MdG – Volume 3 – Capítulo 2 (Parte 4 de 10)

Matador de Goblins pegou a lâmina retorcida na mão. Ele fez uma postura, desferiu alguns golpes casuais e finalmente assentiu.

— Goblins teriam problemas em imitá-la.

— Qualquer um teria problemas em imitá-la!

— …Quais são suas vantagens?

O mestre franziu a testa. Mas, apesar de seu aspecto tenso, ele continuou alegremente, talvez aproveitando a oportunidade de discutir sua arma.

— Sei o que se parece, mas é realmente uma espada.

Seus dedos, brutos dos anos trabalhando na forja, apontou para as três lâminas.

— Elas giram quando você joga… para estabilidade e fazê-la ir mais longe. É mais para cortar que esfaquear.

— Assim como facas de arremesso orientais.

— Essas são armas perfurantes. Armas perfurantes de baixa qualidade.

— Entendi.

Matador de Goblins passou seu dedo pelo cata-vento de lâminas.

Parecia aceitável, ao menos. Não machucaria.

— Vou levar uma então.

— Prazer em negociar. Cinco… não, quatro peças de ouro.

Um pouco caro para uma arma de arremesso, mas Matador de Goblins contabilizou prontamente.

Ele enfileirou as moedas novíssimas em cima do balcão, e o velho as pegou sem sequer parar para assegurar sua qualidade.

Esse jovem, esse caçador de goblins obstinado, preferia armas como essas a qualquer armamento lendário.

Ele era um cliente regular daqui há cinco anos, e qualquer lojista que não conseguisse descobrir as preferências de um cliente depois desse tempo todo estaria fora do negócio.

E ele duvidava muito que esse homem incomum fosse do tipo de tentar pagar com dinheiro falso.

— E pergaminhos. Se você conseguir algum, guarde-os para mim. — Matador de Goblins pendurou a faca em forma de hélice atrás de si, em seu cinto. Ele tentou sacá-la por diversas vezes, a movendo até que já não esbarrasse contra seu pacote de item.

O lojista o observou com uma expressão satisfeita e respondeu: — Claro, como sempre. Embora não vejo muitos deles. Mais alguma coisa?

— Hmm.

Finalmente satisfeito com a posição da arma de arremessar, alguma coisa pareceu passar pela cabeça de Matador de Goblins de repente.

— …Não me incomodaria um pouco de peixe seco.

— Eu vendo armaduras e armas aqui. Não sou um peixeiro.

— Entendo.

O capacete inexpressivo se inclinou. O lojista suspirou.

Todos esses pedidos estranhos. Será que ele realmente percebe…?

— …Se conservado está bom… eu tenho alguns.

— Nesse caso, por favor, entregue dois ou três barris deles na fazenda.

— Barris? Já te disse, aqui não é a mercearia.

Mas saiu como um murmuro. O velho pegou seu livro de encomendas, lambeu sua pena e anotou.

Terminado as compras, Matador de Goblins deixou o arsenal com seu habitual passo despreocupado.

Ele marchou ousadamente para o quadro de avisos da Guilda, analisando cada missão nova.

Todos os outros aventureiros já haviam escolhido suas missões. O quadro de avisos era visível nos locais onde pedaços de papéis tinham sido retirados.

Problemas com dragão. Ruínas inexploradas. Ogro (o que era isso?). Reunir recursos na floresta. Uma caça ao tesouro. Um vampiro em um castelo velho (ele tinha ouvido falar de tais criaturas). Extermínio de ratos no esgoto. Acabar com um bando de bandidos.

Ele via periodicamente palavras como Seita do Mal, Deuses das Trevas, extermínio de demônios e investigação.

Ele procurou do canto superior direito ao canto esquerdo, linha por linha, até que chegou na parte inferior esquerda.

Ele repetiu isso duas ou três vezes, depois chegou finalmente a uma conclusão.

— …Nada hoje.

Era incomum. Goblins podiam aparecer em qualquer lugar, a qualquer momento.

Ele olhou na direção da recepção, mas não viu nenhum sinal de Garota da Guilda.

— …Hum.

Com o menor dos grunhidos, ele foi em direção à recepção de qualquer forma.

Seu capacete de metal girou para esquerda e para direita, até que viu uma funcionária da Guilda que parecia ter tempo livre.

— Ei.

— O qu…? Hum, ah!

A funcionária assustada deixou cair o livro que estava lendo secretamente atrás do registro.

A funcionária — Inspetora — pegou seu livro como se nada tivesse acontecido e pôs rapidamente um sorriso.

— Oh, se não é Matador de Goblins.

O aventureiro excêntrico era famoso em toda a Guilda, em mais de um sentido.

— É sobre a missão de ontem? Temos a recompensa pronta para pagar…

— Tudo bem então. Por favor, divida em dois sacos. Igualmente.

— Claro, senhor.

— Gostaria também de fazer meu relatório detalhado.

— Ah… Pode deixar ele comigo, se não houver problema… — Inspetora olhou hesitantemente para uma sala dos fundos do escritório. — Espero que ela não fique chateada comigo, no entanto…

Matador de Goblins não compreendeu bem o que Inspetora estava murmurando.

— Você não está designado a mim, então talvez eu não entenda tudo. Outro dia está bem?

— Não ligo — disse Matador de Goblins com um aceno indiferente. — Mas… ela está bem?

— Ah, está ótima. — Inspetora abaixou a voz em um sussurro, evidentemente atenta aos seus arredores e sorriu. — Há muito para se cuidar antes de tomar uma folga. Ela teve que fazer tudo ao mesmo tempo hoje.

— Entendi.

— Posso lhe contar que Matador de Goblins estava preocupado com ela?

— Não estou preocupado. — Mas ele não recusou exatamente, acrescentando “Não me importo” com um aceno.

O sorriso de Inspetora se ampliou. Ele virou seu capacete para indicar o quadro de avisos.

— Goblins. Nenhum hoje?

— Extermínio de goblins? Só um momento, por favor. — Inspetora sumiu em uma das salas de trás e voltou com uma bolsa de couro de um cofre.

Ela mensurou as peças de ouro de dentro com uma balança, depois as transferiu para dois sacos novos.

— Aqui está.

— Obrigado.

— Agora, quanto ao extermínio de goblins…

Matador de Goblins pegou a recompensa indiferentemente e enfiou os dois sacos em sua bolsa. Enquanto fazia isso, Inspetora pegou um registro e folheou as páginas.

— Vejamos… Tem razão. Parece que não há pedidos envolvendo goblins hoje.

— Houve alguma outra pessoa que já pegou?

— Não, senhor. Não parece ser assim hoje.

— Entendi — disse Matador de Goblins, com algo como um suspiro baixo.

— Você parece desapontado.

— Sim. — Inspetora tinha falado despreocupadamente, mas Matador de Goblins assentiu seriamente. — Muito desapontado.

— Lamento não poder ajudar — disse Inspetora, desnorteada com sua resposta. Matador de Goblins se virou e se afastou.

Goblins eram criaturas larápias e conspiradoras. Embora eles criassem armas e ferramentas rústicas, nunca passava pelas suas cabeças fazer sua própria comida ou mesmo sua própria residência. Eles sobreviviam roubando o que precisavam…

— …

…Em outras palavras, eles estavam aguardando o momento.

Matador de Goblins grunhiu e balançou a cabeça. Ele olhou em volta do saguão enquanto reunia seus pensamentos.

— Ouuch! Minha cabeça parece como se fosse explodir! E Garota da Guilda nem está aqui!

— Tolo. É porque, você bebeu, demais.

Lá estava Lanceiro, segurando sua cabeça outrora confusa, e Bruxa, como de costume.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. Mal posso esperar para ver esse novo brinquedinho do MdG(ou Goblin Slayer) em ação kkkk

    Vocês viram o novo capítulo do mangá do Goblin Slayer ? Está simplesmente incrível ^^

    1. Deve tá ansioso mesmo, já é a segunda vez que comenta isso kkkkk
      Eu vi ele hoje pela manhã e tenho que concorda que está mesmo incrível. E espero que o anime mantenha o nível da LN e do mangá…

  2. Obrigado pelo capítulo

    Sinceramente esse foi um pouco parado, mas em compensação tivemos a revelação de uma nova arma.
    Sem goblins ? Fiquei com pena do Goblin Slayer nessa parte kkkkkk

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