MdG – Volume 3 – Capítulo 3 (Parte 3 de 5)

— Você de fato esteve fora ontem à noite, no entanto. O que estava fazendo? — perguntou Vaqueira.

— Terminando algo que precisava ser feito — respondeu Matador de Goblins.

Ela já estava completamente acostumada com as suas não-explicações a essa altura. Mas ela não o forçou mais, dizendo simplesmente “Hum”.

Calor estava se espalhando pelo seu peito, e ela começou a se sentir animada. Ela não tinha a certeza se era o álcool.

— Pensei que estava dormindo — disse ele com o mesmo tom de sempre. Ele reparou como ela estava se sentindo? — Você estava acordada o tempo todo?

— Ah, haha… Eu meio que… não conseguia dormir.

— Entendi.

Ele também não a pressionou. Juntos eles se fundiram de volta à multidão agitada e celebrante.

Nunca havia tempo suficiente.

Uma elfa arqueira jogava pratos no ar e atirava neles para aplausos exaltados. Um anão tinha montado uma barraca vendendo espadas gravadas bonitas que ele dizia ter feito. Um rhea músico tocava uma melodia agitada para todos ouvirem.

Onde quer que fossem, a cidade familiar tinha alguma coisa de novo para lhes mostrar.

Eles estiveram andando por um tempo quando ele parou de repente.

— Hã? O que foi?

Ela olhou para o seu rosto, é claro, não podendo ver nenhuma expressão lá.

Ele só murmurou “Hm”. Então…

— …Espere um momento.

— Bem, claro, mas…

Ele afastou suas mãos enluvadas das dela.

Repentinamente sozinha, ela fez o que sempre fazia e se apoiou contra a parede e o esperou.

Ela ergueu sua mão agora vazia em frente ao rosto e suspirou suavemente nela. Ela não estava exatamente solitária ou chateada. Mas, enquanto observava a turba de aventureiros e viajantes passando, um pensamento lhe ocorreu.

Essa relação dele indo e ela esperando não era susceptível a mudar.

Era assim que seria para sempre.

Eles tinham visto coisas diferentes.

Dez anos.

Dez anos desde que ela havia saído de casa e seu vilarejo fora destruído.

Cinco anos desde que ela tivera se reencontrado com ele, agora um aventureiro.

Ela não sabia como ele havia passado os cinco anos desde que se separaram. Ela não sabia nada dos dias antes de ele se tornar Matador de Goblins. Ela nem sequer sabe o que aconteceu na sua aldeia. Ela tinha ouvido histórias, é claro, mas isso foi indiretamente.

Ela se lembrava de segurar a mão de seu tio enquanto caixões vazios eram enterrados.

Mas nada mais do que isso.

Ela realmente não sabe o que aconteceu, por que ou onde todos tinham partido.

Tivesse havido fogo? Os campos, e quanto a eles? Os animais? Seus amigos? Seu pai. Sua mãe.

E quanto ao ninho de passarinho que ela mantivera como seu próprio segredinho, o tesouro que tinha escondido no nó de uma árvore?

O avental de sua mãe, o qual Vaqueira fora prometida uma vez que crescesse? Seus sapatos favoritos? O copo que tinha recebido em seu aniversário, cuja cor verde havia desbotada, embora ela tivesse tido bastante cuidado.

Uma após outra, as memórias preciosas voltaram a ela, agora quase como fantasmas.

O que lhe havia restado? Uma caixa pequena, as coisas que ela tinha encontrado na cidade naquele dia e determinado trazer.

Se… fosse só ela imaginando. Mas se.

Se ela não tivesse deixado a vila naquele dia, o que teria acontecido com ela? Ela teria visto as mesmas coisas que ele e sobrevivido?

Ou ela teria morrido e o deixado sozinho? E se sim, ele teria se vingado por ela?

Ou… E se ele tivesse morrido e ela tivesse sido a única viva?

Que pensamento terrível.

Naquele momento ela ouviu: — Desculpe te fazer esperar. — A forma armadurada familiar apareceu diante dela saído da multidão.

— Sem problema.

Ela balançou a cabeça enquanto ajeitava o chapéu. Ele segurava um objeto pequeno para ela.

— O que é isso? — disse ela, olhando para o objeto.

— Quando éramos pequenos… na aldeia — murmurou ele — você gostava de coisas como essa.

Ele estava segurando um anel pequeno artesanal.

Era prata; ou parecia ser, de qualquer forma. Ela sabia que tinha de ser imitação de prata. Algo que um vendedor de beira de estrada inventou para separar os trocados das crianças.

Em outras palavras, apenas um brinquedo.

Ela se viu sorrindo. Depois rindo alto.

— Ha-ha-ha! …Isso foi quando eu era uma menina.

— Foi? — disse ele com uma voz baixa e curta. E depois: — Acho que foi.

— É.

Ela concordou. Assentindo, ela pôs o anel.

Poderia ter sido feito à mão, mas era mal feito. Nem sequer havia uma joia falsa. Apenas metal.

Mas ele captava a luz do sol e brilhava, brilhante o suficiente para fazê-la apertar os olhos.

— …Mas — sussurrou ela — eu ainda gosto deles.

— …Gosta?

— Sim.

Ela conseguiu espremer para fora um “Obrigada”, e depois Vaqueira colocou o anel no bolso de seu vestido.

Ela manteve sua mão esquerda no anel para que não o perdesse, sua mão direta, é claro, estava na dele.

— Vamos?

Ela sorriu e partiram, de mãos dadas.

Ela não conseguia ver a expressão dele por detrás do capacete. Mas…

…Ele também estava sorrindo. Ela estava bastante certa.

Ela confiava que ele estava.

Era quase meio-dia quando uma voz gritou para os dois.

— Então, se não é o velho Mata-gob!

Vaqueira esticou o pescoço para ver quem era, enquanto se inquietava sobre o que fazer com o anel.

Ela não reconheceu a voz relativamente aguda, mas o titular apareceu.

O capacete se virou para olhar diretamente para Garoto Batedor, que estava apontando para eles.

Junto dele estava a rhea Druidesa, Guerreiro Novato e Sacerdotisa Aprendiz.

Vaqueira percebeu que os aventureiros jovens passavam até mesmo seus tempos livres juntos.

— Uau, cara, você está tendo um encontro com a garota da fazenda?!

— Ei, devia ser mais educado com alguém muito mais velho!

Guerreiro Novato soou muito interessando de fato, mas Sacerdotisa Aprendiz puxou sua manga.

Mata-gob? Deixar uma criança inventar um apelido desse. Vaqueira sorriu.

Ela sorriu para o capacete em um gesto deliberadamente significativo.

— Um encontro? Me pergunto. O que você acha?

— Espere — disse ele bruscamente. — Só tenho vinte.

Seu sorriso se ampliou. Ele não tinha negado.

— Quêêêê?!

Os garotos deram gritos estranhos, e Vaqueira finalmente não conseguiu se segurar mais.

— Ele certamente tem. Mas ninguém sabe já que ele sempre está com esse capacete.

— …É uma medida necessária.

Sua voz soou um pouco mais brusca do que o habitual.

Ele estava se amuando. O dia dela continuava ficando melhor e melhor.

Todos diziam que não sabiam o que ele estava pensando porque não conseguiam ver seu rosto. Mas, para alguém que o conhecia há tanto tempo quanto ela, era bastante fácil.

— Hum, você poderia… nos dar uma ajuda? — perguntou-lhes Sacerdotisa Aprendiz, hesitantemente.

Vuup. O capacete de aço de Matador de Goblins se virou para ela.

— É goblins?

— Não, nada disso. Hmm…

— Ah… sem goblins?

Sua resposta monótona deixou Druidesa olhando duvidosamente ao redor.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

8 Comentários

  1. Eu não esperava por isso, o MdG se esforçando para agradar uma mulher!
    Para quem esperou pelo menos um pouco de atitude não se decepcionou.

    Pelo jeito não vamos ver o segundo encontro dele nesse capítulo (já que estamos na parte 3 de 5), então suponho que talvez deva ter um ataque de goblins antes do segundo encontro…

    1. Com certeza não me decepcionou kkk

      Bem que eu queria ver o desenvolvimento do segundo encontro, mas parece que vai demora mais um pouco.
      Não sei se vai ser os goblins que vão atrasar, pois eles podem aparecer antes, durante ou depois do encontro…

      1. Por enquanto não sabemos se o ataque de goblins vai ser “antes, durante ou depois do encontro…”, Mas espero que seja antes, pois assim o volume pode terminar com chave de ouro ^^

        PS: Se alguém for atrapalhar o segundo encontro é claro que vão ser os malditos goblins…

    1. Nessas horas eu só lembro dos RPGs kkkk

      Nome: Desconhecido
      Apelido: Matado de Goblins
      Raça: Humano(?)
      Nível: ???
      Classe: Protagonista
      Bordão: “Eu só mato goblins”

      kkkkkk

  2. Senhor Goblin Slayer não recusando que está em um encontro.
    Como eles crescem rápido!! <3

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