.

— Sério? — pestanejou Garota da Guilda. — Isso é maravilhoso, mas… bastante incomum.

Ela esteve trabalhando aqui durante cinco anos, e raramente ouviu falar em tal coisa.

Embora carecesse de experiência real com aventura, ela tinha ouvido mais sobre isso que qualquer outra pessoa. Certamente mais a ver com goblins. Às vezes as informações vinham antes que as mulheres fossem raptadas, outras vezes logo depois. Às vezes duas semanas depois.

— Elas estavam sendo mantidas como comida…? Ou alguém no comando as queria como reféns?

— Não. — Ele balançou a cabeça. — Elas estavam feridas e aterrorizadas.

— Isso foi em uma mina, não foi?

— Visarem uma mina foi bastante estranho.

— Significando que não estavam atrás de comida. Hmm…

Garota da Guilda demonstrou como ela estava entre os poucos que podiam seguir a conversação de Matador de Goblins. Ela tocou o dedo contra os lábios enquanto digeria os pedaços de informações que ele partilhou.

Ela não reparou em Lanceiro exclamando: “Então, talvez eu devesse estudar sobre goblins!”.

Nos casos que envolviam goblins, de cada dez sequestros, oito a nove vezes eram mulheres jovens. Mas isso era em grande parte para as usar como escravas sexuais, brinquedos para descarregar a raiva.

Da mesma forma que as pessoas achavam os goblins repugnantes, os goblins não conseguiam tolerar os humanos.

Garota da Guilda conhecia muitos exemplos de brutalidade que, como uma boa mulher, fazia ela desejar que não tivesse ouvido dizer nem ler sobre eles.

Poderia se esperar que ela ficaria contente ao ouvir a notícia do resgate.

— …Hmm. Então nós não sabemos o suficiente para dizer alguma coisa…

Algo parecia incomodar Garota da Guilda. Ela inclinou a cabeça, tentando entender o que era.

Talvez fosse o mesmo com Matador de Goblins. Ele disse desapaixonadamente:

— Esse é o meu relatório preliminar. Vou apresentar um mais detalhado mais tarde. Dê uma olhada.

— Claro. Como é obvio, meu turno acabou por hoje, por isso será a primeira coisa para amanhã cedo.

— Sem problema.

— Não de minha parte, não está! — irrompeu Alta-Elfa Arqueira.

Deitada na mesa, ela olhou para Matador de Goblins, se esforçando em fazer seu olhar exaltado devidamente ameaçador.

— …Quem se importa com o seu relatório estúpido? Você deveria cumprimentar seus amigos e companheiros antes! …Embora eu saiba que os goblins são importantes para você — murmurou ela.

O homem armadurado balançou a cabeça lentamente.

— Você já sabe que estou aqui. Não há necessidade.

— Não importa. Devia fazer isso de qualquer forma.

— É assim que é?

— …Todo mundo estava preocupado com você.

Isso provocou um murmuro “…Estavam?” de Matador de Goblins. — Eu vou mudar.

— Que bom. — O rosto de Alta-Elfa Arqueira se derreteu em um sorriso suave, finalmente contente.

Suas orelhas balançavam com seu humor melhorado.

Ela jurava que quando eles alcançavam 2.000 anos, os elfos eram considerados adultos, mas ela certamente não agia assim. Francamente, ela pode ser meio que uma vergonha para com seus antepassados alto-elfos.

Ao menos, isso é o que Anão Xamã estava pensando quando Garota da Guilda se moveu silenciosamente.

Ela se inclinou indiferentemente e pôs a mão no joelho de Matador de Goblins.

O movimento foi surpreendentemente natural, e ela parecia totalmente séria.

— A propósito, Sr. Matador de Goblins.

— O quê?

— O, hum, o festival da colheita é depois de amanhã.

— Sim.

Garota da Guilda respirou e soltou um suspiro. Ela colocou a mão no peito, como se tentando conter fisicamente seu coração acelerado.

— Você tem… algum compromisso?

A atmosfera mudou instantaneamente.

Até mesmo os aventureiros tagarelando e bebendo nas proximidades pararam para ouvir, se esquecendo das pessoas na mesa deles.

Ela sentiu seus nervos enrijecer assim como eles ficavam entrando em uma masmorra.

Bruxa usou Silêncio para impedir Lanceiro de exclamar: “Eu estou livre!”.

Os olhos de Alta-Elfa Arqueira estavam abertos, mas sua embriaguez lhe permitiu apenas oferecer um murmúrio moroso e incoerente.

E no centro do clima indescritível, Matador de Goblins disse.

— …Goblins.

— Ah, quero dizer… algum plano não-goblinsesco?

— ……Hum.

Com esse simples som, Matador de Goblins abaixou a cabeça como se perdido em pensamentos.

Ou talvez sem palavras. Ambos seriam uma visão incomum.

Enquanto todos à sua volta esperavam com a respiração suspensa, só Garota da Guilda ainda tinha um sorriso no rosto.

Depois de um momento, Matador de Goblins disse: — …Não, suponho que não.

— Sabe, vou estar livre a tarde toda nesse dia.

Ela parecia estar esperando por algum tipo de resposta.

É agora ou nunca!

Era o festival da estação, e ela tinha planejado por esse momento. Ele tinha acabado de terminar uma missão de goblincídio, e a recompensa pelo seu trabalho duro e incansável lhe permitia tirar uma folga quando realmente precisasse.

Tinha também o vinho. Emprestando as forças do álcool, ela pensou que essa seria sua melhor chance.

— Eu… Eu pensei que t-talvez gostaria de ir… ver o festival comigo.

— …

— Di… digo, o festival… pode não ser completamente seguro, certo?

Um dos seus dedos desenhava formas sem sentido em sua palma. Garota da Guilda observava o capacete de aço.

A mesma coisa medíocre que ele sempre usava que escondia seu rosto por detrás.

A única maneira que ela poderia o alcançar era se manter falando, embora sua voz estivesse cada vez mais tensa graças ao seu coração acelerado.

Para Garota da Guilda, cada segundo que ele ficava calado parecia como… um minuto? Não, uma hora.

— …Está bem.

Matador de Goblins assentiu.

A voz dele poderia ter sido desapaixonada, quase mecânica, mas não havia dúvida sobre o que ele disse.

— Você é sempre de uma grande ajuda para mim.

— Ah, certo… Eu… Obrigada — disse ela se curvando, jogando sua trança no ar.

Ops. Se diz “obrigada” nessa situação?

Ela estava um pouco preocupada, mas era uma coisinha de nada, completamente subjugada pela alegria se espalhando rapidamente pelo seu coração.

— Ah… oh, certo! Sr. Matador de Goblins, gostaria de algo para comer?

— Não, estou bem. — Balançando firmemente a cabeça, Matador de Goblins se levantou do banco. Como sempre, ele verificou sua armadura, escudo e luvas com um olhar experiente, então assentiu.

— Assim que eu fizer meu relatório, voltarei durante o dia.

— A-ah, En… Entendi. — Garota da Guilda sentiu uma mistura estranha de emoções, desapontada, mas também satisfeita com sua resposta bem característica.

— Nesse caso, hum…

— O dia do festival da colheita, ao meio-dia, na praça. Pode ser?

— Sim!

— Tudo bem então.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

      1. “mas como fica a sua velha amiga Vaqueira nisso…?” Tá até na sinopse do volume 3 kkk

        Mas ainda acho que ela terá que fazer um movimento mais ousado depois desse ataque direto da Garota da Guilda.

        Obs: Se fosse Yu-Gi-Oh as outras garotas já teria entre zero a 100 pontos de vida kkkk

  1. Agora que eu quero saber o clima do local depois disso, com todos com ouvidos bem abertos pra isso auhahuauhauhauhauhauha

    1. Isso eu também estou curioso para saber, mas já posso adivinha que vai ter muitos bonecos de vodu do MdG kkkkk

  2. Agora as outras terão de correr atrás huahuahauh
    Não é que ele não saia com ninguém e sim como o convidam XD

      1. Matador de Goblins é o tipo de cara que, quando tu tá no facetruques, tu vê fotos dele diariamente em rolês aleatórios. Like a Ronaldinho Gaúcho…

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