MdG – Volume 3 – Capítulo 1 (Parte 7 de 8)

Matador de Goblins assentiu, então inquiriu todos na mesa.

— O que vocês irão fazer?

Garota da Guilda conseguiu manter suas mãos longe da cabeça, mas seu rosto traía claramente seus sentimentos. Ela deveria ter esperado isso.

Lagarto Sacerdote e Anão Xamã pareciam o mesmo. Eles se limitaram a dar de ombros e decidiram fazer o que poderiam para ajudar.

— Minha intenção é passar esse dia desfrutando de uma refeição com Mestre Conjurador.

— Ah, sim! Eu sempre quis beber com Escamoso em uma mesa. Essa será uma boa oportunidade.

Anão Xamã bateu em sua própria barriga, depois esfregou as costas de Alta-Elfa Arqueira.

— Venha conosco, Orelhuda. Não importa o que digam, elfos e anões têm um longo relacionamento!

— Bwah? — Um ruído em desacordo deixou sua boca. Era o tipo de som informe que uma criança fazia como protesto de se levantar da cama.

— Ah, vamos lá… Eu lhe darei um copo de vinho!

— …Está bem.

— Entendi. — Matador de Goblins aceitou a resposta deles com sua frieza habitual, então se preparou para ir.

Lanceiro abriu a boca como se fosse dizer algo, mas Bruxa o interrompeu. — Nós dois temos um encontro.

— Vou indo, então.

Sem muitas palavras de despedida. Como sempre.

Ele foi para a recepção e sinalizou para a funcionária mais próxima para fazer seu relatório, depois foi para fora.

Seu passo ousado não continha qualquer sinal de hesitação, como sempre.

Ele era um aventureiro um tanto estranho.

O grupo o viu indo, incapaz de dizer algo.

— Meu deus — disse Lagarto Sacerdote, dando um suspiro de admiração. — Um feito muito impressionante.

— Heh… Ah-ha-ha… Fico feliz que deu tudo certo. — Garota da Guilda corou timidamente e brincou com sua trança.

— De fato. — Bruxa sorriu, dando a Lanceiro pálido uma palmadinha. — Você, se esforçou, também.

Anão Xamã deixou escapar um suspiro exasperado. — A peito-plano aqui poderia aprender uma coisa ou outra de vocês.

— Ah, cale sua matraca. — Alta-Elfa Arqueira se virou devagar e fastidiosamente para olhar para o anão. — Eu só quero ir em uma aventura juntos. Aquele idiota não vai mesmo vir comigo!

— Sim, moça, você falhou bem miseravelmente.

— Aa… Aaaaah!

— Ah, ora. Aqui, tome uma bebida.

Ele derramou uma quantidade boa de vinho no seu copo. Ela lhe poupou com um olhar rápido antes de colocar o copo em sua boca com um leve aceno.

Garota da Guilda, vendo tudo isso, franziu sua testa apologeticamente.

— Hum… Eu… Eu sinto muito…

— Pfft. Como se eu ligasse. Eu já te disse, eu não penso nele dessa forma. — Alta-Elfa Arqueira deu goles delicados em sua bebida, observando Garota da Guilda. — Ei — disse ela.

— Sim?

— Foi uma boa fala: “Algum plano não-goblinsesco?”. Posso usar ela?

Quando Matador de Goblins deixou a Guilda, um aroma doce o envolveu.

Que aroma pode ser esse…?

Enquanto ainda estava pensando, uma rajada de brisa fresca levou embora o cheiro.

Quando o sol se pôs, o calor do dia recuou como se nunca tivesse existido.

A noite se aproximou. Ele olhou para um céu gelado repleto de estrelas.

As luas gêmeas, cheias com a promessa de uma colheita abundante, brilhava com uma luz que era de alguma forma metálica e inorgânica.

— Hum.

Já era outono.

Mas isso não significava muita coisa para ele.

Após a colheita, as incursões dos goblins provavelmente aumentariam.

Havia um estilo de luta apropriado para a primavera, bem como um para o verão, para o inverno, e, claro, para o outono.

Ele examinava as ruas silenciosas.

Os estandartes e flâmulas estavam penduradas antecipadamente para o festival, juntamente com as torres de madeira, projetando uma rede complexa de sombras no chão. Matador de Goblins se entrelaçou por elas enquanto caminhava.

Essas eram ruas que ele conhecia bem, mas cada vez que ele passava por uma sombra, ele formava um punho reflexivamente.

Provavelmente não havia nada se escondendo na escuridão. Mas os goblins poderiam aparecer a qualquer momento e em qualquer lugar.

Nem todas as preparações eram úteis, mas uma pessoa nunca poderia deixar de estar preparada.

Esse era um dos princípios mais preciosos de Matador de Goblins.

— Oh, aí está você!

Dessa forma, ele pôde apanhar a voz inesperada, mas familiar, com facilidade.

O cumprimento vivo e amigável não correspondia muito com a noite, embora talvez ele precisasse da luz.

— Ah — disse Matador de Goblins. — Você veio me encontrar?

Era, é claro, Vaqueira.

— Heh-heh! — Com um sorriso em seu rosto e um salto de seu peito, ela foi rapidamente na direção dele. — Gostaria de dizer que sim. Por acaso eu estava na cidade. Trabalho, sabe.

— É mesmo?

— Sim, é. — Ela assentiu firmemente. O capacete encardido a seguiu atentamente.

— Uma entrega?

— An-ham. — Vaqueira acenou com a cabeça. — Falar com um cliente. Tio me disse para cuidar disso para aprender sobre o lado das questões comerciais.

— É mesmo? — disse ele de novo, assentindo.

O sol estava ausente e a cidade escura, deixando os dois sozinhos na negritude. A rua fora do portão da cidade estava ainda mais solitária e escura.

— …Quer ir para casa?

— Sim, vamos.

Eles partiram, dando passo ao lado do outro.

Eles seguiam suas próprias sombras se estendendo pelos ladrilhos e iam silenciosamente para casa.

Não com pressa, mas tampouco lentamente.

A falta de conversa não os incomodava. Às vezes era muito bom.

— Ah…

Com um vuum, o vento fresco soprou de novo e trouxe aquela fragrância agradável com ela.

Matador de Goblins parecia não perceber bem o que lhe lembrava.

Uma pétala de flor dançou pelo ar, acompanhando a brisa e o cheiro.

Matador de Goblins olhou para cima. Ele viu uma árvore coberta por flores douradas.

— Ah, é uma flor-do-imperador. — Vaqueira seguiu o olhar dele para cima e usou sua mão para proteger seus olhos da luminosidade. — Já está florescendo. Acho que é nessa estação.

Tinha sido o aroma da flor.

— Isso mesmo — murmurou Matador de Goblins, agora que ele sabia de onde o odor vinha.

Era estranho como a estrutura das flores amarelo-clara fazia até mesmo as luas frias parecerem quentes.

Quando ele começou a se afastar, sentiu uma sensação suave envolver de repente sua mão esquerda.

Vaqueira tinha entrelaçado sua mão na mão enluvada dele.

Ela estava corando o bastante para ser visível, seus olhos se desviaram bem ligeiramente.

— Pode… Pode ser perigoso, andar enquanto você olha assim para cima. Está… Está escuro.

— …

— Desculpa. Eu…?

Ela olhou para o rosto dele, tentando decidir como tomar seu silêncio.

Depois de um momento Matador de Goblins, com sua expressão oculta pelo capacete, balançou lentamente a cabeça.

— Não.

— Hee-hee.

Vaqueira partiu, puxando Matador de Goblins atrás dela.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. Tnx pelo cap o/
    Ufa, então a alta elfa nao sente esse tipo de coisa pelo MdG,isso eh bom,menos complicação. Todos se moveram pra ajudar a Garota da Guilda,tomara que ela consiga uns pontos (apesar de eu estar mais inclinado a torcer pela Vaqueira e estar ansioso pelo movimento dela…)

    1. A Alta-Elfa pode até dizer isso dá boca para fora, mas suas ações e reações perto do MdG é de se dúvida do que ela disse( até seus amigos e a Garota da Guilda perceberam e ficaram com “pena” dela). E a Vaqueira já iniciou seu movimento que diga-se de passagem foi muito mais ousado que as outras.

      1. Eu disse isso por que eu meio que nao quero que ela tenha esse tipo de sentimento pelo Goblincida. Uma boa amiga que quer mostrar o melhor do mundo das aventuras esta de bom tamanho, eu acho. O/
        Quero ver o movimento completo, isso eh so uma introdução :v

        1. Não acho que o autor vai deixar ela ser só amiga do “Goblincida”(sorrir demais com esse apelido) sem ter algum sentimento romântico envolvido. Pelas dicas que o autor dá como: Ela sendo uma das quatro heroínas que aparecem na sinopse, sendo capa de dois volumes da franquia(2 e 6), além de ser uma das duas que fazem missão com ele, sem fala nas reações que ela mostra e do quanto ela fala nele quando tá bêbada(mesmo que seja reclamação kkk). Por isso é melhor ir se acostumando logo com a ideia kk

          Se tivermos sorte, podemos até ver uma declaração(da Vaqueira) ^^

          1. Eh que acho estranho tantas se reunirem ao redor de um homem meio quebrado, por isso diminui minhas expectativas pra apenas 2 (nao contava com a Santa da Espada,então agora são 3…). Bem, eu já sei que e muito provavel que sinta algo,mas me deixe com um pouco de esperança, pelo menos?ajauaahauhaua

  2. Começamos o volume 3 com o MdG e sacerdotisa aniquilando goblins(normal), resgatando reféns que não foram violentadas(isso é uma ótima notícia) pelos goblins, um encontro marcado entre o MdG e a Garota da Guilda, sem fala nesse clima romântico (só por parte da Vaqueira) entre o MdG e sua amiga de infância. Isso tá bom demais para ser verdade…

  3. Agora a Vaqueira que iniciou o ataque, vamos ver se o próximo ataque será de alguém que goste dele ou de alguns Goblins ahuauhauha

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