MdG – Volume 3 – Capítulo 2 (Parte 8 de 10)

— Então — disse Alta-Elfa Arqueira, virando seu olhar dos dois aventureiros de volta ao capacete de Matador de Goblins. — O que você vai fazer?

— Sobre o quê?

— Sobre o festival de amanhã. Ouvi dizer, você sabe. — Um sorriso travesso surgiu em seu rosto, e ela apontou para ele. — Você vai passar a manhã brincando com aquela garota da fazenda e a tarde com a Garota da Guilda, não é?

— Não estou brincando. — Sua resposta foi absolutamente sucinta. Ele fixou seu olhar nela de dentro de seu capacete. Talvez ele estivesse encarando ela, mas sua viseira impossibilitava saber. — Você tem ouvidos aguçados.

— Bem, sou uma elfa.

Ela fez questão de mexer suas orelhas em forma de folhas das quais era tão orgulhosa e colocou um sorriso felino.

— Parece que ela fez planos para a sua tarde juntos, então cuide disso.

— Hmm.

— Só achei que talvez você tivesse alguma coisa para fazer de manhã, já que está saindo finalmente em um encontro e tudo mais.

— É mesmo?

— É.

— …Ainda não — grunhiu Matador de Goblins, balançando a cabeça. — Eu ainda nem mesmo pensei nisso.

— Você não tem jeito — disse Alta-Elfa Arqueira, arregalando os olhos e massageando a testa como se para aliviar uma dor de cabeça. — Mas pelo menos você é sempre você, Orcbolg.

Sua expressão mudou rapidamente para um de interesse, suas orelhas se moveram para cima e para baixo. — Enfim, e se você a levar a um lugar que goste?

— Em um lugar que ela goste…?

— É, ou fazer algo que ela goste… Você a conhece a muito tempo, certo?

Dessa vez foi a vez de Matador de Goblins parecer perplexo. Alta-Elfa Arqueira assentiu com satisfação

— Além disso, você tem que dizer mais do que apenas entendi, isso mesmo, é mesmo?, sim e não.

— Hrg…

Alta-Elfa Arqueira ignorou o Matador de Goblins engolindo em seco, voltando sua atenção para o cardápio na parede.

— O que pedir, o que pedir? — disse ela, com um tom que expressava claramente a sua alegria, mesmo sem a ajuda de suas orelhas balançando junto.

Sua algibeira deveria estar abarrotada com a recompensa do dia anterior. Por si só, ela provavelmente o teria gastado em um piscar de olhos.

— Alguma coisa que queira comer, Orcbolg?

— Qualquer coisa serve — disse Matador de Goblins tranquilamente. — Você está pagando. Compre o que quiser.

— Céus. Não consigo entender se está tentando ser considerado ou o quê.

— É da minha natureza.

— É, eu sei.

Alta-Elfa Arqueira suspirou, mas seu aborrecimento durou apenas um instante.

— Com licença! — Ela acenou para a garçonete, então procedeu pedindo uma grande parte do cardápio. Ela começou com uma salada maluca de algum tipo, e quando ela descobriu que havia um vinho tinto de alta qualidade disponível, ela não hesitou em adicioná-lo. Nesse momento, Matador de Goblins não pôde deixar de interromper.

— Não vou poder te levar para casa se ficar bêbada.

— Tsc — resmungou ela, com suas orelhas tremulando como se isso fosse completamente inesperado. — Não acredito que acha que irei ficar bêbada demais para andar.

— Não ficaria?

— Isso só acontece em ocasiões muito raras!

Ela fungou, mas Matador de Goblins continuou com palavras curtas: — Eu tenho coisas para fazer depois disso.

Ai-ai

Ela virou a cabeça para longe como se estivesse desinteressada.

Os empregados faziam seus caminhos pelo restaurante lotado como aventureiros desviando de armadilhas. Seus olhos seguiram o vapor se erguendo dos pratos que eles carregavam, até que seu olhar voltou a Matador de Goblins.

— …Você precisa de ajuda?

— Não. — Matador de Goblins balançou a cabeça, depois de um momento de pensamento, falou de novo. — Por enquanto estou bem.

— Hum.

Então eles se calaram, não fazendo nenhum esforço para conversarem até a comida chegar.

Para os outros clientes, os aventureiros silenciosos eram apenas mais uma parte estranha do cenário.

A comida que finalmente chegou incluía sopa, pão e queijo. E vinho.

A sopa fumegante era de grãos cozidos em creme doce. O pão preto e duro poderia ser mergulhado na sopa para amaciá-lo. O queijo úmido era salgado e picante para um excelente acompanhamento da sopa.

— Aposto que sei alguém que gostaria desse lugar. — Alta-Elfa Arqueira riu, incitada por um “Verdade” de Matador de Goblins.

— Não aquele anão, no entanto. Tenho certeza que ele iria reclamar do sabor do vinho como se fosse água ou algo assim. Com certeza.

— Você quer dizer vinho de fogo? — Matador de Goblins engoliu um pouco de vinho pela sua viseira. — É um bom tônico e um bom combustível. Também é útil como desinfetante.

— Presumo que não está brincando. Mas aquela coisa é imprópria para beber.

Ela riu, seu riso soou como um sino.

— Orcbolg… A propósito. — Ela empurrou seu prato para o lado, se inclinando para que seu rosto ficasse perto do dele. Ela parecia animada, mas sua voz era tensa.

— O quê?

— Hoje… Sabia que aquela garota fez uma compra na oficina?

— Sim.

“Aquela garota” provavelmente era Sacerdotisa.

Matador de Goblins assentiu.

— Bem, o que acha do equipamento que ela comprou?

— Hum? — Dessa vez, ele balançou a cabeça. Mediante a própria embriaguez ligeira do vinho, ele a imaginou naquela tarde. Ele despejou um pouco de água da garrafa em seu copo e deu outro gole. — Eu não perguntei.

— Ah, sério?

Alta-Elfa Arqueira pestanejou, murmurando “Incomum” de surpresa enquanto brincava com seu copo.

— Hummm. Bem, talvez eu devesse guardá-la para mim então… Quer saber?

— Se quer me dizer, então vou escutar.

— Se a pergunta era se eu queria, eu diria que sim. Mas ela realmente não disse nada a você?

— Não.

— Vou manter seu segredo então — disse Alta-Elfa Arqueira com uma piscadela. Isso não foi um gesto élfico típico. Ela havia aprendido isso por viver na cidade. Ela sorriu, se divertindo por ter pegado emprestado a linguagem do corpo humano. — Acho que vai ser mais interessante assim.

— Acha?

— Claro.

— Então… — Matador de Goblins assentiu mais uma vez, então procurou em seu saco de itens.

Ele pegou a bolsa de couro contendo sua recompensa, quase sorrindo quando ele a alcançou.

— Eu vou pagar enquanto você ainda pode se lembrar.

Clac, clac, clac. Ele enfileirou as três peças de ouro em cima da mesa.

Em um instante, a expressão da elfa passou de relaxada para hostil.

— Eu disse que ia pagar.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

13 Comentários

    1. Aparentemente teu palpite em um dos capítulos anteriores foi certeiro, parece que ela vai fazer alguma coisa mais discreta.

  1. Obrigado pelo capítulo.

    A Garota da Guilda já preparou tudo para o encontro ?! Essa é ligeira.
    O que foi uma surpresa mesmo é que a sacerdotisa vai fazer ou mostrar algo para o Goblin Slayer, parece que alguém acertou kkk, agora fiquei curioso para saber o que.

    1. Só lembra do interlúdio, é bem provável que ela faça uma apresentação para deusa que ela venera aí talvez ela que mostra isso para ele.

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