MdG – Volume 4 – Capítulo 10 (Parte 2 de 4)

— Então, hum… Como foi a sua missão?

Matador de Goblins pegou o copo e bebeu, então disse:

— Havia goblins lá.

Sim, claro. Garota da Guilda sorria como se isso a fizesse feliz, com sua pena se movendo pela folha. Quantos eram? Como se estabeleceram? Como os matou? Ele resgatou alguém? A missão foi bem-sucedida?

Ele lhe deu a informação serenamente. Tudo como o de costume. Outro trabalho de extermínio de goblins por Matador de Goblins. Quando ela terminou de escrever um relatório rápido, ela leu de novo, revisando tudo.

Estava tudo em ordem. Garota da Guilda o parabenizou outra vez pelo trabalho bem feito, depois colocou o selo no relatório. Agora o trabalho estava realmente terminado. Tudo o que faltava era pegar sua recompensa do cofre.

— Agora, sua recompensa… Oh, isso mesmo. — Ela bateu as mãos com suas unhas cuidadosamente cortadas. Havia algo que ela não poderia esquecer. — Se lembra da aldeia do outro dia?

— Que aldeia?

— Aquela que foi sozinho…

— Ah — assentiu ele. A caverna. Os aldeões. O garoto. A prisioneira. — Eu me lembro.

— Bem, aquela aldeia — disse Garota da Guilda com um riso expressivo — lhe enviou um pequeno presente de agradecimento.

Ela disse a ele que esperasse um instante e desapareceu como um cachorrinho feliz. Ela pegou uma bolsa de couro do cofre e pesou em uma balança, se certificando de que o ouro pesava o que devia. Sem problemas.

Ela pôs a bolsa em uma bandeja, depois deu um hup! e colocou um cesto inconveniente ao lado. O resultado, na mesa da recepção, era um monte de milho que parecia ter sido colhido recentemente.

— Eles disseram que isso é para você comer!

— Oh-ho.

Matador de Goblins pegou uma das espigas; era pesada na mão. Ele puxou a casca para revelar lindos grãos dourados.

— Está muito maduro.

— Não é? — Ela estufou seu peito mediano prazerosamente, tão orgulhosa como se ela mesma tivesse cuidado do milho. — E sabe que mais? A pessoa que trouxe foi uma pessoa que você salvou recentemente.

— …Foi agora?

— An-ham! — Garota da Guilda deixou seus olhos se moverem para o milho com uma expressão que indicava alívio. Era raro que aventureiros ou mercenários tivessem uma segunda chance quando falhara uma vez. — É ótimo, não é?

— É. — Matador de Goblins balançou seu capacete lentamente para cima e para baixo. — Excelente.

E assim, com toda a papelada e procedimentos terminados, Matador de Goblins pegou a cesta de milho e se pôs de pé. Exceto pelos registrantes muito novos, nenhum desses reunidos na Guilda lhe prestou atenção especial. Talvez alguns olhassem para cima e comentavam: “Ah, lá vai ele de novo”. Não foi diferente de Garoto Aprendiz enquanto espreitava da oficina, lhe dando uma pequena reverência.

Matador de Goblins parou. — O que foi? — O garoto limpou as mãos no avental antes de falar.

— Ah, nada. Pensei que você poderia, hum, precisar de uma espada ou algo assim, e queria vir fazer o seu pedido.

— Entendi — assentiu Matador de Goblins. — Nesse caso, uma, por favor.

— Pode deixar. Não quer pedir várias de uma vez?

— Não. — Matador de Goblins apalpou a bainha ao seu lado. — Só consigo carregar uma de cada vez.

— Esse é o nosso Matador de Goblins — disse Garoto Aprendiz com um sorriso irônico e um aceno. — Vou arranjar uma para você então, e… Uoo! Esse é um belo milho! — Ele avistou a cesta e pestanejou. — Sorte a sua — disse ele. — Não sabia que já estava na época.

— É.

— No interior, antes de vir para cá, nós costumávamos ferver o milho toda vez. Sabe, no verão.

— É mesmo? — Matador de Goblins pegou da cesta, indiferentemente, duas ou três espigas de milho. Ele as esticou na direção do aprendiz. — Quer um pouco?

Garoto Aprendiz fez um som de surpresa. — Posso? Sério?

— Devo bastante a você e a seu mestre.

— B-bem, está bom então! Muito obrigado! — Abaixando a cabeça, Garoto Aprendiz correu com o milho nos braços. — Ei, chefe! — Sua voz ecoou na oficina. Matador de Goblins se virou e seguiu.

O dia estava acabando e aventuras tinham acabado, então a Guilda estava cheia de aventureiros. Ele abriu caminho por entre a multidão, dando um ligeiro aceno com a cabeça cada vez que alguém que conhecia o cumprimentava.

— Céus. Podia ter nos avisado. Podíamos ter cozinhado elas na cozinha.

Assim que alcançou a porta, ele sentiu um puxão no cotovelo.

— O quê? — Ele olhou e viu Garçonete Felpubro, segurando seu braço e olhando sugestivamente na direção da oficina.

— Na verdade, tenho certeza de que devia ter nos trazido um pouco disso primeiro.

— Acha?

— É. Podíamos ter preparado e todos podiam ter dividido! Isso não foi muito gentil de sua parte… — continuou ela, piorando a injúria.

Matador de Goblins apenas assentiu e disse: — É mesmo?

Com sua cesta de milho, o aventureiro de capacete de aço se destacava ainda mais do que o usual.

— Aí, Matador de Goblins! — chamou uma voz eufórica da taverna.

Ele virou o capacete para olhar. Guerreiro de Armadura Pesada acenava com a mão, seu rosto vermelho sugeria que ele já tinha tomado todas.

— Você parece um homem que precisa de uma bebida. Venha cá e vamos brindar!

— Não me diga que você quer que ele se junte a nós? — Cavaleira, com seu lindo rosto tingido com um pouco de carmesim, estufou as bochechas ao lado do guerreiro.

— Ah, qual é o problema? Só de vez em quando.

— Alguns de nós gostariam que algo além de história sobre goblins acompanhasse nossas bebidas. — Sua cadeira rangeu quando ela se levantou com um resmungo exasperado de “ah, esqueça” e trocou de lugar. — Cheguem para lá, crianças. A paladina vai se sentar aqui.

— Não sei, realmente acha que pode se chamar de paladina com uma boca como essa…? — disse Garoto Batedor.

— Tome cuidado. Veja se eu não lance Punição Sagrada em você um dia desse…

— Claro. Não tem sido nada além de Trombada com Escudo ultimamente — comentou Druidesa.

— E o quê? Por favor, me diga, é errado para um cavaleiro usar seu escudo? Culpe os deuses por não me dar nenhum milagre!

— Ahh, já pode ficar quieto?! Homens não conseguem pensar direito porque falam demais!

Garoto Batedor e Druidesa começaram a discutir como crianças quando Cavaleira os deixou livre. Guerreiro de Armadura Pesada interrompeu e olhou furiosamente para todos. Ele não tinha nenhuma atenção sobrando para Matador de Goblins.

Assim que o último tentava descobrir o que fazer, uma sombra apareceu ao lado dele. Era o meio-elfo do grupo de Guerreiro de Armadura Pesada. Ele fez uma elegante reverência com a cabeça e piscou.

— Quero ter uma palavrinha com os nossos estimados líderes. Por favor, não lhes dê atenção.

— Nem brincando! — Disse Garçonete Felpubro com uma risada. — Eles estão para lááá de bêbados. Não há nada de interessante lá. — Ela balançou a mão parecida com uma pata como se estivesse enxotando algo. — Muito bem, senhor, vá em frente. Não seria bom manter alguém esperando, seria?

— … — Matador de Goblins virou seu capacete em direção aos dois, depois para Guerreiro de Armadura Pesada no bar. Ele olhou para cima, depois para baixo. — Obrigado.

— Sem problema! — Ela respondeu sua palavra calma de gratidão com um sorriso, e ele não disse mais nada enquanto saía do edifício.

Empurrado pelos aventureiros em volta, ele abriu as portas vai-e-vem e saiu. Havia uma brisa fresca da noite, e dentro do capacete, Matador de Goblins fechou os olhos. Então ele deu um passo em frente. Ele prosseguiu pela rua com seu passo casual e ousado habitual, indo para o portão principal. Mais uma vez, o portão estava bem ao lado da Guilda, então não ficava muito longe. Ainda assim…

Entre o vai-e-vem de aventureiros e viajantes passando pelo portão, uma forma maciça se sobrepunha acima do resto. Matador de Goblins parou quando notou a silhueta distinta, e seu dono o viu também.

— Oh-ho, meu senhor Matador de Goblins! — O rosto do homem-lagarto se iluminou, e ele balançou bem o braço para chamar a atenção do guerreiro. Quando Matador de Goblins chegou perto o bastante por entre a multidão, ele pôde ver três outras pessoas ao lado do lagarto; todos os seus companheiros habituais estavam ali.

Os quatro pareciam exaustos, com as roupas sujas, mas um sentimento de realização estava claro em seus rostos. O nariz de Anão Xamã se contraiu com o leve cheiro de sangue, e assim ele destampou uma garrafa de vinho para se livrar dele.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Obrigado pelo capítulo.

    É muito bom ver o desenvolvimento social do Goblin Slayer, principalmente pela surpresar dos outros personagens que convivem com ele ao notarem(ou não kkk) sua pequena mudança em seu comportamento habitual.

      1. Agora que tu falou, fiquei pensando nisso kkkkkkk

        Creio que ele deva receber alguns presentes, não sempre, mas na grande maioria das vezes, até porque nunca se sabe se outros goblins vão aparecer, aí tá um bom motivo para enviar um(tô brincando kkkk).

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