MdG – Volume 3 – Capítulo 3 (Parte 4 de 5)

Ao lado de Druidesa, Garoto Batedor disse: — Você é muito estúpido, cara! — e gargalhou. — Não tem jeito dos goblins aparecerem aqui!

— Eles vão.

— Hã?!

— Goblins virão.

— Sério?!

Sim. O quê? Nem pensar! Eles andaram de um lado para o outro. Vaqueira observou eles com uma espécie de divertimento inocente.

— Vamos, vamos garotos. Vocês duas precisam de alguma coisa?

Ela se agachou ao nível dos olhos de Druidesa e Sacerdotisa Aprendiz.

Elas se entreolharam, depois para o peito de Vaqueira, salientado pelo braço que ela estava repousando por baixo.

Então elas olharam para baixo em seus próprios corpos e suspiraram. Fácil o suficiente para se entender.

— Não se preocupem. Vocês continuarão crescendo.

— …Isso não é muito reconfortante.

— É, mesmo assim…

As duas coraram e ficaram inquietas, olhando fixamente para o chão.

Vaqueira sorriu por dentro enquanto dava a elas um tapinha na cabeça.

— Enfim, qual é o problema?

As garotas assentiram, então olharam para trás e apontaram para a entrada da taverna atrás deles.

Uma multidão enorme havia se reunido, e no meio do círculo estava uma mesa pequena. Em cima da mesa estava uma estátua de um sapo boquiaberto.

Um bêbado estava parado em uma linha branca desenhada na rua, segurando um punhado de bolas de prata.

— Hrah! Yaah! Haaah!

Ele arremessou as bolas uma após outra, mas sem sucesso. Cada uma delas repicaram na mesa e no chão.

O dono da loja perto da estátua recolheu as bolas com facilidade e disse em voz alta:

— Se aproximem, dez bolas por uma peça de bronze! Acerte um e pegue uma caneca de cerveja! Ou limonada para os meninos e meninas!

— Elas não entram — disse bufando Garoto Batedor.

Ele estivera treinando com o grupo de Guerreiro de Armadura Pesada, mas ele ainda era uma criança. Quinze era a idade mínima para se tornar um aventureiro, e essa fora a idade para esse garoto há vários anos, mas ele ainda não tinha vinte também.

Vaqueira percebeu que ele deveria ter mentido sobre sua idade, mas ela não sentiu qualquer disposição em falar disso.

— É. Acho que essas bolas de prata são fraudulentas.

— Vamos, criança. Isso não é engraçado.

O guerreiro aprendiz falou meio brincando enquanto entregava uma peça de bronze, e o dono respondeu com um sorriso e um tom que sugeria que já tivera essa conversa antes.

Depois os dois rapazes jogaram as bolas uma após outras, mas eles nem chegaram perto do alvo.

Um grande ai-ai… veio das meninas com eles.

— …Eles são pegos nessas coisas tão facilmente.

— Garotos são péssimos, hum?

Elas não eram muito mais maduras, mas tentavam fingir que eram.

Vaqueira ouviu as queixas das garotas com um “Uh-huh, uh-huh”.

Garotos. Eles estão tentando parecer legais…

— …e as garotas querem — disse ela, olhando para seu velho amigo.

A expressão atrás do capacete de aço era, como sempre, impossível de se ver e ainda assim fácil de se supor.

— O que foi?

— Nos dê uma demonstração?

— Hmm.

Matador de Goblins passou seu olhar pelas quatro crianças e Vaqueira.

Então, com um pequeno aceno, ele pegou uma peça de bronze de sua bolsa e foi até o dono da taverna.

— Vendedor.

— Simssenhor!

— Um, por favor.

O que aconteceu depois foi quase que rápido demais para se acompanhar.

Ele rolou as bolas em sua mão com um clinc, depois as jogou na boca do sapo.

Não houve nada de incomum em sua técnica.

Ele apenas tinha o seu alvo. Mas ele foi preciso e rápido.

Uma entrou. Duas. Três, quatro. Então cinco e seis.

Por vários segundos, as bolas rolando para dentro da estátua de sapo criaram um som muito parecido com um croac.

— Uau!

— Uoo…

O espanto nos rostos das crianças era fácil de se ver.

E não apenas as crianças.

Os curiosos suspiraram ohh apreciativamente e começaram a aplaudir.

Heh! Vaqueira inflou seu peito farto quase como se fosse ela que tivesse feito essa exibição impressionante.

As pessoas achavam que ele só era bom em matar goblins.

Mas não era verdade. Havia mais coisas para ele do que isso.

— Caramba, senhor, tu não poderia ter se contido? Pelo meu bem?

— Não.

Enquanto ele dava sua resposta extremamente séria ao dono, Vaqueira deu a ele um tapinha de parabéns nas costas.

— Você sempre foi bom nesses jogos, mesmo quando éramos crianças.

— Sim.

Havia uma taverna em sua cidade natal também, embora a estátua não fosse um sapo, mas uma mulher com um jarro de água. Em cada festival, ele tinha ganho três copos de limonada para ela, si mesmo e sua irmã.

Agora que penso nisso, me lembro dele praticando em fazer pedras quicarem sobre o rio antes do festival.

Ela percebeu com uma onda de carinho que ele sempre foi do tipo de se preparar cuidadosamente.

— Uau, é isso ai, cara! — disse um empregado. — Seis limonadas? É para já!

— Sim.

Ele abaixou seu capacete uma vez, tal como sempre fazia.

Depois se virou para os garotos e explicou com um tom moderado.

— E é assim que devem fazer.

— …C-certo.

— Agora é a sua vez.

Matador de Goblins passou as quatro bolas de prata restantes aos garotos com um tinir.

Garoto Batedor pegou duas, ao mesmo tempo frenético e estoico.

— V-você não tem outro conselho?

— Prática.

Isso foi tudo o que ele disse.

— Blá — choramingaram os meninos. Matador de Goblins assentiu para eles e se colocou sério.

— D-dê o seu melhor!

— Ei, você tem que lançar melhor que aquilo!

— Ha-ha-ha! Ahh, não seja tão dura com ele.

Assim as garotas assistiram os três garotos…

— Oh…

Vaqueira não achava que era errado pensar nele com essa palavra.

Era estranho?

Não, não era. Realmente não era.

Claro, já havia se passado dez anos desde então. Era muito tempo para desenvolver experiência. Ela tinha aprendido tantas coisas quanto ele.

Mas tudo isso era só uma acumulação.

As raízes ainda são as mesmas.

Esse era um princípio que ela acreditava… Não, era algo que ela esperava que fosse verdade.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

10 Comentários

  1. É eu tenho que concordar com um comentário passado (no capítulo 3 parte 3 de 5): “O Goblin Slayer tá em outro nível!!” kkkk

    Quando ele falou “Prática”, eu imaginei ele dizendo: “Vá em missões de goblins e pratique lançar pedras, facas e espadas pequenas nas cabeças deles” kkkk

    1. Acho meio difícil ele sair agora, pois as pessoas que são Ranking Ouro hoje em dia são aquelas que lutaram e derrotaram o deus(lorde ou rei? Não lembro) demônio a 10 anos atrás e o Goblin Slayer não se importa com esses inimigos, ele só quer mata goblins, por isso acho difícil ele ser reconhecido como Ranking Ouro por agora.

    2. Concordo com o comentário anterior(que está acima ou abaixo do meu?), O MdG teria que fazer um feito equivalente ao grupo de dez anos atrás que derrotaram um dos deuses demônios para ser reconhecido como sendo do ranking ouro. E atualmente ele não tem credibilidade para ser reconhecido como um herói (assim como são os ranking ouro atualmente), pois atualmente ele só caça goblin que são os monstros mais fracos segundo o senso comum desse mundo…

  2. Obrigado pelo capítulo.

    O Goblin Slayer é realmente bom em tudo!

    Agora eu não sei se os deuses demônios (não sei se esse é nome certo) tem tamanha sorte ou os humanos que são desafortunados, pois se ele fosse se empenha em vira um herói como faz para mata goblins, alguns deuses demônios já teriam perecido a muito tempo.

    1. Sendo ele eu não duvidaria.
      Mas é realmente uma pena(para nós leitores) que ele só mate goblins…

  3. Imagina esse cara resolvendo sair para matar seres mais fortes…Acho que depois de um tempo não teria mais inimigos hauhauhuhaua

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!