MdG – Volume 4 – Capítulo 10 (Parte 1 de 4)

A noite estava chegando quando a carruagem compartilhada parou. O sol se pondo lançava seus últimos raios vermelhos, e o mundo foi pintado de roxo junto as marcas da escuridão. A sombra alongada do veículo se fundia com as grandes e distorcidas silhuetas da cidade, criando figuras bizarras e caricatas.

Quando ouviu as crianças correndo para a casa ao longe, Matador de Goblins relaxou. Ele não entendia por que seus músculos ficaram tão tensos na carruagem, embora tudo o que fez foi cavalgar. Ele estava completamente consciente, mas seu corpo parecia pesado, sua cabeça confusa e seus passos incertos e leve.

Acho que esse é o momento, decidiu ele, fechando os olhos durante alguns segundos para aliviar a dor maçante neles. Ele recordou de ouvir em algum lugar, uma vez, que humanos só podiam lutar continuamente por no máximo vinte dias. Sem descanso, mais do que isso iria provavelmente degradar suas capacidades de diversas formas.

Matador de Goblins não era tão otimista de supor que ele poderia aguentar tanto tempo.

Ele partiu com um passo audaz, rumando direto para o edifício que assomava próximo ao portão principal: a Guilda. Ele faria seu relatório, pegaria a recompensa, examinaria seu equipamento, descansaria um pouco, e então sairia de novo para matar goblins.

Era exatamente a mesma rotina que sempre seguia. Nunca mudou. Não poderia.

Mas, quando ele foi abrir a porta da Guilda…

— Oh!

— Minha… nossa.

Ela abriu do outro lado, e ele quase acabou esbarrando em um homem e uma mulher saindo. O homem recuou alguns passos quando confrontado com o capacete de aço coberto de manchas carmesins. Sua companheira avantajada apenas parou com seu cajado preparado e seus lábios arqueados elegantemente.

— Caramba, parceiro — disse Lanceiro com uma expressão tremendamente cansada. — Tem que parar de andar por aí com esse capacete.

— Eu te assustei?

— Não mais que o normal!

— Sabia… que você… parece uma… armadura viva, não é?

Os risinhos de Bruxa pareceram fazer o perplexo Lanceiro ainda mais furioso.

Matador de Goblins virou seu capacete de um lado para o outro, os observando despreocupado. Lanceiro estava equipado com sua armadura e a sua amada lança, com uma mochila pendurada na ponta. Quanto a Bruxa, ela usava seu traje habitual e segurava seu cajado usual. Ela também carregava um recipiente cilíndrico com um pergaminho. Era perfeitamente óbvio onde os dois estavam indo.

— Partindo em uma aventura?

— Sim. — Os olhos de Bruxa, agraciado por cílios longos, entrecerrou um pouco. — Um encontro… se preferir.

— E suponho que você tem andando exterminando goblins?

— Sim — assentiu Matador de Goblins. — Acabei de terminar.

— Tsc. Claro — murmurou Lanceiro, então abriu a boca para dizer mais alguma coisa. Mas uma expressão que era difícil de descrever passou pelo seu rosto; ele olhou do capacete para a Guilda e voltou de novo, depois fechou a boca sem dizer nada.

Matador de Goblins abriu a porta, dando espaço para passar uma pessoa. Depois de um momento de reflexão, pensando que deveria dizer algo, ele disse: — Tenham cuidado.

— Você é a última pessoa de quem quero ouvir isso.

Lanceiro bateu com o punho no ombro de Matador de Goblins enquanto passava. Ele já estava começando a andar quando Matador de Goblins olhou para o ombro com um pouco de perplexidade. Quando ele olhou para cima de novo, viu Bruxa dando a ele um sorriso estranhamente significativo antes de sair, balançando os quadris.

— …Hmm.

Matador de Goblins inclinou a cabeça ligeiramente, deixando a porta entreaberta. Ela rangeu quando fechou, e então ele abriu de novo, por si mesmo dessa vez.

Os gritos entusiasmados no edifício o envolveram. Um grupo estava agrupado na recepção, tentando apresentar um relatório sobre sua aventura. Um outro olhava o quadro de avisos, à procura de uma missão que podiam começar de imediato. Algumas pessoas estavam no bar, aproveitando um dia de folga, enquanto outros estavam ansiosos para pegar novas aventuras. Era barulhento, era rude e o lugar todo ressoava com o som de armas, equipamentos e vozes.

Matador de Goblins examinou rapidamente o local desde a entrada, então caminhou até a área de espera livre. Ele podia ver que Garota da Guilda estava ocupado no momento ajudando outros aventureiros. Sua cabeça balançou em resposta à sua pequena saudação, e ele foi para o banco.

— Oh!

— Ah!

Isso provocou um par de exclamações incoerentes dos arredores. Ele se virou para olhar e viu um jovem e uma jovem que pareciam completamente exaustos.

Era Guerreiro Novato e Sacerdotisa Aprendiz. Talvez tivessem tido uma luta de água, pois o cabelo deles estavam úmidos e ensopados. Ao mesmo tempo, havia uma pitada de entusiasmo em seus rostos, muito provavelmente o prazer de um trabalho feito.

Uma clava estava pendurada ao lado da espada na cintura do garoto. Estava sujo e bem usado, e havia uma alça de corda no cabo. Matador de Goblins inclinou o capacete bem ligeiramente.

— Então você está usando.

— …Oh, hum, é. — Guerreiro Novato se moveu desconfortavelmente, então deu um tapa na clava suavemente. — É bastante boa.

— É mesmo? — disse Matador de Goblins assentindo.

Guerreiro Novato coçou a bochecha de uma forma que sugeria indecisão, depois disse: — Estive pensando…

— …

— Talvez dê o nome de Esmagador.

— Entendi.

— Ei — disse Sacerdotisa Aprendiz, dando ao jovem guerreiro um golpe com o cotovelo. — Esse nome é vergonhoso.

Guerreiro Novato resmungou, mas não recuou. — É, mas…

Matador de Goblins olhou de um para o outro quando começaram discutir, então se levantou.

O grupo na frente de Garota da Guilda fora embora.

Matador de Goblins ficou em silêncio por alguns instantes, mas antes que ele começasse a se mover, murmurou: — Não é nada mau.

A argumentação deles parou em um instante. O garoto e a garota ficaram boquiabertos para o capacete de aço medíocre, como se não conseguissem acreditar no que acabaram de ouvir. O capacete inclinou um pouco para olhara para eles.

— Não serve para arremessar, mas essa corda é engenhosa — continuou a voz sossegada. — Talvez eu tente isso.

Os dois aventureiros jovens se viraram para olharem um para o outro enquanto Matador de Goblins virava as costas para eles e partia.

Na recepção, Garota da Guilda, que acabou os afazeres com os outros aventureiros, endireitava um maço de papéis. Quando viu o elmo de aço sujo, ela deu um sorriso brilhante.

— Bem-vindo de volta, Sr. Matador de Goblins!

— Obrigado. — A cadeira rangeu sob seu peso quando ele se sentou, e então ele observou rapidamente alguns objetos estranhos na mesa. Eram bonecos pequenos o bastante para caberem na palma da mão; não, era um grupo de cinco ou seis peões em forma de aventureiros.

— Oh, esses? — Garota da Guilda não conseguiu segurar um riso quando tocou um deles com a ponta do dedo. Parecia ser um guerreiro com armadura leve. Ele estava com um pequeno escudo e espada, e ela o colocou gentilmente na mão. — Os encontrei outro dia… Eles só são peças de jogo, mas me senti um pouco mal os colocando em qualquer lugar.

— É mesmo? — Ela assentiu para ele e pôs o boneco de volta no lugar. Um batedor levemente armadurado, um cavaleiro com um capacete de aço, um elfo feiticeiro, um guerreiro anão e um monge velho.

— Isso é… um grupo?

— Sim. Aventureiros que partiram para fechar o portão da tumba que leva ao inferno. Não que eles já tiveram conseguido… — ela coçou a bochecha.

— Está bem balanceado — disse ele.

— Sim. É um grupo muito bom. — Ela falou sobre sua aventura como se tivesse realmente acontecido. Como elas encontraram a entrada do túmulo, lutou com um monstro guardião de verde e o labirinto terrível…

Matador de Goblins ouviu em silêncio, até que Garota da Guilda voltou a si mesma com um susto.

— M-me desculpe! Eu fiquei todo esse tempo…

— Não se preocupe — disse Matador de Goblins balançando a cabeça. — É bem interessante.

— É? — Garota da Guilda inclinou a cabeça, balançando ligeiramente as tranças. Então ela tossiu um pouco. Ela lhe ofereceu uma xícara de chá que preparara e se acomodou de novo no seu lugar.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

4 Comentários

  1. Obrigado pelo capítulo.

    É interessante ver como o Goblin Slayer evoluir socialmente, pelo menos um pouco.

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