MdG – Volume 3 – Capítulo 6 (Parte 5 de 8)

— Deuses, Corta-barba. Ele certamente sabe se cuidar. — Do outro lado do campo, Anão Xamã ria com uma trombeta de caça em uma das mãos e um pouco de argila na outra. Aquele homem era difícil de acreditar. — Claro, sem mim aqui, as coisas poderiam não ter ido tão bem…

Faça um pântano — dissera Matador de Goblins. — Não deixem eles escaparem.

Anão Xamã tinha exatamente a coisa.

Medo, então Trapeira. Os efeitos só seriam amplificados pelo fato de estarem ao ar livre.

Duas magias de larga escala. É verdade que ele estava mandando para o ralo seus catalisadores, mas…

— Fique atenta, Orelhuda, você é a próxima.

Ele lhe deu um empurrão amigável no ombro e ela sacudiu suas orelhas para ele com desagrado.

— Não me bata. Você vai desfazer minha pontaria.

— Não seja tonta. Com uma horda desse tamanho, não importa onde dispare, você vai acertar alguma coisa.

— Vocês anões, nunca levam nada a sério… Esses acertos só vêm antes de mirar.

Ela inalou calmamente, então expirou por suas narinas. Para um elfo, atirar era como respirar.

Seus dedos moveram a corda ritmicamente, enviando suas flechas zunindo através da chuva. Nesse mundo, só os deuses podiam se comparar a um elfo quando se tratava de disparar. E Alta-Elfa Arqueira era, também, um alto-elfo, os herdeiros de uma linhagem que remontava a era dos deuses.

Também, seus alvos eram goblins atolados na lama.

Apesar dos protestos dela, ela poderia atingi-los sem mirar. Mas estava dedicada demais para isso.

Afinal, Orcbolg tinha concordado em ir em uma aventura com ela! Ela não deixaria essa oportunidade escapar. Ela não podia.

— Aventureiros sempre vão em suas missões até o fim!

E assim sua chuva de flechas ponta-broto se aderiram a chuva que caía do céu.

Matador de Goblins se lançava como uma flecha através do campo, sem qualquer hesitação em seu passo. Isso não era um acaso, mas o que era preciso acontecer.

Ele tinha um objetivo; alcançar o líder bem atrás das linhas inimigas.

Por isso…

— G… Grr!

Elfo Negro rangeu os dentes.

Seu escudo de trinta goblins fora quebrado, o inimigo estava mais próximo e ele não tinha tempo para se concentrar em entoar.

Ele pensou em reunir seus goblins, mas sabia que não viriam.

A única coisa que ele podia confiar era nisso. Elfo Negro sacou sua espada da bainha.

— Seu humano detestável!

Ele golpeou com sua espada, como um lampejo de luz prateada.

Matador de Goblins a bloqueou com seu escudo. Era por isso que ele o levava. Sua utilidade para esmagar era apenas secundária.

Ele respondeu imediatamente com um golpe em arco de sua clava que segurava em sua mão direita. Ele visou a cabeça, esperando quebrar o crânio ou a coluna.

Mas elfos negros aproveitavam a movimentação bem como seus irmãos da floresta. Em outras palavras, bem melhor que qualquer humano.

Houve um salpico de lama quando o elfo saltou para trás, inalterado com o solo pantanoso bem como não intimidado pela temível ilusão.

A clava de Matador de Goblins se conectou com nada além do ar.

— Hrmph. E pensar que alguém dotado em ver através dos meus planos viveria nessa cidade…

— …Você não parece um goblin.

Matador de Goblins e Elfo Negro agora estavam a uma certa distância. A lama soava tchape, tchape suavemente, enquanto eles se moviam para encontrar uma posição vantajosa.

A espada de Elfo Negro era uma arma claramente melhor do que a clava do aventureiro.

Com plena consciência disso, o elfo tirou um tempo para interrogar seu oponente:

— Quem ou o que você é?

— …

— Ouvi dizer que alguns nessa cidade tinham alcançado o ranque Prata… Mas não consigo imaginar que tal aventureiro experiente se inclinaria a usar uma clava de goblin.

— Você é o líder?

Matador de Goblins respondeu com sua própria pergunta. Indiferentemente. Como sempre.

— Esse sou eu — respondeu Elfo Negro, se sentindo um pouco irritado. Seu peito estufou e os cantos de sua boca se ergueram ligeiramente. — Sou o apóstolo da anarquia, receptor de uma ajuda dos próprios deuses do caos! — Ele tinha uma espada na mão direita e um item mágico na esquerda. Elfo Negro tomou uma postura baixa quando exclamou: — E meu exército goblin se aproxima de todas as direções! A outra vida dará as boas vindas em breve a você e a seu…

— Não sei o que você é. E não me interessa. — Matador de Goblins interrompeu a proclamação do elfo. — …Aquele senhor goblin era mais complicado que você.

— ………

Houve uma pausa enquanto Elfo Negro processava o que fora dito.

— O-ora, seu insolente…!

Seus pés ágeis deram um passo geometricamente complicado e preciso.

Dessa posição estranha, sua lâmina surgiu como um relâmpago.

O brilho pouco detectável era a prova de sua latência mágica. Era uma espada mágica. Não muito incomum.

Matador de Goblins posicionou seu escudo para bloquear o golpe. O ataque percorreu pela superfície do escudo, se curvando e passando sobre ele.

Não…

— Uggh!

Matador de Goblins grunhiu.

A lâmina fina se deformou, perfurando sua cota de malha através de uma costura em sua ombreira.

Sangue escorreu do seu lado esquerdo. Elfo Negro não tinha bem a melhor arma, mas era experiente em usá-la.

— Hah! Você é lento, humano!

Sua habilidade não devia ser uma surpresa. Afinal, seu nível era alto o suficiente para que pudesse usar até mesmo Desintegrar.

Elfos e elfos negros tinham diferenças físicas fundamentais comparado aos humanos.

Humanos não eram naturalmente dotados de qualquer forma excepcional, o que dificultava levarem a melhor contra um elfo negro ágil. Ainda mais um como esse, que tinha dezenas, centenas ou milhares de anos a mais de experiência. Confrontado com os olhos, mãos e habilidades de Elfo Negro, um equipamento meramente tolerável era tão bom quanto nenhum equipamento.

— Entendi. Como o líder deles, não tem necessidade de se segurar.

Não que fosse importante para Matador de Goblins, é claro.

O ataque não era grave. Não atrapalhava ao ponto de impedir o uso de seu ombro. E não estava envenenado.

Ele avaliou sua própria ferida com seu habitual desapego calmo, depois elegeu prosseguir a luta.

— Ainda ansioso por mais, heim, seu pequeno verme nojento?

— …

— Muito bem. Veja por si mesmo se nós somos inferiores a um goblin!

Elfo Negro, que parecia ter precipitado alguma conclusão indevida, esticou o artefato em sua mão esquerda no ar.

— Ó Senhor deste grande membro, príncipe do furacão! Ponha o vento a soprar! Invoque a tempestade! Me conceda poder!

Algo mudou naquele momento. Um estranho som crepitante veio do corpo de Elfo Negro. Ele se retorceu e inchou. Então, um após outro, eles brotaram de suas costas.

Braços.

Deformados e bizarros, ossos ligados em lugares errados, protuberando com músculos.

Cinco deles no total, sete, incluindo os braços com que tinha nascido.

— …Hum.

— Heh, heh-heh, heh. Vejo que nem sequer sabe falar, seu aventureiro amaldiçoado!

Os apêndices se movimentando, como as de aranhas ou de caranguejos, eram visíveis do outro lado do campo de batalha.

Ele não era mais realmente um elfo negro. Seus olhos eram selvagens e avermelhados, com sua voz alta, lutava contra os limites do seus sentidos e capacidades.

Ele quase não fez nenhum som quando se inclinou com seu peso massivo e mergulhou em direção a Matador de Goblins.

No instante seguinte, um jato de lama disparou da terra, acompanhado de uma pancada.

— Mas que raios é aquilo?! — gritou Alta-Elfa Arqueira enquanto disparava uma flecha, apanhando um goblin invasor através do olho. — Aquele elfo negro simplesmente cresceu braços de suas costas?!


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Essa batalha só melhora!
    Acho que depois dessa o MdG vai subir de ranking…

    PS: Sete braços em um mano a mano é apelação! kkkk

    1. Tem que subir né? Eles estão salvando uma cidade sozinhos.

      Bem injusto mesmo no mano a mano, fora que ele ainda vai invocar aquele monstro mitológico cujo o nome eu não lembro kkk

    1. “Aquele senhor goblin era mais complicado que você.”
      De fato, é realmente o Goblin Slayer de custume kkk

  2. Obrigado pelo capítulo.

    O Goblin Slayer como sempre surpreendendo o inimigo e ainda faz questão de humilhar dizendo que é menos complicado que um goblin kkk

  3. Caraca o cara virou o Goro do mortal combate!! Pode isso Arnaldo?!!

    … Você não parece um goblin… shahsauhsushsuahsuahsuauh esse mdg é muita onda.

    E a elfinha pensando em ir numa aventura com o mdg…

    O bixo tá pegandoo!!!

    Vlw pelo capítulo.

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