MdG – Volume 3 – Capítulo 3 (Parte 2 de 5)

O céu estava azul, limpo da fumaça dos fogos de artifícios. O sol do outono invadia a colina e o vento soprava com pressa.

E lá estava ele, de pé no sol, analisando a área como sempre fazia.

Assim como ela havia esperado, ele usava todo o seu equipamento habitual. A armadura suja, o capacete de baixa qualidade, a espada de comprimento estranho e o escudo redondo.

Ah, mas…

Estou diferente hoje!

— Ei! Desculpe por te fazer esperar.

— Sem problema.

Ela acenou para ele, tentando agir o mais casual possível.

Ele devolveu com a sua resposta suave habitual, depois inclinou a cabeça pensando antes de acrescentar: — Não esperei muito tempo.

— Ah, é?

— Sim.

— Então vamos.

— Sim.

Ele assentiu, depois se preparou para partir na frente dela com seu ritmo vigoroso de rotina.

Mas antes que ele pudesse, Vaqueira girou e apanhou sua mão enluvada de couro.

— Hm…

— Vai estar lotado. Não iria querer se separar, não é?

Mesmo para Vaqueira isso soava como um pretexto. Ela desejou que sua voz não estremecesse.

Talvez as luvas dele o impedisse de notar seu pulso acelerado por meio de sua palma…

Era difícil dizer se ele estava ciente dos sentimentos dela. Perplexo, ele disse: — Pode estar lotado… na cidade.

— B-bem, não faz mal estar preparado. — Vaqueira olhou para longe e coçou sua bochecha com a mão livre. Ela podia sentir o calor nas pontas dos dedos. Ela devia estar vermelho-viva. — Quero dizer, temos de se acostumar… um pouco com isso. — Ela pegou a aba do chapéu e ajustou para que ele não a vesse corar. Ela ajustou a mão com a dele gentilmente. — Porque não… não estou acostumada com isso.

— Entendi. — Ele assentiu. — Isso é importante.

Vaqueira também assentiu e caminhou com suas mãos juntas.

— …E-ei.

— O que foi?

— Hum, bem… — Olhando diretamente para frente, Vaqueira perguntou o que estava morrendo de vontade de perguntar. — Minhas roupas… Digo… o que você acha?

— …

Era a mesma estrada que eles sempre andavam. O mesmo cenário que eles sempre viam.

O mesmo para ele. Diferente para ela. De mãos dadas.

O mesmo silêncio em que ele sempre caia quando pensava. Então…

— Elas combinam com você. É o que acho.

Foi o suficiente para fazer cada passo dela mais leve que o ar.

— Hee-hee-hee!

Vaqueira se sentia como se pudesse flutuar até o céu.

Estava uma torrente de som.

Berrantes soavam, tambores batiam e flautas tocavam, com passos e risadas preenchendo as ruas.

Lojistas chamavam, artistas de rua gritavam e as vozes dos transeuntes passavam em ondas.

Isso era palpável no ar mesmo antes de alcançarem o portão da cidade, mas por dentro, as coisas estavam em um nível completamente diferente.

— Eu sei que eles fazem isso todos os anos — disse ela, agarrando mais forte a luva, ainda corando — mas é sempre incrível.

— Sim.

Seu capacete se moveu como resposta.

Hoje, de todos os dias, seu equipamento estranho não se destacava muito. Afinal, por todo lugar que olhavam, artistas dançavam na rua e faziam um show improvisado. E havia mais do que alguns aventureiros visitantes que não removeram os equipamentos na cidade.

No mínimo, era Vaqueira quem chamava toda a atenção.

Uma jovem elegante estava de mãos dadas com um aventureiro com um capacete e armadura imunda. Olhares curiosos a seguiam um após outro.

Me pergunto como estou para eles.

Ela adorou o pensamento passageiro.

Talvez eles pensassem que ela era uma aristocrata se misturando com a população, e ele era seu guarda-costas.

Não… Acho que isso é um pouco exagerado.

Ela era a sobrinha — a filha adotiva — de um dono de fazenda local que tinha uma boa quantidade de terra em seu nome.

E seu companheiro era um veterano conhecido por esses lados, um aventureiro ranque Prata.

É claro que eles sabiam que ela não era uma jovem nobre. E mesmo assim…

— Acho que tive uma boa ideia.

— De quê?

Ela riu do seu questionamento, depois se exibiu endireitando o chapéu.

— Onde você me levaria primeiro.

— Hum.

Ele olhou silenciosamente para o céu, pensando. O fluxo de pessoas se partia ao redor deles enquanto ficavam como rochas em um rio.

Eles não estavam realmente no caminho de ninguém. Ela esperava pela sua resposta, sorrindo.

Depois de um momento, ele murmurou como se desse conta de repente:

— Ainda não tomei café da manhã.

— Ah — disse ela, colocando a mão sobre a boca.

Ele estava certo.

Ela esteve tão preocupada com suas roupas e preparativos que a refeição da manhã escapou de sua mente.

Ele olhou firmemente para ela enquanto ela cobria os olhos.

— Vamos arranjar algo em uma barraca?

— …É. Parece bom — concordou ela.

Ela se sentiu mal por seu tio, mas era tarde demais para isso agora.

Ele estava bem ali com ela. Ela começaria por lhe pedir desculpas.

— …Sinto muito. Eu meio que… esqueci completamente.

— Não. — Ele balançou a cabeça lentamente. E então, depois de um momento, acrescentou: — Essas coisas acontecem.

Ela adorou sondar as barracas e pensar onde eles comeriam, mas eventualmente, ela não pôde aguentar mais sua fome.

O café da manhã tardio que eles finalmente conseguiram de um dos vendedores foi surpreendentemente caro pelo que era. Fatia grossa de bacon frito misturado com batatas. Nada mais.

Mas, era simplesmente delicioso.

— Oh — disse ela, rindo. — Esse é o nosso bacon!

— É? — respondeu ele, inserindo um pouco de comida através do visor de seu capacete. — Percebi.

As batatas salgadas e gordurosas encantaram sua língua.

Ela devorou seu café da manhã, assoprando a comida para evitar queimar a boca.

Ele comeu progressivamente e silenciosamente, mas com cuidado, como sempre fazia.

Depois eles pegaram os pratos vazios e sem lustro e os quebraram antes de partir novamente.

Vozes animadas soavam por todos os lados.

— Licor de ameixa para o adorável casal? Se dissolve na boca! — gritou um vendedor de licor. Vaqueira parou lá.

— O que acha? — perguntou ele, apontando. — Quer uma bebida? — Bem, já que estavam ali…

Foram-lhes entregues dois copos de um licor de fruta ligeiramente cheiroso em pequenos recipientes de barro.

Ela bebeu o seu delicadamente. Ele, todavia, engoliu em um só gole.

— Não vai para sua cabeça se beber tudo de uma vez assim?

— Não é um problema — disse ele seriamente. — Conhaque te acorda.

— …Isso não é apenas uma forma de dizer que está meio indisposto agora?

— Não é uma forma de dizer nada.

— Ah, sério? — Ela detectou um tom ligeiramente acuado na voz dele e riu.

Ela só estava provocando, apenas brincando. Se ele estivesse realmente se sentindo mal, ela certamente teria notado. Então ela o arrastaria de volta à sua cama e cuidaria dele.

O festival era divertido, sim, mas mais um motivo para ela não querer estragar isso o pressionando demais.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Vamos ver como vai ser o festival. Pessoalmente espero que seja tranquilo, para que as meninas possam aproveitar…

  2. Então finalmente estão desenvolvendo o harém (ou o romance kk).
    Para quem gosta do casal foi uma boa fatia do bolo.

  3. Obrigado pelo capítulo.

    Bem não há muito a se comenta, isso já era esperado. Só espero que nada venha a atrapalhar.

  4. “Se ele estivesse se sentindo mal, ela certamente teria notado. Então ela o arrastaria de volta à sua cama e cuidaria dele”. ( ͡° ͜ʖ ͡°)

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