MdG – Volume 4 – Capítulo 10 (Parte 3 de 4)

— O que é isso? Não me diga que está saindo de novo a essa hora, Corta-barba?

— Não — disse Matador de Goblins balançando o capacete. — Estou indo para casa. E vocês?

— Apenas acabamos uma pequena aventura.

— É bem difícil com apenas uma pessoa na linha de frente! — Alta-Elfa Arqueira fez um som de aborrecimento e deu de ombros, balançando a cabeça. Então estendeu a mão e agarrou Sacerdotisa, a puxando em um abraço.

— Q-quê!

— Aposto que você está bastante cansada.

— N-não, eu… — O súbito contato físico pareceu deixá-la tonta; podendo ou não ter sido isso o motivo de ela abaixar a cabeça timidamente. — Estou bem. Obrigada a todos por se esforçar tanto em me proteger…

— Oh, e é modesta também! — Alta-Elfa Arqueira mantinha os braços esbeltos da garota, acariciando sua cabeça e gorjeando “que docinho”. Ela olhou para Matador de Goblins ao mesmo tempo, com aparentemente nenhuma intenção de deixá-lo ir. — Então — disse ela — não sou um anão, mas pensei que devíamos ter um miminho.

— Entendi.

— Ooh, isso é milho? — Os olhos da elfa, sempre perspicazes, caíram sobre o cesto que Matador de Goblins carregava. A menos que ela estivesse muito enganada, estava cheia de milhos amarelos de maduro, ainda na casca. — Ooh! Ooh! Pode me dar um pouco? Por favor! — Mal terminou de falar e ela soltou Sacerdotisa e surrupiou uma espiga.

— Você é um elfo ou um rhea? — perguntou Anão Xamã, apanhado entre irritação e diversão.

— Está bem — disse Matador de Goblins, fazendo com que a elfa estufasse seu pequeno peito ainda mais orgulhosamente.

Sacerdotisa ficou ocupada estando desvairada durante toda a situação, e Lagarto Sacerdote silvou. — Oh-ho. Isso era um alimento básico na minha terra natal.

— Hã? Quer dizer que vocês comem algo além de carne?  — perguntou Sacerdotisa, surpresa. Ela podia ver uma discussão surgindo apesar da fadiga, e ela queria evitar isso o máximo possível.

— Costumamos fazer mingau dele e beber em uma sopa com mel ou agave.

— Uau! Mal consigo imaginar isso. — Alta-Elfa Arqueira se inclinou, com seu interesse desviado com sucesso, e Sacerdotisa deu um pequeno suspiro de alívio.

— Nesse caso, prepararei um pouco. Ah, sim, meu senhor Matador de Goblins.

— O quê?

— Se me permite incomodá-lo, gostaria de outra rodela de…

— Queijo?

— …Hum.

A cabeça de Lagarto Sacerdote se agitou impacientemente, e ele não conseguiu conter uma bofetada de sua cauda no chão.

— Eu o enviarei diretamente ao seu quarto.

— Ahh! Meus agradecimentos sem limites! Isso se tornou um vício para mim… — Ele continuou nesse mesmo sentido, com gritos de “oh, doce néctar!” e coisas assim.

— Orcbolg — disse Alta-Elfa Arqueira, observando o lagarto de soslaio —  por que simplesmente não entrega você mesmo então?

— Então não seria afazeres de fazenda.

— Hummm.

Isso contava como uma espécie de integridade? Alta-Elfa Arqueira balançou as orelhas e riu. — Isso é perfeito, então… Estava pensando em te pedir para fazer um trabalho.

— Goblins?

— Claro que não — disse Alta-Elfa Arqueira com um balançar de suas orelhas. — Quero que acompanhe essa garota de volta ao templo.

— Hwah?! — Sacerdotisa não esperava se tornar o alvo da conversa. Ela acabou por ser empurrada por trás até que estivesse na frente de Matador de Goblins. Ela olhou freneticamente dele para Alta-Elfa Arqueira e assim por diante. — Ah! Uh! E… estou bem… sozinha. Não é muito longe…

— A estrada é um lugar perigoso à noite. — Anão Xamã passou a mão pela barba, com um sorriso provocador no rosto. — Goblins podem aparecer a qualquer momento. Não é verdade, Corta-barba?

— Sim — disse Matador de Goblins com máxima seriedade. — Mas vocês não estão hospedados na pousada da Guilda?

— É, mas parece que ela tem alguma coisa a ver com o festival do outono, hum?

Quando Alta-Elfa Arqueira olhou para ela para confirmar, Sacerdotisa pareceu incapaz de formar uma resposta. Era verdade, aparentemente, mas admitir isso significaria ser escoltada de volta ao templo.

Lagarto Sacerdote a encurralou ainda mais, adicionando sua voz ao coro: — Lhe faria bem deixá-lo acompanhá-la.

— Não é hora de ficar tímida, moça.

— …

Todos pareciam muito sérios. Eles não poderiam estar errados, poderiam? Sacerdotisa olhou de um em um, esperando encontrar alguma pista em seus rostos, quando Matador de Goblins começou a se mover.

— Vamos. — E ele partiu com essa palavra franca.

— Ah, hum, uh, s-sim, senhor! — Sacerdotisa acabou por correr atrás dele, ansiosa para não ficar para trás.

Ela deu uma olhada sobre os ombros para encontrar os outros três observando eles ir, seus sorrisos sugeriam que estavam se divertindo com a cena. Ela achou isso estranhamento embaraçoso e sentiu suas bochechas aquecerem, mas ela se curvou para eles mesmo assim.

— Eu, hum, vejo vocês amanhã!

Matador de Goblins parou e pensou por um momento, com seu capacete inclinando só um pouco, depois começou a andar outra vez. Sacerdotisa correu para alcançá-lo enquanto ele ficava cada vez mais distante. Ela só o alcançou quando ele abrandou o passo.

— V-você tem andado, é, ocupado ultimamente? — Sacerdotisa olhou para ele, se esforçando para acalmar sua respiração. Ele usava o mesmo capacete de aço de sempre. Se o capacete já não tivesse ocultado sua expressão, a escuridão o teria.

— Sim — disse Matador de Goblins assentindo. — Precisava de dinheiro.

— Dinheiro…?

— Juntei o suficiente agora.

Hum. Sacerdotisa tocou o dedo pálido nos lábios, observando o chão enquanto pensava. Ela sentiu um pouco de insatisfação e uma pitada de preocupação. Ela não experimentava isso como ciúmes, propriamente. Era uma tristeza, quase uma raiva, que ele não a convidara. Ele devia ter se sentido livre para lhe dizer.

Enquanto ela ficou pensando, ele continuou andando, e ela fez um esforço para alcançá-lo. Não demorou muito tempo para chegarem ao Templo da Mãe Terra.

— Chegamos. — Quando Matador de Goblins falou, ela olhou para cima para se ver à porta do templo. O sol roxo da penumbra atravessava pelas paredes de porcelana; dentro, um fogo aceso pela vigília noturna tremeluzia.

— Muito obrigada — disse Sacerdotisa, subindo as escadas da entrada.

Eu estou… bem com isso?

Não. Não, não estava. Foi por isso que ela criou coragem e falou. Ela tinha certeza de que seu rosto estava vermelho, mas talvez entre o crepúsculo e a escuridão, ele não poderia ver.

— A-ahn! Na próxima vez que for em uma aventura, tenha… tenha a certeza de me avisar! — disse ela tão energicamente quando pôde.

— …

Matador de Goblins não disse nada a princípio e apenas olhou para ela. Mas depois de um momento ele disse: — Está bem — e deu um aceno inconfundível. — Eu irei.

Isso era tudo o que Sacerdotisa precisava ouvir. Seu rosto se iluminou tão intensamente que era notável mesmo na profunda escuridão. — Certo! — exclamou ela. — Até amanhã então!

— Até amanhã — murmurou ele, observando enquanto ela se virava e desaparecia no templo.

Por um tempo ele ficou parado ali na frente do edifício.

Encontrei com bastante pessoas hoje. Ele pensara isso antes.

Mas, ele refletiu, não era exatamente verdade. Essas pessoas estiveram sempre ali. As coisas tinham, em certo sentido, mudado. Mas em outras, não. Era simplesmente porque ele nunca reparou.

Ele tinha a sensação de que muitas coisas tinham escapado de sua atenção. Ele respirou fundo e depois soltou lentamente.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. Obrigado pelo capítulo.

    Ela ficou com raiva porque ele não levou ela em uma missão?
    Pelo que parece a Sacerdotisa já se apaixonou pelo Goblin Slayer e ainda não percebeu kkkk

      1. Ela tá se apaixonando pouco a pouco pelo Goblin Slayer, por isso que não faz sentido para nós, mas para ela faz kkkk

  2. “As coisas tinham, em certo sentido, mudado, mas em outras não, era simplesmente porque ele nunca reparou. Ele tinha a sensação de que muitas coisas tinham escapado de sua atenção.”

    Foi bem interessante ver que até o MdG percebeu sua mudança kkkk

  3. Ela não disse para chama-los e sim chama-la em especifico! O que ela quer é sair com ele e só ele nas aventuras huahauhauhua

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