MdG – Volume 4 – Capítulo 1 (Parte 7 de 8)

— O que a vela diz?

— Hum… seria esse caminho um pouco mais quente?

Cada vez que eles chegavam a uma bifurcação no caminho, Sacerdotisa Aprendiz ergueria a vela para encontrar a direção correta e então eles prosseguiriam.

Infelizmente — senão previsivelmente — a espada não estava onde eles haviam deixado depois do combate do dia anterior. Talvez os ratos gigantes tivessem a levado embora ou as baratas gigantes a empurraram para o lado…

— Eles não são goblins… Eles não ficam acumulando saques.

— Ei, não diga isso, até assusta. — Sacerdotisa Aprendiz fez cara feia para Guerreiro Novato e lhe deu uma cotovelada. — Se eles fossem realmente goblins vivendo debaixo dessa cidade, não seria engraçado.

— Com certeza.

Então eles teriam que pedir a Matador de Goblins mais do que apenas conselhos.

Eles continuaram sua busca diligentemente, se queixando do fedor.

Ao longo do caminho, eles encontraram — e despacharam — um total de três ratos gigantes. E uma barata gigante.

A clava logo estava coberta por uma gosma espessa, já contando da história de suas batalhas.

— Acho que não pensei em como isso traria sangue e… isso são miolos? …espatifados?

— Bem, você viu quão sujo esse rapaz goblin… — se interrompeu Sacerdotisa Aprendiz. — Quão sujo Matador de Goblins ficou.

A nova arma também era pesada, e ter que brandi-la sem parar em batalha o cansava muito mais depressa que uma espada.

— Mas eu gosto de como posso movê-la sem ter que mirar.

— Só não tente perdê-la nem nada.

— É…

Guerreiro Novato grunhiu concordando com essa opinião enquanto espreitava por uma esquina.

Parecia haver apenas ratos de tamanho normal lá no momento, então não havia problemas.

Acenando para Sacerdotisa Aprendiz atrás dele, ele foi em frente com um passo de cada vez.

Sacerdotisa Aprendiz deu um pequeno ganido com as longas caudas dos ratos enquanto eles pisavam ao redor dos roedores.

— Ah, sim…

— O que foi? Tem outro comentário estúpido a fazer?

— Não. — Guerreiro Novato balançou a cabeça apressadamente, verificou à esquerda e à direita para garantir que estavam seguros, então se sentou no caminho. — Temos algum barbante?

— Corda serve?

— Grossa demais.

— Tenho alguns barbantes para segurar meu cabelo…

— Obrigado.

Ela vasculhou a bolsa, então entregou o laço de cabelo para ele, dizendo “Não se esqueça de me devolver”. Depois ela se agachou perto de Guerreiro Novato e observou atentamente enquanto ele fazia alguma coisa.

— Quando arranjarmos dinheiro, eu te compro outro.

— Vai sair da sua parte, está bem?

— Sim, claro.

O serviço estava bom, mas muito simples. Ele enrolou o barbante firmemente ao redor do cabo da clava até formar um laço de um tamanho específico.

Quando ele pôs a mão por ele para segurar a clava…

— Viu? Agora não vou deixar cair.

— Humm… — Sacerdotisa Aprendiz inspecionou atentamente a precinta improvisada, então deu um bufo. — Esse é um bom serviço, vindo de você.

— Ai, isso dói.

— Quando voltarmos, vou colocar um melhor para você.

Sacerdotisa Aprendiz se levantou com uma gargalhada, mas quando ela ergueu a vela para verificar…

— Uoo, caramba!

…ela quase deixou cair, ajustando desesperadamente sua mão para segurá-la.

— Ei, qual o problema? — Guerreiro Novato também se levantou, segurando a clava no caso de haver problemas.

Ele era inexperiente, mesmo assim olhou ao redor cuidadosamente, com o escudo erguido. A garota balançou a cabeça.

— N-não foi nada. É só que… a vela está ficando cada vez mais quente.

— Está ficando mais quente? Então isso quer dizer…

Ele podia ver que a chama branca azulada da Vela de Busca se tornara visivelmente maior.

Guerreiro Novato e Sacerdotisa Aprendiz olharam um para o outro.

— Devemos estar chegando perto.

Foi a boa sorte com crítico que lhe permitiu pressentir que algo estava vindo neles de cima.

Guerreiro Novato se moveu de imediato para cobrir Sacerdotisa Aprendiz, lhe dando um empurrão enquanto ambos saiam do caminho.

— Agh! O-o que está…!

— Idiota, olhe!

Era como uma enorme massa preta.

Devia ter dois metros de comprimento, quase o dobro do tamanho normal. Tinha uma carapaça lustrosa e seis pernas espinhadas, enquanto agitava as antenas que pareciam pedaços finos de fio de aço e rangia as mandíbulas com dentes afiados.

— O que a vela diz…?!

— Está realmente quente!

— Não me diga que está dentro dessa coisa!

O inseto — era para lá de gigante, uma barata imensa — avançou na direção deles. Os dois gritaram e começaram a correr.

— O-o que fazemos?!

— Gostaria de saber…!

O enorme inseto negro que rastejava indiscriminadamente pelo teto, chão e paredes era mais do que um pouco assustador.

A perseguição em si não era a única coisa assustadora. Era a ideia de ser comida por aquela criatura.

Eles não haviam se tornado aventureiros só para se tornar um banquete para ratos ou baratas…!

— Vai nos apanhar nesse ritmo…!

Eles ainda só estavam seguros enquanto corriam desesperadamente pelos esgotos graças a velocidade da sua reação e a distância que tinham no início.

Uma barata gigante estava longe de ser tão ágil quanto um humano, pelo menos não um aventureiro ranque Porcelana.

Mas era óbvio que eles não tinham muito tempo antes de serem apanhados e devorados.

Temos que chegar à superfície antes… Não, nunca vamos conseguir…!

Eles teriam que subir uma escada para chegar ao solo. Se fossem atacados nesse momento, estaria acabado. Baratas normais poderiam voar. As gigantes provavelmente poderiam também.

— E se nós pulássemos na água?!

— Muita coisa boa nos faria se pegássemos a peste!

— Tudo bem então… Um túnel estreito! Talvez não seja capaz de nos seguir!

— Não vai dar certo! Baratas são extremamente flexíveis.

Uma passagem estreita poderia dar a eles um momento de trégua, mas depois o inseto se espremeria com eles. Só de pensar era o suficiente para dar a ele um calafrio. Nada de túneis então.

— Temos que lutar!

— Mas como?!

O rastejar o tornava visceralmente enjoado, e estava ficando mais perto.

Guerreiro Novato olhou para a clava em sua mão.

Se ele atingisse a barata várias vezes, ela morreria. Ele estava certo disso. Mas como fazer isso?

Se eu só brandir até ela, nunca acertarei.

Ela era muito rápida. Se ele não pudesse impedi-la de se mover, a batalha seria impossível. Ele simplesmente não tinha a habilidade.

— E-ei! Acha que poderia acertá-la com Punição Sagrada?!

— Não sei…! São os deuses que apontam a magia, não eu!

— E se ela estivesse vindo direto para você?!

— Nesse caso, talvez…!

— Certo!

Agora ele teria que pensar rápido. Se ele ia fazer isso, ele não poderia hesitar.

Guerreiro Novato pegou o lampião da cintura de Sacerdotisa Aprendiz.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Quando ele pegar a espada ele vai deixar a clava?

    Quando isso terminar ele tem que agradecer ao mdg pelo conselho

    Ficando mais experiente com o tempo hehehe

    1. Creio que sim, pois ele tá até arriscando a vida por ela(nota: é uma espada comum, imagina se fosse uma mágica?!)

      MdG não vai nem se importa com isso kkk

        1. Possivelmente ele não vai virar (desculpe-me por destruir seu sonho kkk), mas é certeza que para ele o MdG vai ter “Respect +”(se jogou GTA vai pegar a referência kk).

  2. Deixa essa espada para lá! Arruma um dinheiro caçando ratos que é melhor. Pelo menos a chance de ser comido por uma barata gigante teria diminuído hauahuhuhauh

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