MdG – Volume 3 – Capítulo 5 (Parte 2 de 5)

— Depressa. Vou explicar o resto enquanto andamos.

Matador de Goblins partiu mesmo enquanto falava e os outros se juntaram a ele.

Eles deixaram a estrada principal, passando entra as árvores e vegetações ao longo dos caminhos da floresta.

Cada um deles o seguia de perto enquanto ele mantinha um ritmo digno de Patrulheiro.

Afinal de contas, se um aventureiro não conseguisse seguir um batedor por um labirinto de ruínas, esse seria o fim.

— Sabiam que não tem havido muitas missões de goblincídio ultimamente?

— Acho que não. Mas e daí? — Alta-Elfa Arqueira corria ao lado levemente, com suas orelhas saltando. Ela caminhava devagar o suficiente para que os outros pudessem acompanhar. Sacerdotisa nunca fora muito atlética, e homens-lagarto e anões não eram conhecidos pela velocidade.

— Eles são parasitas. Não conseguem sobreviver sem roubar dos outros.

— Tem certeza… huff, huff… de que já não matou todos eles antes?

Matador de Goblins olhou para Anão Xamã, movendo seus braços e pernas atarracadas o máximo que podia e moderou seu ritmo.

— Não é possível.

— E por que isso?

— Porque eles não têm tocado nas mulheres que sequestram. Se seus números estivessem caindo, eles iriam priorizar a reprodução.

Goblins que ignoravam as mulheres que raptam era tão bizarro quanto dragões que não acumulavam ouro ou necromantes sem interesse em cadáveres.

— Hmmm — grunhiu Lagarto Sacerdote, mantendo a cabeça baixa para que conseguisse falar enquanto corriam e equilibrando com a cauda. — Significando… que há algo ou alguém mais lhes proporcionando seus recursos e fazendo eles fugir com essas mulheres.

— Ei, sabe… — Sacerdotisa parecia como se estivesse se lembrando subitamente de algo.

Lagarto Sacerdote, por sua vez, indicou com a cauda o mangual que ela estava segurando e perguntou se queria que o carregasse. Ela sorriu e recusou, então falou:

— …Aqueles goblins que encontramos estavam bem equipados, não estavam? Armadura, armas e tudo mais…

— Se presumirmos que aqueles itens não foram simplesmente surrupiados, significaria que outra entidade forneceu eles aos goblins.

— Sim. — Matador de Goblins assentiu.

Como aquele seja-lá-como-se-chama, o monstro gigante que eles tinham encontrado nas ruínas anteriormente.

Ou a criatura ocular sem nome que tinham encontrado no esgoto debaixo da cidade da água.

Goblins eram efetivamente os soldados do caos, que significa que seu líder poderia não ser um goblin.

— Não sei quem é e não me importo. Mas… — Ele considerou a questão trivial, não merecendo sua atenção. — …Eu coloquei armadilhas nas estradas que preferem usar em todas as direções. Vamos cuidar do resto nós mesmos.

Os inimigos eram goblins. Nada mais.

Ele apenas continuou correndo, com seus amigos trocando sorrisos exaustos atrás dele.

Além do mais, se se aventurar era um dia de trabalho para um aventureiro…

— Os números dos goblins são a sua única força. Só um líder amador os dividiria.

…então matar goblins era um dia de trabalho para Matador de Goblins.

— E vamos lhes ensinar isso em primeira mão.

Ao longe, trovões começaram a rolar.

Assim os goblins chegaram à cidade fronteiriça.

Ao norte da cidade, os quinze goblins no primeiro dos bandos ao redor da cidade estavam entusiasmados com a oportunidade de marchar ao “meio-dia”.

Durante muitos meses, seu “comandante” insistiu que eles contivessem seus desejos.

E não importa a garantia de que iriam ser autorizados a fazer o que quisessem, goblins odiavam ser pacientes.

Goblins acreditavam em nunca deixar para amanhã o que se poderia fazer hoje, ao menos quando se tratava em se satisfazerem. Por que esperar para jantar quando se pode almoçar?

Isso não era por serem estúpidos demais para pensar no futuro, mas porque eles viam isso como a única maneira de sobreviver.

De qualquer forma, os goblins estavam morrendo de fome.

Eles estavam passando fome, entediados e fartos de esperarem, e mais que tudo, queriam um pouco de prazer para se distraírem.

Atacar uma cidade cheia de pessoas dormindo com a festança de um festival parecia o ideal, e sua moral estava elevada.

Eles usavam um conjunto variado de equipamentos e seus passos eram leves enquanto andavam em formação.

A noite tinha acabado de cair. Para eles era o amanhecer, então eles ainda estavam um pouco cansados, mas logo seu momento chegaria.

O que tinham a temer? Que razão tinham para hesitar?

— GROOBR…?

— GROOB! GOROOBBR!

E ainda assim, eles pararam de se mover.

Na luz das luas que se filtrava através das nuvens, eles podiam ver uma corda retenida atravessando a trilha na frente deles.

Os goblins riram uns aos outros. Que tolos são esses humanos.

Um deles cortou a corda com a ponta de uma lança rustica e um chacoalhar pôde ser ouvido nos arbustos.

Eles seguiram o som e encontraram um dispositivo simples de tábuas de madeira amarradas junto a corda.

Até mesmo goblins reconheciam um alarme quando viam.

O que os humanos esperavam ganhar com isso? Eles lhe deram um pontapé para longe.

— GROROBR!!

— GOBRR!

O avanço foi retomado.

Seu capitão balançou a mão e os goblins partiram, sorrindo uns para os outros.

O local do festival não estava muito longe. As pessoas tiveram suas celebrações. Agora era vez dos goblins. Eles seguiram em frente, cantando uma marcha fúnebre terrível com suas vozes uivantes.

Tudo sem perceber que aventureiros estavam os observando dos arbustos.

— M-Matador de Goblins, senhor, eles desarmaram sua armadilha…!

— Está tudo bem.

— Hã? — A apavorada Sacerdotisa ficou francamente surpreendida quando olhou para Matador de Goblins sobre os ombros.

— Essa não era a armadilha. Apenas uma isca.

— …Qu? O-o que fazemos? Nesse ritmo…

— Só observe. Você vai ver.

Mal tinha acabado de falar e houve um som baixo e agudo.

Os goblins notaram?

Foi o som de uma corda apertada sendo subitamente solta.

No instante seguinte, algo voou dos arbustos e atacou o grupo de goblins. Estacas afiadas ou lanças, não, eram flechas gigantes.

Pedaços grossos, afiados e longos de madeira que tinham sido afiados o máximo possível.

Impulsionados por galhos que agiram como arcos enormes, os projéteis voaram diretamente nos goblins.

— GROOROB?!

— GOBR?!

Gritos e lamentos. O som horrível da morte daqueles que assumiram seus fins em uma onda de agonia.

Afortunados foram os goblins que morreram imediatamente nos espetos. Outros, atingidos no estômago, não conseguiram extrair as estacas e só podiam esperar pela morte.

Mas essa única saraivada dificilmente poderia acabar com os goblins, obviamente.

— GOORB! GOBRR!!

As flechas tinham errado completamente alguns. Os sobreviventes deram gritos de fúria e ódio, depois ergueram suas armas e começaram a correr.

Eles nunca se decidiram completamente se estavam fugindo ou avançando, porque Matador de Goblins e Lagarto Sacerdote saltaram dos arbustos e caíram sobre os goblins com suas espadas.

— A armadilha parece ter se beneficiado de meu teste de disparo.

— Com certeza! E agora, contemplem! Se orgulhem de meus atos, Ó meus ancestrais!

Os goblins gritaram quando seus corações foram trespassados, as gargantas arrancadas, os crânios esmagados e suas entranhas espalhadas.

Em meio aos gritos podia ser ouvido a oração única e estridente de Lagarto Sacerdote ecoando na noite. A destruição da heresia era a sua alegria tanto quanto sua missão.

Isso era dizer que suas motivações eram diferentes das de Matador de Goblins, mas seus objetivos eram os mesmos.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

20 Comentários

  1. O MdG mostrando o quão gênio ele é nas armadilhas.
    Fiquei animado com as mortes dos goblins, mas ainda não é o suficiente! kkk

    “quanto dragões que não acumulavam ouro…” Referências kkkk

  2. O que esperar né… o nome do cara é matador de goblins!!!

    Parando pra pensar agora galera, aposto que se o mdg fosse pro WoW ele ficaria bem puto em saber que os goblins tem uma cidade kkk

      1. Acho que ele ia ficar meio doido que nem foi com as ruínas cheias de goblins. Ele iria pensar em estratégias, provisões, armadilhas, etc e sairia caminhando com seu passo ousado.

  3. Obrigado pelo capítulo.

    Agora sim vai começar o massacre de goblins.
    Eu acho que esse Lagarto Sacerdote gosta de uma boa luta, e essa ilustração captou bem isso kkk

    1. Isso do Lagarto Sacerdote se confirmar aqui: “A destruição da heresia era a sua alegria tanto quanto sua missão.”

    1. Isso ocorreu devido ao site ter sido posto offline temporariamente para tentar arrumar alguns problemas de instabilidade. Por enquanto o site está de pé, porém, falta ajustar o leiaute. Observemos os próximos acontecimentos…

  4. — A armadilha parece ter se beneficiado de meu teste de disparo.

    Sinto que aquela aventureira prepotente e suas amigas não foram empaladas pq a armadilha falhou, por isso ela havia pisado no local marcado e nada aconteceu. E agora ele havia corrigido o problema.
    Mesmo com todo esse romance digno de novela mexicana a história é incrível em seus detalhes hahaha

  5. Nisso eu concordo com os goblins, pra que fazer amanhã o que vc pode fazer hoje. Assim vc fica livre amanhã 🤭

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