MdG – Volume 3 – Capítulo 6 (Parte 1 de 8)

O canário chilreava face à chuva.

Ele cantava uma melodia de sua gaiola, e as gotas acertando a janela formavam a composição.

Vaqueira estava sentada perto da janela. Ela tocou o vidro embaçado com a ponta do dedo e suspirou.

Ela se apoiava com os braços. O vestido que ela ainda usava era tudo o que sobrou do seu festival da manhã.

Ela podia sentir o ar fresco em suas bochechas. Um leve sorriso surgiu e ela murmurou: — Me pergunto onde seu mestre está agora. O que está fazendo.

Não houve resposta. O pássaro só continuou a cantar melodiosamente.

O pássaro que ele havia trazido para casa nesse verão agora vivia com eles na fazenda.

Quando ela perguntou “É um presenta para mim?”, ele respondeu “Na verdade não”. Ele poderia ser estranho às vezes.

Estranho. Para ele, isso incluía ir a um festival ou sair em um encontro.

— …

Talvez ele não vá voltar.

Ela enfiou seu rosto em seus braços quando o pensamento cruzou sua mente.

Ela não queria se ver refletida na janela. Ela não suportaria.

Ela apertou sua mão direita. Ainda com o anel — realmente apenas um brinquedo — que ele deu a ela.

Ela esteve muito contente com isso quando eles estavam juntos. Mas agora que estavam afastados, era longe de ser o suficiente.

Mais, mais, mais.

Mais o quê?

— Eu sempre fui tão egoísta…?

Ela podia ouvir o estrondo gutural de trovão ao longe.

Antigas histórias diziam que tais sons eram as vozes de dragões, mas ela não sabia se era verdade.

Felizmente, ela não tinha encontrado um dragão. E com sorte ela nunca iria.

Trommm, trommm. O trovão estava se aproximando. Trovão…?

Vaqueira percebeu que o som parou bem perto dela.

Isso não era trovão. Então o que…?

Ela ergueu a cabeça, confusa. Ela podia se ver no vidro. Ela parecia horrível. E além do seu reflexo…

Um elmo de aço sujo, ensopado de chuva.

— O qu…?! Oh… O qu?!

Ela se endireitou rapidamente, com sua boca abrindo e fechando.

O que ela deveria dizer? O que ela poderia dizer? Palavras e emoções giravam ao redor de sua cabeça e coração.

Ela não conseguia dizer Bem-vindo de volta ou Você está bem?.

— O-o que está fazendo aí fora na chuva desse jeito? Vai pegar um resfriado!

Esse foi o cumprimento que ela escolheu quando abriu a janela com um estrondo.

— Sinto muito. A luz estava acesa, então pensei que estivesse acordada.

Comparado ao estado desgrenhado dela, ele estava tão composto que isso a fez zangada.

— Algo surgiu.

— Algo como…?

— Volto de manhã — disse ele calmamente, e depois de um momento pensando, acrescentou: — Gostaria de guisado no café da manhã.

— Ah…

Ele voltaria. Ele se esforçou para dizer a ela que ele voltaria. E que ele queria comer a sua comida.

Esse cara… Céus, esse cara!

— …Guisado? De manhã?

Calor se espalhou pelo seu peito e um sorriso se formou no rosto dela.

Me sinto tão leve!

— Conto com você — disse ele.

Tudo que ela conseguiu reunir como resposta foi “Caramba, não tenho esperança” antes de continuar a dizer: — Se você acabar dormindo demais porque pegou um resfriado, ficarei zangada. Então tenha certeza de chegar a tempo.

— Está bem.

— …Hum.

Vaqueira assentiu.

Ele nunca mentia.

O “algo” que ele estava lidando só poderia ser uma coisa.

É por isso que ela não perguntou mais nada.

Seu dia de celebração havia acabado. As coisas estavam de volta ao normal. Outro dia normal.

Apesar de tudo que ela estava sentindo, esse não era o dia para mostrar suas emoções.

— Bem, então… e-está bem.

Só havia uma coisa que ela poderia dizer a ele:

— Dê o seu melhor!

— Eu irei.

E com isso ele deu um passo, então dois, se afastando da janela com a ferocidade descuidada habitual de seu passo.

— Não vá para fora — disse ele. — Fique com seu tio.

Ela observou ele indo até desaparecer na escuridão.

Trommm, trommm. O som veio de novo e ficou mais distante junto com ele.

Vaqueira viu o que isso era, e ela riu consigo mesma quando fechou a janela.

— Seu mestre faz coisas estranhas às vezes.

Ela cutucou a gaiola com o dedo, fazendo ela balançar suavemente. O canário chilreou sua objeção.

Mas dessa vez ela não ligou.

Metade dela estava aborrecida de raiva, a outra metade quase flutuando de entusiasmo.

Ela tinha uma sensação de que esse não era o tempo para esses sentimentos, mas ela também queria ir direto para a cama e dormir ainda os mantendo no coração.

Seus sonhos lhe dariam tempo suficiente para apreciá-los.

— Ainda assim…

Ela tirou o vestido, dobrou com cuidado para não o amarrotar e então deslizou sua forma voluptuosa na cama.

Ele obviamente tinha algo em mente.

— …Por que diabos ele estava rolando aqueles barris?

A chuva ficava cada vez mais forte enquanto o vento ficava gelado.

A noite estava escura agora, tão escura que era praticamente impossível enxergar um palmo à frente.

Essa era uma verdadeira tempestade.

— Ho, Corta-barba! — Perto do edifício que se erguia para fora da escuridão, Anão Xamã chamou. — Acendi o forno!

— Acendeu? — Matador de Goblins parou de rolar os barris, já no seu destino, então assentiu. O edifício (uma pequena estrutura de tijolos nos arredores da fazenda) tinha uma chaminé, mas até agora nenhuma fumaça saía dela. — O que acha?

— Está muito úmida. Mas nada que um pouco de magia não possa lidar.

Anão Xamã alisou a barba e sorriu. Muitas de suas habilidades especiais diziam respeito à terra, mas anões e fogo também eram amigos naturais. Era bastante simples para ele invocar uma Salamandra de Fogo para acender a lenha encharcada.

— A direção do vento me parece bem por agora. — Alta-Elfa Arqueira pegou uma aranha que passava e obteve um pouco de seda dela, a usando para encordoar de novo seu arco de teixo.

Todos os equipamentos de elfos eram feitos de coisas encontradas na natureza. Eles poderiam não ter magia para controlar os espíritos do mundo, mas desde o dia que nasceram, os elfos viviam em verdadeira harmonia com todas as coisas. Aparentemente, eles achavam que as outras raças eram simplesmente indiferentes, mas…

Perdurou-se que não havia raça no mundo mais adequadas para serem patrulheiras do que os elfos.

Ela sacudiu suas características orelhas longas e disse: — A tempestade vai estar bem em cima de nós. Mas por agora estamos contra o vento. A natureza está do nosso lado.

— Muito bem. E quanto aos goblins?

— Eles estão chegando perto. Não temos muito tempo.

— Entendi. Vamos nos apressar. — Matador de Goblins assentiu, então se virou para Anão Xamã. — Se você tiver magias para gastar, tente intensificar o vento. Apenas por precaução.

— O vento é a alçada dos elfos. Embora acredito que posso encontrar um pouco de vento, aqui…

— Por favor.

Anão Xamã respondeu o pedido de Matador de Goblins pegando um leque de sua bolsa.

Ele o abriu fazendo um estalo e começou a movimentá-lo pelo ar, entoando com uma voz aguda e estranha.

— Ó silfos, vós donzelas justas do ar, me concedam o teu beijo mais raro… abençoe nosso navio com brisas justas.

Em meio ao uivo da tempestade, uma corrente mais suave começou a cocegar suas bochechas.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Me pergunto para o que ele vai usar esses barril.

    Bem que poderia estar só ele e a elfa… kkk posso fazer nada shippo demais esses dois

  2. Obrigado pelo capítulo.

    Não esperava a Vaqueira aparece agora.
    O Goblin Slayer com esses barris me fez eu fica imaginando que tipo de estrago os goblins vão sofrer kkk

  3. E lá vamos nós ver mais um plano engenhoso do MdG kkk

    PS: Demorou um pouco para sair kkk
    Só vim saber que tinha saído porque o @Sahloknirr me respondeu no capítulo passado kkkk

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