MdG – Volume 4 – Capítulo 1 (Parte 2 de 8)

Guerreiro Novato se aproximou hesitantemente do corpo do primeiro rato, e dessa vez, ele usou toda a sua força para extrair sua espada.

Então…

Chleeep.

— …

— …

Era um som que eles não gostavam. Os dois aventureiros se entreolharam com o barulho inesperado, tensos de medo.

Chl…

Chlep.

Chleeep.…

Chlep.

O som vinha do fundo da escuridão.

Tremendo, Sacerdotisa Aprendiz levantou o lampião.

Algo preto e luzente transformado na forma de um inseto enorme brilhava como se estivesse coberto de óleo. Um deles, dois… então muitos, muitos mais. Mesmo com uma contagem rápida era claro de serem superiores a dez.

Enquanto procuravam com suas longas antenas finas, as criaturas se aproximavam lentamente.

Elas vinham diretamente para os aventureiros, com as mandíbulas abertas.

— Ah…

A voz de Sacerdotisa Aprendiz se prendeu em sua garganta, antes de…

— Nãããããããão!

— Idiota! Não grite, corra!

Os dois agarraram o que puderam e correram apavorados para fora do esgoto.

Um som terrível de raspagem lhes dizia que os insetos negros ainda estavam bem em seus calcanhares.

Quão longe era a saída mesmo?

Guerreiro Novato refletiu: ele não pediu por dragão. Talvez goblins, ao menos, embora pudessem prolongar seus últimos momentos e fazê-lo terrível. Mas de todas as coisas, a última forma como ele queria morrer era ser comido por baratas gigantes.

A manhã da primavera era quente, como se estivesse anunciando a vinda do verão.

— Ugh… ggrrh…

Guerreiro Novato acordou com uma luz matinal que penetrava seus olhos, então se espreguiçou sobre o feno para aliviar a rigidez de seu corpo.

Ele respirou fundo e exalou, o ar tinha uma mistura desagradável de álcool e odor de animal.

Saudar um novo dia nos estábulos ainda era melhor do que estar no esgoto.

A Guilda dos Aventureiros tinha uma pousada, é claro, mas não era de graça. Verdade, todos eles eram quartos “econômicos”, embora as camas fossem apenas cobertores sobre tábuas de madeira.

Estavam longe de serem suítes, mas…

— Simplesmente não tenho dinheiro.

Ele suspirou lentamente. A aventura do dia anterior ficou exposta na coluna “prejuízo” de suas finanças.

Um antídoto, uma espada, e — por não terem cumprido a cota solicitada — nenhuma recompensa.

Ele poderia sobreviver hoje porque ele ao menos tinha um pouco de dinheiro que economizou e guardou. Mas a esse ritmo, não demoraria muito para que ele tivesse que carregar seus poucos pertences de volta para casa, ou — se fosse especialmente azarado — talvez até se tornasse um servo ou um prostituto.

Só havia passado poucos meses desde que Guerreiro Novato saiu de sua pequena aldeia agrícola para se tornar um aventureiro. A razão foi que Sacerdotisa Aprendiz, uma velha amiga dele, havia saído para treinar e parecia morrer facilmente se deixada por conta própria.

A perspectiva dela, por outro lado, era que ela acompanhava ele em “algum tipo de treinamento de guerreiro ou algo assim” para que ele não fosse deixado para morrer em um arbusto aleatório.

Ele sentia que teria de ser clara com ela nesse ponto em algum momento.

Bem, tinha sentido.

Nos meses que se seguiram quando chegaram na cidade fronteiriça, eles não tinham feito nada além de matar ratos. E às vezes baratas.

Isso realmente é trabalho de aventureiro…?

Foi o suficiente para fazer seus sonhos definharem na raiz, quebrando sua certeza e resolução.

— Pare, pare. Já basta desses tipos de pensamentos.

Ele se sacudiu e tirou um pedaço de feno perdido de suas roupas.

Nas proximidades, um homem de meia-idade, aparentemente um aventureiro também, cochilava em sono profundo de bêbado, roncando alto.

À frente deles, os cavalos olhavam com desgosto para os humanos que presumivelmente compartilhavam seus espaços de dormir.

Ele não viu Sacerdotisa em lugar algum.

Por mais desapontado que estivesse, Guerreiro Novato ainda tinha orgulho suficiente para permitir que ela dormisse em uma dessas camas simples.

— Muito bem! Hoje é um novo dia!

Fingir estar de bom humor é quase estar realmente de bom humor, certo? Ele deu um berro, pegou suas coisas e correu para fora do estábulo.

Indo direto ao poço, ele puxou um balde e jogou água por todo o rosto. Usando o pano em sua cintura, ele começou a esfregar energicamente. Ainda não havia quaisquer sinais de qualquer barba nova crescendo.

— Começarei a parecer mais como um herói em breve… espero.

Ou talvez os pelos faciais só dariam a Sacerdotisa Aprendiz um motivo para apontar e rir dele. Guerreiro Novato grunhiu.

Em todo o caso, havia muito a se fazer.

Com a pequena tarefa de se fazer apresentável já terminada, o garoto foi direto para os estábulos. Ele pegou uma pá pequena da prateleira de ferramentas agrícolas e foi para parte de trás.

— Hummm. Então, onde eu coloquei…?

O estado exaustado que ele estivera ao retornar na noite anterior o deixou com apenas uma pequena lembrança de onde estava.

Ele verificou o chão por alguns minutos, procurando por alguma coisa, então, com um “Ah, aí está”, ele encontrou o vestígio de terra mexida mais recente.

Ele enfiou a pá na terra, forçou o pé sobre ela e cavou por um tempo.

Depois de um pouco de trabalho, ele retirou seus equipamentos do chão; sua armadura e escudo.

Ele tinha os conseguidos logo depois de chegar na cidade, usando seus fundos escassos. Eles eram medíocres, mas sem igual. Esses eram equipamentos que sabia que poderia contar.

Tinha, é claro, uma razão dele ter enterrado eles.

— …Tsc. Estão fedendo… hrrm. Bem, continua sendo o melhor, eu acho.

Ele aproximou seu rosto deles e cheirou.

Cair na poça de esgoto não o incomodou enquanto eles estiveram correndo para fugir. O problema foi quando eles voltaram à superfície e ele percebeu o quanto estava fedendo. Não só as pessoas na rua, mas até os seus colegas aventureiros fizeram careta e franziram a testa para ele.

No fim, quando voltaram para a Guilda para fazer seus relatórios, a recepcionista tinha dito sorrindo: — Por favor, vá se limpar e depois volte.

Durante todo esse tempo, Sacerdotisa Aprendiz ficou lá parada, vermelha e tremendo, encarando o chão…

Fizemos asneira…, pensou lentamente ele.

Por fim, embora ele não estivesse muito acostumado, ele lavou as roupas, as secou e se lavou antes de se trocar.

Depois de considerar um pouco sobre o que fazer com sua armadura de couro e escudo, ele decidiu que a única coisa certa era os enterrar no chão e esperar que isso acabaria com parte do fedor.

O cheiro havia melhorado um pouco, pelo menos é o que esperava, então ele limpou a terra com um pano e se equipou.

Ele não teria a coragem de deixar seus equipamentos preciosos simplesmente jogados por aí, mesmo se ele estivesse em um quarto alugado, quanto mais “hospedado” no estábulo como estava.

— Hm…

Seu estômago começou a roncar, acompanhado de uma sensação dolorosa.

Guerreiro Novato pôs a mão instintivamente sobre o abdômen e olhou em volta com um pouco de pânico. Não havia ninguém por perto. Ninguém para ouvir.

Agora que ele pensou nisso, só havia bebido um pouco de água no dia anterior.

O céu estava azul, o sol da manhã brilhava intensamente.

Guerreiro Novato deu um suspiro.

— …Acho que é melhor comer alguma coisa.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

6 Comentários

  1. “Agora que ele pensou nisso, só havia bebido um pouco de água no dia anterior.”
    Ele é realmente um guerreiro por ter ido em uma aventura só com isso…

  2. Como um cara que nem comeu conseguiria sair em uma aventura?
    Foi um milagre ele tão ter virado o jantar das baratas…

  3. É man… Parece que vida de aventureiro não é fácil não… Só espero que essa garota morra e ele fique boladão que nem o mdg hehehe.

    Aaa seu eu tivesse no lugar do gn (Guerreiro novato) eu pediria pra o mdg me treinar…

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!