MdG – Volume 3 – Capítulo 2 (Parte 7 de 10)

Lagarto Sacerdote, que estivera observando Matador de Goblins atentamente, soltou um suspiro suave.

— Em todo o caso, é um festival. Devemos nos orgulhar, o máximo possível.

— Bom para você, Escamoso, pegando o espírito.

— Mas é claro. Minha fé está em meus antepassados, o naga, cujo sangue flui em minhas veias. Eles são os meus espíritos ancestrais.

Seu comportamento não envergonharia seus antepassados. O anão assentiu com apreciação. Isso era algo que ele entendia.

— É melhor eu próprio não desistir. Vou lhe mostrar as melhores lanternas que qualquer anão jamais fez!

O trio de homens conversando à beira dos campos de treino foram destinados a ser notados eventualmente. Quando o almoço terminou, as pessoas começaram a voltar ao treino. Outros foram rondar a Guilda depois de terminar suas aventuras. Não foi surpreendente que alguns notaram os três.

— Oooh! Baixinho e Orcbolg estão fazendo algo juntos!

E se uma pessoa normal notou eles, um alto-elfo notaria eles duas vezes.

A voz clara e quase infantil era, naturalmente, de Alta-Elfa Arqueira.

Ela veio correndo como o vento e ficou com as mãos nos quadris.

Anão Xamã olhou para ela, alisando a barba, e provocou: — O que você é, uma criança?

— Que rude. Tenho dois mil anos, sabia?

Alta-Elfa Arqueira bufou, mas esticou seu peito plano ligeiramente, como se orgulhosa desse número.

O insulto não a impediu de se virar agilmente para olhar o que eles estavam fazendo.

— Que estão fazendo?

— Orelhuda, minha amiga. Dois mil anos e você não reconhece isso? Isso é um balão de papel. Isso é…

— É uma estaca.

— Não é o que eu quis dizer.

Após seu comentário, a elfa deslizou ao pano de Anão Xamã. Lagarto Sacerdote se levantou e moveu para o lado para abrir espaço para ela.

Suas orelhas se contraíram e seus olhos brilharam de interesse. Ela disparou pergunta uma após outra. — O que é isso? O que é aquilo? O que é essa ferramenta? Para que serve? Por que está fazendo uma estaca?

— É para extermínio de goblins.

— Não diga.

Seu ritmo era como um turbilhão. Diziam-se que as mulheres andavam em bando, mas ela era barulhenta o suficiente para ser uma multidão por si mesma.

— Quase que você poderia se passar por uma rhea — disse Anão Xamã, com um pouco de reprovação.

A agitação animada atraiu naturalmente os outros.

— Ei, não é aquele cara Matador de Goblins e sua equipe?

— Ah, é. Estão se preparando para o festival?

Era Garoto Batedor e Druidesa, juntamente com Guerreiro Novato e Sacerdotisa Aprendiz, voltando do almoço. Eles ainda quase não passavam de meninos e meninas. As preparações do festival ainda os preenchia com encanto e expectativa.

Mesmo Garoto Batedor, que tinha estado com o grupo de Guerreiro de Armadura Pesada há vários anos, o festival anual era motivo de entusiasmo.

— Ei — disse Garoto Batedor — o que é aquilo?!

— Você não sabe?! Esses são…

— Balões de papel! Já os vi antes. — Garoto Batedor estufou o peito, ávido para se gabar. Alta-Elfa Arqueira, que havia perdido a chance de explicar, estufou as bochechas.

— Que tal você se juntar então?

— Não estou acostumado com isso. Podemos aprender juntos.

O anão e o homem-lagarto não hesitaram em convidar as crianças para se juntar a eles.

Alta-Elfa Arqueira parecia não ter compunção por todos eles estarem se juntando, quase o suficiente para lançar em dúvida seu status como uma alta-elfa.

— ………

Matador de Goblins virou seu capacete, tomando uma vista do ambiente alegre e brilhante. Os rostos sorridentes, todos rindo entre si, tinham formado um círculo com ele, todos esses aventureiros.

No centro disso estavam os dois fazendo lanternas.

Muito provavelmente, todos teriam se reunido assim mesmo que ele não estivesse lá. E mesmo assim…

— Hmm.

Matador de Goblins se lançou silenciosamente ao trabalho com a faca de novo.

— O quê?! Orcbolg, você ainda não comeu?!

— Não.

A noite chegava rapidamente no outono. O anoitecer já havia aparecido e desaparecido, e o céu era de uma cor negra constelado só pelas luas e estrelas.

Matador de Goblins havia ficado enquanto seus amigos tinham partido pouco a pouco.

— Como assim… Espere, é por que você não tem dinheiro…?

— Não é.

— Eu lhe pago!

— Não é necessário.

— E se os goblins atacassem? Você poderia lutar com o estômago vazio?

— …Hum.

— Certo! Então, está decidido!

Alta-Elfa Arqueira agarrou ele sem esperar uma resposta e o arrastou para a taverna.

Muita gente dessa cidade fronteiriça além de aventureiros passavam um tempo lá. Era tão bom para comer quanto para beber. E, já que a maioria das tavernas também tinham quartos de hóspedes, estava sempre agitado com viajantes.

A taverna que Alta-Elfa Arqueira escolheu aleatoriamente calhou ser um lugar desses com uma pousada incorporada.

Eles abriram a porta e foram recebidos por uma onda de ruído e calor corporal. Juntamente com o falatório animado dos bebedores amontoados nos assentos, vieram os aromas misturados de vinho e carne.

— Humm! — Alta-Elfa Arqueira entrecerrou os olhos de apreciação, com as orelhas saltitantes.

— Achei que não gostasse de vinho.

— Justo — disse Alta-Elfa Arqueira com uma piscadela. — Mas eu amo uma atmosfera animada.

— É mesmo?

— Com certeza é… Ah, dois, por favor! — Ela esticou alegremente dois dedos para a garçonete que viera para recebê-los. Por sorte, havia lugares disponíveis.

A garçonete, que estava vestida com uma roupa provocadora e caminhava com um passo sedutor, os conduziu a uma mesa redonda há alguma distância do centro do local.

Matador de Goblins abaixou sua mochila e se sentou, a velha cadeira de madeira rangeu discretamente.

Alta-Elfa Arqueira, em contrapartida, se sentou com a leveza que era a especialidade do seu povo e não suscitou nenhum som de sua cadeira.

— …Ei, fico pensando — disse ela, com seu dedo fino e branco, indicando Matador de Goblins. — Não pode ao menos tirar isso na hora das refeições?

— Não posso. — O capacete se moveu suavemente de um lado para outro. — E se os goblins atacassem?

— Bem aqui na cidade?

— Goblins podem aparecer na cidade.

Ela deu um sorriso cansado e impotente.

Não era difícil compreender a perspectiva dela. Afinal, a aparência estranha de Matador de Goblins se destacava mesmo entre aventureiros, com a armadura de couro imunda, o capacete inferior, a espada de tamanho estranho e o escudo redondo e pequeno fixado em seu braço. Felizmente, não era raro ver por essas bandas aventureiros que mantinham seus equipamentos, mesmo no seu cotidiano. No entanto…

— O que é aquilo…? Um aventureiro?

— Pensei que fosse um morto-vivo ou algo assim…

— Caramba, isso olhou para mim!

— Então não era só a minha imaginação…

…Essa taverna não era frequentado exclusivamente por aventureiros. E os vários viajantes ali tinham, obviamente, notado ele.

Só havia um ou dois outros clientes que pareciam ser aventureiros, sentados em um canto da taverna onde não seriam muito visíveis. Um era alto e o outro era um rhea diminuto.

Ele parecia um mago, julgando pela capa que cobria cada centímetro de sua pele. Sua aparência não era tão incomum entre aventureiros.

Talvez debatendo uma missão, eles pareciam estar discutindo veementemente, embora suas vozes não fossem altas.

Alta-Elfa Arqueira sacudiu suas orelhas suspeitosamente, mas, eventualmente perdeu o interesse.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. Obrigado pelo capítulo.

    Um janta com a Alta-Elfa Arqueira, verdade seja dita o Goblin Slayer está sendo bem requisitado nesse volume.

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