MdG – Volume 3 – Capítulo 6 (Parte 3 de 8)

Desde que Elfo Negro recebeu sua ajuda, ele não tinha poupado esforços.

E ainda assim… ele não conseguia evitar a sensação de que havia uma falha em seu plano.

Mas por que ele sentiria isso? Por que motivo?

Era porque as comunicações com seus esquadrões do leste, oeste e norte foram cortada misteriosamente.

Será por que o aventureiro insatisfeito que ele tinha contratado para causar confusão na cidade parecia ter negligenciado totalmente seu trabalho?

Ou era porque as mulheres que ele ordenou seus goblins raptarem como sacrifícios vivos foram roubadas dele?

Poderia ter sido um erro que esse objeto amaldiçoado veio até ele…?

— …Não! — Ele berrou tão alto quanto pôde, como se para dissipar sua incerteza. — A sorte está lançada. Agora não há nada mais além de seguir em frente!

Ele só tinha trinta goblins sob seu comando pessoal. Mas eles eram apenas chamarizes.

Assim como os goblins se aproximando das outras direções. Tudo apenas para ofuscar os olhos dos aventureiros.

A verdadeira missão estava literalmente nas suas mãos.

Enquanto ele segurasse essa coisa amaldiçoada, a sede de poder de Hecatônquiro, não havia nada a temer.

Ele aguardaria seu tempo. Cada hora, cada segundo, não perdendo nada.

Ele ofereceria os dados. Procurando mais uma pessoa, mais uma gota de sangue.

Até que Hecatônquiro despertasse.

— Hum…!

Então aconteceu.

Seus sentidos, tão aguçados quanto de qualquer elfo, captou alguma coisa errada.

Um odor.

Um fedor, na verdade, um que penetrava seus olhos e nariz. Algo apodrecendo… Não… O cheiro do mar?

A chuva e o vento eliminavam todo o som, e agora elas levavam uma névoa negra que encobria a pouca luz que havia.

Veio com o vento, cobrindo o campo de batalha.

— Uma cortina de fumaça? Não… Gás venenoso?!

Ele cobriu imediatamente a boca, mas infelizmente, seus goblins não eram tão inteligentes. A fumaça os envolveu e eles começaram a gritar e berrar.

— M-maldito seja! Vocês se chamam de aventureiros e é isso que fazem com seus inimigos…?!

Elfo Negro notou sua exaltação aumentando, incapaz de conter um bufo de raiva.

Isso não era uma tática que os aliados da lei e da ordem empregariam.

Mas isso também não era tudo por vir.

Guerreiros esqueletos emergiram da nuvem, coisas pálidas face à fumaça negra, e se lançaram nos goblins.

— Você disse que não colocou nenhuma armadilha, Corta-barba!

— Não coloquei.

Matador de Goblins falou enquanto observava os goblins caindo como trigo para uma foice.

— Eu não disse que não tinha um plano.

— Ô.

— Há sempre uma solução. Geralmente.

— Ô.

Os Guerreiros Dragãodente eram realmente terríveis de se contemplar no campo de batalha.

Eles eram apenas ossos, careciam de olhos, narizes e nem precisavam respirar. A fumaça de peixe apodrecido não tinha nenhum efeito nocivo a eles.

Os goblins estavam se agitando e tossindo entre a nuvem, brandindo suas armas às cegas. Quão facilmente os guerreiros fossilizados os subjugaram. Um golpe de uma foice decepou uma cabeça. Com um ataque de enxada, um braço saiu voando. O cheiro de sangue e o fedor dos corpos dos goblins se juntaram ao odor de peixe no ar.

Talvez o inferno cheirasse dessa forma.

— Está brincando — disse Alta-Elfa Arqueira, franzindo o rosto e cobrindo a boca e o nariz com um pano. — Você sempre tem algo na manga para momentos como esse, Orcbolg.

Era isso que o fazia líder do grupo.

Alta-Elfa Arqueira poderia ter mais experiência (ou pelo menos é o que imaginava) e Lagarto Sacerdote era talvez o cabeça mais calmo.

Mas quando se tratava de grande número de estratégias não ortodoxas…

— Mas você não pode usá-lo em nossa aventura, está bem? Ficarei zangada se fizer.

— Nem essa aqui também?

— Claro que não.

— Entendi.

Sacerdotisa riu com sua resposta abatida.

— Está tão desapontado assim?

— Quando em menor número que o inimigo, essa é uma forma eficaz de retardar a vanguarda — explicou neutralmente Matador de Goblins, depois assentiu com um grunhido. — Eles procuram, investigam e se tornam mais ansiosos. Eles desconfiam do que virá em seguida. É um passe de mágica.

— Não tenho certeza se são as mesmas coisas…

Tão logo ela disse isso e Sacerdotisa olhou para o campo de batalha como se tivesse sentido algo. Seus olhos se arregalaram.

— Ah…!

Ela tremeu vigorosamente enquanto gritava, então avançou para a frente do grupo.

Antes que alguém pudesse pará-la, ela ergueu primeiro o seu mangual e depois a voz:

— Ó Mãe Terra, abundante em misericórdia, pelo poder da terra conceda segurança para nós que somos fracos!

Ela implorou aos deuses por um milagre. A toda-compassiva Mãe Terra lhe concedeu uma barreira invisível, centrada em torno do cajado que ela segurava no ar.

Naquele instante, as palavras de uma língua antiga ressoaram por entre o campo de batalha:

— Omnis… nodos… libero! — Eu desvinculo tudo o que está vinculado!

Uma explosão de luz os cegou. Uma camada de branquidão cortou através da chuva escura e envolveu tudo.

Ela atravessou o campo de batalha, dissipou a fumaça e despedaçou os Guerreiros Dragãodente. Os soldados esqueletos desabaram como sacos de batatas.

A luz pulsou de novo pelo campo de batalha, apanhando vários goblins e os transformando em pó…

— Hrr… rrr…

…até que, com um estrondo, colidiu contra a barreira invisível e desapareceu.

A chuva açoitava como um furacão, agora com mais um cheiro estranho misturado.

Sacerdotisa cambaleou como se bêbada, incapaz de absorver completamente o choque espiritual de tal impacto.

Matador de Goblins usou sua mão esquerda com escudo para segurá-la e mantê-la de pé.

— … Eu… eu sinto muito…

— Você está machucada?!

— N-não… meu c-corpo está bem… — O sangue havia sido drenado de seu rosto e ela mordeu os lábios pesarosamente. — Mas eu… eu só tenho um milagre sobrando agora.

— Não. — Matador de Goblins balançou a cabeça. — É o suficiente.

As nuvens escuras que tinham coberto o campo de batalha foram dissipadas.

Eles não teriam muito tempo até que os goblins se recuperassem da confusão.

Os Guerreiros Dragãodente não duraram tanto quanto eu esperava.

Matador de Goblins revisou rapidamente seus planos. Ele tinha a intenção de se mover só depois que os Guerreiros tivessem reduzido um pouco os números de goblins.

Ele tinha uma ideia, não exatamente um trunfo, mas algo que tinha preparado no caso de eles tivessem enfrentando algo que não fosse goblins.

Mas a fazenda estava em suas costas. Eles teriam que matar todos os seus inimigos aqui. Nenhum único poderia ser deixado vivo.

Como de costume.

— O que acham? — perguntou ele.

— Aquilo tem que ser uma magia Desintegrar — disse Anão Xamã, afagando a barba enquanto remexia em seu saco de catalisadores. — Isso é uma coisa ruim de se enfrentar, mas o mais provável é que não podem fazer isso mais de uma vez.

— É estranho, no entanto — disse Lagarto Sacerdote de onde estava agachado para se cobrir na vegetação rasteira, observando o campo atentamente. — Um conjurador de tal poder normalmente separaria seus goblins?

— Ele poderia ter outro alvo? — murmurou Matador de Goblins.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

13 Comentários

  1. Esse Elfo Negro querendo jogo limpo depois das coisas que ele fez ?!

    Nunca duvidei do suporte! Tem qualidade e sabe quando defender.

    As coisas estão ficando animadas…

    1. A Alta-Elfa Arqueira reclamou com o Goblin Slayer da mesma coisa.

      “Nunca duvidei” kkk

      Quanto mais animada melhor para nós kkkk

  2. Obrigado pelo capítulo.

    O Elfo Negro é inteligente, mas pena que ele encontrou alguém ainda mais.

    Hecatônquiro? O que é isso? Não é um goblin kkk

  3. Obrigado pelo capítulo

    Que negocio foi esse man hadouken logo na cara!? Bixo não tá brincando não.

    Olha aí!!! Nunca duvidei do suporte (mentira report sacerdotisa)

    E eu não posso deixar de comentar a elfa e o mdg hehehehe… Isso vai dar romance eu acredito!!!

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