MdG – Volume 3 – Capítulo 2 (Parte 9 de 10)

— Algum dia… — Matador de Goblins, muito anormalmente, cortou a si mesmo. Parecia como se ele mesmo não acreditasse no que estava prestes a dizer.

— …Algum dia, posso… pedir sua ajuda.

— Pagando antecipadamente, hum? — disse Alta-Elfa Arqueira.

— Sim.

— Hmm.

Devemos estar bêbados.

Ambos ela e Orcbolg.

Bem, acho que… huh. Não há problema.

— Não precisa.

— …Entendi.

Matador de Goblins assentiu impassivelmente.

Alta-Elfa Arqueira esticou seu dedo pálido, desenhando lentamente um círculo no ar.

— Você pode me pagar indo em uma aventura!

— Hm.

— Já não te disse? — perguntou a aventureira alta-elfa enquanto dava um gole no vinho. — Ah, não-goblinsesca, é claro.

— …

Matador de Goblins ficou em silêncio. Ele provavelmente não tinha ideia do que dizer. Alta-Elfa Arqueira se segurou, esperando ouvir o que sairia da boca dele. Elfos estavam acostumados a esperar. Dez segundos, dez anos… não fazia qualquer diferença.

— Está bem… Obrigado pela ajuda.

— Ótimo!

Agora que ela tinha sua promessa, Alta-Elfa Arqueira estufou suas bochechas. Ela semicerrou seus olhos como um gato e soltou aquela risada que se formou no fundo da sua garganta, que saiu como o sino de uma campainha.

— Agora anda, vamos comer. Vai ficar fria.

— Certo.

Enquanto ele se preparava para comer, Matador de Goblins olhou para o canto da taverna. Mas os dois aventureiros já haviam saído.

— Hmph — resmungou ele descontente, então arrancou um pedaço de pão.

— Aliás — começou ele.

— O que foi?

— Sabe o que a flor-do-imperador significa, na linguagem das flores?

O jantar consistia unicamente em comidas favoritas de Alta-Elfa Arqueira, mas Matador de Goblins não era de se queixar.

E quando ele a tinha levado até ao segundo andar da taverna, pagado pelo quarto e solicitado que a refeição fosse colocada na conta dela, ele deixou o edifício.

Ele sempre sabia o que tinha de fazer.

Ele sempre tinha que pensar, olhar em frente, permanecer vigilante, planejar contramedidas e as executar.

O que Matador de Goblins tinha de fazer nesse momento era cavar um buraco.

Era noite, as luas gêmeas já estavam entre as estrelas brilhantes que preenchiam os céus.

Completamente só, ele impulsionava a pá silenciosamente no chão, cavando e cavando.

O calor do vinho ajudava a afastar a brisa fria da noite.

Ele estava fora do portão da cidade, em uma trilha que saia da estrada principal. Ela cortava através de um campo, mas não uma grande planície gramada. Havia colinas, conjuntos de árvores, juncos. Fora da estrada, a terra era selvagem.

O lugar era deserto em grande parte, razão pela qual ele tinha escolhido cavar seu buraco ali.

Era tão fundo quanto uma pessoa alta. Não um anão ou um rhea, mas um humano.

Ele revestiu o fundo com as estacas finas e afiadas que ele havia esculpido, escondendo a abertura com a terra que ele escavou. O solo ficou sobre um cobertor em cima da boca do fosso. À primeira vista, ninguém suspeitaria que havia alguma coisa ali.

Ele fez isso várias vezes, depois espalhou pedras pequenas e brilhantes ao redor da área.

— Agora…

O resto do trabalho era todo do chão.

Goblins podiam usá-las para reforçar as paredes de sua caverna, e assim não se incomodariam com isso, mas ele não tinha a mesma luxuria.

Fazer paisagismo manualmente era bastante problemático para um aventureiro.

Matador de Goblins pôs a terra em sacos que ele havia preparado previamente.

Agora eles eram sacos de areia.

Ele apertou a boca dos sacos, depois os carregou dois de cada vez, um em cada ombro.

Ele os escondeu nos juncos não muito longe do buraco, construindo um semicírculo.

Era incerto se isso os ajudariam mais tarde. Mas não custava nada estar preparado para qualquer coisa.

Ao menos, Matador de Goblins nunca recusou trabalho necessário.

Ele empilhou os sacos de areia cuidadosamente, sem deixar lacunas, depois terminou dando-lhes alguns golpes com a pá para os comprimir.

— …Hum.

Finalmente ele assentiu, satisfeito.

Isso serviria para os buracos. Os outros locais estavam todos prontos. Esse tinha sido o último.

Tudo o que restava era a armadilha que ele havia construído com as estacas restantes, a corda e a madeira, mas havia poucos lugares que ele poderia preparar.

Matador de Goblins verificou o céu, tentando avaliar quando tempo tinha pela inclinação das luas. As noites eram longas, e a manhã vinha atrasada no outono e inverno. Mesmo assim, ele duvidava se tinha muito mais tempo para trabalhar.

Ele pegou rapidamente as tábuas de madeira do pacote pelas suas amarras.

Ele se moveu para os arbustos e árvores, fazendo um serviço delicado antes de regressar.

— Hora de se apressar.

Ele colocou sua bagagem nos ombros, depois correu sob as luas como uma sombra.

Ele passou os juncos e pelas árvores quando aconteceu.

— Ei, o que você está fazendo aqui?!

Uma voz veio cortando o ar como uma emboscada. Matador de Goblins parou.

Houve o amassar de plantas sob suas botas e o raspar delas contra sua armadura.

— Hm — murmurou Matador de Goblins, mas sua mão não se moveu para a espada.

Nenhum goblin falava a língua comum tão fluentemente.

— Quem está aí? — perguntou ele brevemente. Um ruído veio como que respondendo.

Uma pessoa alta envolta por um sobretudo apareceu.

As botas da pessoa, apenas visível sob a bainha do casaco, estavam bem usadas, com a região dos dedos reforçados. Claramente um aventureiro.

Mas a voz rude que respondeu não ofereceu nenhuma resposta.

Sou eu quem faz as perguntas.

O timbre fez Matador de Goblins murmurar: — Uma mulher?

— …Mais uma vez. Quem ou o que você é?

Quase que imediatamente, uma luz branca, penetrante para os olhos se ajustou na escuridão saltando pelo céu.

— Sou Matador de Goblins.

Com o dedo, ele afastou casualmente a lâmina da sua garganta.

Ele parecia incomodo, quase como estivesse lutando contra um bocejo.

Uma espada longa — lâmina de um gume — e uma guerreira hábil com espada.

Verdade, tinha acontecido rápido demais para uma reação, mas ele também havia escolhido não reagir.

Seria tolice perguntar quem o oponente era e abatê-lo na mesma hora.

Mesmo alguém nas garras da sede de sangue entenderia isso.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. Mesmo na calmaria o MdG está bem preparado.
    E essa nova personagem será que veio para atrapalhar ?

      1. Agora que tu falou acho que pode ter sido isso mesmo, principalmente depois que eu vi essa fala:
        “— Ei, o que você está fazendo aqui?!”
        Talvez ele possa ter ido em algum lugar “restrito”…

  2. Obrigado pelo capítulo.

    Só queria saber porque a Alta-Elfa Arqueira quer tanto ir em uma aventura com o Goblin Slayer.

    Esse encontro entre os dois foi perigoso, essa nova personagem é muito audaciosa kkk

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