MdG – Volume 4 – Capítulo 1 (Parte 8 de 8)

— Quê! E-ei, o que está…?!

— Você pode me xingar se sobrevivermos!

Gritando ainda mais alto que Sacerdotisa Aprendiz, Guerreiro Novato olhou para trás.

O inseto gigantesco estava bem ali, com gosma escorrendo de suas mandíbulas rangendo.

Guerreiro Novato respirou fundo.

— Experimente isso!

E então ele jogou o lampião bem na frente do inseto.

O impacto com o chão despedaçou o anteparo medíocre do lampião, e o fogo se alastrou da chama de dentro.

A barata enorme deu um berro, abrindo as asas e levantando voo. A visão em si era o suficiente para eles perderem a vontade de lutar.

Guerreiro Novato sentiu algo quente e molhado nas calças. Ele forçou seu maxilar para parar seus dentes de rangerem.

— Agora… faça!

— Ee… ehh… ahhh…!

Em resposta ao grito de Guerreiro Novato, Sacerdotisa Aprendiz, que estava tremendo e muda, ergueu sua espada-e-balança.

— Senhor do julgamento, príncipe da espada, portador da balança, mostre aqui o seu poder!

Um raio crepitante avançou direto no inseto imundo.

Houve um estalo de trovão e uma luz azulada e brilhante baniu a escuridão difusa do esgoto. O milagre durou apenas um só instante.

A fumaça que fedia a ozônio e quitina queimada eclodiu do monstro, revirando seus estômagos.

A barata imensa caiu no chão com seu abdômen horrivelmente exposto, se esforçando para se erguer de novo com seus seis membros.

— I-iii… iaaaaaahhh!

Guerreiro Novato ergueu sua clava e pulou nela. Ele foi até o abdômen negro, ignorando as pernas espinhosas o arranhando, e enfiou seu escudo contra as mandíbulas dela. Pinças negras tentaram perfurar o couro oleado, mas nada mais do que isso. Com um grito animal, ele ergueu a clava e golpeou e golpeou, atacando, quebrando, de novo e de novo.

Ele não prestou atenção na gosma que voava das mandíbulas da barata, nem do sangue vazando de seus arranhões. Se prestasse, ele seria morto.

O cabo suado escorregou de sua mão. O barbante que amarrara ao redor dele lhe permitiu recuperar o controle. E ele atacou de novo.

Ataca e ataca e ataca e ataca e ataca e ataca. Aconteça o que acontecer, apenas ataque. Tantos golpes quanto possíveis. Bata nela até morrer.

— Huu… ahh… huff… ahh…

Por fim, ele chegou ao limite. Ele já não tinha mais fôlego suficiente.

Ele tentou clarear as ideias, com a visão avermelhada pelo calor do corpo, mas o esforço lhe desenvolveu tontura. Então Sacerdotisa Aprendiz apareceu, o apoiando assim quando pensou que ele iria cair.

— Você… você está bem…?!

— Acho… acho que sim.

O garoto percebeu que estava coberto da cabeça aos pés de fluidos de barata. Sua mão direita, que segurava a clava, estava particularmente mal.

Onde a cabeça do inseto deveria estar, só havia uma poça dispersa de fluidos.

As seis pernas, se contorcendo com os últimos vestígios de vida, ainda eram de recear.

— Ainda… está viva…? — perguntou Sacerdotisa Aprendiz.

— F-fique longe. É… perigoso.

Guerreiro Novato engoliu em seco, então retirou sua adaga do cinto. Ele a usou para cortar cada perna na menor articulação até que finalmente rompesse. Ele tinha que fazer isso, ou não estariam seguros. Ele fez isso seis vezes, até que seus dedos ficaram rígidos e terrivelmente doloridos. Mas ainda não estava acabado.

— Hum… o abdômen, certo?

Ele segurou a adaga inversamente com as duas mãos, a levantou e então desceu. Houve um fsssh e um jato de fluido do corpo.

A lâmina acertou alguma coisa dura, e então Guerreiro Novato se preparou e alcançou o estômago da barata. Ele puxou algo para fora.

— Encontrei…

Ele não tinha ideia do que a criatura estava pensando quando comeu isso. Mas a espada que ele pegou era inequivocamente a que ele havia comprada tão ansiosamente, sua primeira espada.

— …A partir de hoje, talvez chamarei essa espada de Estoura-Peito e essa clava de Matadora de Baratas. O que você acha?

— Eu acho que deveria parar de falar estupidez e beber esse antídoto, e depois devíamos ir para casa.

O menino estava uma figura patética, cada centímetro dele coberto de gosma. Algumas dessas coisas havia caído na cintura da garota, que fora despida quando o lampião foi arrancado, e estava fumegando ali.

Os dois fingiram não notar nenhuma dessas coisas enquanto trocavam um sorriso irônico com sua grande vitória.

— Ai-ai…

O sol estava se pondo na cidade fronteiriça.

Os dois tinham se lavado dos pés à cabeça no rio — evitando cuidadosamente qualquer relance uns dos outros com apenas suas roupas íntimas — e depois foram à Guilda fazer seu relatório.

Eles verificaram seus equipamentos, reabasteceram os suprimentos que usaram, cuidaram de seus arranhões e finalmente pagaram por um lugar simples para dormir.

No fim, tudo o que restou eram várias peças de prata que Guerreiro Novato segurava atualmente nas mãos.

Essa seria suas economias. Mas… quanto é que conseguimos salvar?

Agachado na porta da Guilda dos Aventureiros, Guerreiro Novato também sentiu vontade de suspirar.

— Ei, por que está olhando para o nada afinal?

— Hmm…

Sacerdotisa Aprendiz, pressionando uma toalha em seus cabelos molhados, estava bem ao lado dele.

Guerreiro Novato não respondeu, com seu foco nas pessoas indo e vindo pela porta.

Aventureiros de todas as espécies estavam saindo até a cidade com seus itens especiais ou vindo à Guilda. Cada um estava cheio de equipamentos, com fadiga misturada com um sentimento de realização em seus rostos.

O garoto e a garota ainda não tinham experiência suficiente para perceber que isso significava que nenhum aventureiro morrera naquele dia.

— Só estava… pensando que temos um longo caminho a percorrer.

— Bem, obviamente — disse Sacerdotisa Aprendiz bufando e se sentando ao seu lado. — Um pequeno progresso a cada dia! O problema começa quando quer mais do que isso.

— B-bem, claro, mas…

— Dê o seu melhor, se sacrifique, ganhe dinheiro e viva a sua vida. Não pode reclamar disso, pode?

— B-bem, claro, mas… — As peças de prata em sua mão tremeluziam na luz de fim do dia. Os lampejos brilhantes do metal machucavam seus olhos. — …Temos um longo caminho a percorrer.

— …É verdade.

Mas eu… até eu… fui capaz de lidar com alguns ratos e baratas gigantes hoje.

Não seria uma grande lenda, mas não havia como negar que ele tinha colocado sua vida em risco.

— Muito bem! Vamos comer uma refeição decente! — disse ele, e jogou as moedas para Sacerdotisa Aprendiz.

— …Sim. Acho que podemos desfrutar um pouco hoje.

Algum dia… algum dia… algum dia.

Eles queriam ser bravos. Eles queriam ser heróis.

Eles queriam ser aventureiros que pudessem derrotar um dragão.

As moedas chacoalharam na palma da garota enquanto ela se levantava.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

6 Comentários

  1. Eles sobreviveram!

    Foi bom ver o desenvolvimento de personagens secundários na obra.
    Agora é só esperar para ver quem vai ser o próximo…

  2. Obrigado pelo capítulo.

    Um ótimo desenvolvimento desses personagens secundários.
    Só espero que eles tenham a sorte de não morrer depois desse capítulo.

  3. Vamos ver se veremos eles futuramente, espero que não sumam com eles e nunca mais fale nada sobre como estão…

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