MdG – Volume 3 – Capítulo 2 (Parte 2 de 10)

— …O que pretende fazer, depois disso? — perguntou o dono da fazenda.

— Depois de acabar de fazer a manutenção no equipamento da fazenda, pensei em ir à cidade fazer compras.

— Você vai, agora…?

O dono mordeu sem graça o final do seu cachimbo e fechou os olhos. Ele parecia inseguro do que dizer a seguir.

Quando ele finalmente falou, disse com uma voz tensa.

— …Pelo menos espere até após o café da manhã.

— …

— Aquela garota fez para você.

— Sim, senhor.

— Você tem um dia de folga dessa vez. Vá com calma.

— Sim, senhor. Contudo… — Ele parou por um momento, quase perdido. — Tempo livre é algo que não entendo muito bem.

Matador de Goblins não esqueceu de limpar depois do café da manhã.

Era uma roupa íntima.

Ou, mais precisamente, era uma armadura que se parecia bastante com uma roupa íntima.

O conjunto incluía uma cobertura para o peito, luvas e uma coisinha para os membros inferiores. Categoricamente falando, poderia ser chamado de armadura leve.

Em termos de mobilidade, superava facilmente um conjunto completo de armadura de placas.

A armadura em si era lindamente curvada, elaborada e sólida.

O problema era que não cobria área suficiente.

Era só uma armadura de torso — na verdade, armadura de mama — e calcinha.

Havia ombreiras, verdade, mas isso não era bem a questão. Um bom golpe no abdômen e as entranhas de um aventureiro tomaria um sol. Também não fornecia defesa contra uma apunhalada por trás, um ferimento que poderia ser crítico facilmente.

Bem, nesse caso, pelo menos a armadura fornecia acesso fácil para a administração de primeiros socorros. Ou talvez deveria ajudar seu portador focar em não ser atingido.

Mas no final das contas, alguém estava realmente disposto a usar nada além disso sobre sua pele?

Certamente precisava de um complemento; uma camisa de cota de malha, algum tipo de armadura íntima? Poderíamos pelo menos parar um soco.

— Não, não, não, nunca irá dar certo.

— Por que não?

— Cobrir seu próprio corpo esconderia exatamente o que faz uma mulher atrat…

Cavaleira parou e lançou um olhar de lado para o guerreiro imundo ao lado dela.

— Ugh. Matador de Goblins?!

— Sim. — Ele assentiu.

Eles estavam na loja de equipamentos da Guilda dos Aventureiros.

Havia pilhas de itens por todo lado. Na oficina perto dos fundos, o mestre e seu aprendiz batiam com seus martelos.

Matador de Goblins vinha frequentemente pedir novos itens, mas essa foi a primeira vez que ele tinha visto Cavaleira aqui. Em parte, isso era porque o equipamento de uma cavaleira — de sua amada armadura de placas às suas espadas e escudos — não precisava ser substituído muitas vezes.

Como é que alguém como ela, que precisava de grande proteção para sobreviver ao seu papel de vanguarda, sequer consideraria uma armadura como essa?

— Está planejando mudar para armadura leve?

— Hã? Eu? Ah, não, eu só… — Sua forma firme habitual desapareceu quando ela ficou muda e olhou para Matador de Goblins de soslaio. — Francamente, ver você me faz querer desistir de usar armadura de couro.

— É mesmo?

Matador de Goblins inclinou a cabeça. Ele era o retrato de desleixado.

Cota de malha e armadura de couro suja, coberto por um capacete de aparência barata que escondia seu rosto.

É claro, a dureza da armadura de couro tratada com cera não devia ser desprezada. Era sem dúvida mais leve que armadura metálica, mas se bem-feita, permitia que o portador permanecesse ágil. Capacetes estavam fora de moda pelos jovens e aventureiros promissores, mas eles protegiam contra um ataque surpresa na cabeça. Em combinação com a camiseta de cota de malha, era perfeito para lutar com goblins em espaços apertados e escuros.

— Você não poderia, sabe… — Cavaleira observou ele da cabeça aos pés, tentando encontrar as palavras certas. — …polir um pouco?

Talvez só tirar essas manchas carmesins misteriosas dela.

— Isso é proposital. — Matador de Goblins falou com o mesmo desapego de sempre, no entanto, havia um toque de autossatisfação com seu próprio conhecimento. — Impede que os goblins notem meu cheiro.

— …Ao menos mantenha seu corpo limpo.

— Sim. — Matador de Goblins assentiu, severamente. — Ou as pessoas ficarão com raiva de mim.

Cavaleira presumiu que ele estava falando sério. Ela ergueu os olhos para o teto como se estivesse rezando aos deuses.

Ela não estava procurando por um oráculo ou ajuda, é claro. Era algo que ela fazia no calor do momento.

Acho que desistirei de fazer perguntas enquanto posso.

— …Então. O que está comprando hoje?

— Estacas e dois rolos de corda. Também preciso de arame e madeira. Tenho que substituir minha pá também.

— ……… — Cavaleira deu um gemido involuntário. — Pode repetir?

— Estacas e dois rolos de corda. Também preciso de arame e madeira. Tenho que substituir minha pá também.

— Que tipo de aventura precisa de tudo isso?

— Não é para uma aventura. — Matador de Goblins balançou a cabeça. — É para matar goblins.

Cavaleira deu um suspiro. É claro.

Mas Matador de Goblins estava alheio a reação dela, e em vez disso estudava a armadura com grande interesse.

Parecia para ele como um par de roupas íntimas, algo que ele hesitaria chamar de armadura.

— O que é isso? Parte de armadura?

— De certa forma, eu acho — disse Cavaleira, mas Matador de Goblins não entendia realmente o que ela quis dizer. De todas as aparências, era consideravelmente mais do que uma “parte de armadura”, mas consideravelmente menos que “armadura”. Ninguém em sã consciência usaria isso em qualquer aventura onde poderia se deparar com monstros.

Bem, talvez certos lutadores talentosos conseguiriam. Ou talvez alguém na retaguarda, uma maga ou ladra, ou mesmo uma monja.

Tendo chegado a essa conclusão, Matador de Goblins balançou a cabeça suavemente.

— Nunca daria certo.

— …É… Aventureiras, sabe… — Cavaleira parecia estar tentando responder sua objeção. Mas seu rosto estava vermelho e ela não conseguia olhar para ele. Ela mal conseguiu articular as palavras, muito diferente do seu eu normal. — Digo, não temos… muitos caras interessados por aí.

— É mesmo?

Matador de Goblins inclinou a cabeça.

Cavaleira, ao menos, impressionava ele pela beleza.

Seu cabelo dourado adorável. Seus olhos amendoados. Ela também tinha traços faciais belos e sua pele parecia lisa. Se pusesse um vestido, ela poderia se passar por filha de uma nobre.

Mas ela só respondeu “Sim, é”. E assim devia ser.

— Pense nisso. Aventureiros jovens sempre acabam se casando com princesas ou alguma aldeã que eles resgatam.

— Ouvi dizer. Não posso falar por experiência própria. — Matador de Goblins inclinou seu capacete um pouco.

Ele se lembrava de ouvir essas histórias dos livros quando era pequeno.

O cavaleiro matava o dragão e salvava a princesa. Ele a levava para seu castelo, onde recusava a realeza e em vez disso viajava para longe.

E em uma terra estranha e distante, ele se casava com a princesa e fundava um novo país.

— Bem, acredite em mim.

Matador de Goblins teve o mesmo tom sério que usava quando resolvia enigmas. — Então? E daí?

— Bem, o que acha que acontece com todas as aventureiras sobrando? — A expressão de Cavaleira era desapontada e sombria.

— Hm — murmurou Matador de Goblins, cruzando seus braços. — Talvez pudessem se casar com um dos seus companheiros.

— Conheço muitos grupos que terminaram quando o amor entrou no caminho e a situação se tornou insuportável.

— Histórias terríveis.

Realmente. Matador de Goblins falou do tema com grande gravidade.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

16 Comentários

  1. E apareceu mais uma interessada ou é só uma conversa casual?
    Para o Matador de Goblins eu sei que é a segunda, mas e para a cavaleira?
    Veremos nos próximos capítulos hauuhauhuha

    1. Pela conversa deles, ela parece está bem desesperada para encontrar um kkkk

      Talvez(não sei kk) seja mais uma interessada.

        1. Não sei realmente o que ela quis dizer: “— Conheço muitos grupos que terminaram quando o amor entrou no caminho e a situação se tornou insuportável.” Mas fica uma dúvida para o Guts aqui kkkk

          1. Também pensei que ela gostava dele, mas depois dessa última fala dela eu fiquei na dúvida…

  2. Nem lembrava mais dela kkk
    E essa conversa aí entre eles, talvez venha mais uma possível interessada…

      1. A Alette…

        Apesar de que a Cavaleira nem chegar perto do desespero que a Alette chegou atrás de um homem kkk

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