MdG – Volume 3 – Capítulo 6 (Parte 2 de 8)

Era uma magia simples para convocar o vento, do tipo que um mago poderia usar quando fizesse um espetáculo por alguns trocados.

— Esse é o máximo que se pode se tornar — disse Anão Xamã. — Não sei que serventia isso te trará.

— Vocês anões não fazem nada direito? — gargalhou Alta-Elfa Arqueira, dando um olhar pungente ao xamã.

— Não me importo. É o suficiente. — De costas para o vento invocado, Matador de Goblins começou a verificar todos os preparativos.

— Como estão seus Guerreiros Dragãodente?

— Está tudo preparado.

Lagarto Sacerdote apontou para as presas pequenas espalhadas pelo chão, depois fez seu gesto estranho com as mãos unidas.

— Ó chifres e garras do nosso pai, Iguanodon, seus quatro membros se tornam duas pernas para andar sobre a terra.

Quando sua oração ressoou, as presas cresceram, se distorcendo e se erguendo.

Por fim, os dois esqueletos homem-lagarto ficaram diante deles, Guerreiros Dragãodente.

Lagarto Sacerdote repousou sua Garraespada no ombro e fez um som apreciativo.

— Infelizmente, isso representa a extensão de minhas magias. Talvez eu pudesse emprestar algo no que diz respeito à armas para eles?

— Não importa — disse Matador de Goblins, endireitando o barril aos seus pés. — Eu alugo o galpão ali. Use qualquer uma das armas lá dentro.

— Obrigado. Devo me apropriar de uma ou duas delas.

Lagarto Sacerdote enrolou a cauda e ele e seus esqueletos foram em direção ao edifício.

Quando ele se despediu, Matador de Goblins virou outro barril de pé.

Havia três barris no total. Eles eram quase tão grandes quanto uma pessoa.

Eles também pareciam ser bem pesados e estar repleto de alguma coisa dentro. Quando ele colocou o barril de pé, ele espirrou lama. Alguns respingos escuros caíram nas vestimentas de Sacerdotisa, mas ela não se importou.

— Matador de Goblins, senhor, você não está com frio?

— Se alguém está com frio, acho que seria você.

Suas vestes finas estavam ensopadas de chuva e coladas firmemente em sua forma esbelta. Sacerdotisa mostrou um pouco de vergonha em relação a sua pele que estava quase visível através do tecido, mas ela balançou a cabeça.

— Não, estou bem. Isso não é nada. Às vezes nós fazemos nossas abluções em água gelada.

— …Você ainda tem milagres, não é?

— Sim, senhor, sem problema.

Sacerdotisa sorriu bravamente.

Suas vestes eram, de fato, destinadas ao combate, e a Mãe Terra dificilmente descriminaria uma mancha da terra.

Sujar sua roupa branquinha em auxílio de outra pessoa fazia dela ainda mais bonita.

Ela agarrou seu mangual e assentiu.

— Eu já tive a oportunidade para descansar quando eu usei Silêncio antes. Eu consigo mais duas.

— Está bem.

Matador de Goblins usou a empunhadura de sua espada para abrir a tampa de um dos barris.

A tampa saiu com um fisst, e um fedor forte se misturou com o cheiro da chuva.

— Ugh — disse Alta-Elfa Arqueira fazendo careta, enquanto Sacerdotisa foi imediatamente ao barril.

— Estamos sem tempo. Eu ajudo!

— Obrigado. Eu agradeço.

— Claro!

— Coloque todos ele ali. Até o último.

— Entendi!

Ela pegou um peixe que tinha começado a apodrecer ao sol.

Ela encheu os braços com eles, indo até o forno e os enfiando dentro.

A chama abrasadora estava agora crepitando. Eles não tinham preparado isso apenas como uma maneira de se secar da chuva.

Enquanto Matador de Goblins a observava, Anão Xamã lhe deu uma cotovelada de lado. — Tem que deixar a garota se aquecer — disse ele de maneira significativa.

— Tsc. — Isso veio de Alta-Elfa Arqueira. — E quanto a mim? Estou encharcada!

— Sim, sim, Senhorita Dois Milênios. Pensei que os elfos viam a chuva como uma bênção dos céus.

— Elfos também não gostam de sentir frio!

E de novo eles estavam discutindo. Era a habitual brincadeira amigável deles.

Lagarto Sacerdote, que havia voltado com os Guerreiros Dragãodente armados com enxadas e foices, revirou os olhos alegremente.

— E o que exatamente está planejando, meu senhor Matador de Goblins? — Seu tom sugeria que isso era o que mais o interessava.

Matador de Goblins respondeu enquanto preparava seu próprio equipamento, tendo certeza de que o escudo estava preso:

— Deveria ser óbvio. Uma tática básica para matar goblins.

Ele ajeitou o capacete e puxou de sua cintura a adaga que tinha roubado da bainha de um goblin.

Ele pegou um pano sujo de sua bolsa, limpando cuidadosamente a lâmina.

Depois ele voltou ela à sua bainha, então escolheu outra lâmina com a mão direita.

Sua armadura de couro suja, seu capacete de aparência imprestável, sua espada que não era nem longa e nem curta e o escudo redondo em seu braço.

Com sua aparência e tom inalterado, ele simplesmente declarou:

— Nós vamos perturbá-los com fumaça.

Goblins se aproximavam, vinte ou trinta, porventura.

O fumeiro expelia fumaça negra e densa para a tempestade.

Para os goblins, essa noite tempestuosa era um presente dos céus.

A noite era amiga deles e a escuridão a aliada. O próprio trovão era o seu tambor de guerra.

Elfo Negro, posicionado atrás deles como seu senhor da guerra, partilhava esses sentimentos.

Ele usava um colete de couro sujo sob um sobretudo avolumado e pesado pela chuva. Uma espada fina repousava em seu quadril.

Sua pele poderia ser de cor piche, suas orelhas pontudas como espinhos e cabelo prateado, mesmo assim ele poderia se passar por um aventureiro. Um elfo negro de bom coração poderia surgir de vez em quando.

A arma que ele agarrava, no entanto, afastava qualquer pergunta.

Era uma coisa retorcida com um padrão gravado. À primeira vista, parecia bastante com um castiçal.

Quem poderia ter forjado tal coisa? Mesmo agora, isso estendia os dedos como que para alcançar alguma coisa.

E como se isso não bastasse, ele brilhava com a luz da vida, pulsando.

Nenhum partidário da ordem gostaria de segurar tal objeto.

— GOBOR!

— GROBR!!

— Hmm. Não me importo. Continuem o avanço… pisem sobre eles, os humilhe!

Elfo Negro concordou placidamente quando um dos seus adoráveis goblins estúpidos fez um relatório.

As criaturas eram excelentes soldados rasos, mas eram particularmente inadequados para qualquer outra coisa.

É claro, com armas e armaduras simples e uma posição de linha de frente, eles eram mais do que suficientes para superar os agentes da ordem.

— Você diz que parece haver aventureiros em frente? Que tolos. Tremendo nas sombras.

Essa era uma das cidades onde aventureiros se reuniam. Certamente era possível algum estar lá. Foi por isso que ele tinha chegado intencionalmente na noite depois de um festival.

— Mas… ficará tudo bem comigo…?

Quem era ele para duvidar da ajuda dos deuses do caos?

Com o objeto amaldiçoado que tenho, vou invocar o antigo Hecatônquiro, o gigante de cem mãos.

Hecatônquiro, primeiro entre os temíveis gigantes encontrado no livro de monstros que muitos acreditavam que os deuses do caos tinham. Uma criatura criada para a batalha quando os deuses começaram a fazer as peças dos seus jogos de guerra.

Ele tinha ouvido que, com o poder dos seus inúmeros braços, o gigante tinha derrubado os deuses da ordem.

Ah, Hecatônquiro! Hecatônquiro! Elfo Negro tremeu de entusiasmo.

Suas ações tornariam mais certo o dia por vir da vitória para as forças do caos.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

15 Comentários

  1. Já está tudo preparado para guerra.
    O MdG parece que tem um plano bem cabuloso para os goblins…

    E agora uma dúvida que eu tenho! É se “A Ilusão” e “O Verdade” que criam os deuses do caos e da ordem? ou eles(Ilusão e Verdade) são eles ?

    PS: Pode atrasar sem problemas, nós espera kkkk

  2. Estão se preparando!!!! A batalha vai começar!!!

    Hehehe já tenho em mente o que o mdg vai fazer.

    Me pergunto se alguém mais vai se juntar ao grupo do mdg ou já tá formado?

    Seria bom se ele tivesse sei lá pow… Um ajudante, um pupilo talvez.

    Tenho que parar de tomar café

    1. Iria ser bem legal se mais alguém entrasse no grupo, de preferência um que possa usar magia e luta corpo a corpo igual o Lagarto Sacerdote.

      Já um pupilo eu não sei se é uma boa ideia…

      Dessa vez um pouco de café não faz mal…kkk

    2. Tenho uma péssima notícia!
      Até aonde eu sei pelas sinopses e ilustrações dos próximos volumes, não vai entrar mais ninguém no grupo.

      PS: Eu olhei até o volume 6 que é o último volume lançado (?)
      A situação pode mudar com a chegada de um novo volume.

  3. Obrigado pelo capítulo.

    Essas preparações me deixou ansioso para saber que tipo de estratégia ele vai usar.

    Pode vir o tal Hecatônquiro que o Goblin Slayer derrota do mesmo jeito kkk

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