MdG – Volume 3 – Capítulo 4 (Parte 5 de 7)

No mesmo instante:

 

— Que nenhum mal perturbe a balança da ordem e do caos nos céus. Que tudo fique bem.

 

Sacerdotisa jogou seu cabelo enquanto erguia os olhos para o céu, oferecendo uma oração da terra aos céus.

Ela cantou com toda a sua força e esforço, seu pescoço pálido cintilava de suor. Alguém engoliu em seco audivelmente encantado com a sua beleza.

Então ela entoou uma súplica supostamente em nome de muitos crentes, aqueles que possuíam palavras.

 

— Abençoe o protetor da noite, traga a ele felicidade.

 

Mas ela falou só para um.

 

— Eu rezo para os céus distantes, ofereço minha petição…

 

Ela soltou um suspiro. Ele reverberou através do silêncio.

— …Olhe. — Garota da Guilda estava sorrindo para Matador de Goblins com um toque de surpresa. — Os deuses estão apreciando… todo o seu esforço.

E, de fato, estavam.

Se ele não tivesse resgatado Sacerdotisa naquela caverna, essa cena nunca teria acontecido. Todo mundo aqui na cidade, celebrando o festival. Tudo porque ele ajudou aquela garota e deteve a horda goblin com ela e seus companheiros.

Foi destino ou acaso? Isso dependia da jogada de dados dos deuses.

Embora, talvez, aqueles no tabuleiro não pudessem imaginar…

Garota da Guilda não se importava o que era. Porque seja qual fosse a causa, a tinha levado até ele.

Ela não sabia o que lhe trouxera para se tornar um aventureiro, para se tornar Matador de Goblins.

Mas ela sabia dos cinco anos que o tinha levado até esse momento, tudo o que ele tinha passado durante esse tempo. Ele estava aqui para proteger aldeias, pessoas, cidades, qualquer um.

Basta olhar ao redor dele.

Ela não podia acreditar, era ridículo ela não ter notado.

Matador de Goblins não era amargo. Ele não era triste.

Ela, ela era a única que mal conseguia aguentar.

Garota da Guilda tremeu com a humilhação de seu próprio egoísmo.

Naquela noite, naquele momento, ele tinha Sacerdotisa, Alta-Elfa Arqueira e Vaqueira também.

E embora ela soubesse disso, ela havia tentado ganhar vantagem sobre todas elas, e ela odiava o comportamento vergonhoso

Ela odiava como tinha evitado elas até o festival, sem saber o que diria a elas.

Mas… mas.

Ela estava esperando. Ela estava aqui.

Ela estava o apoiando, torcendo por ele.

Ela queria que ele visse.

Notasse.

Percebesse.

Ela. Outras coisas. Tudo que não fosse um goblin. Qualquer um.

Ela não tinha nada parecido com coragem que precisava para pôr tudo isso em palavras.

Mas agora que ela havia conseguido passar metade de um dia com ele, ela se perguntava se algo tinha mudado.

Ele me viu?

Ele viu alguém?

Ele pensa em alguma coisa além de goblins?

— Tenho certeza… de que eles foram capazes de voltar para casa em segurança.

Havia muita luz, afinal de contas. Deve ser verdade. Eles não conseguiriam se perder no caminho.

Essa fé inspirou as palavras de Garota da Guilda. Como sempre, ela escondeu os seus pensamentos mais íntimos atrás do sorriso.

Para sua tranquilidade, ele soltou um som fraco, uma palavra.

— …Sim.

No fim, isso foi tudo que Matador de Goblins disse, e depois ele assentiu.

O fim do ritual marcou a conclusão do festival e seu dia abençoado.

As fogueiras queimavam baixo quando as pessoas deixaram a praça, apenas algumas chamas restavam a se consumir nos céus da noite.

Os dois desceram de volta às escadas, retornando ao chão da torre de guarda.

O sol se fora completamente, deixando a Guilda escura.

Embora ela pudesse normalmente encontrar o caminho nessas circunstâncias, hoje não era normal.

— Oop… oh! Ops…

— Tenha cuidado.

Garota da Guilda tropeçou e agarrou o braço de Matador de Goblins.

Seu coração acelerou com a força dele.

Ela estava feliz por estar escuro. Ela não queria, sobretudo, que ele visse seu rosto naquele momento. Embora ela não pudesse esconder o problema em sua voz.

— Ah, s-sinto muito…

— Não — disse Matador de Goblins, balançando a cabeça. — Não foi… ruim.

— O qu…?

— Me refiro à hoje.

— Ah…

— De manhã até a noite… Então é assim que “dia de folga” se parece.

Seu coração acelerou de novo

Ela se sentiu um pouco mercenária, como ela pôde? Mas ela não conseguia ignorar a alegria que anulou o lado calculista de sua natureza.

— Ah, não, n-não foi nada demais. S-se gostou de hoje, isso é maravilhoso.

— Entendi.

Por qualquer razão, ela se apressou em direção à porta, desenredando do braço dele.

Os dois estavam sozinhos no escuro. Foi daí que o nervosismo veio.

Quando chegassem do lado de fora, ela tinha certeza de que essa sensação mudaria. Que iria respirar mais facilmente.

Com isso em mente, ela pegou a maçaneta…

— …O quê?

Ela inclinou a cabeça quando ela não girou.

— O que foi?

Matador de Goblins se aproximou com um passo perfeitamente normal apesar da escuridão.

— Estou mal da memória? — disse ela, ainda confusa. — Não… eu não tranquei a porta. Mas…

Está trancada.

As palavras começaram a se formar, não exatamente em seus lábios, quando Matador de Goblins se moveu.

Ele agarrou Garota da Guilda pela cintura e a abaixou ao chão.

— O quu?

Ele derrubou a mesa para os proteger.

Ela caiu de costas e uma lâmina se enfiou na mesa quase ao mesmo tempo.

— A-ai! O-o que está acontecendo?!

— Fique perto da parede. Tome cuidado e fique quieta.

Matador de Goblins sacou a espada de sua bainha enquanto sussurrava as ordens.

Mantendo-se discreto, ele se moveu de lado atrás de sua cobertura, mantendo sua distância.

Ele puxou a faca da mesa e viu como ela brilhava claramente na noite. Então ele partiu após o seu atacante.

Longe de Matador de Goblins permiti-lo escapar.

Uma forma pequena — um homem pequeno, cerca da metade do tamanho de um humano — esgueirado na escuridão.

— Um goblin?

A única resposta foi um ruído zombeteiro que cheirava ligeiramente a sangue.

Então o atacante avançou.

Ele segurava uma faca inversamente, a qual moveu de cima para baixo como a presa de um predador.

Matador de Goblins ergueu seu escudo para defender. Houve um som seco. Um esguicho de líquido.

— Coberto de veneno.

A secreção viscosa caiu em seu capacete. Mas ele tinha a viseira. Não o cegaria.

O inimigo deixou o contato e pousou no chão, tirando vantagem da distância que se abriu para um segundo ataque relâmpago.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

24 Comentários

  1. Tava indo tão bem, esse final me pegou desprevenido!
    Pelo jeito não é um goblin, deve ser alguém que tenha ódio da Garota da Guilda, pois pelo o que deu a entender ela era o alvo…

          1. Coitado do MdG, ele não está preparado para ver isso kkkk

    1. Aposto que quem fez isso foi aquele Rhea, porque as descrições batem certinho nele. Fora que ele é o único que foi mostrado até agora que quer se vingar da Garota da Guilda e do Goblin Slayer.

  2. Nem falo nada, se não tivesse alguma coisa desse tipo então eu não estaria lendo MATADOR DE GOBLINS huahauahuhaa

    1. Se teu ship é o Goblin Slayer com a Garota da Guilda é melhor fica tranquilo, pois essa é uma daquelas situações onde o protagonista salva a donzela e ganhar mais alguns pontos com ela, além de desenvolver mais intimidade entre eles.

  3. Obrigado pelo capítulo.

    Eu sabia que alguém iria atrapalhar o encontro. Só tenho pena de quem ousou fazer isso, porque agora vai sofrer a retaliação do Goblin Slayer.

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