MdG – Volume 3 – Capítulo 3 (Parte 1 de 5)

Pew! Pew! O céu da manhã se enchia de explosões lentas de fumaça colorida.

Provavelmente magos contratados fazendo um show de fogos de artifício. As cores cintilantes apresentavam suas habilidades evidentes.

As coisas estariam agitadas apesar de ainda ser cedo, então os grupos animados de performances já estavam de pé tocando música. O tumulto chegava até a fazenda há uma boa distância da cidade, passando pelos ouvidos de Vaqueira.

O tempo estava fantástico e era o dia do festival, o festival da colheita, o festival do outono.

Seu coração estava leve e dançava em seu peito. Ela estava muito bem-disposta, absolutamente feliz demais para ficar parada.

— Oooh… Hummm… Ohhh…

Ou pelo menos, era assim que ela deveria ter se sentido.

Mas, havia uma razão para ela estar em seu quarto com roupas íntimas, gemendo.

Seu armário pequeno estava aberto, com roupas jogadas no quarto da porta à cama. Quase não havia espaço para andar.

E no meio disso tudo estava Vaqueira agachada.

Seu cabelo estava uma bagunça. Depois de todo o esforço que ela teve em arrumá-lo, agora ela teria que passar uma escova outra vez mais tarde.

Mas esse era um problema pequeno.

Ela nunca foi muito de usar maquiagem. Ela poderia arrumar o cabelo, passar um pouco de pó e um pouco de blush, mas seria só isso.

Então o problema era…

— Não faço ideia do que vestir!

Essa era uma situação crítica.

Um vestido estaria bom? Ou ela deveria tentar algo mais casual? Ou ela deveria ir ousada?

— Não posso usar minha roupa de trabalho… Ou posso? Apenas simples e direto?

Ah, mas há uma coisa, uma coisa era precisamente certa.

Ele estará vestido do jeito que ele sempre está!

Armadura de couro imunda e capacete lamentável, carregando uma espada não muito longa, mas também não muito curta, com um escudo redondo fixado em seu braço.

Ele estaria usando suas roupas normais (?), e ela as dela, e era assim que eles iriam juntos ao festival. Eles iriam ao festival juntos!

Enquanto ela segurava a cabeça com uma das mãos, a roupa de trabalho tinha encontrado a outra. Ela a jogou no cesto. Tchau.

As restantes eram roupas que ela havia montado pouco a pouco em seus dias livres ocasionais.

Mas nenhuma delas parecia razoável. Não havia nada que ela pudesse usar agora, quando era preciso.

Tragicamente, ela simplesmente não tinha pontos de experiência suficiente nos problemas do dia-a-dia. Seu nível era baixo demais.

Era claramente tarde demais para arrependimentos, mas ela desejou que tivesse tentado estar mais na moda regularmente.

— Talvez… Talvez não preciso se preocupar com roupas íntimas…

É. Estará tudo bem. Com certeza.

…Não! Você precisa decidir suas roupas normais, esqueça suas roupas íntimas! Argh, estou ficando confusa!

Ela pensou que tinha ouvido uma vez que quando você ficava confusa, o importante era não demonstrar.

Soltando um pequeno grito involuntário, ela pegou uma peça de roupa atrás da outra, considerando que cada uma não era bem adequada e as jogou de lado.

Então, ela se perguntou se a que ela havia descartado mais recentemente poderia ser mesmo a melhor, a agarrando outra vez e colocando em seu peito, só para jogá-la fora mais uma vez.

Seu encontro com ele era de manhã. Toda essa aflição estava desperdiçando um tempo valioso.

Ela ficou tão preocupada com essas questões que não ouviu seu tio bater.

— …Hum-hum. Com licença. Está muito ocupada?

— Oh! Quê! Hum… ah… Papa… digo, Tio?!

Ela mergulhou na cama e cobriu o cobertor ao redor de si.

Quando ela verificou, a porta ainda estava fechada. Ela pôs a mão em seu peito grande para acalmar os batimentos do coração.

— …T-tudo bem. Entre.

— Com licença. O quê…? O que é tudo isso?

Seu tio dificilmente poderia ser culpado pelo suspiro quando entrou no quarto.

Ela nem sequer tentou dar uma desculpa, apenas evitou envergonhada seus olhos da bagunça.

— Planejando abrir a sua própria loja de roupas…?

— Ha… Ha-ha-ha.

Ela coçou sua bochecha em um gesto inconfundível de constrangimento em relação ao seu tio exasperado.

— …Apenas se certifique de limpar isso — disse ele. Ele não teve de acrescentar mais nada. — Enfim, eu… hm. Agora é uma boa hora. Tenho uma coisa para você.

— Hã? O que é isso?

Em resposta a sua perplexidade, ele lhe ofereceu um vestido azul surpreendente. A roupa colorida deslumbrantemente era decorada com rendas e bordados.

A expressão de seu tio era difícil de descrever, exceto pelo reflexo melancólico nos olhos dele.

— Minha irmã mais nova… sua mãe usou isso quando tinha a sua idade.

— Oh…!

Ela achou que era realmente linda. Ela pegou e segurou timidamente em sua frente, para ver como ficava.

— Me pergunto se posso vesti-lo. Será que ficará bem em mim?

— Ficará perfeito — disse seu tio. — Sua mãe tinha cabelos mais compridos, mas fora isso você é a cara dela.

— C-certo. Certo! Vou experimentar ele.

Mamãe usou isso? Eu sou… parecida com ela?

Sentimentos inexprimíveis brotaram com esse pensamento, e ela abraçou firmemente o vestido contra si.

— Cuidado, vai amarrotá-lo.

— Ah, é-é verdade… Tenho de ter cuidado. Mas… Hee-hee-hee!

Ela quase o tinha esmagado contra seu peito enorme, e agora ela o alisou de novo apressadamente para que continuasse arrumado.

O sorriso em seu rosto, todavia, ela não pôde evitar. Ela disse suas próximas palavras sinceramente.

— Obrigada, Tio!

Ele pestanejou e ergueu os olhos para o teto durante alguns segundos antes de balançar a cabeça.

— …Não é nada. Não precisa dizer isso. — E então seu rosto rude se suavizou um pouco. — Pertencia a sua mãe, afinal de contas. Agora é seu. Use com amor.

— Eu irei! Cuidarei com carinho.

Enquanto ele fechava a porta, seu tio falou para ela não se apressar e tropeçar nele, ao que ela respondeu a plenos pulmões “Eu não vou!”.

Depois ela arremessou o cobertor e experimentou o vestido de sua mãe.

A saia rodada parecia um pouco alienígena para uma garota acostumada a usar roupas de fazenda.

Mas, a sensação estranha também trouxe à luz o fato de que ela estava quebrando a rotina, e isso era emocionante.

Ela colocou um chapéu com uma fita grande para complementar o vestido.

Isso vai servir!

Ela girou para uma inspeção rápida de sua aparência. Não havia espelho para olhar, mas, uma garota não poderia ter tudo.

O único problema era os sapatos, que não eram muito elegantes.

Mas isso é o suficiente para me tornar uma dama de verdade de qualquer forma!

— Muito bem, vamos lá!

Ela abriu a porta. Mas ela só viu seu tio esperando na cozinha.

Ele havia pegado o leite e parecia estar fazendo alguma coisa.

— Tio, é dia do festival. Você não vai sair…?

— Estou velho demais para esse tipo de coisa. Vou ficar aqui com o que chamam de, ice crème. — Ele tinha aprendido como fazer a sobremesa gelada, mas franziu a testa quando sua boca formou o nome pouco familiar. — E quanto a você? Não vai ficar fora o dia todo?

— Nem. E se você precisar sair? Não podemos simplesmente deixar a fazenda sozinha.

— É mesmo? — murmurou ele enquanto ela movia a mão em tchau.

Ela ficou um pouco distraída que ele parecia querer dizer alguma coisa, mas…

— Até logo!

— Hm. Até. Tenha cuidado.

Ela estava sem tempo. Vaqueira saiu rapidamente pela porta.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Opa, agora sim! Finalmente vamos ver uma das melhores parte kk
    Só achei ela bem ousada pra ir de vestido sem roupa íntima(imagina se vier um vento forte? kkk)

  2. Obrigado pelo capítulo.

    Foi um capítulo “sem goblins bem normal”. Fiquei interessado mesmo é nesse encontro, será se vai rolar um pouco de romance entre os dois ?

    1. Pode até acontecer um clima de romance por parte da Vaqueira, mas não crie expectativa em cima do MdG.

      1. Não vou mentir, eu espero pelo menos um pouco, mais bem pouco mesmo de atitude do Goblin Slayer nesses encontros kkk

  3. Esse alem de não ter goblins, não teve mais ninguém alem da Vaqueira e seu tio, acho que vão focar bem neles essa manhã hauhauhauhaua

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