MdG – Volume 3 – Capítulo 4 (Parte 1 de 7)

Meio-dia em um dia de festival se vivenciaria a praça cheia de gente, dando a aparência de um mosaico vivo.

O pilar que estava no meio da praça no lugar de uma torre de relógio fazia um ponto de encontro natural.

Ela parecia um pouco simples em meio aos homens e mulheres vestidos espalhafatosamente circulando à volta.

Ela usava uma blusa branca e bela, mas pouco notável. Ela tinha vestido uma saia-calça que era feita para facilitar o movimento acima de tudo, e meia-calça simples. Seu cabelo estava estilizado como de costume. Mas ela havia conseguido uma fita nova para segurar a trança atrás.

Simples roupas pessoais, isso era tudo o que tinha de usar na cidade no seu dia de folga.

Afinal…

— Ah.

…Entende?

Foi então que ele chegou, caminhando ousadamente no meio da multidão como se não estivesse ali.

Não havia como confundir ele e muito menos perdê-lo no mar de corpos. Ele estava com sua armadura de couro manchada e capacete de aço. Sua espada e escudo.

Ele estava tão completamente no seu eu habitual que foi o suficiente para fazê-la rir.

Assim, ela invocou um sorriso igual ao que sempre tinha. Apenas a sua roupa era diferente hoje.

— Aproveitou a sua manhã?

— Sim — disse desapaixonadamente Matador de Goblins, parando na frente dela e dando um dos seus acenos de costume. — Desculpe por te fazer esperar.

— Está tudo bem. Também acabei de chegar.

Uma pequena mentira da parte dela.

Ela não mencionaria que estivera tão animada que havia chegado antes do meio-dia.

Ela tossiu um pouco para disfarçar sua mentira e continuou:

— …Hee-hee. No entanto você está um pouco atrasado, Sr. Matador de Goblins.

— Desculpe.

— Nada, não faz mal. Afinal, eu…

…gosto de esperar.

Então, Garota da Guilda sorriu malevolamente, se virou e começou a levá-lo para longe.

Sua trança, vívida com sua nova fita, balançava como uma cauda.

— Bem, então vamos!

Ela sabia. Mesmo que tivesse se arrumado não teria conseguido chamar a atenção dele.

Ao contrário, ela queria que ele visse o seu eu real, não o rosto que ela mostrava no trabalho todos os dias.

Não Garota da Guilda. Apenas Garota normal. O jeito que ela era normalmente.

Parte da razão pela qual tinha se vestido simplesmente era para declarar: Essa sou eu!

— Você já almoçou?

— Não. — Matador de Goblins balançou a cabeça lentamente. — Ainda não.

— Está bem, então…

Vuup, vuup. Ela virou a cabeça tão rápido que poderia praticamente se ouvir.

Ela considerou um plano após outro, os comparou, dispensou alguns e finalmente escolheu um.

Ela sabia que guisado era uma de suas comidas favoritas, do jeito que eles faziam em sua aldeia, é claro.

Ela não podia competir nessa área. Mas ela poderia tirar vantagem do dia do festival.

— Que tal caminharmos enquanto comemos? — disse ela, sorrindo timidamente. — Sei que é pouco educado, mas hoje é especial…

— Não me importo.

— Sabia que não. Muito bem então, vamos comprar algo e depois dar uma olhada por aí…

Ela olhou para cima, espiando seu rosto por baixo. O capacete sujo. O mesmo rosto que via todos os dias.

— Mas me pergunto aonde…

— Hmm.

— Podemos ir a um lugar que goste, sabe?

— Hm.

Matador de Goblins grunhiu depois. Garota da Guilda sorriu para ele.

Esperando não incomodar ele. Não enquanto a outra pessoa estivesse tentando responder a ela, de qualquer forma.

Dos cinco anos de conhecimento, ela entendia o que ele estava pensando cuidadosamente.

Então, depois de um momento, Matador de Goblins assentiu e respondeu:

— Vamos começar por aqui então.

— Claro!

Ele partiu com seu passo ousado e ela o seguiu como uma cachorrinha animada.

Ela poderia ser capaz de se safar segurando sua mão para não se separarem.

Mas ela sabia que nunca iria perder de vista essa pessoa singular e inesquecível.

Garota da Guilda estava determinada a acompanhá-lo pela tarde. Ela seguiu atrás dele, com seu sorriso crescendo cada vez mais.

Os dois compraram maçãs caramelizadas de uma barraca de doces.

Não servia exatamente como uma refeição completa, mas alguém dificilmente poderia se queixar sobre a comida do festival.

Isso era o que ela pensava, de qualquer forma, e ela não conseguia imaginá-lo ficando insatisfeito com qualquer comida.

Falando de coisas que não posso imaginar…

Ele comeu facilmente o doce sem remover o capacete, um feito que ela teria — senão — considerado impossível.

— …Hee-hee.

— O quê? — O elmo dele se inclinou de uma forma curiosa quando ele quebrou em dois o já terminado palito.

— Nada — disse Garota da Guilda, balançando a cabeça e não tentando esconder seu sorriso. — Estava só pensando se havia alguma coisa que você não comesse.

Para essa pergunta, Matador de Goblins murmurou hmm e mergulhou no pensamento.

Garota da Guilda o observava de soslaio enquanto lambia a maça. Hm. Doce.

— Acho que eu comeria se fosse preciso — murmurou ele, e ela seguiu com um suave “É?”.

— Mas prefiro evitar peixe.

— Peixe?

— São fáceis o bastante para se conseguir se houver um rio próximo, mas rios também podem implicar em parasitas e a possibilidade de intoxicação alimentar. — Houve uma pausa e então ele acrescentou: — E eles fedem.

— Isso é verdade — concordou ela com uma risada. Mesmo o peixe defumado, seco ou salgado tinha um odor muito distinto. — Compreendo. Já vi aventureiros discutindo sobre isso.

— Oh?

— Alguém comprou peixe em conserva para provisão e tivera uma grande briga sobre se o odor era terrível ou não.

Ela estava exagerando um pouco, mas ele assentiu e disse “Entendi”.

Então, que grupo poderia ter sido?

Ela se lembrava do incidente, mas não o suficiente para recordar seus rostos.

Aventureiros eram fundamentalmente salafrários e sem rumo.

Alguns poderiam parecer se estabelecer, mas se de repente eles tivessem problemas um dia, ninguém pensaria duas vezes. Ele, ela ou eles, simplesmente iriam para uma nova cidade agradável e se sairiam bem por si mesmos.

Era normal, depois de tudo.

Um novo começo oferecia um alívio muito maior do que encarar o fato de que todos de seu grupo morreram devido ao seu próprio fracasso fazendo o trabalho. Encontrando regularmente todos os outros aventureiros dia sim e dia não, como poderiam evitar pensar nisso?

Não importa pensar muito nisso…

Essa pessoa que não tinha visto recentemente, ela estava morta?

A pessoa que você acabou de falar antes de ela sair em uma aventura, a veria novamente?

Esperar só era fácil quando você tinha certeza de que a outra pessoa voltaria.

Mas se não tivesse…

— Contudo, é eficaz em esvaziar um ninho.

Ele estava falando de um assunto sério — ele sempre estava sério — alheio aos pensamentos dela.

Garota da Guilda sabia que ele não estava brincando, mas ela sorriu.

Desde que eles partiram essa tarde, ele — ou melhor, eles — tinham sido assim.

Cada vez que havia uma escolha de caminho ele iria examinar da direita para a esquerda. Quando eles passavam por um bueiro, ele pisaria nele com um tum.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

10 Comentários

  1. na moral ele não sente calor em viver nessa armadura?
    É que meus olhos estão coçando para ver o rosto completo dele.

    1. Acho que ele não senti calor não, pois talvez o local onde ele se encontrar é baseado nas cidades europeias e além de sua armadura ser feita a maior parte de couro…

  2. Ele nem sequer parou para descansar, saiu de um encontro e foi para outro e aposto que à noite a Elfa vai tentar levar ele para algum lugar para beberem hauahuhauhauah

  3. Obrigado pelo capítulo.

    Bora ver o desenrolar desse encontro, só pelo nome do capítulo já dar para perceber que vai rolar um climão entre os dois, mas ainda sinto que algo ruim vai acontecer durante o encontro.

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